João 4


Lição 4: A mulher samaritana. A cura do filho de um nobre (capítulo 4)

Os laços que ligam Jesus Cristo ao pecador
João 4.1-30, João 4.39-42
I.Ele provoca encontros com o pecador (v.1-9)
II.Ele sacia a sede espiritual do pecador (v.10-15)
III.Ele sabe tudo sobre o pecador (v.16-30 e v.39-42)

1.Se João Batista foi investigado pelo Sinédrio, muito mais Jesus que fazia mais discípulos que o próprio João Batista. O batismo era a continuação do ministério de João Batista, e muito provavelmente, apenas nos primeiros meses do ministério de Jesus. Jesus mesmo não batizava, talvez pela mesma razão que Paulo anos mais tarde, ou seja, para dar prioridade ao ensino e evitar partidarismo, deixando pessoas enciumadas por terem sido batizadas pelo Mestre. Os discípulos de João Batista e os discípulos de Jesus ardiam em ciúmes e os fariseus podiam usar isto para prejudicar tanto João Batista como Jesus (v.1-2).

2.Jesus sempre despistava os seus assassinos, pois sabia a hora exata de ser exposto à morte. E aqui, também, como em outras situações, fugia de tumultos que envolviam Sua Pessoa, não para se defender, mas para evitar uma projeção muito grande de Sua Pessoa como Messias, até que fosse cumprido todo o Seu ministério entre o povo de Israel. Quando a Pessoa de Jesus começava a ficar muito em evidência em Jerusalém e regiões da Judéia, logo Ele se despistava para a Galiléia (v.3).


3.Jesus queria passar por Samaria. O texto diz que “era necessário”, isto é, Jesus via a necessidade, pois não era o trajeto normal de um judeu que normalmente se desviava pela Transjordânia, na região da Peréia, só para não passar pela terra dos samaritanos. Entre os samaritanos havia ladrões que roubavam os judeus que iam para as festas em Jerusalém. A inimizade era bem conhecida. Havia uma forte divergência religiosa, principalmente, quanto ao lugar da adoração. No Monte Gerizim, que é em Samaria, havia um Templo e era ali o lugar que entendiam ser o lugar santo da adoração instituído por Moisés. Os samaritanos eram uma mistura de judeus com pagãos (2 Rs 17.24). Os samaritanos só aceitavam como fonte divina o Pentateuco de Moisés. Esperavam Moisés retornar como uma espécie de Messias. Era uma má compreensão do texto de Dt 18.15,18. Havia um laço forte que ligava Jesus ao pecador, por isso, Ele tinha de passar por Samaria para provocar um encontro com os pecadores dali (v.4).

4.Jacó fez um poço naquele lugar (Gn 33.19, 48.22). Naquela região, as águas corriam pelas montanhas, por isso, havia água suficiente para cavar poços. Jesus estava cansado. A hora sexta era meio-dia, um horário não concorrido para buscar água no poço, pois buscavam pela manhã (v.5-6)

5.A mulher que o texto focaliza não tinha a companhia das vizinhas e é provável que fosse desprezada. Além do cansaço, Jesus tinha sede, mostrando e provando a Sua Humanidade. O pedido de Jesus foi muito natural para um viajante sem vasilha para pegar água num poço. Os discípulos tinham ido comprar alimento. Talvez não estava sendo nada fácil para eles, pois um judeu dificilmente entraria numa cidade samaritana e com toda a certeza jamais compraria comida naquele lugar. Qualquer judeu sentiria contaminado se comesse ou bebesse em Samaria (v.7-8).

6.Novamente o escritor adiciona uma explicação para quem não é judeu. A divergência podia ser corrigida após o exílio babilônico, mas nenhum dos dois grupos (judeus e samaritanos) quis se entender. Os samaritanos construíram um Templo rival em 400 a.C., sendo que foi destruído em 108 a.C., mas mesmo assim o lugar de adoração para o samaritano continuou a ser no Monte Gerizim. Além do judeu não se dar com o samaritano, nunca usaria o mesmo utensílio para beber água, como Jesus está pedindo. Outro fator anti-cultural era que Jesus sendo homem está sozinho com uma mulher. É dada bastante ênfase sobre a divergência que o judeu tem para com o samaritano, mas o samaritano também não se dá com o judeu. Portanto, não existe nenhum grupo passivo nessa rivalidade (v.9).

