João 1

Lição 1: O Verbo de Deus. João Batista. Os primeiros discípulos (capítulo 1)
1.O autor deste evangelho é João, filho de Zebedeu. Era um dos Doze. Ele, seu irmão Tiago e Pedro, irmão de André, eram os mais íntimos de Jesus. O livro não cita o autor, mas em Jo 21.20,23,24, sabemos que é João.

2.Foi o último escrito da Bíblia, exceto Apocalipse. Final do 1º século (85-90 a.D.) Foi escrito quando João estava em Éfeso, onde foi gasto os últimos anos da vida de João antes de ser exilado na ilha de Patmos.

3.Conforme Jo 20.31 o livro foi escrito para todos os crentes. Para firmá-los, dar certeza da salvação, servir de instrumento para convicção dos ímpios. O tema principal do evangelho de João é a divindade de Jesus.

4.Sinópticos significa “olhar junto”. Os três primeiros evangelhos, Mateus, Marcos e Lucas devem ser observados juntos, mas o evangelho de João é especial, pois não segue a mesma ordem paralela dos demais evangelhos. Algumas observações em relação aos sinópticos:


        SINÓPTICOS
O EVANGELHO DE JOÃO
Todos escritos antes de 70 a.D.
Salientam biografia
Relatam muitas parábolas


Narram 23 milagres
Enfatizam discursos públicos
Contam o que Jesus fez
Ministério de Jesus ao Norte (Galileia)
Ênfase na herança do reino
A História terrena
Escrito de 80 a.D. em diante
Salienta doutrina
Não relata nenhuma parábola, exceto cap.10 (O Bom Pastor) e Cap.15 (A Videira), se considerarmos como parábolas
Narra apenas 7 milagres
Enfatiza entrevistas ocultas
Conta porque o fez
Ministério de Jesus ao Sul (Judeia)
Ênfase na Pessoa de Jesus e na herança da vida eterna
O significado espiritual

5.”Verbo” é a tentativa de tradução da palavra logos (logos) que pode ser traduzida por “palavra, pensamento”. A filosofia grega usava este termo para descrever a essência de qualquer existência. Ou seja, nada existe sem o Logos. Portanto, esta palavra foi emprestada da filosofia grega, e foi muito oportuno, pois os leitores aos quais se destinou este escrito eram gregos.

6.O Logos não foi criado como deixa claro o pensamento dos versículos. Em Gênesis 1.1 afirma que foi “no princípio”. O Verbo foi o Criador do Universo. O Logos está onde Deus está e é o que Deus é (Ap 19.13) (v.1).

7.O Logos estava com Deus, portanto, refere-se à Eternidade, pois nem os anjos estavam com Deus. Somente o próprio Deus não foi criado, por isso, é fácil chegar à conclusão que o Logos é Deus (v.2).

8.Além de sabermos neste verso que o verbo é Criador, sabemos também, que o mundo não é eterno. Havia um tempo em que não existia. Outras referências para Jesus Cristo como Criador são as seguintes: Hb 1.1, 10-12, Cl 1.16, Ap 3.14. Talvez tenha muitos crentes, que sem conhecimento não sabem que Jesus também criou o universo. Esta ênfase deve existir desde o ensino para as crianças e nos evangelismos, para que saibam que Jesus não entrou na História da Redenção de última hora (v.3).

9.Ele não apenas gerou moléculas, mas gerou vida. Esta vida gera luz, ou seja, cada pessoa pode perceber que Deus é o Criador Poderoso. A Criação é um bom testemunho para que alguém perceba que existe um Criador. Não fosse Ele nada haveria, nem mesmo a escuridão, que também foi criada (v.4).

10.O conhecimento de Deus é a Luz gerada pelo Verbo e prevalece contra a ignorância espiritual. Não se pode apagar o testemunho da Criação. Portanto, esta Luz está prevalecendo contra todas as trevas. A palavra luz aqui é usada de modo literal, ou seja, se refere à Criação, quando Deus disse: “Haja luz”, mas também de modo espiritual, referindo-se ao conhecimento de Deus (v.5).

11.O escritor nem precisou dizer João Batista, pois nunca cita o seu próprio nome. A ênfase que o escritor colocou sobre Deus foi muito coerente ao seu ensino. Sendo que o Verbo é Deus e não João Batista, fez por bem expressar-se dessa forma, “homem enviado por Deus”, mostrando que o homem foi apenas enviado, mas Deus é o responsável pela luz. Infelizmente muitos seguidores de João Batista não compreenderam que eles deviam deixar João Batista e seguir a Jesus, o Verbo, a Luz (v.6).

