João 18


Lição 18: A prisão de Jesus. Jesus perante Anás e Caifás. Jesus perante Pilatos (capítulo 18)

Os castigos que Jesus passou antes de ser açoitado e morrer pelos pecadores
João 18.1-40
I.Jesus foi preso por meio da traição (v.1-14)
II.Jesus foi julgado de modo injusto (v.15-27)
III.Jesus foi condenado sendo inocente (v.28-40)

1.O ribeiro, chamado Cedrom, fica a maior parte do ano sem águas, podendo atravessar no leito deste. Jesus atravessou e chegou no jardim de Getsêmane. João, o escritor, simplesmente omite a agonia no Getsêmane. Já era costume de Jesus visitar aquele jardim, pois quando ia para as festas passava as noites ali com os discípulos e Judas, lógico, já sabia desse costume de Jesus. Jesus nem por isso, mudou seu trajeto, sabendo o que Lhe esperava desta vez (v.1-2).

2.Os soldados eram romanos e havia também soldados judeus que guardavam o Templo. Aonde os principais sacerdotes sacerdotes iam, os guardas escoltavam como proteção, sendo que muitos rebeldes escondidos no Egito e nas Arábias, vez por outra praticavam algum tipo de terrorismo. Os guardas romanos são identificados como “coorte”. Sendo que Jesus era “infrator perigoso”, esperavam alguma resistência por parte Dele e Seus seguidores. Para os romanos, Jesus era suspeito de “alta traição” contra o governo romano, auto-denominando-se “Reis dos Judeus” (v.3).


3.Jesus Se entregou, foi uma atitude voluntária, sem resistência alguma. Jesus declarou-se o “Eterno ‘Eu Sou’”. Estas palavras proferidas pelo próprio Deus causou a demonstração de poder, pois “recuaram e caíram por terra” (Sl 27.2). Jesus pede para não prenderem Seus discípulos, cumprindo assim a profecia Dele mesmo (17.12). Ser entregue por um amigo foi um castigo que Jesus sofreu sem ter feito nada contra Judas (v.4-9).

4.É possível que se Pedro não oferecesse essa resistência, os guardas romanos não entrariam em ação (v.12). O surpreendente é que deixaram os discípulos irem embora. Não é de se admirar se lembrarmos que o próprio Jesus foi quem pediu isto. Malco era um servo e não um oficial do sumo-sacerdote Caifás. Portanto, não era um soldado. Pedro estava disposto a cumprir sua promessa (13.37). A posse da espada foi mal-interpretada por Pedro (Lc 22.35-38). A espada referia-se aos dias de luta e perseguições e não à espada literal. No texto de Lucas “basta” tem o sentido de “deixe dessa idéia, chega” (v.10-11).

5.Este foi o primeiro castigo de Jesus antes de ser açoitado. Ele foi entregue aos soldados romanos e aos fariseus pelo próprio amigo. Judas foi ingrato a respeito de todas as oportunidades recebidas.

6.O segundo castigo de Jesus antes dos açoites foi o julgamento injusto pelo qual passou. Anás foi deposto por Valerius Gratus, mas sorrateiramente exercia influência sobre o genro, Caifás. O “comandante” ou tribuno ou coronel só acompanhava uma escolta em caso de detenção ou missão importante e perigosa. O costume era amarrar as mãos às costas. Antes de levar Jesus ao sumo-sacerdote “oficial”, que era Caifás, levaram-No à presença de Anás, o “sumo-sacerdote” suplantador. Durante 50 anos após Anás ser deposto. Somente familiares dele exerceram este cargo, sendo que ele exercia influência sobre eles. Esta entrevista foi na mesma noite (v.12-14, ver João 11.47-52).

7.Certo discípulo tinha privilégio diante do sumo sacerdote. Sendo que João nunca mencionava o seu nome neste Evangelho, é certo que está se referindo a si mesmo. Ele era conhecido do sumo sacerdote, no caso Anás. A palavra conhecido (“gnostos”) é usada para indicar parentesco. O local é o pátio interno da casa de Anás. Os judeus usavam na função de porteiros mulheres e não homens. Pedro conseguiu entrar por causa de João, que pediu para a porteira deixá-lo entrar, também. As casas orientais dos ricos eram assim: havia dois pátios, o externo e o interno separados por um arco e uma portinhola. Era madrugada fria, os empregados e guardas fizeram uma fogueira no pátio interno. Pedro ficou em apuros, pois a porteira sabia que João tinha ligação com Jesus e quis entrar por causa de Jesus. Se Pedro entrou a pedido de João, é claro, a porteira deduziu que Pedro, também, tinha ligação com o “assunto Jesus”, mas Pedro negou, foi a primeira negação (v.15-17).

8.Era proibida a reunião noturna, porém, dois fatores contribuíram para aquele julgamento naquele horário: Pilatos costumava trabalhar cedo e terminar até 10 ou 11 horas. Os judeus tinham festa naquele dia, por isso, também, tinham pressa (v.18).

