João 3


Lição 3: O Novo Nascimento. João Batista (capítulo 3)

Os encontros mais importantes deste mundo e do mundo porvir
João 3.1-21
I.O encontro do pecador com o Salvador (v.1-12)
II.O encontro do Salvador com o pecador (v.13-17)
III.O encontro do pecador com o supremo juiz (v.18-21)

1.Nicodemos era membro do Sinédrio, um fariseu. Aparentemente, um homem sincero, impressionado com os sinais que Jesus fazia. Nicodemos ilustra bem o estado da nação de Israel, que não sabe o real significado das verdades espirituais (v.1)

2.Nicodemos encontrou-se com Jesus “de noite”, em segredo, por prudência, já que Jesus era “perigoso” aos olhos dos fariseus. Nicodemos quer explicação dos sinais que Ele realiza. Quando Nicodemos diz “sabemos”, indica que outros já suspeitavam que Jesus tinha algo de sobrenatural em sua essência. Nicodemos usa o termo “Rabi”, reconhecendo a alta posição de Jesus. O próprio Nicodemos é Rabi. Aos olhos humanos Jesus não possuía credenciais acadêmicas para ser chamado Rabi. Ele não ganhou este título das escolas autorizadas da época, Shamai ou Hilel (v.2).


3.Jesus disse para Nicodemos o que ele já sabia, ou pelo menos pensava que soubesse. ”Nascer de novo” é a tradução de “anothen” que significa “nascer do alto”, “nascer de Deus”. O pecador que vai ao encontro do Salvador deve se preparar para receber a última palavra com respeito ao exercício da fé. Ninguém pode chegar diante do Salvador dizendo o que acha de si mesmo e o que quer fazer para chegar diante de Deus. Somente Deus pode dizer ao pecador o que este precisa. Se Nicodemos quer ver o reino de Deus e participar deste precisa nascer de novo, ou seja, ser transformado e ganhar uma nova vida (v.3).

4.É claro que Nicodemos, um homem bem esclarecido, sabia que Jesus não estava falando do novo nascimento físico, no entanto, ele está aprofundando esta conversa espiritual com Jesus para não ficar nenhuma dúvida quanto ao entendimento. Parece que é um homem sincero em sua busca pela verdade. Quanto ao nascimento físico ninguém pode escolher os pais, o local e o nível social, mas quanto à mudança de vida espiritual o pecador é convidado a crer em Jesus Cristo, ou seja, fazer a melhor escolha de sua vida (v.4).

5.Nicodemos, ao ouvir Jesus, deveria estar raciocinando da seguinte maneira: “Todo o gentio precisa nascer de novo”, não eu, um judeu e membro do Sinédrio. Os instrumentos que Deus usa para o Novo Nascimento são a água e o Espírito Santo. A Palavra de Deus é a água que purifica. Somente a Bíblia pode limpar o pecador. A moralização da sociedade, ainda que boa e urgente não é suficiente para purificar o pecador. As boas obras que o pecador pratica, embora importantes para os necessitados, não podem lavar os pecados nem daquele que é alvo das boas obras e nem daquele que as pratica. Quanto ao Espírito, ninguém pode se esforçar por mudar de vida, pois é só o Espírito Santo que pode regenerar o pecador. É bom esclarecer que o Novo Nascimento e Salvação têm o mesmo significado. Alguns ensinam que Deus precisa regenerar o pecador para depois ele ser salvo. Quem é regenerado já é salvo (v.5).

6.O nascimento da carne é de um tipo, ou seja natural, mas o nascimento do Espírito Santo é espiritual. Quem nasce de novo entra em um novo relacionamento com Deus. Nicodemos, ainda que estivesse admirado, tinha de recapitular este ensino e não mais pensar nos gentios e prosélitos, mas se incluir como um pecador necessitado do Novo Nascimento. Não importa que ele era um mestre da lei, ele precisa ser salvo (v.6-7).

