Daniel - Introdução

O livro do profeta Daniel

Introdução
“O rei da Babilônia sitiou Jerusalém e a conquistou. Entre os cativos estava Daniel e os seus amigos. Daniel era de descendência nobre e foi feito primeiro ministro da Babilônia. Sabe-se dele mais do que todos os demais profetas de Deus. Ele honrou a Deus e Deus o honrou. Logo o Senhor usou o jovem cativo revelando-o o sonho de Nabucodonozor e a interpretação. Deus o honrou dando-lhe grandes visões do futuro. Foi um pouco esquecido na sua velhice no reinado do neto de Nabucodonozor, Belssazar, mas a rainha mãe se lembrou dele, quando Daniel interpretou a escrita na parede. Sob o reinado de Dario foi lançado aos leões e livrado por Deus de modo maravilhoso. Daniel continuou no reinado de Ciro e foi chamado pelo Senhor ao lar. Ele recebeu a promessa: “Tu, porém, vai-te, até que chegue o fim; pois descansarás, e estarás no teu quinhão ao fim dos dias” (Daniel 12.13). Daniel não é mencionado por nome no capítulo dos heróis da fé, mas suas obras são (Hebreus 11.33).

Talvez nenhum outro livro da Bíblia tem recebido tantos ataques como o livro de Daniel quanto à autenticidade. Seria o suficiente para todo crente que nosso Senhor, o infalível Filho de Deus, menciona Daniel por nome em Seu grande discurso profético proferido no Monte das Oliveiras (Mateus 24.15). Ele confirma a visão de Daniel 7.13 e quando fala da pedra em Daniel 2.44-45 (veja Mateus 21.44). Temos o testemunho de outro profeta do exílio, o profeta Ezequiel (Ezequiel 14.14-20 e 28.3). A narrativa da insanidade de Nabucodonozor é confirmada pelo antigo historiador Berosus que viveu 250 anos após a invasão persa e que alistou os manarcas babilônios. Escavações, placas, cilindros e monumentos babilônicos também confirmam o livro de Daniel.


O livro de Daniel é a chave para toda a profecia. Sem o conhecimento das grandes profecias contidas neste livro, toda a porção profética da palavra de Deus ficará como um livro selado. Uma das razões porque poucos crentes têm um entendimento correto de toda a profecia na Bíblia é a negligência do livro de Daniel. As grandes porções proféticas do Novo Testamento em Mateus 24 e 25 e, acima de tudo, o grande livro profético do Novo Testamento, o Apocalipse, só podem ser entendidos através das profecias de Daniel. O surgimento e a queda das grandes monarquias, babilônia, medo-persa, greco-macedônia e romana, são reveladas sucessivamente neste livro. O fim desses tempos e o tempo dos gentios que se seguirá também é conhecido. Há profecias relacionadas mais especificamente a Jerusalém e o povo judeu.

O livro de Daniel foi escrito em duas línguas, hebraico e aramaico. O primeiro capítulo foi escrito em hebraico e também os capítulos 8 a 12, mas os capítulos 2.4-7.28 foram escritos em aramaico, a língua da Caldéia. Isto fornece um argumento a mais para a autencidade do livro. O autor (Daniel) era versado nas duas línguas, comum a um hebreu vivendo no exílio, mas de modo alguém para um autor na época dos Macabeus, quando o hebreu já não era mais uma língua viva a qual foi substituída pelo aramaico. Daniel foi dirigido a empregar as duas línguas por uma razão específica. O que interessava a essas grandes monarquias, babilônia e medo-persa, foi escrito na língua que lhes era familiar. O que era de interesse do povo judeu foi escrito em hebraico.”[1]

“Daniel era jovem quando Nabucodonozor veio a Jerusalém e começou a conquistar Judá, no ano 605 a.C. Houve várias deportações de judeus para a Babilônia e Daniel estava no primeiro grupo porque era de linhagem real. Era prática da Babilônia deportar os nobres e treiná-los para o serviço em seus próprios palácios. Daniel estava ainda vivo em 539 a.C., quando o reino da Babilônia foi tomado por Ciro, o rei da Pérsia. Portanto, Daniel viveu e ministrou na Babilônia por mais de 60 anos. De fato, o profeta Daniel viveu durante quatro reinados: de Nabucodonozor, Belsazar, Dario e Ciro e em três diferentes reinos: Babilônia, Média e Pérsia. Daniel significa “Deus é meu juiz”.

