Atos 2


Capítulo 2: A descida do Espírito Santo. O discurso de Pedro e a conversão de três mil pessoas.
1.Deus queria que fosse um acontecimento único. Ele queria que todos soubessem que algo incomum estava acontecendo. Era o início da Igreja, a descida do Espírito Santo. Isso devia acontecer uma só vez. O nascimento da Igreja foi um acontecimento único, num local específico, para pessoas específicas, na época específica. Portanto, um acontecimento histórico específico. O Espírito Santo pousou sobre os crentes ali reunidos. Este foi o batismo do Espírito Santo. As línguas faladas foram idiomas (glossa em grego). As línguas não eram de fogo, mas como de fogo, em forma de língua, na aparência de chama (v.1-4).


O propósito definido das línguas em Atos 2

1.Sinal de juízo para Israel descrente 
2.Para mostrar a inclusão de outros grupos 
3.Autenticação dos apóstolos

2.Lucas destaca o valor universal do Pentecoste. Pessoas vinham de vários países para participar da festa do Pentecoste. Vemos que foi uma época própria para a descida do Espírito Santo, pois ali ajuntaram muitos povos. Estavam em Jerusalém apenas para participarem desses dias festivos. Eram judeus ou prosélitos, mas não pagãos (v.5).


3.Povos com dialetos diferentes ouviram os 120 galileus e entendiam. O capadócio ouviu o galileu na língua capadócia. O milagre não foi de audição, isto é, o Espírito Santo traduzindo simultaneamente, pois o milagre não foi sobre os ouvintes, mas sobre os falantes, que receberam o Espírito Santo Os 120 galileus falando nas várias línguas que lá havia causou espanto sobre todos. Os judeus incrédulos e obstinados diziam que estavam bêbados. Esses povos eram os habitantes dos arredores do Mediterrâneo, portanto, falavam grego, mas também sua língua nativa. Os judeus que ouviram, mas não creram não receberam o Espírito Santo e não entendiam as línguas, pois só falavam grego e hebraico, zombavam, por isso, Pedro explicou em grego (ou aramaico). Os 120 falavam nas línguas maternas de cada povo. Isto nos leva ao entendimento que falavam um idioma de cada vez ou dividiam os ouvintes em grupos distintos, cada qual com pessoas da mesma língua. Havia grupos representados das 16 línguas existentes ali no momento (v.6-13).

Aqui é diferente do fenômeno das igrejas de Corinto, anos mais tarde, pois em Corinto, Paulo exigia interpretação.

4.Pedro, novamente, toma a palavra como líder do grupo, agora, incluindo Matias. A terceira hora corresponde às 9 horas da manhã. Nos dias de festa judaica era proibido o uso de bebidas fortes e, além disso, era muito cedo (v.14-15).

5.A expressão "últimos dias" significa que a Igreja, mesmo que tinha acabado de nascer, já estava em seus últimos dias, com o derramamento do Espírito Santo, pois a qualquer momento a Igreja seria levada para a Presença do Noivo, Jesus Cristo. Estamos na última era antes do arrebatamento. Toda a carne estava ali representada pelos vários povos que ouviram as grandezas de Deus, falada pelos galileus, nas próprias línguas nativas. Neste dia se cumpriu apenas uma parte da profecia de Joel, pois a outra parte se cumprirá na restauração de Israel. A profecia de Joel culmina com a punição das nações incrédulas da Tribulação. Os sinais dos versículos 19 e 20 acontecerão no final da Grande Tribulação quando o Messias voltar (Mateus 24.29-31) (v.16-21).

6.As mãos iníquas que mataram Jesus foram as dos romanos, porém, os judeus que O entregaram. Tanto romanos quanto judeus são culpados pela morte de Jesus, porém, ao mesmo tempo consistia no desígnio de Deus. Era impossível Jesus ficar morto, pois Ele é Deus. Pedro mencionou os sinais feitos por Jesus. Os judeus não negavam os sinais, pois eram incontestáveis, mas diziam que era um feiticeiro com poderes de Belzebu (Lucas 11.15). Não precisavam provas das obras de Jesus, nem da crucificação, mas da ressurreição, por isso, Pedro argumenta sobre isto nos próximos versículos (v.22-24).

