Romanos 4


Capítulo 4: A justificação sempre foi pela fé
1.Paulo usa muito o argumento de "perguntas e respostas", formuladas por ele e respondidas por ele mesmo. Essas perguntas, provavelmente eram feitas a ele nas suas viagens de cidade em cidade, durante todos os anos de seu ministério, por isso, era essencial que ele tivesse a resposta "na ponta da língua".

2.Abraão é o progenitor do Messias e é considerado o Cabeça da raça judaica. Se o que Abraão fez foi com o esforço próprio, ele tem todo o direito de gloriar-se em si mesmo e não em Deus e, portanto, a referência 3.27 não serve para ele. Mas não foi assim, Abraão creu em Deus e está fé (que é um tipo de obra) foi o instrumento de sua justificação (v.1).

3.Note o termo "imputar" (logidzomai) também já bem conhecido de qualquer estudante da Bíblia. Se alguém trabalha com seus próprios esforços, a recompensa não é graça, mas é dívida por parte daquele que recompensa. Portanto, se Deus tem que justificar o pecador por ter este se esforçado em fazer o bem, Deus não é gracioso, apenas está pagando uma dívida. Do contrário, aquele que reconheceu que nada poderia fazer, mas creu no modo de justificação oferecido por Deus, esta fé é atribuída por Deus como justiça (ou como pagamento pela justificação, como única obra aceita por Deus para esse fim) (v.2-5).


4.Neste ponto devemos responder uma pergunta: "Existe justificação por obras?" A resposta é "sim". Existe um tipo de justificação por obras, da qual Tiago se preocupou em provar e por causa disto muitos acusam que Paulo e Tiago não se harmonizam. A justificação pela fé coloca o crente como justo diante de Deus. A justificação pelas obras coloca o crente como justo diante dos homens.

5.Paulo utiliza referências do Velho Testamento tirando-as de seu contexto, muitas vezes, mas esta ousadia é reservada a ele somente e não a nós.Aqui, refere-se ao arrependimento de Davi após o adultério com Bateseba (Sl 32.1-2). O crente que peca precisa do perdão dos pecados para ter comunhão com Deus (1 Jo 1.5-7), mas isto não é o mesmo que justificação, que não acumula nenhum tipo de registro de pecados, pois estes foram resolvidos de uma vez por todas (passado, presente e futuro). Na justificação há o lado positivo, em que a justiça é atribuída independente das obras; e há o lado negativo, em que os pecados não são colocados na conta, no débito do pecador (Fp 3.9) (v.6-8).

6.Deus justificou Davi sem qualquer exigência que ele pudesse cumprir, pois o ato já havia sido consumado e Urias já tinha sido morto, sendo que Davi não tinha nem sequer maneira de ressarcir o dano moral. Deus considerou Davi como justo, embora a "espada nunca se apartou de sua casa".

7. O que Paulo está falando é algo que não é novo para o judeu, pois este sabia que Abraão foi circuncidado somente quando Ismael tinha 13 anos e que Abraão viveu antes da Lei de Moisés, porém, a aplicação que Paulo fez com a justificação sendo isenta da circuncisão era que abalava a mente do judeu. Se não é fácil entender muito bem este conflito, devemos fazer um paralelo com nossas mentes modernas: Imagine dizer que alguém pode ser salvo sem ser batizado, pois este é apenas um símbolo da salvação? (v.9-12).

8.Abraão além de ser justificado antes da circuncisão, foi justificado antes da Lei, também. Abraão foi justificado crendo na promessa de Deus e não em obediência à Lei de Deus. A Lei foi dada não para salvar os homens, mas para mostrar aos homens que estes necessitam de serem salvos. Se Abraão alcançou a promessa pela Lei, então a fé e a promessa são anuladas. Se a justificação fosse baseada na Lei, todos estariam perdidos, pois a lei somente acentua o pecado, pois sendo que há Lei, o infrator é culpado (v.13-15).

9.Paulo diz que baseado no princípio da justificação pela fé e não pela Lei ou circuncisão, Abraão não é apenas pai dos judeus, mas de todos os que crêem. Do ponto de vista da reprodução humana Abraão e Sara já estavam mortos (v.19), mas Abraão não andou por vista, mas por fé e Deus deu um filho a ele ("chamando as coisas que não são como se já fossem"). (v.16-17, Gn 17.5, Gl 3.7,29).

10.Mas Paulo não fala de Abraão como se fosse um tipo especial de justificação por fé, mas também serve para o crente de hoje. A ressurreição de Cristo é a base da nossa justificação. Podemos dizer que Cristo morreu como um inocente, mas também podemos afirmar que morreu como um culpado, pois uma vez que tomou sobre Si  as nossas culpas é correto dizer que estava carregado delas, embora não suas próprias, mas merecendo o juízo da Lei, a qual não exime de culpa qualquer um carregado de culpa (nem o cordeiro e nem o homicida de Nm 35.22-28) (v.18-25).

11.Para a maioria dos crentes não deveria haver nenhuma surpresa em todo este ensino de Paulo, mas um erro comum deve ser denunciado agora. A fé é o grande instrumento de Deus para a justificação, mas a fé não é um fim em si, não deve existir "fé na fé". Muitos entendem que somos salvos "pela" fé, mas de fato, somos salvos "pela" graça "por meio" da fé. Nem mesmo na fé há mérito, pois sem fé é impossível receber o benefício da graça. A fé sem a graça nada valeria. Se Deus não fornecesse um método de justificação, estaria tudo acabado, pois a fé por si mesma não tem nenhum poder e sim em Quem esta fé é depositada.

12.Nem toda a fé tem o mesmo poder. Se qualquer fé em Deus pudesse justificar, como a fé na Sua existência, bondade, poder, etc., então quase toda a humanidade seria salva. A fé que salva é estrita, específica e está baseada no fato do Evangelho.

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