João 12


Lição 12: Maria unge os pés de Jesus. Entrada de Jesus em Jerusalém. Jesus prediz a Sua crucificação (capítulo 12)

O auditório de Jesus é composto de pessoas com motivações diferentes
João 12.1-11
I.Uns adoram (v.1-3)
II.Uns roubam e criticam (v.4-8)
III.Uns crêem e outros perseguem (v.7-11)

1.As históras se confundem um pouco, pois houve duas manifestações desse tipo, sendo que uma foi na casa de um fariseu (Mt 26.6ss, Mc 14.3ss, Lc 7.36ss, esta era prostituta, e Jo 12.1ss). Um dos motivos do jantar, possivelmente, foi celebrar a ressurreição de Lázaro. Observe que Marta servia e Maria cultuava. Provavelmente isto tenha acontecido na casa de Simão (Mc 14.3), que devia ser parente de Lázaro, Marta e Maria. É possível que este Simão, que era leproso, tenha sido curado por Jesus. Jesus tinha livre acesso nesse lar (v.1-2).

2.O auditório de Jesus é composto de pessoas com todo o tipo de motivação, posição na sociedade e problemas. Uns eram leprosos, outras prostitutas, alguns eram coletores de impostos e outros eram amigos pessoais Dele. As motivações são muitas quando se trata de seguir a Jesus.

3.Só João diz o nome, enquanto Mateus e Marcos não dizem. Alabastro era o nome de uma aldeia do Egito, onde tinha esse tipo de material com o qual se fazia frascos para perfumes e, hoje, serve para enfeite. Colocavam-se ungüentos caros em recipiente de alabastro. O fato de Maria ter este ungüento sugere que era rica, o que já foi provado com o sepultamento de Lázaro (v.3).


4.João enfatiza que o nardo era puro, pois eram comum as falsificações. O nardo era um tipo de óleo de uma planta importada da Índia. Bálsamo é o mesmo que resina. Portanto, tanto o ungüento como o frasco eram importados e caros (v.3).

5.Maria enxugou com os cabelos. A extravagância não estava tanto em inclinar-se e ungir os pés e, até mesmo enxugar com os cabelos, mas sim usar objetos tão caros em algo, aparentemente simples como lavar os pés (v.3).

6.O auditório de Jesus é composto de verdadeiros adoradores. As motivações das pessoas mudam diante de um mesmo assunto. Diante de Jesus as pessoas têm as mais diversas motivações. Maria dava aquilo que lhe era importante para alguém que ela considerava importante. Não é desperdício devotar toda a nossa vida para Aquele que entregou a Sua vida por nós (v.3).

7.Talvez falta-nos um desprendimento das coisas deste mundo. Guardamos a nossa vida para usar com mais intensidade e energia para alguma coisa. Maria guardou aquela preciosidade para Jesus em vida. Era comum guardar especiarias para quando algum querido morresse, pois perfumar o cadáver era sinal de respeito e estima. Para quem, para que e para quando estamos guardando o nosso melhor?

8.O auditório de Jesus não é composto somente pelos verdadeiros adoradores. Há entre os que ouvem a Palavra de Deus aqueles que procuram a satisfação de seus desejos carnais. Alguns pregadores ficam ricos por causa da mensagem do evangelho.

9.Trezentos denários são o equivalente a um ano de sobrevivência para um trabalhador e sua família. Jesus sabia que Judas era ladrão, mas nunca denunciou este fato. Parece que não era preciso um relatório das finanças. Fica claro em Mateus que os outros discípulos, também, acharam um desperdício, embora não por motivos desonestos (v.4-6).

10.Ninguém quer mostrar as verdadeiras intenções para os outros. Todos querem mostrar um caráter melhor do que possui ou motivação mais limpa do que realmente tem. Há várias formas de roubar a Deus. Podemos deixar de servir ao Senhor com as capacidades que Ele nos deu. Podemos deixar de dar o dinheiro que Ele nos dá para a obra Dele. Podemos deixar de falar de Cristo aos perdidos. Ele nos deu uma ordem, a de pregar o evangelho a toda a criatura. Não fazer isto é roubar a Deus. Enfim, há pessoas no auditório de Jesus que roubam aquilo que pertence a Ele.

11.Em Mateus diz “Por que estais perturbando?” e aqui “Por que molestais esta mulher?”. Jesus não ensina que devemos negligenciar os pobres, mas o utilitarismo, ou seja, ajudar os pobres, não teria esse louvor. Em Mateus diz “para o meu sepultamento”. Não sabemos até onde ela sabia da morte de Jesus, mas em parte ela sabia e demonstrou todo o seu conforto para Ele. O tempo do verbo é passado. Ela guardou aquele perfume para o dia de sua morte. Jesus não mandou que ela guardasse para o Seu sepultamento, mas estava totalmente satisfeito que foi usado para Ele enquanto em vida (v.7-8).

