João 2

Lição 2: O casamento em Caná da Galileia. A purificação do Templo (capítulo 2)
1.Três dias depois de ganhar Natanael, Jesus vai para um casamento. Agora eram cinco: João, André, Pedro, Natanael e Filipe. O texto faz uma observação oportuna, “a mãe de Jesus estava ali”, pois ela teve grande participação neste acontecimento. Maria deve ser observada como uma mulher humilde e obediente a Jesus. Ela, também, precisou de redenção, pois embora sendo a mãe de Jesus na terra, era uma descendente de Adão e, portanto, pecadora (v.1).

2.O texto diz que “Jesus foi convidado” e, obviamente, aceitou, pois seria a oportunidade de exercer seu ministério entre os judeus. Os liberais que dizem que aqui se trata do casamento de Jesus se esquecem de que ninguém precisa ser convidado para o seu próprio casamento. Jesus foi convidado e bem aceito. Outras vezes era convidado e desprezado. Algumas vezes era convidado só para ser confrontado. Portanto, soube viver em todas as circunstâncias. José nunca é mencionado com Jesus em seu estado adulto. Muitos admitem que José tenha morrido na meninice de Jesus. É certo que na morte de Jesus, seu pai, José, não era mais vivo (v.2).

3.Nenhum casamento devia ficar sem a presença de Jesus. Ele é o principal convidado no lar. Ele bate à porta
e quer cear com o crente. Não é diferente no casamento. O casamento do crente sempre deve ser a três. Em um casamento pode faltar luxo, casa própria e até mesmo filhos, mas nunca pode faltar a maravilhosa pessoa de Jesus Cristo.

4.A festa de casamento durava sete dias, com revezamento dos convidados. É possível que tenham chegado ao final da festa, pois o vinho estava no fim ou talvez não esperavam tantos convidados. O vinho para os judeus simbolizava “alegria”, portanto, acabar o vinho era o mesmo que terminar a alegria da festa (v.3).

5.Em nossa vida ou em nosso casamento a alegria pode findar. O que fazer? Maria foi logo a Jesus. E nós, para quem iremos? A alegria é um ingrediente que revela muito da nossa vida. As pessoas tristes não encontraram em Jesus a razão de viver. As pessoas alegres, porém, independentes de Jesus, não encontraram a fonte da verdadeira alegria.

6.Diferente de muitas culturas o termo ”mulher” era um termo respeitoso para a cultura judaica (ver Jo 19.26). Maria era a mãe de Jesus e não mais do que isso. Ele nunca mandou que adorássemos Maria como eterna. Ele é o verbo eterno e não a mãe dele. Jesus disse à mãe que “não é chegada a minha hora”. Este termo “minha hora”, normalmente era usado em outro contexto por Jesus, isto é, para Sua crucificação, que está ligada com Sua glorificação. Aqui é usado para dizer que, ainda, não é o tempo de sua atuação naquela festa. Maria devia esperar e obedecer. Também não é desrespeitosa a expressão “que tenho eu contigo”, mas refere-se ao novo relacionamento entre Jesus e sua mãe. Agora Jesus exerce o ministério de Filho de Deus e não a de filho de Maria (v.4).

7.Ela sabia a quem estava obedecendo, por isso, foi convicta. É provável que ela tinha alguma responsabilidade na festa, conforme notamos em sua ordem aos serventes. Embora Maria não soubesse o que Jesus faria, certamente, esperava Dele o melhor. Não importa o que Deus fará por nós, Ele sempre faz o melhor. Ele faz milagres em casamentos. Os casais deviam confiar em Jesus e na alegria que Ele pode restaurar nos lares (v.5).

8.As talhas de pedra eram para purificação (Mt 15.2, Mc 7.3, Lc 11.39). João escreveu para leitores gregos que nada ou quase nada sabiam da cultura judaica, por isso, essas explicações. Metretas é uma palavra grega que significa “medida”. Uma metreta equivalia a aproximadamente 30 litros. Portanto, cada talha comportava três metretas, ou 90 litros. Eram 6 talhas. Chegamos ao seguinte resultado: 540 litros. Sempre há lugar em nossas vidas para ser enchido com a alegria do Senhor. Ninguém pode dispensar a alegria do Senhor. Quanto mais nos oferecemos para o Espírito Santo nos encher, mais teremos Dele e de Sua alegria (v.6-7).