9.O sumo-sacerdote aqui refere-se a Anás. Embora deposto pelos romanos, ainda era aceito como sumo-sacerdote pelos judeus. Anás quer saber sobre Jesus e Seus discípulos. Não podia ser considerado como um julgamento, pois o Sinédrio não fora convocado. Era um interrogatório para obter provas para apresentá-las ao Sinédrio. As regras do Sinédrio proíbam qualquer tipo de julgamento à noite. E como já sabemos isto se deu à noite. Portanto, eles infringem as suas próprias regras. Jesus não escondeu nada, embora não tenha falado nada sobre os discípulos, não para protegê-los, mas porque considerava-se o único responsável pelos ensinos e sinais. Jesus sempre ensinou publicamente. Nenhum revolucionário subversivo ensinaria publicamente, por isso, Jesus perguntou: “Por que me interrogas?”, mostrando que o Seu ensino era tão público que não precisava de tudo aquilo para saber sobre Seus ensinos. Podiam perguntar aos que O ouviram, como por exemplo, os próprios emissários do Sinédrio e até para o próprio Nicodemos (v.19-21).

10.Quando o Apóstolo Paulo chamou Ananias, que era o sumo-sacedote, de “parede branqueada” levou uma bofetada e pediu desculpas por ofender e transgredir a lei (At 23.2-5 e Êx 22.28), mas aqui, Jesus não ofendeu Anás e, por isso, ao invés de pedir desculpas protestou contra o ato rude do policial do Templo. A pergunta era acusadora, pois não se podia achar nenhuma culpa em Jesus. Os judeus, apesar disso tinham suas consciências insensíveis. Paulo errou em seu estado de raiva, mas Jesus foi manso em suas palavras, deixando todos sem defesa. Houve seis julgamentos contra Jesus: Três de natureza religiosa e três de natureza civil ou política (v.22-24).

11.Enquanto acontece o julgamento injusto de Jesus, Pedro está acompanhando ao longe. Pedro já não se sentia à vontade, pois não era acostumado a entrar em casa de pessoas da alta sociedade, e ainda mais aquela pergunta impertinente da porteira. Quando Pedro começou a sentir-se mais à vontade, o parente de Malco fez uma pergunta fatal. Pedro negou mais duas vezes e o galo cantou. O registro de Mateus é emocionante neste episódio (Mt 26.75). Este foi um castigo que Jesus também não merecia, um de Seus amigos mais íntimos O negou (v.25-27).

12.Jesus Se submeteu àquele julgamento injusto, à noite e às pressas. Era uma conspiração contra o Filho de Deus. Tudo isto por nossa causa. O crente não tem como agir mal contra as injustiças, pois o Seu Senhor foi totalmente injustiçado e ficou quieto, mas o Pai O recebeu no céu com toda a glória que tinha antes.

13.O terceiro castigo que Jesus sofreu antes de ser açoite foi a condenação. Ser entregue por Seu amigo Judas foi um grande castigo. Ser julgado sem defesa foi outro grande castigo e ser condenado sem motivo justo foi outro castigo que Ele não merecia. Não foram castigos físicos, mas morais. A vergonha estava estampada não no rosto de Jesus, mas naquele diretório sem escrúpulo chamado Sinédrio.

14.O pretório era o quartel-general do governador. O judeu não podia entrar em alojamentos pagãos ou casa dos gentios na época da Páscoa para “não se contaminarem”, talvez porque havia fermentos nestes lugares, enquanto nas casas dos judeus todo o fermento era jogado fora por ocasião da Páscoa. Os judeus preocupavam-se mais com os rituais do que com a justiça, tanto é que o julgamento foi ao ar livre mesmo. ”Era cedo de manhã” na quarta vigília (3-6 horas da manhã). Durante a noite passaram na casa de Anás, depois na casa de Caifás e não queriam mais perder tempo, pois as comemorações da Páscoa estavam chegando. Era terminante proibido matar o infrator no mesmo dia da sentença, mas novamente, traindo seus próprios regulamentos fizeram isto (v.29).

15.Pilatos, o governador, queria saber do caso, pois tinha sido informado que levariam Jesus, como dá para perceber, sendo que estava pronto para atender naquele horário. Devemos lembrar, também, que os soldados romanos acompanharam a prisão de Jesus. O Sinédrio não preparou uma acusação formal, mas esperavam que Pilatos aceitasse a palavra dos judeus de que se tratava de um malfeitor. Os judeus odiavam Pilatos, pois ele mandou gravar a efígie de César nas moedas. Pilatos era cruel, matou muitos samaritanos injustamente, embora isso não era ofensa nenhuma para os judeus. No reinado de Gaio (37-41 d.C.), Pilatos foi forçado a cometer suicídio. Os judeus odiavam Pilatos, mas agora precisam da ajuda dele. O Sinédrio não queria que Pilatos julgasse o caso, mas simplesmente que ordenasse a execução. Pilatos queria julgar o caso, não porque era homem íntegro, mas porque não queria “dar o braço a torcer” para os judeus, portanto, o quanto pudesse iria dificultar aquele julgamento, não por amor a Jesus, mas por ódio aos judeus.

