Romanos 1


Capítulo 1: O Evangelho e a culpabilidade de todos os povos do mundo
1.Paulo não se voluntariou para ser apóstolo e servir a Deus, mas foi chamado para ser o apóstolo dos gentios (Gl 1.1,16). Ainda assim, Paulo não se esquece de sua posição: "servo" (doulos = escravo). Todos em Roma sabiam exatamente o que era um escravo. De fato, Paulo não preenchia todos os requisitos para ser um dos doze (conf. At 1), pois não andou com Jesus. Ele mesmo diz que é um "como que nascido fora de tempo" (v.1).

O Evangelho
1)O Evangelho não é uma invenção humana, mas é plano "de Deus" (v.1b).
2)O Evangelho não é simplesmente um suprimento para uma necessidade atual da humanidade, mas é baseado em toda a profecia bíblica ( v.2, conforme Efésios, antes mesmo da fundação do mundo).
3)O Evangelho tornou-se eficaz por causa da Encarnação do Messias (v.3).
4)O Evangelho é moralmente perfeito, é santo (v.4).
5)O Evangelho também tornou-se eficaz pelo fato da Ressurreição do Messias (v.4). Jesus nunca deixou de ser o Filho de Deus, mas Sua vida terrena entre os homens e sofrendo o peso do pecado (não sendo, contudo pecador), "obscureceu" para a humanidade (jamais para Ele e para Deus) Sua divindade, mas com a Ressurreição, o "véu" caiu dos olhos de todos os que crêem, inclusive dos discípulos, até então duvidosos.


2.A palavra grega para "designado ou declarado" é horizo, que significa "medido e bem definido", como um terreno bem delineado, do qual "não se abre mão de seus termos". Portanto, é muito perigoso andar questionando a divindade de Cristo Jesus, pois isto já está muito bem delineado, definido. O judeu, por exemplo, não questiona a divindade de Cristo (“Messias”), mas questiona a divindade do Jesus histórico (v.1-4).

3.Paulo dependeu da graça de Cristo para ser salvo, para ser designado apóstolo e para ganhar outros para Ele. "Apóstolo" significa "enviado"; o termo equivalente é "missionário". O Evangelho não é restrito para os "civilizados", mas é para as nações (etnias, um povo caracterizado por uma língua, costumes, origem, religião, etc.). "Obediência por fé" significa aqui "crer em Cristo para a Salvação" (v.5-6).

4.Os crentes em Roma, como em qualquer outro lugar, não são apenas "chamados para serem santos", aliás não é esta a tradução, mas são "chamados santos" (kletois agiois). O crente, assim que é salvo, já adquire a posição de santo, também. "Graça e paz" é uma saudação bastante usada por Paulo; não há paz de Deus, sem ter sido primeiro alcançado com a graça de Cristo Jesus (v.7).

5.Esta fé dos crentes em Roma foi conhecida por muitos em todo o mundo conhecido da época. Paulo conhecia o mundo todo, pois quando escreve esta epístola, está na Acaia em sua 3ª Viagem Missionária (v.8, veja também 1 Ts 1.8).

6.Paulo tinha o bom costume de orar por seus convertidos e aqui ora pelos romanos, que não era o seu fruto particular, mas "frutos da mesma árvore". É impossível de julgar a fidelidade de alguém na oração, somente "Deus é testemunha" de quanto alguém ora pelos irmãos.  "De fato, não é difícil orar pelos irmãos; difícil é perseverar em orar por eles", e podemos acrescentar "difícil é orar por um grupo de irmãos que não conhecemos" (v.9-10).

7."Algum dom" ("Karisma" = dádiva) é algum conhecimento bíblico que dará capacidades aos crentes para o amadurecimento. Não se trata de dons espirituais, dos quais somente Deus pode conferir. "Confirmar" = "sterizo" que significa estabelecer (v.11)

8.Paulo não se coloca apenas como um ensinador, mas aberto a aprender dos irmãos. Mesmo o "incansável Paulo" precisava de consolo, portanto, nenhum crente está em posição de recusar a comunhão fraternal (v.12).

9.Paulo estava ocupado com o trabalho na Grécia e na Ásia Menor, por isso, não poderia visitar os crentes em Roma no momento. E estando em Éfeso (aliás nem parou ali na 3ª Viagem) apressou-se para Jerusalém, talvez para alcançar alguma festa judaica. “Não quero que ignoreis" - com isso Paulo está enfatizando que, embora tenha viajado pelo mundo todo, ainda não foi em Roma não porque faltou vontade, mas oportunidade. Essa insistência em Paulo justificar-se é compreensível, pois, como sendo Paulo o "apóstolo entre os gentios", não visitou a capital do mundo gentílico, que é Roma? (v.13).

10.Paulo tem uma dívida impossível de pagar, pois sempre será um devedor, enquanto viver, pois o ministério dele era alcançar os gentios, tanto os gregos quantos os bárbaros (não gregos). Por outro lado, Paulo conseguiu pagar sua dívida no sentido de fazer o Evangelho sair do "curral" (aprisco) judaico e ter um alcance universal, através dos gentios. Paulo, assim como Moisés era um devedor diferente dos demais crentes. Moisés tornou-se um devedor ao povo de Israel para transmitir a Lei; Paulo tornou-se um devedor aos gentios para pregar-lhes o Evangelho (v.14).