7.Jesus Cristo, Salvador, está ligado ao pecador nesse laço. Ele provoca encontros, pois Ele ama o pecador e quer salvá-lo. Se Ele fizesse o que o pecador merece era só deixá-lo na condição que está, perdido e separado eternamente do criador e salvador.

8.Jesus não tinha com o que tirar a água do poço e como tiraria “água viva”? ”Água viva” era uma expressão conhecida para ela, que significa “água da fonte” ou “água corrente” em contrasta com água parada (estagnada), como água de cisterna. Um poço tem água corrente, muito embora, a primeira impressão que temos é que seja estagnada. A água que corre está no fundo do poço, que procede de alguma fonte corrente, do lençol de água. Uma cisterna é uma cavidade feita na terra para armazenar águas das chuvas, portanto, águas paradas.

9.Se a mulher samaritana soubesse que Ele era o Salvador, ela pediria o Espírito Santo que é a água viva que flui de Deus para o pecador. Ela estaria saciada. O Senhor Jesus é o único que pode saciar a sede espiritual do pecador (v.10).

10.Nem Jacó tinha “água viva” para o gado e seus filhos, por isso mesmo que fez aquele poço, que embora tenha “água viva” no fundo, ainda não é o ideal como um ribeiro ou rio. Jesus nem ao menos podia tirar das águas superficiais do poço, pois não tinha balde, nem corda, como tirar “água viva” (água corrente) daquele poço que tinha uns 30 mt de profundidade? De onde o pecador poderia tirar água viva para saciar a sua sede? As pessoas estão procurando algo que lhes satisfaça, mas deviam deixar-se se enlaçar com o Salvador Jesus (v.11-12).

11.A “água natural” não resolve totalmente a sede, mas a “água viva” resolve totalmente a sede espiritual. Jesus afirma que pode satisfazer os desejos mais íntimos do coração. Pode-se fazer uma comparação entre a “água natural” e a “água viva” que Jesus oferece com os sacrifícios do Velho Testamento e o sacrifício de Cristo. Os sacrifícios de animais precisavam de repetição constante, enquanto Jesus Cristo, o sacrifício perfeito é único (v.13-14).

12.A mulher tinha uma necessidade imediata que era não precisar mais freqüentar aquele poço que por algum motivo era vergonhoso para ela. O pecador tem necessidades imediatas, mas ele precisa saciar a sua sede eterna. Jesus Cristo tem um laço que O liga com o pecador. Ele quer conceder ao pecador a salvação eterna. Ele não deixará o pecador sem que insista em apresentar-lhe essa água viva que sacia a sede eterna (v.15).

13.Outro laço que prende Jesus ao pecador é que Ele sabe tudo sobre o ser humano e seus pecados. Não se pode esconder nada do Senhor. Divórcio era comum entre os judeus, e também, entre os samaritanos. As mulheres, como sempre, sofriam mais, pois os homens não sendo atendidos em seus caprichos providenciavam um argumento favorável ao divórcio e prontamente eram atendidos pelos juízes e rabinos que também eram adúlteros, conforme a História relata, através de Flávio Josefo. Não é muito provável que os outros cinco maridos da mulher tenham morrido, pois senão, ela não teria se impressionado com as palavras de Jesus, que soaram como uma reprovação e acusação, além disso, o “último não era marido”. A vida daquela mulher era um declínio moral. Jesus mostra que ela era pecadora e precisava de águas jorrando de seu interior para a vida eterna. O pecador precisa desse alívio, que é a salvação (v.16-19).

