Atos 8

Capítulo 8: Começa a perseguição aos discípulos de Jesus. Simão, o mágico. O Espírito Santo aos samaritanos. Filipe e o etíope
1.Somente assim a Igreja "acordou" para a realidade de que era para ficar em Jerusalém somente até a descida do Espírito Santo. A perseguição foi mais contra os helenistas, por causa de Estevão. Foi no mesmo dia do apedrejamento. O principal perseguidor foi Saulo de Tarso. Ao que tudo indica, com aquela perseguição, os apóstolos (que eram judeus) foram deixados em paz. Até o ano 135 a.D. a Igreja se compunha quase só de judeus (v.1).

2.Embora pranteassem, Jesus se alegrava em receber o primeiro mártir cristão. Os piedosos bem podiam ser alguns simpatizantes dos cristãos. Havia lei que proibia, expressamente, o pranto por criminosos, embora fosse permitido sepultá-los. Dar sepultura para um morto é uma atitude honrosa em qualquer cultura que se tem conhecimento (v.2).


3.Saulo, furioso, entrava nas casas, arrastando homens e mulheres para a prisão (do Sinédrio e não dos romanos). No capítulo 26 vemos que quando Saulo trazia os crentes para julgamento dava o seu voto para que fossem mortos. Portanto, não é certo dizer que Saulo matava os crentes, mas sim, que os prendia e dava o seu voto, como membro do Sinédrio, para matá-los. Saulo, conforme 26.10, era cruel, porém sincero em sua fé, pois na mente dele se esse movimento era falso e contra Jeová, corajosamente devia prender e mandar matar os impostores. Embora nessa sinceridade ele fosse culpado diante de Deus (v.3).

4.Começa aqui uma nova fase do livro de Atos. Saindo de Jerusalém o Evangelho é expandido, abrindo o caminho para alcançar os não-judeus. Não é um dos apóstolos o pioneiro fora de Jerusalém, mas Filipe, um dos sete. As fronteiras são alargadas. Até mesmo o impossível aconteceu, ou seja, um judeu conversar com um samaritano. Houve curas notáveis como em Jerusalém. A perseguição que parecia o fracasso dos cristãos foi o meio para expansão da boa mensagem. Todos os pregadores que iam para terras novas eram acompanhados de sinais e maravilhas para autenticação de uma mensagem nova para os povos (Marcos 16.20) (v.4-8).

5.Simão era instrumento de Satanás para enganar as pessoas, pois achavam que era o próprio poder de Deus em pessoa. Simão era bruxo, portanto, ludibriou a muitos. Agora, porém, via um homem que fazia sinais autênticos, sem farsa, pois os sinais vinham do próprio Deus. Filipe batizou os que creram. Não sabemos se Simão se converteu verdadeiramente ou apenas viu uma forma de voltar a ser prestigiado pelo povo. Filipe o batizou com base em sua confissão de fé, ou seja, se ele disse que creu e quis ser batizado. Contudo, ninguém ali recebeu o Espírito Santo até que os apóstolos (judeus) chegassem (v.9-13).

6.Nos capítulos 2 e 10 não foi feita a imposição de mãos. Para os carismáticos aqui está a doutrina da subseqüência, ou seja, um intervalo entre a conversão e o recebimento do Espírito Santo. Realmente houve uma subseqüência por causa da transição histórica. Não se pode dizer que tenha sido um Pentecoste samaritano, pois aquele acontecimento (a descida do Espírito Santo) foi único e específico. Note que aqui não houve sinal sobrenatural como línguas de fogo e som como de vento tempestuoso. O motivo de não haver línguas é simples: todos ali falavam grego e aramaico e também não havia judeus incrédulos naquele acontecimento, mas somente os salvos (v.14-17).

Dois motivos para este intervalo

1.Para os samaritanos (não judeus) reconhecerem a autoridade dos apóstolos (judeus)
2.Para os apóstolos (judeus) reconhecerem a inclusão dos samaritanos (não-judeus) na Igreja.

 Os samaritanos não são judeus, porém, não são gentios também mas são uma mistura de judeus com pagãos.

7.Simão era ambicioso. Estava perdendo terreno já que sempre foi visto como um homem de poderes sobrenaturais. Simão era fazia parte do apostolado e, portanto, não tinha parte no ministério de conceder o Espírito Santo às pessoas. Daí veio o termo "simonia" que significa "comercializar coisas sagradas". Simão, apesar de crer que havia algo sobrenatural na mensagem de Filipe e dos apóstolos, e até ter sido batizado, ainda estava no caminho da perdição  (v.18-25).

8.O motivo de aparecer um anjo, talvez fosse para evitar que Filipe ficasse em Samaria, evitando assim, um atraso na divulgação da mensagem. O eunuco era um alto funcionário, membro da corte da rainha da Etiópia. Candace era título hereditário das rainhas da Etiópia. Era prosélito, porém, não podia entrar no Templo, sendo que era eunuco (Deuteronômio 23.1). Era muito rico, pois comprou rolos da Bíblia. O deserto mencionado não é o mesmo como o Saara, mas simplesmente porque naquele trajeto não havia transeunte, aliás, esta região é muito fértil, pois está beirando o Mediterrâneo. Nos tempos antigos era costume ler em voz alta (v.26-29).

9.Homens comuns não conversavam com pessoas da alta sociedade, por isso, foi importante Filipe receber a ordem de um anjo. A profecia se referia a Isaías, que foi perseguido pelo rei Manassés. A tradição diz que foi serrado ao meio. Porém, é uma profecia messiânica, principalmente. O batismo foi imediato e certamente por imersão. Filipe foi arrebatado para outra região para não perder tempo no caminho.  O fato de alguém ser batizado logo após crer é muito fácil de entender. No início do evangelho só havia duas divisões, sendo que o contexto era judeus ou prosélitos: ou alguém continuava a seguir o judaísmo, que naquela altura estava rejeitando o Messias, Jesus, ou passava a seguir Jesus, através do Cristianismo. Hoje em dia pessoas vêm de centenas de crenças diferentes com as mentes confusas. Seria imprudência aceitá-las sem um acompanhamento doutrinário para que elas mesmas certifiquem-se em que e em quem estão crendo (v.30-40).

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