João 6


Lição 6: A multiplicação dos pães. Jesus anda sobre as águas. Jesus, o Pão da Vida. A murmuração dos judeus e a deserção dos discípulos (capítulo 6)

Os olhares que fazem diferença
João 6.1-15
I.A multidão vê os sinais (v.1-4)
II.Jesus vê uma multidão faminta (v.5-6)
III.Os discípulos vêem a impossibilidade (v.7-13)
IV.Os saciados vêem o profeta que é o Messias (v.14-15)

1.Este é o único milagre comum aos quatro evangelhos. A multidão seguia a Jesus com uma fé superficial, pois viram os sinais em Jerusalém, mas de qualquer forma os sinais serviam para manter os olhos fixos em Jesus Cristo, o Messias de Israel. Há muitas pessoas, hoje, que têm curiosidade pelas coisas de Deus. A nossa atitude como crentes deve ser a de permitir que sigam superficialmente, pois pode ser que alguns se convertam, de fato (v.1-2).

2.A Páscoa estava próxima e esta é a explicação para muitos estarem ali. Conforme Lc 9.9 e Mt 14.12, este acontecimento foi logo após à morte de João Batista. Jesus certamente sentiu muito a morte de seu precursor e primo. Jesus subiu ao monte, talvez com seus discípulos mais íntimos, isolando-se um pouco da multidão (v.3-4).


3.Em Marcos diz que Ele ensinou a multidão o dia inteiro. Sabe-se que aquele que ensina um grupo por um tempo assim, fica responsável por alimentar as pessoas, não só com o ensino, mas com o pão. Em Mateus diz que Ele curou enfermos. A hora era por volta das 17 hr, ao pôr do sol. Despedir a multidão era o mesmo que deixá-la faminta, pois era tarde. A principal questão de Filipe é: “Onde comprar e com que dinheiro?”. Jesus via a necessidade da multidão, mas também via a necessidade dos discípulos, por isso, fez a pergunta para experimentar a fé dos discípulos (v.5-6).

4.Cada denário correspondia a um dia de trabalho, o suficiente para o pão de uma família média. Um trabalhador com 5 membros na família gastava metade do ganho diário em alimento. Em 3 refeições, que para essa família eram 15 por dia, gastava-se meio denário. Um denário dava para dois dias ou 30 refeições. Com 200 denários daria para 6.000 refeições. Só os homens eram 5.000. Duzentos denários correspondiam a 10 meses de trabalho (200 dias). A multidão via os sinais, Jesus via a multidão necessitada e os discípulos viam a impossibilidade de saciar aquela multidão. Deus quer homens e mulheres que vêem com os olhos da fé (v.7).

5.Arrumar dinheiro para tantas pessoas era impossível. André leva um rapaz com 5 pães e 2 peixes, o que não resolveria o grande problema. O texto ilustra a pobreza do povo, visto que cevada era o alimento dos pobres. Os nossos problemas podem se avolumar tanto em nossa mente e em nossa incredulidade que a ponto de não podermos ver Jesus, o grande sustentador. Enquanto todos vêem um grande problema, Jesus vê uma oportunidade de agir (v.8-9).

6.Eram contados apenas os homens (Mt 14.21). Filipe calculou o quanto precisaria para cada um comer um “pedaço”, mas Jesus deu em abundância, para comerem o quanto quisessem. Foi fácil contar aquela multidão, pois dividiram-se de 100 em 100 e 50 em 50 (Mc 6.39-40) (v.10-11).

7.Os cestos eram grandes. Um detalhe dessa história muitas vezes nos foge: Por que tinham estes cestos? Era comum carregarem cestos cheios, principalmente, porque  ao passar em território gentílico não precisariam comer de seus alimentos. Outro detalhe importante é que Jesus não aprecia o desperdício e nem a sujeira. Em um piquenique para umas 15 mil pessoas muita sobra seria espalhada pela relva, mas o Senhor não permitiu que nada fosse desperdiçado e nem que o local ficasse sujo. Ainda outra lição é que Jesus não era avarento. Todos podiam comer o quanto desejassem para se saciar. Isto aconteceu, também, quando Deus mandou o maná do céu (v.12-13).