14.A mulher aproveita a presença de Jesus o qual ela considera um profeta e quer se aprofundar nos assuntos religiosos. Embora o Templo no monte Gerizim tivesse sido destruído em 108 a.C., lá ainda encontravam-se diversos centros de adoração (altares) na época desse diálogo. A mulher samaritana, agora, dando crédito a Jesus quer saber “donde vem a salvação”. O Salmista disse alguns séculos atrás: “Para o monte olharei donde vem a salvação”(Sl 121.1), mas referia-se ao monte Sião e não ao monte Gerizim. Em Dt 27.4 é mencionado o monte Ebal, que também fica em Siquém. A mulher samaritana não se refere ao monte Ebal, mas ao monte Gerizim. O fato é que em Dt 11.29 e 27.12 é-nos explicado que o monte Ebal é o “monte das maldições”, enquanto o monte Gerizim é o “monte das bênçãos”. Ebal significa “amaldiçoar” e Gerizim significa “abençoar” (v.20).

15.Jesus mostra que a fé judaica é superior, porém, vem a hora (e é agora) em que os verdadeiros adoradores não darão mais importância ao lugar em si, mas à Pessoa de Jesus Cristo. ”A salvação vem dos judeus” (Gn 49.10, onde “Siló” significa “a quem pertence aquele que traz paz, referindo-se ao Messias). Os sacrifícios, promessas, história da redenção pertencem ao judaísmo. Se algum povo possui salvação no Messias é por ter recebido de Israel. O Senhor Jesus busca adoradores verdadeiros. Hoje, os verdadeiros adoradores são os que aceitam Jesus Cristo como Filho de Deus, Salvador e não buscam ser merecedores através das próprias justiças, tais como as boas obras  (v.21-24).

16.Samaritanos criam que Moisés voltaria como Messias, que significa Ungido, o mesmo que Cristo. Ela precisa deixar a sua própria maneira de pensar e crer Naquele que falava com ela, Jesus Cristo. O pecador não pode ter crenças particulares, mas deve crer na Palavra de Deus que diz que somente Jesus Cristo é o Salvador (v.25-26).

17.Nesta altura encerra-se o diálogo com a mulher samaritana. Primeiro ela nem sabia quem era aquele judeu que pedia água, agora reconhece Nele o Messias, o Salvador. Jesus Cristo está desejoso em que nos liguemos a Ele. Alguns são como gado selvagem que não se deixam laçar. O medo de conhecer a Jesus intimamente pode ser perigoso, pois a vida eterna está em questão e não apenas uma opinião religiosa.

18.Para o judeu não era permitido ao homem e mulher conversarem a sós publicamente. Os discípulos, por respeito, nada perguntaram a Jesus (ainda que pensavam que Ele estava abaixo da dignidade) (v.27).

19.Ela nem se preocupou com o cântaro, tamanha a alegria que sentia. Isso simboliza a renúncia da religião formal para algo mais importante: o conhecimento do Messias. Ela não foi categórica com os outros, mas foi fazê-los pensar: “Será que é Aquele que Moisés profetizou que viria?” (v.28-29).

20.As pessoas da cidade foram até Jesus, pois também tinham necessidades a serem preenchidas. Há uma sede universal de um salvador. Ele conhece a todos e sabe que o pecador quer muito encontrar a salvação. Ele espera, mas não por muito tempo. Um dia o Salvador não estará mais disponível para o pecador, por isso, este deve aproveitar as oportunidades tanto aquelas em que o evangelho chega até o pecador como aquelas oportunidades em que o pecador vai ao encontro do evangelho por alguma necessidade imediata (v.30).

21.A história da mulher samaritana termina com um avivamento. Muitos samaritanos creram em Jesus por causa do testemunho daquela mulher. A “água viva” já começa a transbordar da mulher samaritana. O testemunho pessoal é muito importante, pois é único e não tem como contestar (v.39).

22.Os próprios samaritanos foram a Jesus, a mulher não precisou levá-los. Enquanto os judeus expulsavam Jesus, esses samaritanos convidavam-No para ficar. Essa atitude de Jesus custou-lhe caro (8.48). Jesus ficou dois dias ensinando e outros, também, creram. Jesus deixou as portas abertas para Filipe (At 8.5-6), assim como nós podemos deixar portas abertas ou fechá-las. Observe que Jesus comprovou Seu poder Salvador sem operar nenhum milagre (sinal) em Samaria. O testemunho da mulher samaritana foi apenas a “porta de entrada”. Assim deve ser o objetivo do crente ao evangelizar, levar homens a Cristo e não atrair para si a atenção, mostrando e provando nossa eficiência. A expressão “Salvador do mundo” é muito importante, pois mostra que não existem barreiras culturais (no caso, samaritanos versus judeus) (v.40-42).