7.Jesus fez um trocadilho com a língua grega, uma vez que era o idioma corrente. A palavra “pneuma” em grego quer dizer “vento”, mas também é a mesma palavra usada para “espírito”. Portanto, quando Ele está falando do soprar do vento para os lugares, está usando de analogia, ou seja, o Espírito Santo é Quem opera nos corações. Assim como alguém pode fechar as portas e janelas para impedir que o vento entre em sua casa, o pecador tolo fechará as portas do seu coração e rejeitar a verdade e a graça da salvação. Novamente, alguns crêem que a graça é irresistível, no entanto, encontramos pessoas rejeitando a Palavra de Deus e o mesmo Deus insistindo que as pessoas aceitem a salvação (v.8)

8.Nicodemos está como uma criança desesperada por respostas. Mesmo sendo um mestre, Nicodemos nunca chegou nessa lição. Ele nunca aprendeu e jamais poderia ensinar. Os fariseus eram cegos guiando outros cegos e todos estavam se perdendo eternamente. É maravilhoso quando pecadores, ávidos pelo conhecimento verdadeiro, se chegam diante do Salvador Jesus Cristo. Ele tem todas as respostas (v.9-10).

9.Jesus reconhece que outros pregadores pregam o mesmo ensino espiritual. Não sabemos a quem exatamente Ele se refere, mas podemos incluir todos os profetas e, recentemente, João Batista. Jesus acusa os fariseus de receberem o testemunho da verdade, porém rejeitarem. Se rejeitam aquilo que veem bem perto deles, como entenderão as verdades profundas do céu? É muito perigoso receber o testemunho verdadeiro da Salvação pela Palavra de Deus, mas somente por curiosidade e por conveniência. Se não há um novo nascimento toda a luz do conhecimento se apagará (v.11-12).

10.O encontro de Nicodemos com Jesus, talvez tenha aberto o maior diálogo sobre a salvação já visto na Palavra de Deus. Não é surpresa que todos os que evangelizam usem este capítulo. O pecador se encontra com o Salvador. Este encontro em si não é a salvação, mas é o mais próximo que o pecador pode chegar da salvação. É bom que cada pecador aproveite esta oportunidade. Mas não é só o pecador que se encontra com o salvador. O salvador tem todo o interesse de se encontrar com o pecador, como veremos nos próximos versículos.

11.O maior presente de Deus para o homem foi a dádiva do Seu próprio Filho. Jesus Cristo deixou a Sua glória para habitar neste mundo pecador. É o salvador se encontrando com o pecador. Ele não veio passear neste mundo, pois Ele conhece a humanidade e todas as suas motivações. Aqui nunca foi o melhor lugar para um Deus santo morar. Ele veio para buscar e salvar todo aquele que se havia perdido (v.13).
12.Jesus menciona o incidente da serpente de bronze no deserto que foi levantada para a cura das picadas das serpentes. A serpente não é tipo de Cristo, como facilmente podemos interpretar por engano, mas o “levantar da serpente” é que é tipo do levantamento de Cristo na Cruz. No caso da serpente de bronze no deserto o pecador precisa tomar a iniciativa de olhar para o objeto de salvação. Hoje, também, o pecador precisa olhar para a cruz de Cristo. Ele fez tudo o que era necessário para a salvação, veio para se encontrar com o pecador em seus pecados, morreu e ressuscitou, abrindo o caminho para o céu. O que mais é necessário? Nada senão apenas aceitar este presente. Por que alguém morreria em seus pecados, sendo que há um recurso de salvação? (v.14-15).

13.O versículo 16 certamente é o versículo para conhecido dos crentes, o mais traduzido e aquele que quase todos os crentes já memorizaram. É o mais belo encontro do salvador com o pecador. Paulo, citando as palavras de Jesus, disse que “mais bem-aventurada coisa é dar do que receber”. O próprio Jesus deu a Sua vida para nos receber em Sua glória. A especialidade de Deus é dar. Ele tem prazer em dar ao pecador a salvação que tanto necessita. Deus é amor e, por isso, quis se encontrar conosco para nos salvar (v.16).

14.Enquanto o pecador se encontra com o salvador e o salvador se encontra com o pecador há possibilidade de salvação. O salvador não veio ao mundo para condenar as pessoas, mas para salvá-las. Há esperança de salvação para os vivos. É só aceitá-Lo como o salvador enquanto há tempo (v.17).

15.A oportunidade de salvação está nesses encontros com o salvador. Um dia o pecador não salvo terá o pior encontro de sua vida. Será o assustador encontro com o supremo juiz. Todas as possibilidades de salvação serão passadas e só restará trevas e separação eternas.