12.João Batista não quis arrebanhar discípulos, mas transferi-los para Jesus. A tarefa de João Batista era apresentar Jesus como o Salvador, e isso ele fez muito bem, ainda que como pagamento tenha sido decapitado. João Batista veio para modificar a maneira dos religiosos da época pensarem. Talvez João Batista seja o exemplo mais fiel de um pregador que transferiu a glória para Deus. Jesus citou-o como o homem mais importante nascido de mulher (v.7).

13.Os discípulos de João Batista demoraram a descobrir que João Batista não era a luz (At 18.24-26, 18.1-7). João Batista abalou todas as classes da época, até o chamaram de Elias, por isso, é importante insistir em dizer que não era a luz. Em 5.35 há um esclarecimento da função de João Batista como “lâmpada”, que é apenas um instrumento pelo qual a luz brilha, muito embora seja muito importante, a lâmpada não toma o lugar da luz. Durante 400 anos o povo de Israel não teve um mestre notável, agora, com o ministério de João Batista podiam confundi-lo com a luz (v.8).

14.A verdadeira luz é Jesus. Não significa que João Batista seja uma luz falsa, e sim, que o título “luz” pertence somente a Jesus Cristo antes mesmo da Criação. A Luz ilumina a todo o homem. Se alguns permanecem nas trevas, não é por falta de iluminação, mas porque preferem as trevas. O versículo não está ensinando a Universalidade da Salvação, mas apenas que não falta iluminação neste mundo que ignora Deus (v.9).

15.Os povos fizeram imagens e ídolos porque não conheceram a Jesus. Quem não conhece o Verbo vive somente pelos sentidos e estabelece sua própria religião. Antes da Encarnação, Deus se revelou pelos profetas, pela criação e pelo cuidado para com o povo de Israel. Alguns ficam desapontados por não serem reconhecidos, mas o que diremos de Jesus que não teve reconhecimento quando da Sua Encarnação? (v.10).

16.”O que era seu” refere-se à nação de Israel, os judeus. A Encarnação é o cumprimento da profecia do Velho Testamento. Os judeus da época de Jesus esperavam um líder de reformas sociais e políticas. Tinham pouca atração pelos assuntos espirituais. Este verso não trata da rejeição dos profetas do Velho Testamento, mas especificamente da vinda de Jesus em Israel. Não providenciaram hospedagem para a mãe dele, foi perseguido, confrontado e morto. A neutralidade não existe quando se trata das coisas de Deus (v.11).

17.Alguns não acharam tropeço em Jesus (Mt 11.6). Quem deu as boas-vindas a Jesus recebeu o direito de herança  com tudo o que envolve as bênçãos celestiais. Só o fato de ser aceito na Família de Deus, resulta em bênçãos que não podem ser enumeradas. Agora o caminho a Deus não é mais pela nação de Israel, mas pela Pessoa de Jesus (v.12).

18.Não adianta ser descendente de Abraão, nem participar dos rituais judaicos para se tornar um filho de Deus. Essa nova filiação é sobrenatural. É impossível  ao homem fazer algo para sua salvação. Ele precisa somente crer na maneira de Deus, aceitando a Salvação que Ele providenciou em Cristo Jesus (v.13).

19.Jesus não veio em “semelhança de homem” (conforme afirmavam os gnósticos), mas veio como homem perfeito. Ele habitou entre os homens. No original diz que ele “tabernaculou” entre os homens (skenoo, habitar em tendas). Isto lembra Êx 40.34. Moisés orou para ver a glória que, hoje, temos o grande privilégio de desfrutar (Êx 33.18). Unigênito é a tradução de “monogenes” que significa “único da espécie” (v.14).

20.Não deve ser entendido que Cristo vivia na História antiga, apenas, mas que vivia antes mesmo da Criação e que sempre existiu. João Batista diz que Jesus é “antes de mim”, ou seja, “protos” que é uma palavra que se refere tanto a tempo como a posição. Lembre-se que João Batista foi considerado o maior dos profetas e exaltou Jesus como maior do que si mesmo (v.15).