23.Esses laços devem prender o pecador a Jesus. Ele provoca encontros com o pecador. Ele sacia a sede espiritual do pecador e Ele sabe tudo sobre o pecador.

A nutrição e a colheita do servo de Deus
João 4.31-38
I.A nutrição: a vontade de Deus (v.31-34)
II.A colheita: pecadores para Cristo (v.35-38)

24.Jesus estava faminto, mas revigorado com o diálogo com a mulher samaritana, pois conforme afirmou, Sua comida consistia em fazer a vontade Daquele que O enviara. O texto não se prende ao detalhe que antes era o assunto principal, isto é, se Jesus bebeu ou não a água. Os discípulos se preocupavam com o bem estar do Mestre, mas não viam a prioridade de uma alma (v.31).

25.Há uma comida cheia de nutrientes espirituais que precisamos conhecer. Jesus Cristo mostrou aos discípulos que obedecer a Deus satisfaz mais do que o pão que perece. Nós não conhecemos muito sobre essa nutrição. O mundo está tão interessado na boa saúde física que estamos nos parecendo com os gregos que cultuavam o próprio corpo. Há planejamentos nutricionais mais do que podemos entender. Há saúde de A-Z, dieta do carboidrato, dieta do sopão, dieta chinesa e até aqueles que garantem que podem se nutrir apenas com a luz. Mas há uma comida que não conhecemos, que é fazer a vontade do Pai (v.32).

26.Os discípulos chegaram a pensar que o Mestre tinha recebido comida de alguém. Certa vez Jesus falou assim com respeito ao fermento dos fariseus e eles achavam que Ele se referia ao pão literal (v. 33, Mc 8.15-16).

27.As palavras de Jesus careciam de uma interpretação, pois os discípulos entenderam literalmente, isto é, na ausência deles Jesus teria recebido alguma comida e por isso não estava com fome. O que Ele queria que os discípulos entendessem era que há uma prioridade que deve ser obedecida. O corpo deve esperar até que algo mais importante tenha sido feito. Às vezes deixamos de comer no horário correto para socorrer alguma necessidade mais urgente e era exatamente isto que o Senhor estava fazendo. Vemos muito disto na obra do Senhor pelos missionários dedicados. A nossa maior nutrição é fazer a vontade de Deus. No entanto, primeiro nos fartamos e depois estamos muito sonolentos para servir a Deus (v.34).

28.Se não nos nutrirmos da realização da vontade de Deus ficaremos raquíticos espiritualmente. O pão que perece nos alimenta no momento, mas fazer a vontade de Deus nos fortalece aqui e promove frutos para a eternidade.

29.Jesus diz “erguei os vossos olhos”, referindo-se a outro tipo de colheita, pois a plantação de cereais, trigo ou cevada precisava amadurecer ainda. Esse episódio se deu em dezembro, pois em Abril (quatro meses) seria a colheita. Às vezes achamos que está longe para que pecadores mostrem frutos do arrependimento, mas podemos estar enganados (v.35).

30.Os “campos brancos” referem-se à plantação de cevada ou trigo. Há uma colheita maravilhosa no mundo, mas há outros que podiam ser colhidos e não podem porque não há obreiros suficientes. Na lavoura é muito comum serem contratados colhedores de outras cidades e Estados. Na obra missionária, também, há necessidade de se buscar obreiros de todos os cantos da terra, pois não há obreiros suficientes para suprir essa carência. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para contribuir com esses obreiros (v.35).

31.Naquele lugar, Samaria, isto foi uma realidade, pois a mulher samaritana foi a colheita imediata após ter semeado. Os moradores da cidade, também, foram colhidos como frutos maduros imediatamente após ouvirem a mulher. Tanto aquele que semeia quanto aquele que colhe tem recompensas, isto é, participam do mesmo fruto. A participação na obra missionária rende frutos eternos, pois aquele que fica e aquele que vai alcançar pecadores estão recebendo a recompensa do Senhor (v.36).