16.Sempre se pensa em condenação para o futuro e por esta razão muitos são preguiçosos para com as coisas espirituais. Não é tanto que as pessoas não acreditem que o supremo juiz pedirá contas desta vida, mas que as pessoas acham que este julgamento está muito distante e que no final da vida é o momento mais apropriado para pensar nisto. O fato é que nunca se sabe quando é o final da vida. Hoje é dia mais apropriado para aceitar o salvador. Aquele que não crê no Filho de Deus, Jesus Cristo, como o Salvador de sua alma, inevitavelmente terá de enfrentar o juízo diante do supremo juiz. Naquele dia não haverá discussão ou desculpas, só condenação. Para os que não crêem no Salvador a condenação já é uma realidade, pois a qualquer momento poderão deixar esta vida (v.18).

17.Este é mais assombroso, assustador e inevitável encontro que o pecador enfrentará. O julgamento está baseado nas más obras do pecador. As boas obras não contam para este julgamento. As boas obras não são deduzidas para salvar o pecador. A questão fundamental é que o pecador está separado da luz e não poderá ser salvo naquele dia. O desejo pelas trevas é maior do que o desejo pela luz e isto condena o pecador. A solução está em aceitar o Salvador Jesus Cristo. Quem tem esta oportunidade deve aproveitá-la e não adiar mais (v.19).
18.A luz é o único instrumento de verificação do pecador. Através da luz de Cristo o pecador é imediatamente julgado e na cruz de Cristo está a salvação de seus pecados. É bom aceitar esta luz (v.20-21).

19.estes três encontros são os mais importantes. O crente não participará do encontro com o supremo juiz, pois em Cristo Jesus já está afastado de qualquer condenação.

As usurpações que não podem acontecer
João 3.22-36
I.Quando o amigo do noivo quer usurpar o lugar do noivo (v.22-30)
II.Quando o terreno quer usurpar o celestial (v.31-36)

20.Não só João Batista batizava, mas Jesus, também, por intermédio de seus discípulos. O próprio Jesus não batizava. Ele não queria levantar contendas entre os discípulos de João Batista, porém, acabou acontecendo exatamente isto, pois como sabemos pela Palavra, o coração do homem é invejoso e contencioso. Jesus não veio usurpar a missão de João Batista e, como já vimos no capítulo 1, João Batista nunca pretendeu usurpar a Jesus, pois Ele é Deus (v.22).

21.A razão dos discípulos de Jesus convocarem pessoas ao batismo é a mesma de João Batista, aliás é a continuidade do batismo de João, apontando para uma nova fase: o ministério do Messias. Todos os que ouviam e criam eram identificados com o batismo. João Batista não abandonou a sua missão de apresentar o Messias para os pecadores. O batismo continuava a ser o ato exterior que indicava que o pecador aceitara a mensagem. O termo “muitas águas” mostra que os judeus não batizavam em águas estagnadas e que o batismo judaico era por imersão (v.23).

22.Nos sinópticos vemos que Jesus começou a pregar o reino de Deus após a prisão de João Batista. Até a prisão de João Batista os discípulos dele ainda estavam relutantes em seguir a Jesus. É um problema quando o discípulo não compreende a mensagem que o mestre que ensinar (v.24).

23.Houve uma discussão teológica entre os discípulos. Começaram a fazer partidos. Nem João Batista e nem Jesus Cristo pretendiam formar partidos. Simplesmente, João indicava o caminho ao pecador e este devia seguir a Jesus. O assunto era sobre a purificação. A Lei de Moisés previa vários rituais de purificação e os fariseus aumentaram bastante a lista, exigindo das pessoas práticas que o próprio Deus nunca ordenou. A maneira de lavar as mãos e os utensílios, a quantidade de água, e muitas outras regras. Quando nos perdemos em questões que só causam contendas o resultado é sempre desastroso. A pessoa de Cristo fica anulada e os legalistas acabam usurpando o lugar de Deus (v.25).

24.Aqui, provavelmente, os discípulos de João estavam discutindo sobre os discípulos de Jesus fazerem o mesmo que o seu mestre, isto é, batizando. Os discípulos de João Batista estavam enciumados por causa da popularidade de Jesus. Isso sempre acontecerá quando não se entende o plano de Deus, pois não era para existir discípulos com João Batista, exceto os que ainda não entenderam a vinda do Cordeiro (v.26).

25.Os discípulos de João Batista estavam preocupados com o “declínio” de seu líder, mas não entendiam que não era um declínio de qualidade, mas simplesmente que era o cumprimento de sua tarefa, ou seja, por já ter apresentado Jesus Cristo ao mundo, era a hora de “sair de cena”.

26.João Batista ao ouvir exalta o Cordeiro diante de seus discípulos e defende a Divindade de Cristo Jesus. Ele mostrou que o homem não pode fazer nada se do céu não vier o poder. Jesus não é um simples homem, mas o próprio Filho de Deus (v.27).