Daniel ocupou várias posições importantes e foi promovido grandemente por causa de seu caráter e sabedoria, e principalmente, porque a bênção de Deus estava sobre ele. Nabucodonozor nomeou-o chefe dos sábios e governador da terra, uma posição semelhante a de Primeiro Ministro. O neto de Nabucodonozor, Belsazar, elevou Daniel a terceiro no reino. O primeiro era Nabonidus, o último rei da Babilônia, que residia em Tema na Arábia; o segundo era Belsazar, seu filho. E o terceiro ficou sendo Daniel e o motivo foi porque ele explicou o significado do que a mão escreveu no muro.

Dario nomeou-o líder sobre todo o reino (6.1-13). Certamente Daniel foi fiel testemunha de Deus em um reino perverso e idólatra por mais ou menos 75 anos. Daniel é para o Velho Testamento o que Apocalipse é para o NT e, de fato, não é possível entender um sem o outro. Profeticamente Daniel lida com o “tempo dos gentios” (Lc 21.24), aquele período que começou em 606 a.C. com o cativeiro e terminará quando Cristo retornar à terra para julgar as nações gentílicas e estabelecer Seu Reino na terra.

Nas várias visões e sonhos registradas em Daniel, vemos o programa da história dos gentios desde o reinado da Babilônia, pelas conquistas dos medos, persas, gregos e romanos, até o governo do Anticristo antes do retorno de Jesus Cristo. Este livro diz que “há um Deus no céu” (2.28) e que o “Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens” (4.25). Daniel diz claramente que Deus Altíssimo é Soberano. Que Ele pode colocar e tirar governantes de seus tronos. Que Deus pode ferir as nações mais fortes. O livro do profeta Daniel foi escrito por volta do ano 600 a.C.

O livro de Daniel não é arranjado em ordem cronológica. Na primeira metade, Daniel interpreta os sonhos dos outros e na última metade, ele tem visões concernentes ao futuro de seu povo. A seguir a ordem histórica do livro. Note que Daniel era um homem de seus 80 anos quando foi lançado à cova dos leões!

Capítulos
Acontecimentos
Data (a.C.)
    1
Cativeiro
605-604
    2
Sonho da Estátua
602
    3
Imagem de Nabucodonozor
  -
    4
Sonho da árvore de Nabucodonozor
  -
    7
A visão dos quatro animais
556
    8
A visão do bode e do carneiro
554
    5
O banquete de Belsazar - a Babilônia cai
538
    9
A visão das 70 semanas
539
    6
A cova dos leões
  -
10-12
As visões finais
  -

Seis diferentes reinos são identificados no livro de Daniel.

Capítulo 2
Capítulo 7
Babilônia (606-539 a.C.) - a cabeça de ouro (v.36-38)
Leão com asas de águia (v.4)
Média-Pérsia (539-330 a.C.) - braços e peito de prata (v.39)
Urso com três costelas (v.5)
Grécia (330-150 a.C.) - quadris de bronze (v.39)
Leopardo com quatro cabeças (v.6)
Roma (150 a.C. até 500 d.C.) - pernas de ferro (v.40)
Animal terrível (v.7)
Anticristo - dez dedos de ferro e barro (v.41-43)
Pequeno chifre (v.8)
Cristo - a Pedra que esmiúça (v.44-45)
O Filho do homem (v.9-14)

Guarde em mente que o Império Romano nunca foi substituído por outro império mundial e assim continuará até que o Anticristo se levante. Este último ditador mundial estabelecerá um império de países confederados (os 10 dedos).

Note que no capítulo 2 mostra a visão do homem sobre as nações (metais valiosos), enquanto que no capítulo 7 mostra a visão de Deus (bestas perigosas). Em Daniel 3 e 6 mostra como o reino deste mundo persegue os crentes por não adorarem o seu deus, porém, é apenas uma sombra em comparação ao que acontecerá no período chamado Tribulação (7.25, 8.24, 12.1).

Alexandre Magno (o Grande) foi o grande conquistador grego. Era o rei da Macedônia. Em 331 a.C. conquistou a Pérsia. Certo dia, enquanto estava em Jerusalém ouviu um sacerdote ler as profecias de Daniel e impressionou-se bastante quando este lia que um rei grego derrubaria a Pérsia, o que de fato aconteceu com suas próprias mãos.[2]


[1] The prophet Daniel by Arno Clement Gaebelein - http://www.biblecentre.org/commentaries/acg_31_daniel.htm
[2] Expository Outlines on Old Testament by Warren W. Wiersbe

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