32.Os discípulos não semearam. Quem semeou foi Jesus e, também, a mulher samaritana e eles próprios são os que colhem. Todos somos apenas cooperadores, pois um planta, outro rega, mas Deus dá o crescimento. Nem todos colheremos os frutos maduros, mas podemos regar através da insistência na pregação da Palavra. Os missionários precisam do suprimento para continuar a obra. No dia dos prêmios do Senhor saberemos o quanto fomos úteis na obra, indo, orando ou contribuindo (v.37-38, leia 1 Sm 30.22-26).

33.Neste ponto deveríamos observar e enfatizar sobre a necessidade de se fazer amizades e não encarar as pessoas como alvos da pregação do evangelho, apenas, mas desenvolver amizades agradáveis, conversando e tendo ligação, é claro não comunhão, com incrédulos. Seria desagradável para um incrédulo pensar que os crentes só têm amizade com ele para evangelizá-lo. Talvez uma pergunta a ser respondida por nós seja: “Estou disposto a ter amizade com alguém, independente de sua crença religiosa?”.

34.A nossa comida deve ser a vontade de Deus. Enquanto não obedecermos ao Senhor naquilo que Ele quer que façamos nunca estaremos nutridos espiritualmente. Há uma colheita e devemos participar dela de alguma forma.

As diferentes gerações dos que crêem
João 4.43-54
I.A geração dos que crêem somente depois de verem (v.43-45)
II.A geração dos que crêem antes de verem (v.46-50)
III.A geração dos que crêem depois de ser provada a intervenção de Deus  (v.51-54)

35.Seguraram Jesus o quanto puderam em Samaria, mas agora Ele precisava ir, pois Samaria era apenas o meio do caminho para a Galiléia. O Senhor Jesus está a procura de pecadores arrependidos. Ele está salvando ainda hoje. Ele quer pessoas que crêem na salvação que Ele pode proporcionar (v.43).

36.Alguns pensam que Jesus está-se referindo à Judéia, onde não teve honra, sendo que na Galiléia foi bem recebido (mas, compare com Mt 13.53-58, Mc 6.4-6). Com o tempo algumas pessoas creram em Jesus, mas outras O rejeitaram. Tanto em Jerusalém como na Galiléia Ele foi rejeitado e foi crido. Assim acontece em todos os lugares, ainda hoje, alguns aceitam a salvação em Cristo, mas outros preferem ficar tentando ser salvo com o esforço próprio (v.44).

37.Era rejeitado em Jerusalém, mas bem recebido por galileus. Porém, “bem recebido” deve ser entendido por causa dos sinais e milagres. Os galileus estavam orgulhosos, pois sempre eram desprezados, mas visto que Jesus fora criado ali na Galiléia e fizera muitos sinais em Jerusalém, todos se sentiam importantes. O Senhor Jesus não queria melhorar a popularidade de nenhuma cidade, mas queria que os pecadores O aceitassem. Os galileus eram uma geração que cria somente por causa dos feitos de Jesus. Ainda hoje, muitos querem igrejas que prometem cura, mas não se importam com a salvação de suas almas. Queremos Jesus o Salvador ou somente um ser poderoso que pode realizar os nossos desejos e suprir nossas necessidades temporais? Essa geração de “crentes” passa quando não têm os seus desejos satisfeitos. Bem-aventurados os que não viram e creram (v.45).

38.O Senhor quer ver uma geração que crê antes de ver. Os que confiam na Pessoa de Jesus Cristo têm interesse não apenas pelo o que Ele faz, mas pelo o que Ele é. Vemos uma história de fé antes de ver nos versículos que se seguem. De Caná até Cafarnaum eram 40 km. Esse oficial fazia parte da corte de Herodes, Antipas, o tetrarca da Galiléia (4 a.C. até 39 a.D.). Jesus morava em Cafarnaum (v.46).

39.As notícias dos sinais que Jesus realizou em Jerusalém chegaram por toda a Galiléia, através dos peregrinos que voltavam da páscoa. O pai estava esperançoso em Jesus, sua última opção para a cura de seu filho. O pedido era urgente. O homem queria que Jesus fosse até o filho doente, talvez crendo que impondo as mãos a cura seria certa. Em todo o pedido urgente há o perigo de uma fé cega (v.47).

