João 9


Lição 9: A cura de um cego de nascença (capítulo 9)

Os transtornos da cegueira
João 9.1-41
I.A cegueira física é um transtorno (v.1-12)
III.A cegueira espiritual é um transtorno maior (v.13-34)
IV.Não saber que é cego é um transtorno maior ainda (v.35-41)

1.A presença de Jesus estava transtornando a todos, pois estava tirando a ordem de como a vida dos judeus se conduzia. As situações que se apresentavam só pioravam as coisas. Jesus incomodava aqueles que supunham serem corretos. A cura de um cego de nascença se transformou num campo de batalha teológica causando transtorno entre todos (v.1).

2.O cego estava sem defesa contra as línguas cruéis e, até os discípulos de Jesus tinham um conceito de pecado errado. Acusavam ou os pais ou o próprio cego. Alguns rabinos chegavam a atribuir a algum pecado no ventre da mãe. Qualquer teologia diferente podia causar um transtorno na cabeça das pessoas (v.2, Dt 28.18).


3.Jesus via naquele homem um alvo das misericórdias de Deus, enquanto outros viam nele um alvo de discussões teológicas. É uma afronta ao caráter de Deus pensar que Ele fez nascer um cego para depois de muitos anos curá-lo. Porém, não podemos duvidar que Deus acabou Se utilizando dessa situação para a Sua própria glória. O fato dele ter nascido cego só prova que o mundo é habitado pelo pecado, pois a cegueira é um transtorno para todos que sofrem dela. É verdade que quase todos os cegos se superam e, até superam os que vêem em muitas habilidades, mas isto também só prova que Deus capacitou o homem para se adaptar a muitas situações desfavoráveis. Não há transtorno que Deus não possa corrigir em nossas vidas (v.3).

Cegueira
 A primeira escola para cegos foi fundada em Paris, em 1784, por Valentin Haüy, que criou uma escrita em relevo, capaz de permitir a leitura pelo tato, sentido altamente desenvolvido nos cegos. Um de seus discípulos, Louis Braille, que perdera a visão aos três anos de idade, aperfeiçoou o sistema, que além das letras passou a contar também com números e notações musicais. Com o impulso dado pelo sistema Braille, surgiram na Europa diversas escolas para cegos, algumas notáveis, como a inglesa St. Dunstan, que dava ênfase aos aspectos psicológicos dos alunos. Seguiu-se a criação, nas escolas públicas, de classes especiais para crianças cegas, a primeira das quais foi fundada nos Estados Unidos em 1900. A Perkins School, de Boston, conseguiu um feito extraordinário com a educação primorosa de Helen Keller, cega, surda e muda aos 19 meses de idade, que conseguiu graduação superior e escreveu diversos livros sobre a educação de deficientes. A partir daí os livros em Braille proliferaram a tal ponto que a National Library for the Blind, em Westminster, Inglaterra, conta com um acervo de milhares de volumes. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

4.Ao invés de ficarem discutindo questões teológicas ou crendices, para ser mais exato, Jesus exige ação. O trabalho de Jesus é feito “enquanto é dia”, ou seja, enquanto Ele está no mundo. A noite virá quando Jesus não mais estiver na terra desempenhando Seu ministério, que envolvia curas. O trabalho era tanto de Jesus como de seus discípulos, por isso, Ele disse “façamos”. Ainda que Ele realizasse sozinho as curas. Nos transtornos da vida temos a opção de não fazer nada ou trabalhar para reverter a situação. Temos de fazer alguma coisa quando vemos algo transtornado que pode ser contornado por nós. Jesus tem o poder de curar, por isso, faria alguma coisa em benefício daquele homem (v.4).

5.O problema do cego era a falta de luz em seus olhos. Jesus faz uma declaração muito oportuna neste caso: “Eu sou a Luz do mundo”. Jesus está no mundo por pouco tempo, por isso, é a Luz enquanto estiver no mundo, quando sair do mundo, os crentes serão a luz do mundo (v.5).

6.O cego teria de se submeter a esse gesto pouco decoroso, assim como Naamã teve que banhar-se no lamacento rio Jordão. Siloé significa “Enviado”, tendo sentido duplo: porque as águas são enviadas das fontes e, principalmente, porque é um dos títulos do Messias. Foi nesse local que foi construída uma Torre que desabou, matando 18 pessoas, catástrofe bem conhecida nos tempos de Jesus (Lc 13.4). Se a vida de alguém está transtornada ela não se incomodará em se humilhar para colocar a sua vida em ordem novamente. O cego não se preocupou em se submeter àquele ato (v.6-7).