27.João não usurpou ser igual a Jesus Cristo, mas se colocou como precursor de seus caminhos. O crente não deve ir além daquilo para o que o Senhor o tem chamado. Somos servos de Cristo e devemos testemunhar com uma vida exemplar que, de fato, somos obedientes à Cruz de Cristo, ou seja, ao Evangelho (v.28).

28.O noivo é Cristo. O amigo do noivo é João e a noiva é a Igreja, ainda não formada. A função do amigo do noivo na cultura judaica era ajudar para que o casamento fosse um sucesso. João Batista se alegrava por ter cumprido a sua missão. A usurpação do amigo do noivo seria se ele roubasse para si a noiva do amigo. João não monopolizou os discípulos, mas os conduziu a Cristo (v.29).

29.As palavras de João são fáceis de pronunciar, mas praticá-las requer humildade. Os crentes podem se tornar usurpadores quando não obedecem humildemente a ordem de Jesus Cristo. Por exemplo, não estamos em posição de discutir se alguém vai aceitar o evangelho ou não, a ordem de Jesus é que preguemos o evangelho. O Espírito Santo é quem decide sobre o nosso futuro. Quando tomamos conta da nossa própria vida e fazemos a nossa própria agenda, novamente, estaremos usurpando a função de Deus. Ele deve crescer e nós devemos diminuir (v.30).

As seguintes expressões indicam a divindade de Jesus, defendida por João Batista: v.27 (do céu), v.28 (o Cristo), v.30 (que Ele cresça), v.31 (Alturas e céu), v.33 (Deus é verdadeiro), v.35 (Pai e Filho) e v.36 (Filho).

Portanto, João Batista menciona e enfatiza 7 vezes a divindade Daquele a quem teve a grande honra de abrir caminho para seu ministério, Jesus Cristo.

30.Há um tipo de usurpação que, também, não devia existir. É quando os assuntos terrenos querem tomar o lugar dos assuntos celestiais. Nós nem mesmo sabemos do que falamos. Nossos pensamentos são presunçosos e arrogantes. Devemos deixar que Deus assuma o controle de nossos pensamentos. O nosso mundo é totalmente direcionado ao humanismo. O homem é quem decide e deixa Deus de fora de todos os assuntos. Somente Jesus podia ensinar o caminho da salvação para aquelas pessoas (v.31).

31.Quando não aceitavam o testemunho de Jesus que viveu com o Pai e no momento estava vivendo entre os homens, eles estavam deixando que os pensamentos terrenos usurpassem a verdade celestial (v.32).
32.Quando o pecador deixa todos os seus argumentos por um momento e ouve o Salvador encontrará a perfeita salvação e não a ilusão de bem-estar. O testemunho de Jesus é verdadeiro. Ele é Deus (v.33).

33.Jesus veio ao mundo não para usurpar o lugar do Pai. Ele “não teve por usurpação ser igual a Deus”. Jesus, sendo o próprio Deus e não tendo pensamentos terrenos obedeceu em tudo ao Pai, quanto mais nós que temos a natureza terrena, devemos ouvi-Lo em tudo. Jesus foi ungido pelo Espírito Santo. Deus derramou o Espírito sobre Jesus. Ele não recebeu o Espírito por medida, mas foi totalmente pleno do Espírito. Alguns ensinam que Jesus era um homem muito iluminado, mas não é isto que a Bíblia ensina. Ele é totalmente Deus (v.34, Fp 2.6).

34.Quem diz crer em Deus, mas rejeita o Filho não é salvo, pois tudo o que Deus é está em Jesus. Quem vê o Filho vê o Pai. Qualquer um que exaltar outro ser mais do que Jesus Cristo é um idólatra, pois Jesus é Deus (v.35).

36.A ira de Deus está sobre todos os que não crêem em Jesus Cristo, como o verdadeiro Salvador e Deus. Muitos há que transferem a fé para Maria, mãe de Jesus na terra, nos apóstolos que viveram para servir a Jesus e nos Pais da Igreja, homens que aprenderam dos ensinos de Jesus. Chegam a fazer estátuas e imagens dessas pessoas. Tudo para desviar do único alvo verdadeiro, Jesus Cristo, o salvador. São usurpadores de Sua glória e receberão a justa ira de Deus sobre as suas vidas se não se arrependerem de seus pecados. São rebeldes e só alcançarão a vida eterna em Cristo Jesus (v.36).

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