João 10


Lição 10: Jesus, o Bom Pastor. A festa da dedicação (capítulo 10)

Os amparos que o Bom Pastor fornece às Suas ovelhas
João 10.1-21
I.Direção (v.1-6)
II.Salvação (v.7-15)
III.Busca (v.16-21)

1.O mundo está em trevas e desamparado. Só Jesus Cristo pode amparar o pecador. O aprisco só tinha uma porta. Quem quisesse roubar daria a volta e pularia o muro, que era baixo. O Pastor vinha pela manhã buscar suas ovelhas. O porteiro passava a noite, servindo de porta para o aprisco. O porteiro só dava passagem para o Pastor. Quando o Pastor não podia pagar um porteiro, ele mesmo fazia essa função, dormindo ao relento (v.1-2).

2.Mais de um rebanho podia ser abrigado em um mesmo aprisco. O Pastor só precisava chegar à entrada e chamar suas ovelhas, e estas, como reconheciam a voz de seu Pastor se aproximavam da saída. Os rebanhos não eram tão grandes, por isso, o pastor podia até reconhecer cada ovelha por seu nome. Hoje em dia, os grandes criadores de ovelhas, possuem cães treinados para conduzi-las. O pastor vai a frente, as ovelhas seguem. Ele não vai atrás enxotando-as, como fazem os fariseus com o povo. O povo precisa de amparo. O povo precisa ouvir e seguir uma voz meiga e suave. O pecador precisa do amparo da direção. Jesus conduz o pecador ao caminho correto. As igrejas são agências que guiam o pecador a Cristo, o Bom Pastor. Quando uma igreja não apresenta Jesus como o caminho, ela deixa de ser a igreja verdadeira (v.3-4).


3.Nenhum estranho consegue fazer as ovelhas o seguirem. Nenhuma ovelha se sente amparada quando o caminho é outro que não seja em direção a Deus.  Dizem que ovelhas enxergam mal, por isso, seguem a voz conhecida. O pecador não tem olhos espirituais para enxergar a Deus, por isso, a Palavra deve ser apresentada a Ele para ouvir a voz meiga do Bom Pastor e receber a direção correta. A salvação vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus (v.5).

4.O Pastor é o próprio Jesus. Ele vem para o aprisco judaico e chama seus discípulos para fora. Uns ouviram antes, outros demorariam mais um pouco. Os fariseus não eram pastores, por isso, não conseguiram se comunicar com o ex-cego. Quando o verdadeiro Pastor chamou, o ex-cego saiu para fora imediatamente. Portanto, longe de considerar a expulsão da sinagoga como o fator mais drástico, devemos enfatizar que o chamado de Jesus para aquele homem foi mais forte. O Sinédrio já não tinha valor para aquele homem. Evidentemente, todos os líderes religiosos entenderam a ilustração, quase infantil por sinal, mas não entenderam o sentido profundo. O pecador está desamparado pelos falsos líderes e falsos ensinos. O amparo da direção só é encontrado em Jesus Cristo (v.6).

5.Que amparo maravilhoso é a direção de Jesus. Ele segue e nos chama para a salvação. A quem Ele chama para ser salvo? É claro que Ele chama a todos os pecadores, senão Ele não seria um Bom Pastor.

6.Era comum no Oriente Médio, o pastor deitar-se à porta, tornando-se uma espécie de porta. Neste caso, o Pastor e a Porta têm a mesma função. A salvação é exclusivamente de Jesus Cristo. Ele é o Pastor e, também, é a Porta. O pecador precisa do amparo da salvação. Ele precisa que alguém diga onde está a porta para a salvação (v.7).

7.Os fariseus são ladrões, pois estão roubando o coração das pessoas. Ninguém quer ser amparado por um ladrão, pois não é certo e é perigoso. Todos os ensinos fora da Bíblia são ladrões e roubam as almas dos perdidos. Há amparo de salvação em Jesus Cristo porque Ele é o Bom Pastor. Os demais são ladrões (v.8).
8.A fome de pastos verdes faz com que as pessoas busquem amparo em qualquer um que oferece alguma pastagem, mas só em Jesus Cristo, o salvador alguém pode se alimentar. Ele ampara o pecador com a salvação (v.9).

9.O ladrão não ampara ninguém. O ladrão tira a fé das pessoas e as conduz à perdição. Jesus é o amparo verdadeiro. Ele é o único que oferece vida em abundância (v.10).

10.O mercenário vê o lobo e foge. O mercenário não tem más intenções como o ladrão, mas também, não se arrisca pelas ovelhas. Só cuida pelo salário. Se alguma ovelha se perder só deixará de ganhar o salário e procurará outro emprego, mas o pastor precisa das ovelhas para seu sustento diário e, se for o caso, ele lutará pelas suas ovelhas. O mercenário não ampara a ovelha (v.11-13, veja 1 Sm 17.34-37).