7.Ele era conhecido como um pedinte. Alguns até duvidaram da identidade do ex-cego. Quando a vida transtornada é colocada em ordem a primeira coisa que acontece é a curiosidade de todos ao redor. A vida do crente deve impressionar a todos. A nossa mudança incentiva a todos a se aproximarem de nós para saber o que aconteceu (v.8-9).

8.A curiosidade deve ser satisfeita com testemunhos que vão se aprofundando. Por enquanto o ex-cego se limitou a dizer o que aconteceu com ele. Ele não podia ir além disso, pois nem conhecia a Pessoa de Jesus suficientemente. Aquilo que Deus coloca em ordem na vida do crente nem sempre é percebido de imediato. Outros podem perceber antes de nós mesmos (v.10-12).

9.Sem dúvida a cegueira física é um transtorno. Este homem, talvez, ainda estivesse transtornado, desta vez, porque podia ver coisas que jamais tinha conhecido. Controlar os seus olhos inquietos deve ter sido difícil para ele.

10.A pior cegueira não é a cegueira física, mas a cegueira espiritual. Os fariseus foram levados até aquela situação porque achavam que era um problema religioso e, certamente, os líderes religiosos saberiam dar a interpretação correta do ocorrido, mas como estavam cegos espiritualmente as suas vidas estavam muito transtornadas para compreenderem o poder e o amor de Jesus Cristo (v.13).

11.Jesus repetiu a ofensa da visita anterior, curando no sábado, propositadamente. Desta vez, também,  não só porque curou no sábado, mas pelo trabalho realizado. Antes mandou o homem carregar o leito (carga) e, agora, fez pasta de terra e saliva. Entendemos que Ele usou esse método de cura para provocar os judeus e não porque há alguma substância miraculosa na saliva para curar a cegueira. Havia na interpretação tradicional da Lei, que em dia de sábado era proibido amassar pão ou algo parecido, o que incluía fazer massa com terra para construções. O transtorno estava instaurado entre o Sinédrio (v.14-16).

O conflito que passou a existir entre os próprios judeus era o seguinte:

                - Quem quebra a Lei não é de Deus (Escola Shamai)
                - Quem cura um cego de nascença, só pode ser de Deus (Escola Hilel)

12.O ex-cego aprofundou seu testemunho, dizendo que Jesus é profeta. Aos vizinhos disse que não sabia quem Ele era e para os fariseus respondeu: “É profeta”. A que profeta pode ser comparado? Ao profeta Eliseu que mandou Naamã banhar-se no Jordão? Jesus mandou o cego banhar-se no Tanque de Siloé. Ele era mais do que o profeta Eliseu. Ele é o profeta que Moisés profetizou. A cegueira espiritual é um transtorno maior do que a cegueira física (v.17).

13.Colocaram em dúvida a cegueira do homem, por isso, perguntaram aos pais. Alguém transtornado pela cegueira espiritual duvida da ação de Deus na vida de outras pessoas (v.18).

14.Os pais disseram: “tem idade”. Entende-se que “tem idade para dar testemunho válido no tribunal”, ou seja, toda a pessoa com mais de 13 anos de idade já era apta para responder num tribunal do Sinédrio. Um adulto em Israel  era considerado com a idade de 30 anos, o que é mais provável pensar que os pais do ex-cego estão se referindo. Os pais creditavam a cura de seu filho a Jesus, homem muito falado durante a festa, mas por medo de envolvimento e comprometimento com o Sinédrio, fingiram inocência. Nesta altura do estudo do livro de João, devemos entender que “judeus” refere-se às autoridades religiosas e não ao povo judeu em geral. Talvez os pais quisessem proteger o filho por ter confessado que Jesus é o Messias (ou “O Profeta”) (v.19-23).

15.O termo “Dá glória a Deus” é sinônimo para “fala a verdade” (veja Js 7.19). Novamente, o ex-cego não se intrometeu em assuntos que pertencem às autoridades religiosas. Se Jesus é pecador ou não é assunto para o Sinédrio e não para um do povo. Corajosamente o homem afirmou: “Eu era cego, agora vejo”. Isto já foi provado aos fariseus, comprovando a identidade do ex-cego (v.24-25).

16.O objetivo dos líderes religiosos não era descobrir a verdade, pois já sabiam, mas fazer o ex-cego “escorregar” em seu testemunho, para incriminá-lo e, também, Jesus. O ex-cego irrita os líderes quando pergunta se eles, também, querem se tornar discípulos Dele, indicando que a partir de agora ele seguiria a Jesus. A cegueira espiritual causa transtorno por causa do orgulho em reconhecer o Cristo (v.26-27).