21.Somos perfeitos Nele, participamos de Sua natureza, portanto, temos Sua plenitude, pois Ele enche o nosso ser. João se expressa de modo lindo ao dizer “graça sobre graça”, dando a certeza de que cada bênção que retiramos, outra está reservada para nós. Nada falta, tudo ali está! É como tirar um copo de água do oceano. Sempre haverá abundância da graça de Deus sobre seus filhos (v.16).

22.João não está menosprezando a Lei, antes mostra que a exigência da Lei é satisfeita em Cristo, que morreu sob o regime da Lei. Enquanto o medo dos que estão debaixo da Lei é morrer, os que estão sob a graça não precisam temer, pois estão debaixo de Cristo que já sofreu a morte que a Lei exige. Moisés trouxe a Lei que condena e Jesus trouxe a graça que redime. Ambos trouxeram algo de Deus (v.17).

23.Nem Moisés viu a Deus, mas viu mais do que outros que só viram manifestações. Moisés viu um clarão vindo do próprio Deus. Um dia todos verão a glória direta de Deus, ou para viver com Ele ou para ser condenado por Ele.  Jesus estava no “seio do Pai”, indicando relação eterna de comunhão (v.18).

24.Neste texto vimos as razões para louvarmos o Verbo de Deus. Nós O louvamos porque o Verbo é Jesus e é Deus. Também O louvamos porque o Verbo é a luz dos homens e porque o Verbo veio a fim de nos alcançar.

25.João Batista já sabia o que os fariseus queriam, por isso, confessou com uma negativa: “Eu não sou o Cristo”. Ninguém pode tomar o lugar de Cristo, pois Ele é o único Deus verdadeiro. A humildade não é pretensiosa. Nós temos a tendência de dizer de nós mesmos além do que convém para impressionar os outros. João não esperou que perguntassem, mas ele mesmo se apressou a dizer que não era o Cristo (v.19-20).

26.João Batista não era Elias em pessoa, mas era em função. O profeta Malaquias disse que antes da vinda de Cristo, Elias devia vir. João Batista se vestia como Elias e anunciava salvação. O próprio Jesus disse que João era o Elias que devia vir, mas que virá no futuro. É muito provável que uma das duas testemunhas em Apocalipse seja Elias do Velho Testamento. João respondeu que não era profeta. Não do modo como eles pensavam, ou seja, algum profeta ressuscitado. João Batista deve ser considerado como o último profeta do Velho Testamento. Não o último em importância, mas em ordem cronológica (v.21, Ml 4.5, Mt 17.10-13).

27.Os mensageiros dos fariseus estavam impacientes, pois precisavam noticiar com fidelidade ao sinédrio o que viram. Eles esbarraram na humildade de João que não se exaltava e nem mesmo se dava título de si mesmo. Assim devemos aprender, também. Não é o que falamos de nós mesmos que nos coloca nos melhores lugares, mas o que Deus diz sobre nossa vida é o que importa (v.22).

28.João não deu um título para si mesmo, antes citou a profecia de Isaías que estava relacionada ao seu ministério. Quem lesse o profeta entenderia que João era o precursor do Messias. Os fariseus não eram humildes como João. Eles se achavam especiais, pois até o título “fariseu” significa “separado” que é o correspondente de “nazireu”. Eram zelosos nos aspectos exteriores da lei, indo até mesmo além do que estava escrito (v.24, Is 40.3).

29.Para os fariseus a autoridade e credencial eram tudo, por isso, exigem uma explicação para o batismo de João. Se ele próprio afirmou não ser o Messias e nem Elias qual a autoridade que tinha de chamar as pessoas ao arrependimento e batismo? (v.25).

30.João Batista reconhece a sua limitação. O batismo com água é apenas um prenúncio da vinda do Messias. As pessoas que estavam interessadas na vinda do Messias aceitariam terem seus caminhos aplainados, ou seja, uma vida entregue às coisas de Deus. Podíamos nos perguntar, hoje, se estamos, de fato, aguardando o Noivo para buscar a Sua amada Igreja, a Noiva (v.26).

31.A humildade de João é vista sob o aspecto de não tomar para si mesmo a responsabilidade de Cristo. Ele nem mesmo se sentia digno de desatar as tiras das sandálias do Messias e lembremos que para fazer isto só é possível ajoelhado. Era o trabalho de um servo, o de tirar o calçado do dono da casa e lavar-lhe os pés (v.27).

