João 19


Lição 19: O desejo do povo a respeito de Jesus. A crucificação de Jesus. O sepultamento de Jesus (capítulo 19)
b.pilatos mandou açoitar jesus, foi a terceira agressão física -v.1
1.Pilatos sabia da inocência de Jesus, por isso, pecou deliberadamente contra Deus e sua consciência e o conselho de sua mulher.

2.Pilatos mandou açoitar Jesus. Fazia parte da crucificação os açoites como “preparação”, o que apressaria a morte na cruz, que costumava ser longos dias de sofrimento. Essa preparação para a crucificação chamava-se “flagelus”.

3.Tratava-se de uma tortura bárbara: Eram usadas tiras de couro, entrelaçadas com pedaços de metais ou ossos, que transformavam a vítima em uma massa sangrenta. A pele das costas e das nádegas eram rasgadas à medida que os “cravos” penetravam a pele e saíam com violenta força. Era comum a perda de um litro de sangue por causa dos 39 golpes, no máximo. Em alguns casos raros havia morte antes da crucificação. Isso explica a fraqueza de Jesus de não poder levar a própria cruz.

4.A aplicação do “flagelus” era ilegal antes de ser dada a sentença da crucificação. Portanto, mais uma vez, agora o governo romano, tropeçando em suas próprias leis. A sentença não foi dada, exceto pela multidão que pedia a crucificação de Jesus, conforme o registro de Mateus.


c.a coroa de espinhos e a zombaria, foram a quarta e quinta agressões físicas - v.2-3
A criatividade dos soldados foi usada de modo perverso e escarnecedor contra o Filho de Deus. Jesus era o “Rei dos Judeus”, por isso, trataram de “equipar” o rei:

1.Um rei precisa de COROA. Improvisaram uma de espinhos. Havia ramos de um espinheiro muito conhecido deles que era chamado de “”caminhos flexíveis da acácia síria”, cujos espinhos mediam cerca de 8 cm.

2.Um rei precisa de um MANTO. Vestiram-No com uma capa de exército romano, que é cor púrpura, a cor do manto real.

3.Um rei precisa de um CETRO. Deram-Lhe um caniço, conforme o registro de Mateus.

4.Um rei precisa ser reverenciado. Os vários soldados interpretaram os papéis de súditos reais. Cada um se achegava diante do “rei” com toda a “reverência”.


                - Ajoelhavam diante do rei (conforme Mateus)
                - Saudavam o rei (conforme Mateus e João)
                - Cuspiam n’Ele (conforme Mateus)
                - Davam-lhe bofetada (conforme João) com  cetro do rei (conforme Mateus)

Foi a QUINTA agressão física registrada no Evangelho de João. O cetro era um caniço, que é uma cana que nascia no pântano, conhecida como junco.

e.pilatos, o povo e os líderes religiosos - v.4-7
1.É bem possível que Pilatos tenha mandado açoitar Jesus e mostrar aos judeus para estes, comovidos diante do estado d’Ele, votassem por Sua libertação.

2.Pilatos diz que não vê crime algum em Jesus, no entanto, aplica-Lhe sofrimento.

3.Aquela massa sangrenta em nada comoveu os principais sacerdotes e seus guardas, mas só aumentou o ódio deles por Jesus e o desejo de sangue.

4.Pediam a pena máxima contra os criminosos de sedição contra Roma: “crucifica-O”.

5.Pilatos zomba dos judeus quando diz: “Crucifiquem vocês”, pois só Roma podia fazer isto. Pilatos lançou a responsabilidade para os judeus.

6.Em Mt 27.19 mostra que a própria esposa de Pilatos o alertou, pois teve um sonho a respeito. Em Lucas diz que Pilatos reuniu as autoridades judaicas, os guardas judaicos e o povo, mas todos só viam uma solução para o crime de Jesus: crucificação.

7.Havia um acordo que Roma devia respeitar, que era connsiderar as leis judaicas.

8.Para Roma o crime era: “Ele se declara o rei dos judeus”.
9.Para a Lei judaica o crime era: “Ele se declara o Filho de Deus”.

10.Já que Pilatos não queria mandá-Lo para a cruz por crime de sedição, que mandasse por blasfêmia. Mas, isto levanta outro problema, pois por blasfêmia Pilatos deveria entregá-Lo para os judeus executarem e ficaria enfraquecido diante da opinião pública judaica e mais, a profecia de Jesus era que o tipo de morte seria crucificação.

11.Os judeus se responsabilizavam pela execução de Jesus dizendo: “O sangue d’Ele pode cair sobre as nossas cabeças e sobre nossos filhos” (Mt 27.25-26).