8.Se pudéssemos ver longe como Jesus, veríamos uma necessidade que só podia ser preenchida com fé, mas se olharmos como os discípulos, veremos apenas uma impossibilidade.

9.Há mais um olhar que faz toda a diferença neste incidente, é olhar daqueles que se saciaram. Eles viam não apenas um homem bom, mas o profeta que deveria vir o qual foi profetizado por Moisés. Eles viram em Jesus o Messias. No tempo de Moisés o maná caiu do céu e, agora, Aquele homem, Jesus, multiplica pães e peixes bem à vista de todos. É claro que nem todos viam da mesma maneira, mas os que conseguiram enxergar o Messias receberam a salvação (v.14).

10.Depois disso é claro que desejavam proclamá-Lo Messias. Talvez lembraram do maná para o povo no deserto. Jesus não queria se comprometer com este título, pois para o povo envolvia o aspecto político. A multidão não errou em dizer que Jesus é o profeta prometido, mas errou em reconhecer apenas o aspecto externo desse profeta, ou seja, dar pão para comer. Jesus fugiu porque ninguém podia fazê-Lo Rei. Não havia “terreno preparado” para Ele em Israel, pois ainda era desprezado e rejeitado. Ainda nem se arrependeram e queriam fazê-Lo rei (v.15).

11.Nós que estamos saciados com o Pão da Vida que é Jesus Cristo o salvador devemos compartilhar desse pão com outros igualmente famintos. Vimos quatro tipos de olhares. O olhar da multidão necessitada de sinais, o olhar de Jesus compadecido pela multidão faminta, o olhar incrédulo dos discípulos para o suprimento das necessidades e o olhar dos que reconheceram que Aquele que supre as necessidades é o Messias de Israel.


Os ladrões da fé
João 6.16-21
I.O escuro (v.16-17)
II.O vento forte (v.18)
III.O medo (v.19-21)

12.Jesus foi ao monte para orar sozinho e, isso, com o propósito de encontrar os discípulos no mar. Possivelmente, Jesus tenha ficado um dia inteiro no monte. A escuridão, certamente, agravou aquela situação que já era difícil. A distância da viagem era o mar da Galiléia em toda a sua extensão. Às vezes nos sentimos no escuro sem Jesus no barco. A escuridão pode roubar a nossa fé, mas devemos nos lembrar que o Senhor, também, está na escuridão da noite conosco (v.16-17).

13.Além da escuridão assustadora, o vento era severo e contrário (Mc 6.48, Mt 14.24). A Palavra de Deus nos alerta contra os ventos da doutrina falsa que podem roubar a nossa fé. Não é fácil lutar contra o vento contrário, pois dependendo da força ele leva as pessoas. As falsas doutrinas têm arrastado muitos irmãos que poderiam ser fiéis. Não só o escuro é um ladrão da fé, mas também o vento forte (v.18).

14.Um estádio compreendia a extensão de 200 mt. Trinta estádios correspondiam a 6.000 mt (6 km). O percurso todo era de 8 km, portanto, faltavam 2 km para chegarem à beira mar. Além do medo da tempestade, agora, havia o medo daquela aparição. Em Mt 14.26 diz que gritaram de medo: “É um fantasma!”, voltando assim, à velha crença dos pescadores. Em Mt 14.25 diz que era “a quarta vigília da noite”, ou seja, entre 3 e 6 hr da manhã. O escuro rouba a nossa fé, bem como o vento forte e, é claro, o medo. O medo nos leva para longe do Senhor. O salmista disse: “ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum...” A consciência da presença de Deus deve nos fortalecer (v.19).