17.Os judeus apoiavam-se em Moisés, mas este os condenava. Ser discípulo de Jesus é o mesmo que ser discípulo de um “ninguém” sem origem, pois veio da Galiléia que não tinha nenhuma tradição em autoridade espiritual. Moisés era profeta por autoridade divina, mas este Jesus, de onde vinha sua autoridade? (v.28-29).

18.O ex-cego estranha o fato deles cuidarem de assuntos religiosos e, ainda, não saberem a origem de Jesus. Deus não ouve pecadores, conforme Sl 66.18, Is 1.15 e 59.1-2. Os fariseus deviam saber disto. A literatura judaica conta 66 milagres operados por Moisés, dois a mais que todos os profetas juntos, mas nesta lista, não há nenhum caso de cura de cego de nascença (v.30-33).

19.Os fariseus estavam tão transtornados que tiveram de apelar para sua teológica fraca e errada, ou seja, o pecado dos pais e dele mesmo foram responsáveis pela cegueira física. O ex-cego foi expulso da sinagoga como já tinham advertido a todos que aceitassem os ensinos de Jesus (v.34).

20.O transtorno da cegueira espiritual só pode ser contornado pela salvação em Cristo Jesus. Ele abre os olhos espirituais para que o pecador entenda a sua situação desesperadora e aceite Jesus como Cristo, o Salvador.

21.O ex-cego já havia declarado que Jesus é profeta. Agora, o próprio Jesus pergunta a ele se crê no Filho do Homem. Se aquele homem estivesse transtornado pela cegueira espiritual de nada valeria ser curado da cegueira física (v.35).

22.Ele podia ter sido um cego, mas agora mostra que não teria sua fé cega em qualquer um , mas somente Naquele que lhe restaurara a visão. Este homem estava amaldiçoado pela sociedade. Jesus se apresenta como Aquele que o curou. Quando ele se lavou no Tanque de Siloé é bem provável que não tenha visto Jesus e, agora, é a primeira vez que vê Jesus. Ele já havia crido, e só queria a identificação para  “Filho do Homem”, título muito obscuro para ele naquele momento. Em João, quando se diz que alguém creu, é muito difícil saber qual tipo de fé que se trata. No caso, é fácil saber, pois este homem foi até as últimas conseqüências em sua fé: a expulsão da sinagoga. Um cego dificilmente é enganado pela voz, pois por falta de visão desenvolve muito mais outros sentidos, como a audição. Ele foi um cego, mas a sua visão espiritual só aberta, o que era infinitamente mais importante (v.36-38).

23.Em outro lugar Jesus disse que não veio para julgar o mundo, e aqui diz que “veio a este mundo para juízo”. Não significa que veio exercer juízo formal, mas que a própria presença Dele neste mundo é um julgamento, pelo fato de obrigar as pessoas a se posicionarem de um lado ou de outro, a favor ou contra Ele (veja Mt 12.30-32). Aqui Jesus afirma em outras palavras que a cegueira espiritual causa muito mais transtorno do que a cegueira física (v.39).

24.Com a vinda de Jesus ao mundo, muitos que não viam, passaram a ver e muitos que viam, ou melhor, pensavam que viam, aprofundaram-se na escuridão. Eles não entendiam ou não queriam entender? É claro que Jesus falava da cegueira espiritual e eles sabiam disso. A pior cegueira é aquela em que a pessoa pensa que vê, porém, é cega. Não há transtorno e engano pior (v.40).

25.Jesus responde que se fossem cegos, isto é, ignorantes quanto à Pessoa de Jesus, haveria solução para eles, mas porque vêem, isto é, conheceram a Pessoa de Jesus e, contudo, rejeitaram-No, estão atolados na escuridão do pecado. O juízo para quem rejeita a Cristo deliberadamente é maior do que aquele que não teve oportunidade. E quem rejeita a Cristo deliberada e PESSOALMENTE, como só os da época de Jesus puderam fazer, têm, ainda, maior juízo (v.41).

26.A cegueira física causa muitos transtornos de ordem prática, a cegueira espiritual causa transtornos para o relacionamento da criatura com o Criador e ser cego sem ao menos saber que é cego é o pior de todos os transtornos, pois como ajudar alguém que não reconhece a sua própria necessidade. Enquanto no mundo físico isto não é possível, ou seja, um cego não saber que é cego, no mundo espiritual é verdade e comum. Um cego não pode guiar outro cego, senão ambos cairão. Jesus Cristo era a luz do mundo enquanto estava no mundo. Hoje, nós somos a luz para este mundo em trevas.

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