12.Há no auditório de Jesus pessoas que crêem Nele como Salvador e outros que perseguem por não amarem a Sua Palavra. Lázaro era testemunha viva da Pessoa e Obra de Jesus. Talvez até o momento as irmãs de Lázaro o protegeram, porém, este jantar foi mais ou menos notório às pessoas. O Sinédrio viu em Lázaro um homem perigoso, pois muitos criam em Jesus por causa dele (v.9-11).

13.Jesus não é uma pessoa que se passa despercebido entre as pessoas. Todos fazem parte do auditório de Jesus, mas não significa que todos O amem. Alguns O adoram de verdade, outros usam o nome Dele para se enriquecerem. Alguns criticam a obra de Deus. Há os que crêem Nele, mas há os que O perseguem e isto fazem até hoje perseguindo os Seus servos. Qual tipo de auditório somos?

Os cuidados do verdadeiro adorador
João 12.12-22
I.O cuidado de glorificar somente a Jesus (v.12-15)
II.O cuidado de compreender a Palavra de Deus (v.16-19)
III.O cuidado de ver a Jesus (v.20-22)

14.Poderíamos facilmente pensar que estas pessoas seriam verdadeiros adoradores, porém, temos os relatos posteriores que mostram que não tomaram os devidos cuidados com sua fé. As pessoas ouviram que Jesus viria a Jerusalém e queriam vê-Lo, pois se tornou muito famoso depois da ressurreição de Lázaro (v.12).

15.Esse tipo de manifestação e agitar de ramos não era prescrito na Páscoa e sim na Festa dos Tabernáculos, porém, virou símbolo nacional desde o tempo dos Macabeus (146 a.C.). ”Hosana” significa “dá salvação agora” (Sl 118.25). Jesus não rejeitou o título “Rei de Israel”, nesse momento, porém, repudiou as idéias militares e políticas que este título sugeria. O modo como Ele entrou às portas de Jerusalém mostram claramente isso, pois que rei há que se apresente em um desfile em um jumentinho? Jesus tomou todos os cuidados para a Sua entrada em Jerusalém e o adorador também deve tomar todos os cuidados para que as suas motivações não se misturem (v.13-14).

16.Apenas João explica o porquê da saudação do povo (v.18). Esperavam Dele reformas políticas, pois se ressuscitou Lázaro poderia perfeitamente derrubar Roma. Era o tipo de fé superficial. Eram dois animais, pois não se separavam o filhote da mãe. Embora Is 40.9 refira-se à segunda vinda do Messias, em Zc 9.9 a referência é à “entrada triunfal” que está acontecendo neste incidente (v.15).

17.Quais os cuidados que estamos tendo para apresentar a nossa vida ao Rei de Israel? É necessário estar no lugar certo, ou seja, em Sião que é Jerusalém. O verdadeiro adorador deve ter uma vida limpa e pronta para adorar. As palmeiras falam de alegria. Temos de agitar os ramos de alegria para Ele e preparar o caminho para Ele passar, ou seja, deixar o nosso coração aberto para que Cristo tenha acesso livre em nossas vidas.

18.O crente deve ter o cuidado de compreender a Palavra de Deus, pois ela apresenta a Jesus Cristo. A glorificação de Jesus baseia-se na Sua morte e os acontecimentos estão levando-O exatamente para isto. Os discípulos entenderam aquela “entrada triunfal” somente quando o Espírito Santo desceu sobre eles. Nós só podemos compreender as Escrituras com a iluminação do Espírito Santo (v.16).

19.Quais os cuidados que estamos tendo para conhecer melhor as Escrituras? É necessário ler a Palavra de Deus, pois ela testifica de Jesus Cristo. O adorador verdadeiro toma o cuidado de gastar tempo refletindo na Palavra de Deus.
20.A grande motivação dessa saudação era a ressurreição de Lázaro. O povo via a entronização do “Libertador dos judeus em relação à opressão política de Roma”. Eles não estavam pensando no cumprimento das Escrituras, mas quanto pão e liberdade teriam seguindo aquele homem (v.17-18).

21.Os fariseus estavam desanimados vendo como o povo venerava Jesus. Eles precisariam de mais argumentos contra Jesus do que apenas acusá-Lo de desrespeitar o sábado. A multidão O seguia (v.19).

22.O adorador deve tomar alguns cuidados. Primeiro deve avaliar o seu coração para ver se esta adorando somente Jesus ou se há outra motivação traiçoeira por trás. O crente deve estudar a Palavra de Deus para compreender que Jesus está em todas as páginas.