15.Jesus os acalma com a expressão “sou eu”. O título traduzido do nome de Deus (“Eu Sou”). Neste evangelho há outras referências que dão a entender que, embora, tradução de “Jeová” causou um grande efeito vindo da boca de Jesus. Se o medo quer roubar a nossa fé devemos ouvir o “não temais” de Jesus (v.20).

16.Em Mc 6.51 diz que o vento cessou assim que Ele entrou no barco. Quando recebemos Jesus no barco, que é a nossa vida, os ladrões vão embora. Logo chega a luz do dia, o vento se acalma e o medo se vai (v.21).

17.Devemos eliminar esses ladrões da fé depositando a nossa confiança Naquele que acalma o mar, Jesus. Se as sombras escuras nos paralisam de medo, confiemos no cajado do Bom Pastor que nos consola. Se os ventos contrários das lutas da vida ou das doutrinas falsas querem nos desviar, não sejamos mais como meninos agitados, mas confiemos no Senhor e na Sua Palavra. Se o medo de toda a situação ao nosso redor nos faz recuar, olhemos para o Autor e Consumador da nossa fé, Jesus.

A humanidade e suas escolhas
João 6.22-40
I.A humanidade escolhe um pão perecível (v.22-27)
II.A humanidade poderia ter o Pão da vida, Jesus (v.28-36)
III.A humanidade poderia ter a vida eterna (v.37-40)

18.A multidão sabia que Jesus não estava com os discípulos no barco e que não havia outro barco para Ele atravessar o lago, mesmo assim, Ele não estava ali pela manhã. Outros barquinhos chegaram de Tiberíades, cidade do lado ocidental do mar da Galiléia. As pessoas que vinham eram as mesmas que presenciaram a multiplicação dos pães e que queriam exaltar Jesus à posição de rei. A humanidade é sempre assim, tem um desejo compulsivo de exaltar que pessoas que fazem algum bem. O povo não descansaria de sua busca até encontrar Jesus (v.22-24).

19.Ainda queriam fazê-Lo rei, mas Ele estava dificultando a ação dos manifestantes. Jesus chegou ali sem que vissem porque Ele andou sobre as águas, mas se Ele dissesse não haveria nenhuma dúvida que era o rei ideal para um povo que procura sinais espetaculares. A humanidade sempre exaltará aquele que a impressionar (v.25).

20.Jesus nem sequer tomou tempo para satisfazer a curiosidade do povo, mas dirigiu-lhe uma palavra de reprovação. A humanidade não deseja as coisas espirituais verdadeiras, mas somente o resultado que pode beneficiar sua condição perecível. A multiplicação dos pães não foi apenas para saciar a fome, mas para chamar a atenção do povo de que Ele é o Deus eterno e salvador. A humanidade não quer a salvação de sua alma, mas o bem estar de seu corpo. Escolhem o pão que perece juntamente com sua alma (v.26).

21.A necessidade da multidão é salvação (Is 55.1,2,7). O título “Filho do Homem” era preferido por Jesus em lugar de “Messias”, pois não deseja satisfazer a ansiedade política do povo, no momento. A comida que subsiste para a vida eterna é o ato de crer (conforme Rm 4.5). A confirmação com o selo, provavelmente, seja o batismo de Jesus, quando o Espírito Santo desceu sobre Ele (v.27).

22.A escolha motivada somente pelos sentidos não faz sentido espiritual. Se todos quisessem perdão de seus pecados e aproximação de Deus, escolheriam a Pessoa de Jesus Cristo como salvador e não apenas o pão que Ele pode multiplicar. Há uma avalanche de artigos, livros e páginas da Internet sobre assuntos espirituais, mas a humanidade continua a reverenciar os ídolos do coração que satisfaçam seus interesses materiais.

23.Jesus falou de trabalho. Que trabalho é esse? Que obra é preciso realizar? A obra realizada na salvação é a obra da fé. Crer só vem pelo ensino. O objeto da nossa fé deve ser a Pessoa de Jesus Cristo, o enviado de Deus. O pão que perece é ganho com muito trabalho e suor, mas o Pão da Vida é de graça, ou seja, pela graça de Deus (v.28-29).