11.O amparo do salvador de Jesus é completo e seguro. Ele salva e mantém seguro todos os salvos. Quem é amparado por Ele conhece a Sua voz porque ele é o único que deu a vida pelos pecadores (v.15).

12.Além da direção, Jesus é a salvação. Nele temos amparo. Ele é o Bom Pastor. Não há ninguém como Ele.

13.Ele é o amparo do crente, mas Ele quer amparar a todos. Há um amparo chamado busca. Ele está atrás de pecadores perdidos. As ovelhas de “outro aprisco” são os gentios. Os apriscos podem ser muitos, mas o rebanho é apenas um. Judeus e gentios, juntos, em um só rebanho são o “mistério” da epístola aos Efésios. O objetivo não é colocar ovelhas de um aprisco em outro, mas tirar de ambos e reunir-se com o pastor. O funcionamento seria assim: as autoridades judaicas deviam reunir no aprisco judaico todas as ovelhas (tanto judeus como gentios), até que viesse o Messias que reuniria a todos para Si, mas não foi isto que aconteceu, como bem sabemos (v.16).

14.Jesus dá a vida para depois reassumi-la. Alguns entendem que Jesus dá a Sua vida para reassumir “Suas ovelhas”. Embora seja verdade, a interpretação correta é que Jesus dá a Sua vida e reassume a Sua vida, indicando que Ele “entrega o espírito”, mas depois é “ressuscitado”. Podemos dizer que ninguém  matou Jesus, pois Ele é a fonte de vida e ninguém pode tirar a vida do doador de toda a existência. Mas, também, é correto dizer, para efeito de responsabilidade humana, que “mataram Jesus”. Ele é o amparo das ovelhas desgarradas. Ele busca a todos, porém, nem todos querem vir até Ele (v.17-18).

15.Este é o Bom Pastor. Ele dá direção. Ele salva e Ele busca, mas nem todos aceitam estas palavras. Novamente, é impossível ficar neutro nesta discussão. Por isso, confirma-se o que Jesus disse anteriormente, sobre o juízo que Ele exerce neste mundo. Esta é a terceira dissensão entre os judeus por causa de Jesus (7.43, 9.16, 10.19) (v.19).

16.Possivelmente por causa da declaração “Eu sou o Bom Pastor”, que corresponde a declarar-se Deus, os judeus acusavam Jesus de um endemoninhado. Junto com a possessão demoníaca, normalmente, está relacionada a insanidade mental, por isso disseram que estava louco. Enquanto da parte de Jesus há o amparo da busca, por parte dos pecadores há uma resistência ao amor de Deus (v.20).

17.Os que não tinham preconceito diziam que as palavras sensatas e o poder de curar um cego de nascença não combinam com a acusação de possessão demoníaca. O Bom Pastor dirige, salva e busca. É uma acusação séria chamá-Lo de endemoninhado e louco (v.21).

18.O Bom Pastor fornece amparo às Suas ovelhas e até busca aquelas que estão perdidas e rebeldes. Ele dirige, mostrando o caminho da salvação. Ele salva, mostrando-Se como o salvador e Ele busca com o fim de alcançar outros para Si.

As carências do pecador
João 10.22-42
I.O pecador é carente da verdade (v.22-30)
II.O pecador é carente de fé e humildade (v.31-42)

19.A festa dos Tabernáculos era no outono e a festa da Dedicação era no inverno, dois meses de intervalo, portanto. Esta festa não era prescrita nas Escrituras, mas uma celebração em recordação da purificação e reedificação do Templo, feita por Judas Macabeu, depois do sacrilégio cometido por Antíoco Epifânio em 165 a.C., ocasião em que sacrificou uma porca no altar. É também conhecida como “Festa das luzes”, sendo que até hoje os judeus acendem candeeiros em suas casas (v.22).

20.O fato de ser inverno explica porque Jesus não estava ensinando ao ar livre, mas no pórtico de Salomão, que é um alpendre coberto, um corredor de 12 metros de largura com colunas dos dois lados. Foi desse lugar, registrado em Atos, que Pedro falou à multidão e era nesse lugar onde os crentes de Jerusalém se reuniam quando iam para o Templo (v.23).

21.Os judeus querem uma resposta direta e definitiva: “És o Cristo ou não?” O pecador é carente da verdade, embora isto não significa que deseja seguir a verdade. Há um livreto da série Discovery com o título “E se for verdade?”. O ser humano que se depara com a Bíblia deve se perguntar “e se for verdade?”. Por causa do orgulho muitos estão indo para o inferno. Pilatos fez a pergunta antes de entregar Cristo para ser crucificado: “O que é a verdade?” Porém, ele não esperou para ouvir a verdade. As pessoas não estão parando para ouvir a verdade e pagarão um alto preço por isto, o inferno (v.24).