23.O verdadeiro adorador deve tomar o cuidado de buscar a Jesus e vê-Lo diariamente em sua vida. Vieram pessoas de todos os cantos, inclusive gregos, devido à preparação para a Páscoa, mas a atração principal não estava mais sendo a Páscoa, mas “o homem poderoso”. Eram prosélitos do judaísmo ou apenas simpatizantes. Não eram pagãos, no sentido em que se usa esta palavra, pois foram adorar Jeová em Jerusalém. Muitos eram gregos convertidos ao judaísmo. Possivelmente vieram de alguma cidade grega perto da Palestina, onde havia colônia judaica. O título para gentios simpatizantes do Judaísmo era “tementes a Deus”, como no caso de Cornélio em At 10.2. (v.20).

24.Filipe é um nome grego (“amigo de cavalo”). Ele foi um contato para aqueles gregos, pois é bem provável que fosse de origem grega, sendo que os judeus não davam nomes gregos aos seus filhos. André, também é um nome grego (“viril”, “varão”). Este discípulo aparece neste Evangelho sempre levando alguém a Cristo (1.41, 6.8-9 e aqui). Procuraram Filipe e André, pois eram de Betsaida da Galiléia, uma cidade onde moravam muitos gregos (v.21-22).

25.O cuidado dos gregos era muito nobre. Queriam ver a Jesus. Todo esforço do crente na vida cristã deveria ser para ver Jesus. Quais os cuidados que estamos tendo para ver a Jesus? Não veremos Jesus pessoalmente em nossos dias, mas podemos vê-Lo cuidando de nós e nos fazendo crescer em Sua Palavra. O verdadeiro adorador toma alguns cuidados. Ele avalia o seu coração para saber se está adorando só a Jesus sem colocar nada e ninguém na frente dessa adoração. O verdadeiro adorador estuda a Palavra para conhecer melhor Jesus. O verdadeiro adorador deseja ardentemente ver a Jesus em tudo.

26.Entramos no último estágio do ministério de Jesus entre a multidão. A partir do capítulo 13 Jesus dirige toda a Sua atenção aos Seus discípulos. São ensinos fortes para os crentes. Nesta última parte do capítulo 12 Jesus prediz a Sua morte.

As aparentes contradições da vida cristã
João 12.23-36
I.Perder para ganhar (v.23-26)
II.Morrer para ser glorificado (v.27-36)

27.Jesus não desprezou aqueles gregos, mas primeiro teria de morrer (ser glorificado) para depois, oferecer alegria para os gregos. Não sabemos se esses gregos chegaram a vê-Lo. Antes da cruz não havia mensagem para os gentios, mas eles não teriam que esperar muito tempo (v.23).

28.Jesus prediz a Sua morte. Ele não ama a vida a ponto de poupá-la, pois senão o mundo não pode ser salvo. Jesus, aproveitando-se do momento, faz conhecido aos discípulos o serviço futuro, com promessas de quem O servir será honrado pelo Pai. A vida cristã é cheia de paradoxos e um deles é o de perder para ganhar. Cristo estava para morrer para ganhar discípulos. Os discípulos têm de ter a mesma atitude de entrega para servir a Deus. Não se pode seguir a Jesus sem pagar o preço da entrega de si mesmo (v.24-26).

29.Jesus não é uma pessoa desprovida de sentimentos. Ele veio para morrer, mas a separação do Pai O abala profundamente. A glorificação de Jesus estava em Sua morte na cruz. Ele não fugiu de Sua missão, porém, nunca foi fácil para Ele, pois sendo Deus não precisava passar pela dor da separação que o pecado traz, mas por amor a nós bebeu o cálice da cruz (v.27).

30.A multidão ouviu a voz, mas somente Jesus entendeu o significado. O Pai glorificou Jesus com os sinais e ainda O glorificará na morte. Não há contradição alguma em Deus responder para Jesus, mas uma aparente contradição viria na cruz quando Jesus foi abandonado por causa dos nossos pecados (v.28).

31.Alguns atribuíram aquele som à natureza, dizendo ser um trovão; outros atribuíram ao mundo espiritual, afirmando ser um anjo. Nenhum dois grupos acertou. Jesus explica que a voz não foi apenas para confortá-Lo ante a expectativa da separação do Pai na morte, mas aquela voz servia para que o povo soubesse que Jesus é o Messias aprovado de Deus e que não estavam seguindo alguém sem autoridade do céu (v.29).