9.A ordem de Jesus foi para os servos levarem as talhas para o mestre-sala, pessoa responsável pela festa. O mestre-sala não sabia a origem daquele vinho, mas notou que a qualidade era excelente. Quando transbordamos da alegria do Senhor as pessoas vão notar. Elas não sabem explicar de onde vem a alegria, mas nós podemos apresentar-lhes a pessoa de Jesus Cristo (v.8-9).

10.Era costume servir o vinho inferior no fim da festa por uma questão de economia. Usando a simbologia do vinho, podemos nos alegrar no fato de que Jesus não diminui a qualidade da nossa vida. É possível alegria na velhice e no final da vida. A alegria não é apenas no início do casamento, mas por toda a vida, juntos, até que a morte venha a separar o casal (v.10).

11.Este foi o primeiro sinal. Se iriam segui-Lo era bom saber de Quem se tratava logo no início. Sendo que este foi o primeiro sinal-milagre de Jesus, caiu por terra o ensino de que Jesus fazia milagres quando era criança. A glória de Deus foi manifestada naquele casamento. Um casamento não pode ficar sem a glória de Deus. O templo de Israel perdeu a glória de Deus por causa do pecado. Um casamento perde a glória de Deus quando a infidelidade entra no lar (v.11).

12.O texto diz que “os discípulos creram”. Podemos mesmo afirmar que o alvo de Jesus nesta festa eram seus discípulos. O Senhor quer nos alcançar com a Sua presença, Sua alegria e Sua glória. Nunca devemos pensar que somente os incrédulos é que precisam do Salvador (v.12).

13.A palavra “sinais” é a tradução da palavra grega “semeia”. Em todo o Novo Testamento nunca aparece a palavra “milagres”, terata) sozinha. A palavra “milagres” sempre vem acompanhada da palavra “sinais”. João só usa a palavra “sinais” isoladamente. Concluímos que os milagres de Jesus ou quaisquer outros dos tipos encontrados em Atos dos Apóstolos, por exemplo, não são sem propósito, mas são sempre sinais com um objetivo específico, além de curar, de ressuscitar, de expulsar demônios ou de chamar a atenção.

14.O evangelho de João aborda os acontecimentos ocorridos durante as principais festas dos judeus. Páscoa vem do hebraico, “pesah” que significa “passar por cima” com o sentido de “poupar” (Êx 12.13,27). Os judeus comemoram a libertação de Israel do Egito. Essa festa é realizada no dia 14 do mês de nisan (março/abril) e era seguida pela festa dos Pães Asmos para lembrar que Deus mandou o povo fazer pão sem fermento porque saíram rápido do Egito e não esperariam a massa do pão crescer com o fermento. Jesus era zeloso e participava de todas as festas que Deus instituiu para o Seu povo (v.13).

15.O povo vinha de longe e não trazia animais, esperando encontrar vendedores nas imediações do Templo. O povo que vinha de longe tinha moeda estrangeira e precisava fazer a conversão para o dinheiro judaico, porém, os cambistas saiam ganhando muito além do que o necessário e justo. Os animais, também eram caríssimos. As ofertas de sangue eram as mais caras devido ao uso de animais. Na Lei de Deus isso já era previsto (Lv 12.8).  Os pais de Jesus ofereceram pequenos animais, devido à sua condição financeira (Lc 2.24). Deus nunca exigiu do homem aquilo que ele não podia oferecer, mas os homens exploram os seus semelhantes sem piedade (v.14).

16.Em Zc 14.21 e Ml 3.1-3 há profecias sobre o zelo do Messias. As cordas possivelmente eram dos que vendiam os animais. Toda aquela atitude de Jesus precisava de uma justificativa e a que Ele usou foi “a casa de meu Pai não é casa de negócio”, ou seja, colocou-se com guardião do Templo para o Seu Pai, Deus. Isso soava aos ouvidos dos judeus como blasfêmia. Ele chicoteava os animais e não os cambistas. As pombas eram tiradas do local (v.15-16).