24.As pessoas queriam uma garantia para crerem Nele, pois Jesus quer que creiam “Naquele que por Ele foi enviado”. Jesus não está simplesmente dizendo que a multidão deve crer em Deus, mas crer Nele próprio, o enviado de Deus. Os judeus pedem sinais, mas será que as obras de Jesus até aqui não são suficientes para crer que Ele é o Messias de Israel? (v.30).

25.O maná foi o pão do céu, pois Deus Quem deu, contudo era perecível. Referências sobre o maná, inclusive o significado (Sl 78.24, 105.40, Êx 16.14-22). Jesus acabara de multiplicar pães e eles ainda queriam um sinal semelhante ao maná no deserto. A humanidade quer evidências daquilo que está muito claro (v.31).

26.Moisés não foi o autor daquele milagre. O verdadeiro pão do céu não é perecível e dá vida ao mundo. O verdadeiro pão do céu é o próprio Jesus. Havia uma tradição entre os rabinos que Deus voltaria a dar o maná ao povo de Israel através do Messias. Portanto, o assunto de Ap 2.17, não era novo para os judeus do tempo de Cristo. Jesus é o Pão da vida e está ao alcance de todos, mas a humanidade está cega (v.32-33).

27.A mulher samaritana fez um pedido assim, também. Ela pediu água e eles pedem pão. Jesus sacia a sede com Água viva e satisfaz a fome com o Pão da vida. A humanidade quer a satisfação de seus desejos, mas não quer aceitar Jesus como Deus e salvador. Jesus não estava falando do pão material, assim como antes, não estava falando da água do poço ou de ribeiros (v.34-35).
28.As pessoas daquela multidão perderam o privilégio de crer em Jesus. A humanidade perde a oportunidade de receber o Pão da vida, mesmo que a Palavra de Deus seja tão clara (v.36).

29.São escolhas que mudam o rumo da vida de alguém. A humanidade prefere o pão perecível ao Pão da vida. Todos os que morrem em seus pecados são indesculpáveis.

30.O Senhor Jesus não está lançando ninguém fora, mas as próprias pessoas estão se desviando do caminho da salvação. Cada pessoa é responsável de ir até Jesus, o Pão da vida. Ele não lançará fora nem rejeitará o contrito de coração. Deus está dando a oportunidade para a humanidade através do testemunho da criação e da consciência, porém, quando rejeitam não há mais nada a fazer, a condenação é certa (v.37).

31.A humanidade poderia escolher a vida eterna. Jesus Cristo cumpriu o propósito de Sua vinda, mas nem todos O aceitaram. Os que aceitaram não perderão a salvação, mas serão ressuscitados para a vida eterna (v.38-39).

32.A vontade de Deus é que todos se salvem, mas isto não acontecerá, pois o homem é duro de coração e prefere o pão que perece e não o Pão eterno que alimenta com a vida eterna (v.40).

33.Estas escolhas estavam ao alcance daqueles judeus, mas está ao alcance de todos os que ouvem a Palavra, hoje. O mundo passa e todos os seus desejos, assim como o pão que perece. O Pão da vida é Jesus. Ele pode alimentar o pecador para que nunca mais tenha fome. A vida eterna é proporcionada por Deus através de Jesus Cristo, mas escolhida ou rejeitada pelo pecador. A humanidade tem rejeitado esta graça de Deus, mas a todos que O aceitaram deu-lhes o poder de serem chamados Filhos de Deus.