                - Será que isto não aconteceu, tendo em vista as desgraças que sobrevieram aos judeus nos tempos que seguiram tanto para a presente geração (no ano 70 a.D) quanto para as gerações posteriores, até hoje?

f.pilatos assusta-se ao perceber que está diante do filho de deus, mas mesmo assim age como se estivesse diante de alguém sem importância - v.8-16
1.Os oficiais romanos eram cruéis e insensíveis, mas guardavam firmes as superstições sobre os deuses e sua vingança e neste ponto que Pilatos ficou amedrontado e tentou por todos os modos convencer os judeus a não votarem pela crucificação.

2.Jesus, que tinha o domínio da situação muito mais que Pilatos, responsabilizou os judeus por maior pecado.

3.Os judeus rebatiam toda a tentativa de Pilatos soltar Jesus e chegavam a ameaça-lo dizendo: “Não é amigo de César”. Pilatos não queria que Tibério pensasse que ele não cumpriu a lei romana, que era crucificar os sediosos.

4.Pilatos tentou pela última vez salvar Jesus, mas foi em vão, por isso, covardemente entregou-O para ser crucificado.

5.No v.13 há referência ao julgamento formal no “gábata”, que é uma palavra hebraica que significa “o cume, terreno elevado”. Era o tribunal, uma plataforma para julgamento, “bema” em grego. Era obrigatório que a sentença fosse pronunciada daquele lugar.

6.Litostrotes é uma palavra grega que significa “pavimentado com pedras”, indicando como era o lugar em volta do tribunal.

7.”Parasceve” significa “véspera do sabá”. Os judeus estavam na véspera de importante evento: a Páscoa.

8.Os judeus estavam tão odiosos contra Jesus e tão felizes da decisão de Pilatos que até esboçaram um louvor a Roma: “Não queremos este como rei”, “Nosso rei é César”.

9.Marcos diz “hora terceira” e João “hora sexta” e Mateus “hora sexta”. Jesus foi crucificado às 9 horas da manhã (hora terceira, Marcos 15.25). As trevas vieram ao meio dia (hora sexta) e duraram até às três da tarde (hora nona), quando Ele entregou Seu espírito. Portanto, Jesus ficou na cruz por 6 horas.

G.ele próprio carregou a cruz para o calvário, foi a sexta agressão física - v.17
1.Simão, o cirineu, ajudou Jesus, não por voluntariedade, mas porque foi obrigado pelos soldados, pois Jesus estava muito debilitado fisicamente e era inútil os soldados forçarem Jesus para levar a cruz, e os soldados jamais levariam a cruz, por isso, pegaram um estrangeiro, não era nem romano, nem judeu e nem grego, mas um africano de Cirene, um porto situado no norte da África.

2.Era comum carregar só o travessão, sendo que a estaca já estava posta no local da crucificação.

3.”Gólgota” é uma palavra hebraica e “Calvária” latim, que têm o mesmo significado (“caveira”). Ficava fora dos muros da cidade de Jerusalém. Era uma colina com a aparência de um crânio.

H.mais dois foram crucificados naquele dia - v.18
1.Jesus foi colocado no centro, indicando que era seu crime é o pior dos três.

2.Os romanos prendiam os braços do criminoso no travessão com tiras de couro, para os criminosos mais hediondos fincavam pregos.

3.As pernas não ficavam totalmente esticadas na estaca, o que prejudicava a respiração devido à compressão do diafragma, porém, havia uma madeira que servia de apoio para os pés da vítima. À medida que o crucificado tentasse esticar as pernas, o diafragma ficava um pouco mais livre para buscar ar, com o decorrer dos dias as cãimbras se tornavam insuportáveis e cada vez mais o ar ficava saturado nos pulmões levando à uma morte lenta.

4.Quando a vítima suportava por muitos dias, era comum quebrar-lhe os joelhos, impedindo o movimento de flexão, causando a compressão do diafragma, matando a vítima asfixiada.

5.Um crucificado não morria antes de 36 horas de sofrimento. Houve casos de 9 dias. Jesus ficou na cruz por três horas. Era a preparação da páscoa, certamente os judeus mannndariam quebrar-Lhe as pernas para apressar Sua morte, pois, sendo execução judaica não podiam deixá-Lo exposto durante a Páscoa e depois de morto não podiam deixar o corpo exposto durante a noite.

I.a inscrição no cume da cruz e a divergência - v.19-22
1.Era comum escrever em uma placa os atos do criminoso e colocá-la no cume da cruz ou no pescoço do criminoso.