32.A Betânia mencionada aqui não é a mesma perto de Jerusalém. Pode ser conhecida, também, como Betábara. O batismo era praticado pelos judeus sobre os prosélitos, mas João Batista convoca os judeus de nascimento a serem batizados. (v.28, Jo 11).

33.João Batista não tomou o lugar de Cristo, mas pelo contrário, apresentou às pessoas o verdadeiro Cristo. A mensagem era quase conhecida, pois o cordeiro era o animal exigido para os sacrifícios, mas o cordeiro servia para uma pessoa ou no máximo para a nação toda de Israel, mas João Batista afirma que o Cordeiro que está pregando é para o mundo todo. Os fariseus já tinham ido embora. No momento eles não suportariam mais esta mensagem. Muitos não aceitam que um homem possa tirar o pecado do mundo todo, mas Ele não é um homem comum, cheio de pecados, Ele é o próprio Deus. É o Verbo eterno, o Cordeiro de Deus. Ele tem a primazia antes de tudo e de todos (v.29-30).

34.O próprio João não conhecia Jesus. Ele nasceu na mesma época. Era o seu primo, mas João se ausentou da sociedade para o deserto. João Batista batizava para convidar pessoas e prepará-las para Jesus, o Messias. João Batista não conhecia Jesus pessoalmente. Soube quem era Jesus somente no dia que Jesus veio para ser batizado. Deus declarou a ele antes mesmo do sinal do batismo, pois O reconheceu de longe (v.31).

A pregação de João Batista (Mateus 3.1-12, Marcos 1.1-8, Lucas 3.1-18, João 1.1-31)

Mateus 3.1-12
Marcos 1.1-8
Lucas 3.1-18
João 1.1-31
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O verbo e a vida (v.1-5)
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João e a luz (v.6-14)
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João e a primazia de Jesus (v.15-18)
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Líderes perguntam se João é o Cristo (v.19-22, 24-25)
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João no deserto (v.1)
João no deserto (v.4)
João no deserto (v.2)
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Arrependei-vos (v.2)
Arrependimento (v.4)
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Voz do que clama no deserto (v.3)
Mensageiro, voz que clama no deserto (v.2-3)
Voz do que clama no deserto, vale aterrado, salvação a toda a carne (v.4-6)
Voz do que clama no deserto (v.23)
Pelos de camelo, gafanhoto e mel (v.4)
Pelos de camelo, gafanhoto e mel (v.6)
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Judeia e circunvizinhança (v.5)
Judeia e Jerusalém (v.5)
Circunvizinhança do Jordão (v.3)
Batizando no Jordão (v.28)
Batizados, confessando pecados (v.6)
Confessando eram batizados (v.5)
Arrependimento, remissão de pecados (v.3)
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Raça de víboras, ira vindoura (v.7)
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Raça de víboras (v.7)
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Frutos de arrependimento (v.8)
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Frutos de arrependimento (v.8)
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Filhos de Abraão feitos das pedras (v.9)
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Filhos de Abraão feitos das pedras (v.8)
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Machado à árvore (v.10)
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Machado à raiz (v.9)
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Sandálias e batismo com ES e fogo (v.11)
Sandálias e batismo com ES (v.7-8)
Sandálias e batismo com ES e fogo (v.16)
Batismo com água, sandálias (v.26-27)
Palha no fogo (v.12)
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Árvore e palha lançadas ao fogo (v.9, 17)
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Cordeiro de Deus (v.29-31)
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Multidões perguntavam o que fazer (v.10)
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João responde o que fazer (v.11-14)
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O povo perguntando se João era o Cristo (v.15)
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Muitas outras exortações (v.18)
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35.João Batista teve a confirmação da divindade de Jesus (Is 11.2, 42.1). A pomba foi o animal escolhido por Deus para simbolizar o Espírito Santo. É um animal amável com os filhotes e que ilustra muito bem a pureza e o cuidado fiel. João estava somente abrindo o caminho para Aquele que não batizaria com água, mas com o próprio Espírito Santo. A Este o mundo devia seguir e não a João (v.32-33).

36.João Batista foi humilde em reconhecer Jesus como Deus. Assim como João, cada um precisa testificar que Jesus é Deus e é o Salvador. Ninguém pode decidir pelo outro. O filho precisa reconhecer por si mesmo diante de Deus que Jesus é o seu Salvador pessoal (v.34).