Os elementos da fé cristã
João 6.41-59
I.Carne (v.41-51)
II.Sangue (v.52-59)

34.Os dois elementos da fé cristã são a carne e o sangue de Cristo Jesus. A carne porque Ele é o Deus encarnado e o sangue porque Ele deu a vida pelos pecadores. A morte Dele foi sangrenta. Estes distintivos da fé cristã são verdadeiros e inegociáveis. Ele é o verdadeiro Filho do Homem e o verdadeiro Deus ao mesmo tempo. Ele não poupou a sua própria vida para nos apresentar diante do Seu Pai justificados através de Sua morte.

35.O ensino de que Jesus é o Pão que desceu dói céu escandalizou os judeus, por isso, tentavam contradizer as palavras de Jesus indicando o pai terreno. Jesus ser o filho de José e Maria não o deprecia, pelo contrário, só prova que Ele viveu como homem na terra, mesmo sendo Deus (v.41-42).

36.Jesus sabe dos pensamentos e das murmurações dos judeus. Eles estão duvidando dos elementos da fé mais consistentes, ou seja, a Encarnação de Deus e a morte em favor dos pecadores. A salvação é iniciativa do Pai. Se Deus não oferecesse esse meio de salvação o pecador podia buscar a Deus e não seria achado. O pecador não teve participação no meio de salvação, porém, tem participação do seu próprio juízo e vontade, aceitando ou rejeitando essa salvação (v.43-44).

37.A Bíblia judaica compreendia a Lei os Salmos e os Profetas e era suficiente para dar entendimento aos judeus, muitos mais com a revelação de Jesus como o Pão que desceu do céu. Jesus apela para o ensino do profeta Isaías (54.13), mostrando que só é possível chegar ao Messias por meio do ensino de Deus. A fé vem por ouvir a Palavra de Deus (v.45).

38.O v.46 combina com Jo 1.18. Só é possível conhecer o Messias recebendo o ensino de Deus, mas como pode isto acontecer, sendo que ninguém recebeu algum ensino imediato de Deus, exceto Moisés? A resposta é dada pelo próprio Jesus, aquele que é de Deus, viu o Pai (v.46).

39.O mundo não aprecia mais o absoluto. Quanto menos fundamentalista nas declarações e ensinos haverá mais aceitação nos tempos pós-modernos. Há um esforço para enfatizar a subjetividade. Porém, Jesus afirmou categoricamente que só há um caminho para o Pai e para a vida eterna e este caminho é Ele próprio, o Pão da vida. Este elemento da fé cristã não pode ser facilitado para aceitar outros ensinos (v.47-48).

40.Até mesmo Moisés precisou do pão espiritual, pois ele mesmo não era o salvador. A morte de Moisés revela que ele era o libertador do povo, mas não era Deus. O fato de não entrar na terra prometida por causa do seu pecado, também, mostra a sua pecaminosidade e necessidade de um salvador. O maná veio do céu, mas podia criar bichos, pois era a provisão para o corpo físico. Jesus Cristo é o alimento espiritual para livrar o pecador da morte eterna (v.49-50).

41.O v.51 está longe de ser entendido como canibalismo. Os próprios judeus sabiam que ele não estava se referindo a isso, mas ao seu próprio corpo com Sua morte. A carne de Jesus foi perfurada na cruz. Ele entregou o Seu próprio corpo para ser maltratado a fim de pagar o preço que a lei exige pelo pecado, a morte (v.51).

42.Quem não aceita o elemento humano em Jesus Cristo está rejeitando a doutrina fundamental, que ele se fez como um de nós para castigar o pecado em sua própria carne.

43.O outro elemento da fé cristã é o sangue, ou seja, a morte de Cristo. As palavras de Jesus trouxeram grande discussão, pois se Ele é Deus como pode oferecer o corpo físico? Deus é espírito e não morre (v.52).

44.Se a discussão sobre a carne já causava irritação, o clima piorou, pois Jesus apresenta o outro elemento da fé, o Seu próprio sangue. O Messias devia derramar sangue como de um cordeiro e assim se tornar aquele que expiaria o pecado da nação e de todos os que cressem Nele (v.53).