17.Não sabemos se lembraram no momento que aconteceu esse incidente ou mais tarde, quando refletiam sobre a ressurreição (v.22). O texto que lembraram foi Sl 69.9. O zelo pela casa do Pai realmente consumiu Jesus, pois custou para Ele oposição e, por fim, a morte. Embora, esse registro venha logo depois do registro do milagre em Caná da Galileia, não se trata no início do ministério de Jesus, mas sim do fim, da última semana, quando Ele visitou Jerusalém para ser preso e crucificado (v.17).

18.O erro não estava em negociar os animais e nem fazer transação cambial das moedas, mas o erro estava em fazer tudo aquilo nas dependências do Templo e não nas imediações, pelo caminho. Com toda a certeza Jesus, também, não apoiava a exploração nos preços. Jesus é Deus e Sua autenticidade é vista nesta atitude. É o zelo de Deus.

19.Os judeus pediram um sinal como prova de Sua autoridade para aquela atitude. Houve muitos impostores do Messias. Eles não eram autênticos, assim como há muitos falsos profetas, impostores, os quais pregam um falso evangelho e não o Evangelho autêntico de Jesus Cristo (v.18).

20.Jesus respondeu com uma metáfora, colocando-Se como o Templo que é destruído e reconstruído em apenas três dias. A interpretação para nós, hoje, é fácil. Ele estava falando de Sua morte e ressurreição, mas não foi tão fácil assim para os que estavam ali naquele momento (v.19).

21.Os judeus pensavam que Ele estava falando do Templo literal, que foi iniciado em 20 a.C. e terminado em 63 a.D.. Portanto, faltavam, ainda, 30 anos de construção, pois estavam usando sem todo o acabamento. O Templo foi destruído em 70 a.D. Jesus é o Deus autêntico. Ele se referia ao Seu próprio corpo como o santuário (v.20-21).

22.Os discípulos “creram na Escritura”. Como a palavra “crer” neste Evangelho é usada de forma diferente da que usamos, não podemos pensar que os discípulos foram salvos aqui, mas apenas que firmaram mais ainda sua confiança na inerrância das Escrituras e na Pessoa de Jesus Cristo. Talvez todos, exceto Judas, já fossem salvos ou, talvez, alguns foram salvos durante o ministério de Jesus na terra (v.22).

23.A autenticidade de Jesus como Deus, também é vista na Sua autoridade que é a de dar a Sua vida e ressuscitar. Os grandes mestres mundiais ofereceram ensino e exemplo, mas não ressuscitaram.

24.Os sinais mencionados neste texto não foram narrados, mas entendemos que foram realizados em Jerusalém. João diz no final deste livro que não haveria espaço suficiente para relatar todos os sinais operados por Jesus na terra. Ele é o autêntico Deus. O texto diz que “muitos creram vendo os sinais”. Novamente a palavra “crer” não tem o sentido que usamos para indicar que foram salvos (v.23).

25.Jesus não ficou satisfeito, pois sabia que não era fé genuína. Jesus menospreza a fé que precisa ser reforçada por algum sinal. Tanto é assim, que no meio do povo de Israel Ele realizou muitos sinais e houve muita rejeição apesar disso, enquanto os não-judeus faziam lindas declarações sobre Sua Pessoa sem tentar Sua divindade, mas chegavam diante Dele com essa certeza, vindo suplicar-Lhe algum favor. A nossa autoridade é limitada, pois podemos ter muita percepção sobre as pessoas, mas podemos nos enganar. Jesus não tem percepção, apenas, Ele é onisciente. Ele conhece cada pessoa sem que elas pronunciem palavras (v.24-25).

26.Jesus é autêntico. Ele é Deus, pois Ele é zeloso pela casa do Pai. Ele tem autoridade baseada na Sua ressurreição e Ele sabe todas as coisas, pois é onisciente.

2 comentários:

  1. Pércio,
    como sempre seus textos estão ótimos. Uso-os sempre na preparação dos meus estudos e mensagens.

    Deus continue fortalecendo e capacitando-o nesse maravilhoso ministério.

    Um abraço,
    Thiago Ishy.

    ResponderExcluir
  2. Fico contente em servir, Thiago. Você é um ótimo professor e tenho certeza que usa bem os textos. Abraços.

    ResponderExcluir