37.João Batista tinha muitos discípulos, os quais foram orientados sobre o novo mestre que viria. Apenas estes dois estavam ansiosos, no momento, para conhecer Jesus, o Cordeiro de Deus, do qual João Batista tanto falou. Nem todos estão tão interessados nas coisas espirituais. Alguns têm mais pressa. Se o Cordeiro de Deus chegou, então, o único assunto que importa no momento é conhecê-Lo pessoalmente (v.35).

38.É como se João Batista dissesse: “Vejam, este é o novo Mestre. Despeçam-se de mim e sigam-No, que é o próprio Deus”. Dois dos discípulos não discutiram nem perguntaram mais nada sobre o Cordeiro de Deus. Tudo o que queriam saber de Jesus, agora, saberiam à medida que O seguissem. Um pastor, um conselheiro e um mestre podem apresentar o caminho, mas cada um precisa ter um interesse de conhecer melhor o Mestre dos mestres (v.36-37).

39.João Batista foi humilde não tomando o lugar e Cristo, mas apresentando-O às pessoas para que estas O seguissem.

40.Os dois discípulos de João Batista se interessaram por Jesus. Depois que os discípulos ouviram de João Batista que deviam seguir a Jesus não pensemos que foi fácil para eles. Ninguém se sente bem imediatamente com mudanças. É necessário alguma adaptação. Os amigos mudam, os lugares que frequentamos são outros e, por vezes a saudade da antiga vida nos assola. No caso dos discípulos de João não havia nada de errado em segui-lo, mas com o novo relacionamento com Jesus eles deviam deixar João Batista. No caso de alguém, hoje, seguir a Jesus deixando a antiga vida de pecado, também é necessário alguma adaptação. Muita coisa muda ao seguir a Jesus e é bom pensar nas condições do discipulado.

41.O Senhor Jesus está fazendo a mesma pergunta para nós. O que estamos buscando, de verdade? É possível que os discípulos de João Batista nem mesmo sabiam que o que estavam procurando. Estavam agindo mais em obediência ao próprio João, uma vez que nem mesmo sabiam que era esse Jesus. A primeira pergunta deles era onde Ele morava. Quando temos novos amigos queremos saber onde moram. Alguns querem avaliar as pessoas conforme a casa que possuem. ”Rabi” quer dizer “meu grande”. Foi traduzido para os leitores gregos entenderem que significa “Mestre” (v.38).

42.É exagero dizer que Jesus não tinha onde morar, conforme estes versículos. Talvez a casa não tenha impressionado aos discípulos, mas as palavras de Jesus foram suficientes para que O seguissem até o fim. Eles ficaram aquele dia com Jesus, conhecendo-O. João, o escritor, menciona que isto ocorreu à décima hora (quatro da tarde). Jesus foi gentil, não apenas respondeu onde morava, mas convidou os seus novos amigos a conhecerem sua casa. É um tabu que precisa ser quebrado. Quem segue a Jesus nunca ficará sem amigos. O primeiro novo amigo, logo de início, é o próprio Jesus. Além Dele há muitas novas amizades. É verdade que as velhas amizades acabarão no caminho antigo, não porque quebraremos relacionamentos, mas quando seguimos a Jesus alguns amigos, e até parentes, nos abandonam (v.39).

43.Um discípulo era André e o outro, possivelmente, era João, o escritor que nunca mencionava o seu próprio nome. André aparece três vezes neste Evangelho e sempre que é mencionado está levando alguém até Jesus (1.40-41, 6.8-9, 12.20-22) (v.40).

44.Além dos dois discípulos, mais um torna-se discípulo de Jesus, que é Pedro ou Cefas, cujo nome significa “pedra”. Messias é uma palavra hebraica, Cristo é uma palavra grega e Ungido é a palavra portuguesa. Muitas religiões têm os seus “Messias”, mas somente Jesus Cristo veio ao mundo ungido pelo Pai. A unção foi o Espírito Santo que desceu em forma de pomba. Somente Ele veio do céu e somente Ele ressuscitou e somente Ele voltará, portanto, ele é o único Messias (v.41-42).

45.Quem segue a Jesus não ficará sem amigos. André, Pedro e João agora construíram um relacionamento melhor, pois aprenderiam do novo mestre, Jesus Cristo.