2.Todos os que assistiam podiam ler em sua própria língua. O mundo com seus segmentos assistiu a crucificação:

                O MUNDO RELIGIOSO - os judeus leram em hebraico.
                O MUNDO INTELECTUAL - os gregos leram em sua língua.
                O MUNDO POLÍTICO - os romanos leram em latim.

3.Em alguns quadros atuais tem o acróstico INRI, significando

       “JESUS    NAZARENO    REI   DOS   JUDEUS”
         I                N                  R                 I

J.as vestes de jesus - v.23-24
1.Jesus foi crucificado como era o costume da crucificação: vestido apenas com uma faixa que os escravos usavam em trabalhos pesados.
2.Os soldados repartiram entre si as vestes de Jesus, que se resumia em um par de sandálias, as roupas externas e o cinturão.

3.A capa, também chamada túnica (“chitõn”) era valiosa e, por isso, foi sorteada (Sl 22.18). Era feita no tear, tecida por inteiro, sem costura. Não queria rasgá-la e aproveitar o pano, mas um dos quatro ficou com a valiosa túnica.

  - Essa túnica não é o suposto “santo sudário”. O santo sudário é a capa vermelha romana, que supostamente, teria sido usada para enrolar Jesus ao descerem-No da cruz.

4.Por direito as vestes do crucificado pertenciam aos seus carrascos. Eram quatro como o costume ditava (At 12.4).

K.jesus entrega a mãe aos cuidados do discípulo amado - v.25-27
1.Estavam ao pé da cruz, pelo menos quatro mulheres:

                - Maria, mãe de Jesus
                - Maria, irmã da mãe de Jesus, também conhecida como Salomé, mãe dos filhos de
            Zebedeu, portanto, mãe de João. Assim, João, o escritor e Jesus seriam primos.
          - Maria Madalena
                - Maria, mulher de Clopas (também conhecido como Alfeu), que era mãe de Tiago, o
            menor. Egesipo, escriitor da Palestina no século II, diz que Clopas era irmão de José,
            o carpinteiro.

2.Jesus dá um protetor àquela que cuidou d’Ele e o gerou. Sendo que José não estava mais vivo e os irmãos de Jesus não estavam ali, Jesus escolheu a melhor pessoa para cuidar de Sua mãe, João, que provavelmente era o sobrinho da mãe de Jesus.

“Um homem que vai até ao  pé da cruz, é um homem ideal para cuidar da minha mãe”.

3.João foi o único discípulo que teve a coragem, junto com as mulheres de presenciar aquela cena. Um bom título resume esta cena: MULHERES DE CORAGEM, HOMENS COVARDES.

L.jesus teve sede e deram-lhe vinagre - v.28-29
1.Jesus estava com muita sede, não por causa do clima, pois o sol se escondeu durante todo o tempo da crucificação, mas se esforçou muito fisicamente e estava bem desidratado, pois perdeu muito sangue, causando-Lhe, também, uma anemia profunda.

2.Deram vinagre para Jesus e ele aceitou. Vinagre é a palavra “posca” (latim) ou “oxos” (grego). Era usado para os soldados beberem de vez em quando. Não deve ser confundido com “vinho e mirra”, os quais Jesus rejeitou, pois era entorpecente para aliviar a dor (Mt 27.45 e Mc 15.23). Jesus não quis trocar a dor consciente pelos nossos pecados por um estado de torpor, enganoso.

3.Aqueles soldados cruéis sentiram algum tipo de compaixão por Jesus. Um deles chega mesmo a crer em Jesus como Salvador.

M.a consumação - v.30
1.Tetelestai ou Totelestai! Aqueles gregos que queriam ver Jesus já podiam ver e desfrutar a vida eterna! O mundo todo podia, a partir daí, experimentar uma nova compreensão da vida.

2. A seguir os usos comuns da palavra “Totelestai” (“está consumado”):

   - Quando um comerciante vendia algo e o cliente pagava todas as prestações. Era carimbado na última prestação: “Totelestai”.

   - Quando um capitão trazia seu barco carregado de mercadoria a um porto, dizia: “Totelestai”.

   - Quando um soldado voltava de uma missão, dizia ao superior: “Totelestai”.

   - Jesus na cruz, esmagando a cabeça de Satanás (Gn 3.15), diz: “Totelestai”.

3.Jesus Cristo não foi morto no sentido restrito do termo, mas entregou a Sua vida, rendeu o espírito.

N.a profecia do salmo 34.20 é cumprida - v.31-37
1.Era proibido pela Lei de Moisés que cadáveres ficassem expostos durante a noite.

