Ezequiel 28

Capítulo 28: O príncipe de Tiro e Lúcifer, o rei de Tiro. Profecia contra Sidom
1.Este é um texto clássico para falar da queda de Lúcifer que foi muito parecida com a queda do príncipe de Tiro. É possível fazer uma comparação. Até o versículo 10 é claro que está falando do príncipe de Tiro e depois o relato só pode ser a um anjo sublime que caiu. Este só pode ter sido Lúcifer. O príncipe de Tiro pensava de si mesmo muito além do conveniente, pois ele se via como Deus. Aconteceu isto também com Herodes (At 12.22-23). Na opinião do próprio príncipe de Tiro ele era mais sábio do que Daniel. Deus não diria isto, uma vez que Daniel tinha a sabedoria do próprio Deus. Contudo, o príncipe de Tiro levava jeito com o comércio. Como acontece, muitas vezes, pessoas habilidosas têm a tendência de ficarem presunçosas e acharem que não precisam de Deus. Deus sabe abater os arrogantes. No caso, Deus usaria os caldeus para manchar o príncipe de Tiro em sua arrogância. O príncipe de Tiro manterá sua arrogância até o final, julgando ser o próprio Deus, mas será derrotado (v.1-10).


2.Agora já não se trata do príncipe de Tiro, mas do rei de Tiro. Não é o pai do príncipe, mas um ser superior acima de Tiro. Pela descrição fantástica, além da compreensão humana, é correto associarmos esta profecia, que na verdade é um relato, à queda de Lúcifer. Lúcifer tinha o poder de aferir medida, isto é, de julgar com justiça. Estava colocado em uma posição superior aos outros seres angelicais. Além disso, era muito sábio e belo. Ele estava no Éden de Deus. Alguns entendem isto como sendo uma criação pré-adâmica, a qual foi destruída por causa da queda de Lúcifer. Neste material, este ensino é rejeitado. Outros entendem que o Éden de Deus é a presença de Deus. Parece que teremos dificuldade em manter este ponto de vista, pois lemos adiante que Lúcifer queria subir, dando a entender que o Éden de Deus foi um lugar separado para a habitação de Lúcifer, mas evidentemente ele tinha acesso à Presença de Deus. Portanto, nem é a terra, nem as regiões celestiais e nem a Presença de Deus. De qualquer forma era um lugar riquíssimo. Lúcifer tinha um ministério de proteção. Deus tem uma predileção por lugares altos (montes). Lúcifer habitava em um lugar assim e Deus também aprecia o fogo como símbolo de sua santidade. Lúcifer estava entre as pedras de fogo. Lúcifer era perfeito, assim como todos os anjos criados por Deus. Um dia se achou iniquidade nele. Não devemos nos prender sobre qual seria esse “dia”, uma vez que antes da criação o tempo nada representava. Aqui há um paralelo com Tiro. Lúcifer tinha um comércio, por assim dizer. Ele investiu em anjos para o seu terrível plano de conquistar o lugar de Deus. Com a expulsão do seu lugar, o Éden de Deus, Lúcifer perdeu sua posição de protetor e seu brilho entre as pedras de fogo. Aconteceu isto mais tarde com o Templo de Jerusalém, quando a glória de Deus se foi (ver Ez 11.23). Quando diz “por terra te lancei” trata-se de uma expressão de derrota e não que Lúcifer foi lançado para terra. Isto, como sabemos, acontecerá na tribulação (ver Ap 12.9). Os poderosos viram a queda de Lúcifer. Os anjos viram e as nações saberiam no futuro, pois o mundo é impregnado de Satanás e há uma enorme quantidade de seguidores. O pecado de Lúcifer foi o orgulho, que é refletido de muitas formas como a independência de Deus. O pecado em todas as suas formas é, na verdade, a independência de Deus. Novamente, não podemos afirmar que Satanás caiu direto para a terra, pois isto acontecerá em outro tempo futuro. Aqui fala de sua destruição. As pedras fogueadas serviram agora para queimá-lo (v.11-19, veja Zc 3.2).

3.O julgamento de Deus sobre Sidom servirá de testemunho para as nações. Sidom pereceu por pestes e também pela espada dos caldeus e dos persas. Logo, não teve nenhum lado que não houvesse espada. Assim Deus foi purificando os arredores de Israel para o futuro regresso. Isto seria para o final do cativeiro e também para o final de todas as dispersões, no reino futuro do Messias. Deus tem prazer em retirar os obstáculos que nos impedem de habitar em segurança. Esses obstáculos são diversos, mas podem se resumir no principal deles, o pecado (v.20-26).

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