46.Mas existe outro tabu que precisa ser quebrado para seguir a Jesus. É o preconceito dos crentes. Muitos que conheceram crentes que deram mau testemunho ou falsos irmãos criaram a ideia de que não pode existir crentes bons. Nos próximos versículos veremos alguém que tinham preconceito da cidade de onde Jesus veio.

47.Jesus quis ir para a Galileia porque ali encontraria mais discípulos. O próximo amigo é Filipe. O círculo de amizades está se abrindo. Ele era de Betsaida que significa “casa da pesca”, a principal atividade da região. Jesus ia direto ao assunto. Ele estava chamando somente aqueles que era do Seu plano treiná-los para apóstolos. Isto não significa que ele não tinha outros discípulos. Na Sua ressurreição foi visto de uma só vez por mais de 500 irmãos que eram Seus discípulos (v.43-44).

48.O evangelho tem bases remotas que precisam ser enfatizadas, como deixam claras as palavras “de quem Moisés escreveu” e “a quem se referiram os profetas”. Filipe estava a par das profecias. Moisés escreveu sobre o profeta que viria depois dele em Dt 18.15. Os profetas se referiram a Jesus Cristo de várias maneiras (v.45).

Descrição do Messias
Referência
Aflito, ferido de Deus e oprimido
Is 53.4
Um Renovo de justiça
Jr 33.15
O Pastor
Ez 34.23
O Messias, o Príncipe
Dn 9.25
O orvalho para Israel
Os 14.5
O Senhor que habita em Sião
Jl 3.17,21
O Senhor, o Deus dos Exércitos
Am 4.12
Aquele que vem no dia do Senhor
Ob 15
Do Senhor vem a salvação
Jn 2.9
A nossa paz
Mq 5.5
Fortaleza no dia da angústia
Na 1.7
O Deus da minha salvação
Hc 3.18
O poderoso que está no meio de ti
Sf 3.17
O Senhor dos Exércitos
Ag 2.9
O Pastor ferido
Zc 13.7
O sol da justiça
Ml 4.2

49.Natanael zombou do lugar referido, Nazaré. Ele estava cheio de preconceito a respeito de Nazaré e quase perdeu a bênção por causa disto. Quantas bênçãos perdemos por causa dos nossos tabus e preconceitos. Aqueles que rejeitam o evangelho porque pensam que não existe nada bom entre os crentes estão perdendo a maravilhosa chance de verem o que Deus pode fazer com um povo desprezível aos olhos da sociedade. A experiência tem grande valor no reconhecimento das verdades espirituais, por isso, Filipe desafiou Natanael com o convite “vem e vê”. (v.46).

50.Natanael zombou, porém, Jesus fez uma importante observação sobre ele. Jesus reconheceu em Natanael um verdadeiro israelita. Natanael não era apenas um descendente de Abraão por nascimento, mas um religioso sincero, que esperava o Messias ansiosamente. Jesus disse que não havia dolo em Natanael, fazendo um contraste com o nome de Jacó, que significa “usurpador, enganador”. Portanto, é um israelita em quem não há “Jacó” (v.47).

51.Jesus mencionou algo conhecido apenas pelo próprio Natanael. Toda a dúvida que tinha, naquele momento fora dissipada. Jesus sabia onde Natanael estava antes mesmo de encontrá-lo. Todo o preconceito de Natanael se quebrou, pois Jesus era onisciente. não apenas veio algo bom de Nazaré, mas o próprio Deus (v.48).

52.Natanael ficou convencido que Aquele só podia ser o Filho de Deus. Rei de Israel era o título máximo, um israelita sincero não podia esperar Pessoa mais significativa (v.49).

53.Jesus prometeu a Natanael mais evidências de Sua divindade. Ele relembra a “escada de Jacó”, onde os anjos desciam e subiam. Naquele momento Jacó soube que Deus estava ali e chamou o lugar Betel, casa de Deus  (Gn 28.12,19). Os tabus caem e as pessoas conhecem a Deus. O medo de se tornar crente e seguidor de Cristo faz com que muitos fiquem debaixo da sombra da figueira desprezando os crentes. ”Filho do homem” é um título escatológico (Dn 7.13, Mt 26.64) (v.50-51).

54.Do caminho que os crentes seguem há muita coisa boa. “Vem e vê” é o conselho de Filipe para Natanael. Precisamos convidar as pessoas a se tornarem amigas dos crentes e verem por si mesmas o que Deus pode fazer nesse meio.

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