7.Davi estava historiando sua própria experiência que tipicava a experiência do Messias. Não há dúvida de que Davi estava falando de ressurreição e, portanto, não podia ser sobre si mesmo, pois a ressurreição de Davi não aconteceria nos dias de sua morte. Davi, depois da morte física, ficaria no Sheol, mas Cristo, não. Pelo contrário, Cristo levaria os crentes do Sheol para o céu, a Presença de Deus. Sheol é uma palavra hebraica que significa “ concavidade da mão” e Hades é grego e significa “profundeza do mar”. O sentido espiritual de ambas as palavras é "o lugar dos mortos" (v.25-28).

8.A profecia se referia, portanto, não a Davi, mas a algum descendente dele, e este é o Messias. Jesus não só ressuscitou como derramou a Promessa do Espírito Santo. Pedro foi ousado na aplicação ("Fica sabendo ó casa de Israel"). A expressão "disse o Senhor ao meu Senhor" significa que Deus, o Pai, disse a Deus, o Filho (v.29-36).

9.Os ouvintes, quebrantados pelo Espírito Santo, ficaram compungidos. A palavra grega para “compungido” é “katanüssomai” que significa ser apunhalado. Estavam doloridos em suas consciências por terem matado o Messias e saberem disso somente agora. O batismo era o passo seguinte e natural do arrependimento. O batismo não é para salvação (regeneração batismal), mas é o resultado imediato de alguém salvo. A promessa é para os judeus que crerem, mas também, para os gentios que da mesma forma crerem. Os judeus que não criam eram considerados "geração perversa" (v.37-40).

10.O batismo era um ato exterior evidenciando que haviam aceitado a mensagem como verdadeira e recebido o perdão. Não há nenhuma indicação que os apóstolos impuseram as mãos sobre os 3 mil para receberem o Espírito Santo, nem que foram submersos em água (o que não era impossível, pois havia o tanque de Betesda ali perto) (v.41).

11.Os convertidos não ficaram sem rumo, mas estavam juntos para aprender mais com os apóstolos, os únicos que podiam ensinar, pois, foram testemunhas oculares do ministério de Jesus. Cumpriam a ordem de Jesus de ensinar todas as coisas que Ele ensinou. Reuniam-se no Templo, mas como não podiam tomar a Ceia lá se reuniam em casas para refeições e Ceia as quais aconteciam juntas. Os apóstolos supervisionavam os crentes e eram responsáveis em não deixar as heresias se infiltrar na Igreja (v.42).

12.O respeito que tinham pelas coisas espirituais era uma evidência principal que amavam o Senhor. O temor era por causa das verdades espirituais e a responsabilidade que diante delas e não medo dos sinais. Os sinais davam autoridade para os apóstolos e autenticavam ainda mais a mensagem. Havia temor "em cada alma", inclusive, entre os não cristãos que viam os sinais os quais, provavelmente, eram possuídos de medo (v.43).

13.Os que não eram de Jerusalém logo passariam necessidade não fosse o cuidado uns pelos outros. Ninguém era coagido a vender e dar, mas faziam com alegria (v.44-45).

14.Havia unanimidade no Templo, partilha de pão de casa em casa e refeições alegres, mas aos poucos este lindo costume foi sendo esquecido. Ainda frequentavam o Templo, tomavam Ceia e refeições comuns juntos. Era um povo singelo (generoso) e alegre. Não houve intenção por parte deles de se apartar do judaísmo e formar um grupo à parte. Ainda não ocorrera a idéia teológica de separação, pois criam que sua fé era no Messias que ainda lidava com a nação de Israel (v.46).

15.O povo viu diferença neles e por intermédio da amizade ouviam os ensinos e eram salvos. Portanto, os salvos eram dentre os judeus. À medida que os dias se passavam, Deus acrescentava à Igreja mais judeus. Os gentios foram salvos mais tarde com a família de Cornélio (v.47).

Nenhum comentário:

Postar um comentário