22.Jesus novamente apela para as Suas obras. A cura do cego já seria suficiente para eles crerem, mas como não são ovelhas do rebanho de Jesus, não ouviram Sua voz, pelo menos até esse momento. O v.28 reforça o ensino da segurança da salvação. O pecador carece da verdade que pode liberta-lo para sempre (v.25-29)

23.Para aos que têm dúvida se realmente é verdade que Jesus é Deus, este versículo esclarece que não há diferença entre Jesus e Deus. Eles são um e vivem em duas pessoas ou três mais o Espírito Santo. O pecador carente da verdade não pode se perder porque não entende a verdade da trindade. Alguns limitam a sua própria salvação porque não querem aceitar esta verdade fundamental (v.30).

24.Todos somos carentes da verdade sobre qualquer assunto, mas a nossa maior carência é da Palavra de Deus e do próprio salvador Jesus Cristo.

25.O ser humano é carente, mas ao mesmo tempo é orgulho e incrédulo. Já temos a verdade de Deus em Sua Palavra, agora só precisamos depositar a nossa confiança nesta verdade absoluta. A maior blasfêmia para o judeu é alguém se declarar Deus, por isso, queriam matar Jesus. Esta é a segunda vez que pegaram em pedras para matá-Lo (v.31, ver 8.59).

26.Pediram para que Ele falasse francamente (v.24). Ele falou, mas não estavam preocupados com a verdade, mas sim em pegá-Lo em blasfêmia. Quando as pessoas deixam de se interessar pela verdade elas tomam a atitude de superioridade e passam a julgar a verdade com os seus próprios pensamentos. Os judeus resolveram em seus corações não aceitar a verdade e apedrejar a Jesus (v.32).


Por quais obras queriam matar Jesus? As obras Dele eram belas por dois motivos:

                1)Porque eram atos de obediência ao Pai
                2)Porque representavam bênçãos às pessoas

                Isso cumpre a Lei de Moisés: “amar a Deus e ao próximo”.

26.Sempre que havia um apedrejamento era lida uma acusação formal contra o acusado, por isso, Jesus se aproveitou desse costume e os desafiou a “ler” sua acusação. Claro que nenhum judeu admitiria a morte de alguém simplesmente por ter realizado uma boa obra, por isso, não podiam contestá-Lo dessa forma, ou seja, duvidando de Suas obras, embora tentassem, mas em vão. Porém, “conseguiram” uma acusação contra Ele: “declarou-se Deus”. Este era o maior trunfo dos judeus contra Jesus e ao mesmo tempo o maior erro. Recusando a verdade, não agiram com humildade e foram incrédulos (v.33).

27.Jesus citou o Salmo 82.6 que condena os que fazem injustiça, sendo que a condenação é a morte. Os juízes são chamados pelo próprio Deus de “deuses”. Não porque Deus aprova o politeísmo ou a divinização do homem, mas porque um juiz tem a função de Deus, embora não o é em Pessoa. Jesus podia chamar-se Deus, pois além da função de julgar, através de suas palavras e obras, também é Deus em Pessoa (v.34-38).

28.A ira dos judeus só aumentou e tentaram prendê-Lo, mas Ele escapou como sempre. Não sabemos como se dava essa fuga, somente sabemos que “não era chegada a Sua hora” (v.39).

29.Jesus deixou Jerusalém e só voltaria quatro meses mais tarde, na “entrada triunfal”. Jesus foi para a região da Peréia, além do Jordão. A cidade chama-se “Betânia” ou Betábara, mas não se deve confundir com outra cidade com o mesmo nome, onde morava Lázaro, perto de Jerusalém. Foi um forte refúgio e consolo para Jesus e Seus discípulos, sair de um lugar cheio de apostasia e chegar num lugar onde os corações estão preparados (v.40-41).

30.João Batista era um profeta simples, pois não operava milagres, mas Jesus é poderoso em sinais e o povo reconheceu Nele o Messias que tanto João Batista pregou naquele lugar. Neste Evangelho nem sempre sabemos a profundidade do termo “crer”, por isso, não podemos afirmar categoricamente, mas baseado no fato que foram discípulos de João Batista é bem possível que creram em Jesus para a salvação (v.42).

31.O pecador é carente da verdade, mas também é carente de humildade e fé para aceitar a verdade. Só a Palavra de Deus pregada insistentemente pode fazer com que o pecador aceite a verdade e em fé humilde aceite o salvador Jesus Cristo.

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