16.Pilatos diz para os judeus julgarem segundo as suas próprias leis, mas ele sabia que os judeus já tinham julgado e decidido que Jesus devia morrer, mas estavam impossibilitados, pois a pena de morte era decidida pelo governador, o Pilatos. Se os judeus pudessem matá-lo seria por apedrejamento, se os romanos matassem seria por crucificação. A cruz é profética (v.30-32, ver Jo 3.14 e 12.32-33).

17.Entre os judeus era proibido pendurar alguém vivo no madeiro, mas só os cadáveres. Roma crucificava somente os acusados de sedição, que era o crime contra a segurança do Estado de Roma. Exemplo: O rebelde Espártaco, chefe dos escravos revoltados contra Roma em 71 a.C.. Enfrentou as legiões romanas com 100 mil homens ao seu dispor. Evidentemente perdeu e foi crucificado.

18.Pilatos mandou chamar Jesus no pretório. A pergunta que ele fez: “És tu rei dos judeus?” mostra que já haviam formulado a queixa. Qualquer um que afirmava ser rei nas províncias romanas era considerado um rebelde contra César. Jesus, dando chance a Pilatos para reconhecer a verdade, pergunta se Pilatos está ouvindo os boatos ou quer saber a verdade. Ao invés de Pilatos dominar a situação, Jesus é quem faz isto devido à sua tranqüilidade (v.33-34).
19.Pilatos quer se ver livre de qualquer responsabilidade, tentando convencer Jesus de que os judeus é que têm acusação contra Ele. Para Pilatos só interessa se o caso é de alta traição contra o governo de Roma, por outro lado, perder a simpatia dos judeus era perigoso para a função de governador. Jesus não esconde que é rei, porém, dá uma dimensão diferente ao termo, o que não prejudicava em nada Pilatos. Para Pilatos, Jesus tratava-se de um fanático religioso e não de um subversivo perigoso (v.35-36).

20.Essa é a “boa confissão” que Jesus fez diante de Pilatos, conforme 1 Tm 6.13. “Tu o dizes” neste contexto é o mesmo que dizer “sim”. Jesus ampliou a resposta mostrando claramente a Sua missão. Ele foi totalmente justo diante de Deus e do mundo, mas esta condenação não teve nenhuma justiça. A pergunta de Pilatos: “Que é a verdade?” não passa de zombaria, pois Pilatos nem levou em consideração a confissão de que Jesus é rei. Não havia perigo em Jesus. Pilatos não esperou para ouvir a resposta sobre “o que é a verdade”. Se Pilatos não viu crime algum em Jesus, por que O está condenando? A única explicação é política. Ele queria o seu emprego diante de César e não queria confusão diante dos judeus (v.37-38).

21.Pilatos lembrou-se do costume da Páscoa e aproveitou para provocar os judeus e ao mesmo tempo não ficar “endividado” com eles. A provocação está no modo como apresentou Jesus: “Quereis que vos solte o rei dos judeus?”. Não era lei que Deus instituiu e nem os judeus, simplesmente foi um costume de Roma como presente para os judeus. Embora Roma não comemorasse a Páscoa, oferecia como presente na festa dos judeus esta decisão. Alguns presos políticos eram beneficiados com este ato como foi o caso de Barrabás, cujo significado do nome é “filho de rabino”, mostrando a vergonhosa situação judaica e, talvez, tenha sido um motivo especial para o povo preferir este a Jesus. Isso reforça a idéia de que a crucificação era somente por motivos políticos de sedição e não para ladrões comuns. Barrabás não era um ladrão apenas, mas um amotinador (Mc 15.7). Jesus era acusado por Roma de ser um subversivo em declarar-se rei, mas Jesus nunca participou sequer de um motim e muito menos matou alguém..., mesmo assim os judeus preferem, e Pilatos concorda, libertar Barrabás a Jesus (v.39-40).

22.Antes mesmo de sofrer os maus tratos físicos Jesus já estava sendo castigado. O seu amigo O traiu, o Sinédrio conspirou contra Ele e o político mais poderoso do território dos judeus O entregou à morte mesmo sem ver nenhum crime Nele. Se Pilatos ouvisse a sua esposa e o sonho que ela teve sobre Jesus, ele não teria que passar a eternidade lembrando de seu crime contra o Filho de Deus. Um escritor disse que Pilatos está no inferno lavando suas mãos, mas cada vez que a contempla depois de “lavá-la” as suas mãos ainda estão cheias de sangue.

Nenhum comentário:

Postar um comentário