45.Sabemos que o judeu não podia beber uma gota sequer de sangue. Jesus não está incentivando a desobedecer a lei de Deus dada ao homem em Gênesis 9, ou seja, a proibição de comer carne com sangue sufocado. Ele diz que é necessário crer que o Filho de Deus veio como homem e derramou o Seu sangue para remissão dos pecados. Jesus ensina que os que comem e bebem Dele será ressuscitado e têm união com Sua Pessoa. Este ensino reforça o valor do assunto “Crucificação e Morte de Cristo” (v.54-58).

46.Todo este ensino estava sendo proferido em uma sinagoga. Os judeus estavam aprendendo o verdadeiro significado dos Salmos 16 e 22 e de Isaías 53. Agora estava tudo esclarecido, o Messias é Jesus e Ele deve morrer e ressuscitar. Todos os que depositarem sua fé Nele serão salvos (v.59).

47.Estes são os dois elementos da fé cristã, além de outros. A nossa confiança na vida eterna está baseada na Encarnação do Filho de Deus e na Sua morte na cruz.

Os exemplos de discípulos de Cristo
João 6.60-71
I.Discípulos que não permanecem (v.60-66)
II.Discípulos que permanecem (v.67-71)

48.Alguns seguidores de Jesus não continuam por várias razões, mas todas convergem para uma única razão que é a falta de perseverança. Era escandaloso ouvir que o Messias devia morrer. Esta foi a razão de acharem o discurso muito duro e, ainda mais, porque Jesus não deixou outra alternativa para a vida eterna. Além de falar de um Messias sofredor e morto, constantemente disse que era maior que Moisés. Essa, também, foi uma grande ofensa e, portanto, um duro discurso. O seguidor de Cristo deve saber desde o início que se não seguir conforme a verdade absoluta que Ele ensina em Sua Palavra não há como ser um discípulo verdadeiro (v.60).

49.Jesus é onisciente e sabe de todas as murmurações íntimas de cada pessoa. O que nos escandaliza no discipulado? É bom sermos claros com Deus, pois Ele sabe tudo sobre nós. Alguns querem seguir a Jesus, porém, não aceitam as prerrogativas Dele. Ele tem todo o direito sobre os discípulos e por esta causa alguns não permanecem, pois querem ser independentes (v.61).

50.Falar na Ascensão significava confirmar Sua morte, e ainda, significava para eles que o Messias deixaria a terra sem fazer a reforma política que deveria ser feita. Os discípulos que não permanecem não estão prontos a aceitar o cronograma de Cristo. Eles queriam um restaurador e doador de pão, mas não um Deus sofredor que passaria pela vergonha da cruz (v.62).

51.As palavras de Jesus, “o Espírito vivifica”, apontava para Sua morte, porém, o mau discípulo rejeita esse caminho, pois quer um caminho mais fácil, sem sofrimento e sem vergonha. A carne quer glória para si. O povo de Deus anda pelo Espírito e este é o caminho de privações, minoria, escândalo para os sábios deste mundo, porém, este é o caminho traz glória para Deus (v.63).

52.No meio dos crentes há descrentes. Não cabe a nós separarmos, pois podemos nos enganar, mas Deus sabe tudo. O Senhor Jesus já sabia quem O trairia. O discípulo que não permanece pode ser crente, porém, desobediente. Este precisa mudar de mente e de atitude e voltar-se para o Senhor e para o caminho estreito. Fica claro que Judas não era verdadeiramente discípulo de Jesus (v.64).

53.Não há um atalho para o discipulado. Não há um caminho mais fácil para seguir a Jesus. O seguidor de Cristo deve calcular o preço antes e seguir pelo caminho de exclusividade. O Pai já concedeu o modo de ser salvo e este é através de Seu Filho. Ninguém chega até Cristo do modo que desejar, mas somente através daquilo que já foi concedido pelo Pai, isto é, pela fé. Não é o caminho das boas obras feitas pelo homem, mas pela fé no Filho de Deus. Isto envolve a vontade do homem em aceitar este caminho ou rejeitar o discipulado e perecer eternamente (v.65).