11.Sabemos que Paulo anunciou o evangelho em Roma primeiro para os judeus, chamando-os em sua casa (prisão domiciliar) e pelo fato de recusarem, procurou os gentios. Embora os judeus de Roma eram muito mais acessíveis do que os da Palestina (v.15).

12.Paulo sabia perfeitamente que em Roma o Evangelho era ridicularizado, por isso, ele afirma que não se envergonha do Evangelho. No versículo 17, Paulo dá mais uma razão porque ele não se envergonha do Evangelho, ou seja, porque através dele a justiça de Deus é conhecida. "De fé em fé" - ganhando mais luz na vida cristã e crescendo (v.16-17, A referência é de Habacuque 2.4).

13.Deus tem a capacidade de amar e de irar-se contra o pecado. Um comentarista observou que "em nossos dias há uma tendência de sentir que nada existe em Deus que o homem precise temer". (v.18).

14.Veja Sl 19.1. Sempre houve testemunho através da natureza que existe Um Ser Pessoal a quem o homem deve prestar adoração. Em Teologia estudam-se os argumentos naturais que provam a existência de Deus. Mas alguém pode argumentar: "os pagãos (nativos) não estudam Teologia!" É verdade, porém, eles podem perceber o invisível por meio das coisas visíveis (v.19-20).

15.Vendo a poderosa Criação, a primeira impressão que vem a qualquer ser humano é que existe um Criador onipotente e sobrenatural. Há uma manifestação para eles (através das coisas visíveis) e uma manifestação neles (através da capacidade de perceber as coisas visíveis e relacioná-las com o Criador). Embora a revelação da Criação torna-os indesculpáveis, não quer dizer que possam ser salvos apenas admirando a natureza. "A cor da Salvação não é verde, é vermelha". É preciso uma tremenda força e engano da mente para não conhecer Deus, pois, confundir a Criação com o Criador é tolice para qualquer pessoa inteligente. No entanto, este texto não se propõe a falar da maneira como alguém é salvo, mas a provar a culpabilidade do ser humano. Tornaram-se nulos em seus próprios raciocínios. Colocaram em suas próprias cabeças que eram sábios, no entanto, eram loucos. Não se trata de insanidade mental, e sim, que usaram a inteligência dada por Deus para se afastarem Dele (v.21-22).

16.O homem conhece que existe Deus, mas não quer adorá-Lo, talvez porque acha que Ele não tenha o direito de permanecer "oculto" no sentido de revelação pessoal, e acham que o tipo de revelação que Ele dá é insuficiente. Portanto, mostram sua arrogância ao "discutir" com Deus sobre os Seus métodos. Assim o homem traz de volta a adoração babilônica, adorando a Criação no lugar do Criador. O nativo adora o Sol, a Lua, a pedra e o pau, não porque não sabe que tais coisas são criação, mas porque mudou a glória do Criador, isto é, resumiu Deus a um simples objeto. O homem é essencialmente constituído para ser um adorador. Se ele abandona a adoração a Deus, algum outro objeto tomará o lugar do Criador (v.23).

17.A palavra grega é “paredoken”, que significa “entregar”. Deus os deixou à vontade para pecar, pois mentiram contra as suas próprias consciências, que é o ponto de referência máximo de justiça e injustiça dentro do ser humano (sem o Espírito Santo, é claro) (v.24).

18.É verdade que não têm nada da Bíblia escrito, mas dizer que agiram conforme o ensino da natureza é mentira. Observe esses exemplos (v.25-26):

1.A natureza nunca ensinou que o jacaré é deus, nem qualquer outra criatura ensinou tal princípio.
2.A natureza também nunca ensinou que qualquer um de nós somos deuses (Satanás ensinou isso, Gn 3.5).
3.A natureza nunca ensinou que um homem deve ter relação sexual com outro homem, nem uma mulher com outra. Estas aberrações fogem completamente do que a natureza ensina, por isso, são indesculpáveis, pois nem a natureza estão seguindo como padrão.

19.Por causa dessa auto-deificação (consideraram-se donos de si mesmos, deuses), Deus permitiu que praticassem seus pecados e colhessem eles mesmos as consequências, recebendo em si mesmos a condenação (v.27).

20.Desprezaram o conhecimento de Deus (limitado, sim, mas poderia crescer) que havia para eles, traíram a  própria consciência e praticaram o que é errado para a sua própria cultura (v.28-31).

21.Deus é perfeitamente justo em lançá-los no Lago de Fogo. Deus, fazendo isto, não está cometendo injustiça contra o conhecimento que têm, pois, provaram para si mesmos que são desobedientes à sua própria consciência. Eles chegam à total obstinação, traídos em suas próprias consciências, incentivam outros a se afastarem de Deus, também. O veredicto: culpados (v.32).



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