João 21


Lição 21: Jesus toma refeição na praia com os discípulos. O diálogo com Pedro (capítulo 21)
a.jesus se dá a conhecer aos seus discípulos e providencia uma pescaria bem sucedida - v.1-14
1.Todos os onze viram e creram na ressurreição de Jesus. Neste episódio, João relata o que aconteceu com sete dos discípulos.

2.O “Mar de Tiberíades” é o mesmo que “mar da Galiléia”. Em homenagem a Tibério César este lago (que não é um mar) ganhou este nome.

3.A pescaria foi um fracasso. Alguns criticam Pedro por ter ido pescar. Os críticos mais ferrenhos chegam a afirmar que Pedro abandonou o ministério. Isto é muito longe da realidade. Pedro não era um homem inativo e pescar, ainda era um ganha-pão. Não apanharam nada, não porque eram maus pescadores, mas era por causa de um propósito maior de Jesus para a fé daqueles homens.

4.Jesus estava na praia, mas não foi reconhecido por eles. Não vale a pena tentar argumentar que não o reconheceram porque era de madrugada ou neblina. O fato é que nem a voz reconheceram. Por isso, chegamos a conclusão que para reconhecer Jesus ressuscitado era necessário que Este abrisse o entendimento das pessoas. Lembre-se que já tinham visto Jesus duas vezes, exceto Tomé que viu apenas uma vez.


5.Jesus pede o que comer e, é claro, que espera um NÃO como resposta, pois sabia que a pescaria tinha sido um fracasso.

6.”Alguma coisa para comer” é a tradução da expressão “prosfagion”, que significa “algo para comer com pão”. Era comum comerem pão com peixe. Jesus tinha pão, como veremos adiante e até peixe, mas não dava para todos e Ele queria uma refeição com eles.

7.Certamente era humilhante para um pescador dizer que nada pescou, mas não tinham outra resposta no momento.

8.Jesus deu ordem para uma farta pescaria e aconteceu conforme a Sua Palavra. Havia uma superstição entre os pescadores qu o lado direito é o da sorte e  a rede devia ser sempre lançado desse lado, mas é claro que Jesus não estava dando esta ordem com base nisto, mesmo porque a superstição era que a popa do barco estivesse para o mar e não para a praia, como era o caso.

9.Que pescaria! Nem podiam colocar no barco, tiveram que rebocar a rede até a praia.

10.Novamente, o primeiro a crer que era Jesus foi João, que disse a Pedro, e este impulsivamente, como era o seu estilo, lançou-se ao mar com roupa mesmo.

11.Talvez João tenha lembrado de um milagre muito semelhante tempos atrás (Lc 5.1-11).
12.Normalmente alguém tira as vestes de cima para nadar, mas Pedro vestiu-se por respeito ao Senhor. Pedro não estava nu, mas apenas com a roupa de baixo, comum entre os pescadores.

13.Estavam há 100 metros da praia. Pedro foi nadando e os outros seis puxando a rede, que estava muito pesada.

14.Nas cantos da rede havia pedaços de cortiça ou madeira leve e para arrastar os peixes os pescadores “embrulhavam” a rede para não escapar os peixes, o que inevitavelmente aconteceria com os menores, o que era bom, pois tinham que separá-los mesmo, aproveitando só os peixes maiores.

15.Jesus tinha preparado o desjejum com alguns peixes que Ele mesmo “pescou” antes. Jesus pediu alguns peixes que eles pescaram. O objetivo não era aumentar, pois parece que Jesus preparou a refeição suficiente para todos. Mas o objetivo de Jesus era fazer com que os discípulos desfrutassem da alegria do trabalho feito com o auxílio do Senhor.

- O Senhor abençoa os crentes com dons e capacidades e até com bens materiais e, ainda, dá a oportunidade de apresentarmos a Ele com grande alegria.

16.Pedro, que não ajudou a rebocar a rede, agora arrasta sozinho pela praia, mostrando que era um homem muito forte.

17.João foi testemunha do número de peixes e aquilo ficou em sua mente. Não há simbolismo nenhum neste número, embora alguns queiram encontrar algum significado especial. Foram 153 peixes grandes. Os peixes pequenos não eram contados.

18.”A rede não se rompeu”. Se há algum simbolismo nesta frase é que na pregação do Evangelho, aqueles que vierem não se perderão, ao contrário, têm segurança.

19.Ao mesmo tempo que estavam diante de Seu mestre conhecido e íntimo, Jesus para os discípulos era um “estranho”, diferente deles, pois voltou da morte. Mesmo assim, ninguém perguntou quem era, pois sabiam que, de fato, era Jesus.

20.Jesus ofereceu a eles pão e peixe. Jesus foi cortês e hospitaleiro e serviu aos discípulos. Era a terceira vez que Jesus aparecia aos discípulos.

21.O peixe passou a ser o símbolo do cristianismo, devido à familiaridade dos discípulos e Jesus com as pescarias e por causa do acróstico “Ichtus” que significa: Jesus Cristo Filho de Deus Salvador. Esta palavra em grego significa “peixe”.

b.jesus e pedro - v.15-23
1.Após a refeição, Jesus estava caminhando com Pedro pela praia (v.20).