54.Com um discurso assim muitos deixam de seguir a Jesus. É possível igrejas cheias, mas com poucos seguidores de Cristo. É possível que haja muitos falsos discípulos. Se alguém pregar sobre a fraude entre os seguidores de Cristo diremos que é uma mensagem muito dura, mas era exatamente este o discurso de Jesus, por isso, muitos o abandonaram.  (v.66).

55.Não podiam ser os Doze, senão não restaria quase ninguém seguindo Jesus. Os que abandonaram eram os discípulos temporários. A vida cristã é um teste e o resultado é o abandono ou a perseverança. Os que se escandalizaram do discurso de Jesus “não andavam mais com Ele”. Isto vai além do que apenas acompanhá-lo, pois nem todos faziam isto constantemente, mas não estariam mais com Ele em companhia com seus ensinos. Enquanto pregadores querem encher auditórios, Jesus consegue esvaziá-los, o que exige muita coragem. Para defender a verdade, o custo pode ser a perda de amigos. Talvez haveria uma seleção mais exata dos seguidores de Cristo se as mensagens fossem mais diretas a respeito do preço do discipulado. Não podemos impedir de pessoas chegarem até Cristo, mas não podemos facilitar a mensagem para termos mais seguidores, pois poderão ser falsos discípulos (v.66).

56.A mesma pergunta ecoa em nossos dias. Jesus quer seguidores que permaneçam, mas sempre haverá aqueles que estão indecisos e aqueles que já O abandonaram. Quem quer continuar? (v.67).

57.Pedro estava convencido do seu discipulado. Ele seguiria Jesus em todos os momentos. É claro que ele falhou e isto acontecerá conosco, também, mas ele permaneceu pela graça de Cristo que o acompanhou até nos momentos de falhas. O discípulo que permanece não é aquele sem pecado, mas é aquele que é levantado por Cristo para continuar a segui-Lo. Pedro reconhecia que fora de Jesus não há vida eterna. O discurso podia ser duro, mas eram palavras de vida eterna (v.68).

58.A declaração de Pedro resume a nossa fé. Nós cremos e experimentamos que Jesus é o Santo de Deus. Ele não é um simples homem, mas é o próprio Deus. Ele é Santo e nós pecadores (v.69).

59.Pedro falou em nome de todos, mas Jesus só podia aceitar essa declaração de onze deles, pois um é do diabo. Judas abriu o coração para as influências satânicas e, finalmente, para a possessão demoníaca. Portanto, não é base para dizer que um crente pode ficar possesso, pois Judas não era crente. Não podemos confundir “Judas Iscariotes” com o outro discípulo, “Judas, filho de Tiago ou Labeu” (Mt 10.3) ou Tadeu (Mc 3.18). Quem segue a Jesus, mas não é um discípulo verdadeiro acaba se tornando um traidor (v.70-71).

60.Há dois exemplos de discípulos de Jesus. Um é o discípulo que não permanece ou um falso seguidor de Cristo e o outro é aquele que segue a Jesus apesar das dificuldades que passa para ser um discípulo. Quem não quer seguir a Cristo será um empecilho no meio do povo de Deus, pois a traição causará prejuízo no testemunho. Por que as pessoas desistem de seguir a Jesus? Talvez algumas razões são as que se seguem:



Ø  Desistem porque nunca creram de verdade.
Ø  Desistem porque têm medo da oposição.
Ø  Desistem porque são materialistas.
Ø  Desistem porque são preguiçosas.
Ø  Desistem porque são melindrosas.
Ø  Desistem porque são individualistas e não querem se envolver com as pessoas.
Ø  Desistem porque querem reconhecimento dos homens.
Ø  Desistem porque estão ocupadas com seus próprios interesses e não são resignadas.
Ø  Desistem porque não amam o Senhor verdadeiramente.
 

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