Mateus 18

Capítulo 18: Os tropeços, a ovelha perdida, a ofensa e o perdão
1.O cuidado de Jesus para com as criancinhas serviu como ilustração a respeito da humildade que todos os Seus servos devem imitar. O ser humano nunca quer estar por baixo de ninguém. Sendo que Jesus levou três ao monte da transfiguração, estes deveriam ser maiores, pensaria o raciocínio lógico, mas não é assim que o senhor mede a importância no reino. Os pequeninos a seguir já não tratam de crianças, mas de seguidores de Cristo, os quais não são todos crianças (v.1-9).

2.Novamente, os pequeninos são todos os seguidores de Cristo dentre os quais evidentemente existem crianças. Os anjos cuidam dos salvos (Hebreus 1.14). Não podemos defender a ideia do “anjo da guarda” para as crianças baseados no v.10, embora fosse a ideia dos discípulos (veja Atos 12.15). Todos os salvos são importantes para o Senhor, até mesmo o menor deles, como é ilustrado na busca desesperada do homem que perdeu uma dentre 100 ovelhas. Filho do homem passou a ser o título
preferido por Cristo, pois mostra o aspecto profético de Sua segunda vinda, sendo que em Sua primeira vinda Ele foi rejeitado como o Cristo de Israel (v.10-14).

3.Há um procedimento padrão com respeito às ofensas e o tratamento de um irmão em pecado. Primeiro as partes em questão, depois convocação de testemunhas e em último recurso a Igreja, não importa o tamanho da igreja. Alguns pensam que o perdão para os judeus limitava-se a três vezes, segundo tradição dos rabinos. Jesus não limitou a 490 vezes, antes quis mostrar que o perdão é um ato da graça de Deus a qual não é limitada por nenhum padrão numérico. Parece que essas três etapas (particular, testemunhas e igreja) podem ser queimadas, em alguns casos, e ignoradas em outros. A seguir alguns exemplos para consideração (v.15-22).

Quando essas etapas devem ser queimadas porque, essencialmente, o caso já feriu gravemente o Corpo de Cristo
1.Em caso de pecado irreparável (Exemplo: 1 Co 5, Atos 5, o infrator que dormia com a madrasta e Ananias e Safira mentiram deliberadamente).

2.Em nossos dias não se deve tentar uma conversa particular sobre pedofilia, tráfico de drogas, assassinato, tentativa de suicídio (nesse caso, médico), adultério, tentativa de dividir igreja, etc.

3.Em caso leve de facção aplica-se as etapas (Tt 3.10-11).

4.Em caso de grave apostasia não aplica-se (1 Tm 1.20, 2 Tm 2.16-17)

Quando essas etapas podem ser ignoradas sem prejuízo para o Corpo de Cristo porque são de foro íntimo
1.Quando a ofensa é tão pessoal que não vale a pena ir adiante (Exemplo: “seu cabelo está feio”, “você escolheu o carro errado para comprar”.

2.Quando a ofensa é por causa de melindre (Exemplo: “ele não me cumprimentou”, “ele não elogiou o trabalho que fiz na igreja”.

3.Quando resolvo aceitar o prejuízo (Exemplo: pegou minha ferramenta sem pedir autorização, estragou minha tesoura de jardinagem, várias outras queixas sem grande importância, veja Cl 3.13).

4.Não é de foro íntimo qualquer ofensa pessoal que afete o Corpo de Cristo. Exemplo: Adultério.

5.Coisas domésticas (uso da TV, devocional, modo de criar filho, discussões de casal, etc.). Todos esses assuntos deixam de ser particulares quando colocam em risco a integridade física ou prejudicam o testemunho.

4.A ilustração do credor sem compaixão mostra tanto o perdão quanto a obstinação. O Pai jamais mandará um crente para o inferno, mas mostra que haverá um tormento íntimo para quem não perdoa. Os lugares para o crente acertar a ofensa são aqui na terra ou no Tribunal de Cristo. É bem melhor que seja aqui. Algumas pessoas aprisionam os irmãos não os perdoando. A parábola recorre ao costume dos impostos reais. Em um ano, a Palestina arrecadava 800 talentos. Portanto, o primeiro devedor devia o equivalente a 12 anos de arrecadação total de um país. Um trabalhador comum trabalhava 20 anos para ganhar 1 talento. Era o equivalente a 200.000 mil anos de trabalho. Ele achou a mina de ouro da corrupção. A perda espiritual é toda dos que não perdoam e para os não perdoados a consequência é social (v.23-35).

Tornando-nos verdugos daqueles que nos ofendem
1.Desprezando-os em particular ou em público.
2.Deixando-os em sua tristeza.
3.Lançando no rosto deles a sua ofensa.
4.Cobrando deles melhor comportamento.
5.Não escolhendo-os para desenvolverem responsabilidades.
6.Transferindo aos filhos e parentes seus maus-tratos.
7.Não dando-lhes recados.
8.Não os convidando para refeições quando outros são convidados.
9.Apunhalando-os com indiretas em avisos, pregações e conversas.
10.Não recomendando-os para cargos, empregos, posições e privilégios.

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