2.Uma pergunta que surge na mente de muitos: Jesus morreu na Páscoa? Sim, sendo Ele o Cordeiro pascal, essa era a data para morrer, porém, Jesus morreu 3 horas da tarde e a Páscoa, propriamente dita, começava às 6 horas da tarde.

3.Segundo a Lei de Moisés, as festividades da Páscoa compreendiam 7 dias, sendo que a festa da Páscoa era realizada no último dia e no dia anterior era realizado o sacrifício e não no último dia da Páscoa.

4.A profecia de Sl 34.20 é cumprida na morte de Jesus (ver também Êx 12.6, Nm 9.12).

5.O modo como quebravam as pernas era com um pesado pau e ferro, precisavam várias pancadas para quebrar os joelhos.

6.O prazer dos soldados foi “roubado”, pois Jesus já havia morrido.

7.Não se sabe ao certo porque o soldado perfurou Jesus no lado, sendo que já estava morto. Alguns sugerem que seria uma atitude de irritação por não poder quebrar-Lhe as pernas e outros sugerem que teria sido para confirmar a morte de Jesus, mudando de método por conta própria e perfurando o coração, ao invés de quebrar-Lhe as pernas.

8.A perfuração do lado de Jesus foi a SÉTIMA agressão física no evangelho de João, embora, Jesus já estivesse morto, mas mutilar um corpo morto é considerado, senão em todas, quase todas as culturas, como um ato de desrespeito e agressão.

9.A poesia, sem rima, que segue faz-nos pensar nesse ato:

                O lado ferido de meu Salvador
                deixou escapar um duplo rio:
                Pela água somos purificados,
                Pelo sangue somos perdoados”

10.João foi testemunha ocular da profecia cumprida. Outra profecia que foi cumprida nesse momento foi a de Zc 12.10 (ver Ap 1.7, também). As marcas nas mãos (pulsos), nos pés e no lado seriam prova incontestável para os discípulos.

O.o sepultamento de jesus - v.38-42
1.José de Arimatéia era um membro do Sinédrio (Mt 27.57), por isso, teve acesso fácil ao governador.

2.Antes, José de Arimatéia ocultou-se, amando mais a glória deste mundo, mas agora revela a sua preferência por Jesus, mesmo depois dEste ter morrido.

3.Entregava-se o corpo para o parente mais próximo. É estranho que José de Arimatéia não era parente de Jesus e cuidou do corpo de Jesus, mas os discípulos e a própria mãe de Jesus se ocultaram.  Talvez já tinham combinado deixar José de Arimatéia com essa responsabilidade.

4.Não  havendo procura do corpo, jogavam no vale de Geom, onde era devorado pelos pássaros.

Obs: Uma das poucas razões que permitiam um romano ser crucificado é se fosse um desertor de batalha.

5.Com o começo do último dia da Páscoa (6 horas da tarde), tiveram que se apressar para embalsamar o corpo de Jesus.

6.Nicodemos trouxe 45 kg de uma mistura de especiarias para o sepultamento. Certamente contou com a ajuda de empregados, por causa do peso e do árduo trabalho.
7.Embora aloés e mirra não fossem caros como o nardo puro, uma quantidade assim, somente um rico podia fornecer. Quantidade grande assim era para sepultamento real.

8.As especiarias em pó eram colocadas nas tiras de pano. Tanto o corpo quanto as tiras ficavam impregnadas por essas especiarias. Evidentemente, não se trata de mumificação e embalsamento egípcios, que era muito avançado. No caso do sepultamento judaico, não era para adiar a putrefação, mas simplesmente um ato de respeito para com o falecido.

9.Aquela mistura preparada ficava como gesso, depois de seco, e era como uma “papinha” ao passar nas tiras e corpo. Era praticamente uma unção.

10.A seguir um contraste com o embalsamento egípcio, que era eficiente contra a putrefação e completo:

  - Com um gancho retiram o cérebro pelas fossas nasais em porções dos miolos, o que sobra é retirado com enxagues com certas drogas.

  - Pelo flanco colocavam aromas batidos.

  - Enchem a cavidade do abdome com mirra e outras especiarias.

  - O cadáver mergulhado em matro (subcarbonato de soda) por 70 dias.

  - O cadáver é lavado e enfaixado da cabeça aos pés com tiras de linho fino besuntado de polvilho.

11.Havia pressa no sepultamento, pois na Páscoa era proibido tocar em cadáver e o corpo não podia ficar exposto. Portanto, deveriam achar um sepulcro que fosse nas imediações.

12.José de Arimatéia tinha um sepulcro ali perto. O objetivo era sepultá-Lo, mesmo faltando todos os preparativos, pois fariam depois do sábado da Páscoa, porém...

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