32.A morte de Cristo na cruz era a maneira de julgar os pecados daquele que cresse. Além disso, com a morte de Cristo Satanás cairia em ruína, pois deixaria de ter domínio sobre muitas vidas. A expressão “levantado da terra” indica o modo da morte de Cristo, que seria a crucificação. Deus, o Pai fez o Filho saber qual o modo de Sua morte. Se acontecesse conforme tudo indicava, a morte seria por apedrejamento, mas entraram os fatores culturais e legais romanos: a sedição era punida com a crucificação. A multidão entendia o termo “ser levantado” como crucificação e não apenas como exaltação, já que era termo comum para sediosos (“serão levantados”, ou seja, “serão crucificados”). Cristo atrairá todas as nações para Si, através da crucificação, não só naquela época, mas por todas as épocas. Imediatamente atrairá aqueles gregos para Si (v.30-33).

33.Este é o amor de Deus. Parece contraditório, mas é muito lógico. O pecado exige a morte do pecador, mas como a Lei prevê a salvação para o pecador se um inocente morrer em lugar dele, Jesus estava cumprindo todas as exigências. Ele morreu pelos pecadores para que estes tenham a vida eterna.

34.Toda Escritura fala do Messias triunfante, o qual estabelecerá Seu reino para sempre (Is 9.7), porém, poucas referências para o Messias sofredor (Sl 22 e Is 53). As esperanças alimentadas quando da entrada triunfal estavam perdidas agora (v.34).

35.Na época, as ruas não eram iluminadas e, além disso os saqueadores e assassinos andavam por aqueles caminhos. Jesus faz uma analogia consigo mesmo, advertindo o perigo de rejeitar a Luz, que é Ele próprio. Depois de dar mais esta oportunidade, Jesus se retira. O tempo do ministério Dele na terra está cessando. Logo mais, Ele terá comunhão com Seus discípulos e será entregue à morte e só aparecerá aos crentes (v.35-36).

36.Estas são as aparentes contradições, mas totalmente explicáveis. Cristo é glorificado com Sua morte na cruz, pois para isto é que veio. O discípulo de Cristo se torna útil quando morre para si mesmo, pois para isto foi chamado.

Os anúncios finais para o pecador
João 12.37-50
I.Devem amar mais a glória de Deus do que a glória dos homens (v.37-43)
II.Devem crer em Cristo Jesus para verem o Pai (v.44-50)
37.Os últimos anúncios para o pecador são feitos agora, porém, as pessoas da época de Jesus rejeitaram a salvação. Deus cegou o entendimento dos judeus porque fizeram um firme propósito de não crerem em Cristo (Is 6.9-10). Por essa mesma razão Jesus falava em parábolas, registradas nos outros evangelhos (Mc 4.11-12). Essa maneira enigmática de Deus não é para tornar a fé impossível, mas é a resposta Dele à incredulidade do homem. O Senhor Os teria curado da cegueira, mas não quiseram. No v.41 há referência à visão que Isaías recebeu (Is 6.1). Isaías VIU o Senhor, por isso falou. Isso faz um contraste com os fariseus e Israel em geral que não viram o Senhor, pois estavam cegos (v.37-41).

38.Os que creram não sabemos. Também não sabemos se a fé foi superficial ou sincera para a salvação, o que nem sempre é fácil descobrir neste evangelho. Seja como for, estes líderes que creram amaram mais a glória dos homens, pois não confessaram diante do Sinédrio e do povo, pelo menos não há registro de tão importante decisão. Mesmo Nicodemos e José de Arimatéia declararam com as atitudes no sepultamento de Jesus, mas nunca abertamente com palavras (v.42-43).

39.Os anúncios para os nossos dias são os mesmos. Os pecadores devem amar mais a glória de Deus do que a glória dos homens se quiserem vida eterna.

40.Jesus insiste que Ele está  obedecendo o Pai. O anúncio para as gerações seguintes é o mesmo. Ninguém verá a vida eterna se não for por intermédio de Jesus Cristo. Ele é a luz para o mundo em trevas espirituais (v.44-46).

41.Jesus não veio para julgar o mundo, mesmo assim, apenas Sua presença já era um julgamento, pois as pessoas sentiam-se obrigadas a ficar ao lado Dele ou rejeitá-Lo. O “último dia” é o dia do juízo final, o Grande Trono Branco. Haverá grande punição. Só o fato de estar separado da Luz já é sofrimento imensurável (v.47-48).

42.O anúncio de Jesus vem do Pai. Ele é o Salvador para aqueles que estão separados de Deus. A amizade do homem com Deus é restabelecida através de Jesus Cristo (v.49-50).

43.Os anúncios finais para o mundo são estes. A partir de agora Jesus lida somente com os discípulos. Para entrar no “cenáculo” com Cristo precisa ser salvo. O único que não era salvo era o traidor que teve de deixar a maravilhosa comunhão, pois não tinha parte com o Senhor Jesus Cristo.

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