40.A declaração de Jesus era muito dura, mas era uma realidade, pois as pessoas querem os benefícios da salvação, mas não querem se submeter ao salvador. No momento, mais importante que a saúde do filho era a fé do pai. Sabemos que as pessoas precisam reforçar sua fé com sinais. A fé superficial não diminui o valor dos sinais, mas Jesus falou assim para aprofundar a fé daquele oficial que só conseguia enxergar a necessidade óbvia, a cura do filho. Conhecemos um pouco sobre os nossos desejos, mas pouco sabemos das nossas necessidades. Certa vez Jesus disse que as pessoas têm mais medo dos ladrões que podem tirar a vida do que Daquele que tem poder para lançar os pecadores para o Inferno (v.48).

41.O oficial não estava disposto a discutir a natureza de sua fé, mas no momento a cura era mais importante para ele (não que Jesus via dessa forma). O oficial queria a presença de Jesus em Cafarnaum e convidou-o para ir com ele, provavelmente de carruagem. Algumas vezes Deus socorre os incrédulos com aquilo que precisam no momento, dando-lhes a oportunidade de crerem depois. A geração dos que crêem antes de verem é escassa, mas esses têm uma fé excelente. Jó disse: “Ainda que Ele me mate, Nele eu esperarei”. Esta geração de crentes pode confiar mesmo em momentos de angústia, esperando somente pela Sua vontade. Os que não fazem parte dessa geração de crentes só aceitam a cura, a prosperidade e o sucesso de modo geral (v.49).

42.Jesus já reprovou o homem com palavras, mas agora interrompe seu ensino verbal, o homem aprenderia depois. O filho do oficial é indicado no diminutivo, por isso, deduzimos que seja uma criança. As palavras de Jesus bastavam para ele crer. A fé não é um pulo no escuro, mas a certeza das coisas que não se esperam e a convicção de fatos que se não vêem (v.50).

43.Há ainda a geração dos que crêem depois de ser provada a intervenção de Deus. Quando os servos trouxeram a notícia da cura não era mais novidade para o oficial, pois ele creu assim que deixou a conversa com Jesus. Houve um desenvolvimento da fé daquele oficial, já que teve que crer na palavra de Jesus e não contar com a presença de Jesus no leito de seu filho. O fato dele ir só no dia seguinte mostra o grau de sua confiança, pois de tão urgente que era seu pedido pela presença de Jesus, agora, nem ele mesmo estava com pressa de ver o filho. O horário da cura foi às 13 horas (7ª hora) (v.51-52).

44.O oficial “creu” (veja o v.48). Jesus disse que teria que ver os sinais para crer. Embora o homem tivesse crido antes (fé superficial), agora toda a sua casa crê (fé genuína). Se este oficial é o mesmo de Lc 8.3, por nome Cuza, a partir daí foi que a esposa dele, Joana, começou a servir a Jesus. Algumas pessoas “crêem duvidando”, ou seja, com aquela atitude de que talvez Deus ouça a minha oração. Deus sempre ouvirá as nossas preces, porém, a resposta, embora, perfeita, nem sempre é aquela que desejamos. O oficial acabou confirmando as duras palavras de Jesus que as pessoas precisavam ver para crer. Devemos ter a atitude de crer que Deus é Quem opera. Quando estamos em contato com Deus em oração a respeito de algum assunto não pode haver dúvida de que o resultado sempre será conseqüência da oração (v.53).

45.Foi o segundo sinal que Jesus fez ali. O primeiro foi a transformação da água em vinho. Naquela ocasião os discípulos creram, ou seja, firmaram mais a sua fé em Jesus Cristo. Neste episódio a família do oficial creu (v.54).

46.Há três gerações dos que crêem. De alguma forma estão crendo, porém, no Evangelho de João crer nem sempre significa depositar a fé inteiramente no Senhor. Há os que crêem somente depois de verem acontecer algo. Há, também, os que crêem antes de verem e há os que precisam de comprovação da intervenção de Deus para crerem. Os verdadeiros crentes descansam na providência do Senhor, seja qual for a resposta.

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