2.A pergunta de Jesus é muito difícil. Como Pedro saberia se amava Jesus com mais intensidade que os outros discípulos? Talvez, Jesus não esteja exigindo que Pedro saiba isto, mas sim que saiba que o amor dele precisa crescer.

3.Três vezes Pedro negou Jesus e, agora, três vezes tem que responder se ama a Jesus. É como se para cada resposta, “sim eu te amo, Senhor”, fosse sendo perdoada cada vez que Pedro O negou e, assim, sua vida ficou limpa novamente e pronta para o ministério de cuidar do rebanho de Jesus.

4.Muito tem-se dito sobre o amor “Ágape” e “Fileo”. Sendo que “Ágape” é o amor por excelência, superior ao amor “”Fileo”, o amor de Deus, o amor de um relacionamento perfeito. Assim, o diálogo seguiu-se dessa forma:

JESUS: Pedro, tu me amas? (ágape)
PEDRO: Sim, Senhor; tu sabes que te amo (fileo)
JESUS: Simão, amas-me? (ágape)
PEDRO: Tu sabes que te amo (fileo)
JESUS: Simão, amas-me? (fileo)
PEDRO: Tu sabes que te amo (fileo)

5.A idéia de que o amor “fileo” é inferior não é, de fato, verdadeira. As palavras “ágape” e “fileo” funcionam nas páginas do N.T. como sinônimos e não há necessidade de fundamentar um ensino nestas palavras, julgando as motivações dos corações das pessoas pelo uso delas.

6.Jamais alguém pensaria que o Pai teria um amor inferior por Seu Filho, Jesus Cristo. No entanto, em Jo 5.20 a palavra para descrever este relacionamento é “fileo” e não “ágape”.

7.O amor de Jesus por Marta e Maria é descrito em Jo 11.3-6 como “fileo” e não “ágape”.
8.O amor de Jesus pelo discípulo amado, João, é descrito como “fileo” e não “ágape” em Jo 13.23 e 20.2

9.O amor do Pai para com os crentes é “fileo” e não “ágape” em Jo 16.27.

10.A maldição está para os que não amam ao Senhor Jesus Cristo em 1 Co 16.22. A palavra é “fileo” e não “ágape”.

11.O amor dos crentes cretenses por Paulo era “fileo” e “não “ágape” (Tt 3.15).

12.Jesus repreende a todos os que ama (Ap 3.19). Neste texto, Jesus ama com amor “fileo”e não “ágape”.

13.Portanto, não deve dar atenção demasiada nessas duas palavras, “fileo” e “ágape” como se fossem variação de um amor superior ou inferior.

15.Pedro recebeu a comissão de cuidar do rebanho de Jesus Cristo. Se Pedro não amasse o Senhor, de fato, Jesus não daria o Seu rebanho para Pedro cuidar. Logo na primeira resposta à primeira pergunta de Jesus, Pedro foi aceito com Pastor do rebanho de Jesus.

16.Após isto, Jesus diz que Pedro glorificará a Deus através de sua morte. A linguagem que Jesus usou para falar da morte de Pedro refere-se à crucificação (“estenderás as tuas mãos”).

17.Tertuliano (212 d.C.) diz que “Pedro foi amarrado na cruz e cingido por outra pessoa”.

18.A tradição eclesiástica diz que Pedro não se achou digno de morrer como o Seu Senhor, então pediu para ser crucificado de cabeça para baixo.

19.Jesus convidou Pedro, dizendo “segue-me”, mostrando total aceitação. Pedro morreu velho, no reinado de Nero, 40 anos depois deste diálogo com Jesus.

20.João estava logo atrás de Jesus e Pedro. João nunca ficava longe de Jesus.

21.Pedro ficou curioso sobre o que Jesus tinha a dizer sobre o futuro de João. Hoje, sabemos qual foi: exilado na ilha de Patmos, sujeito a trabalhos pesados nas pedreiras.

22.Jesus anima Pedro, dizendo que a responsabilidade dele é seguir o Senhor e ser fiel à sua missão de cuidar do rebanho. Quanto a João, Pedro não precisa saber os planos de Deus para ele.

23.Jesus não disse que João seria arrebatado, mas se fosse, o que Pedro não precisava se sentir injustiçado.

- O que Deus tem para nosso irmão é da responsabilidade de Deus e neste sentido não devemos nos preocupar com o plano de Deus para outros.

24.Foi muito importante o próprio escritor, João, relatar este diálogo, pois poderia ser que até hoje estaria correndo a lenda de que João não morrera.

25.Agostinho no século V, reprovou pessoas que ainda prolongavam este boato e disse: “O apóstolo João ainda vive, sim, deitado, adormecido e não morto, em seu túmulo em Éfeso”.

26.Por outro lado podemos dizer que João viu o céu antes de morrer, conforme todo o livro de visões do Apocalipse.

C.conclusão - 21.24-25
- o testemunho de joão é verdadeiro - v.24
João fala de si mesmo na terceira pessoa do singular. Alguns comentaristas dizem que os v.24-25 foram escritos por outra pessoa, mas não precisamos aceitar isto, pois João sempre fala de si mesmo assim neste Evangelho.

- joão conclui seu  relato com uma hipérbole - v.25
1.Não foi escrito neste evangelho e nem nos demais evangelhos tudo o que Jesus fez.

Pércio Coutinho Pereira

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