Romanos 5


Capítulo 5: A paz com Deus. Adão e Cristo
1.Paulo já forneceu toda a teologia da justificação. A partir de agora, mostra como esta justificação se aplica na vida do crente, qual efeito tem esta justificação. Todos os pecados são perdoados. Não há mais nada na vida do crente que faça Deus ficar irado. Não há mais nenhum acerto a fazer quanto aos pecados. Agora o crente está em paz com Deus, acabou a "guerra" que havia.  O crente agora está reconciliado com Deus. Antes Deus não poderia aceitá-lo, mas agora o crente tem acesso a Deus (Jr 30:21). Desta posição o crente não é demovido (v.1).

2.Não é que o crente nesta nova posição não é facilmente demovido, mas que nesta nova posição jamais o crente será demovido. O crente está fortalecido neste acordo de paz. Não foi o crente quem pediu este acordo de paz, mas o próprio Deus, ofendido, justificou o pecador e o acordo não foi feito com o pecador diretamente, mas com o próprio Filho Jesus Cristo. Esta paz é duradoura e não é apenas uma trégua.


Paz com Deus e Paz de Deus

1.A Paz COM Deus (Rm 5.1) se dá no momento da conversão, quando passamos a ser amigos de Deus. Sobre nós estava a Sua ira, agora a Sua bênção. Portanto temos paz com Deus.

2.A Paz DE Deus (Fp 4.7) refere-se ao crente que sente a paz de Deus mesmo diante da adversidade e situações difíceis (v.6). Quando aprende a confiar no Senhor e a entregar suas preocupações em oração, recebe a maravilhosa paz do Senhor e a calma de toda a tempestade que a ansiedade traz. Isso é paz De Deus, que guarda o nosso coração e nossas mentes de pensamentos conturbados.

3.A glória de uma pessoa está sempre no motivo pelo qual dedica sua vida. A nossa glória está no motivo de nossa vida como salvos: a esperança em Cristo Jesus. Gloriar-se na esperança que há em Cristo Jesus é gloriar-se no alvo certo, pois fora dessa esperança não há glória, sendo que todas as glórias deste mundo são passageiras. Não há como se gloriar em Cristo e ao mesmo tempo ensoberbecer-se, pois para gloriar-se na esperança é necessário passar por um processo que veremos no próximo ponto (v.2).

4.A esperança não é obtida no coração de alguém de modo muito simples. Há uma sequência: em 1º lugar Deus nos oferece tribulações, em 2º lugar somos despertados à paciência por causa das tribulações, em 3º lugar a paciência produz o caráter ideal para o crente (isto é experiência), e finalmente, em 4º lugar, o resultado disso tudo é a esperança colocada no coração. Diferente do que as demais experiências, a esperança não confunde e não envergonha, pois é alicerçada no amor de Deus (Is 28.16). No cap. 8 o assunto sobre o Espírito Santo será mais detalhado (v.3-4).

5.Vemos que a experiência não é simplesmente a soma dos anos de existência, mas é a paciência produzida durante e após as tribulações. Também, vemos que a esperança não é "fabricada" ou recebida gratuitamente, mas é o resultado de batalhas na vida cristã, para então ficar gravado no coração, caso haja vitórias nessas batalhas. As lutas trabalham PARA o crente e não CONTRA o crente. Os caminhos  normais da vida cristã são tribulações, a falta destas é anormal para a vida cristã (At 14.22, 1 Ts 3.3).

6.As tribulações não têm em si virtudes para aperfeiçoar ninguém, mas com a ação do Espírito Santo no coração, é possível desenvolver caráter cristão em meio às provações. Prova de que as tribulações são neutras em si mesmas, é o fato de alguém glorificar a Deus em meio ao sofrimento, enquanto outro murmura contra Deus e as situações (v.5).

7.Foi somente a graça de Deus sermos alcançados, pois éramos completamente fracos, inabilitados para sair daquele estado e Cristo morreu por nós, tirando-nos do estado de perdição. O que Cristo fez, alguém poderia imitar, mas de modo muito ineficiente, devido ao propósito (de nada serviria) e devido à motivação (somente se fosse por um justo). Paulo não está incentivando ninguém morrer, ainda que por um justo; e também não está condenando alguém por não morrer por um injusto, simplesmente está ilustrando e, todos devem saber que ilustrações são fracas se levadas muito enfaticamente. Cristo morreu "a seu tempo", ou seja, no tempo devido. Isto concorda com Gl 4.4-5, 1 Tm 2.6 e Rm 3.26 (v.6-8).

8.Se antes fomos alvo do amor de Deus, sendo injustos, muito mais agora, considerados como justos, somos atenção especial de Deus, salvos de Sua ira. É importante ter em mente que ninguém é reconciliado com Deus, salvo da Sua ira com orações e mudança de comportamento, mas somente baseados na Morte de Cristo (v.9).

9.Nós recebemos a reconciliação e não Deus. É errado dizer que Deus foi reconciliado, pois Ele nunca precisou de reconciliação, mas NÓS que precisávamos ser reconciliados com Ele. Também, não fomos nós que nos reconciliamos com Deus, mas Deus que nos reconciliou consigo mesmo. Portanto, Ele planejou e Ele mesmo executou Seu plano, nós fomos agraciados e reconciliados.  Estes versículos provam a nossa segurança e é o motivo da paciência do crente em meio às tribulações, pois ele sabe que está guardado pelo Senhor, pelo Seu amor. Reconciliação não é a Salvação propriamente dita, nem mesmo a Justificação em si, mas é o resultado da Justificação. A Justificação proporcionou a oportunidade única para o pecador de ser considerado justo por Deus e tornar-se Seu amigo (v.10-11).

10.Quando lemos o VT nada percebemos sobre o pecado e a morte transferidos de Adão para toda a humanidade. Este princípio se aprende apenas no NT e este é o texto mais claro sobre o assunto. Os comentaristas nem sempre estão de acordo entre si sobre este princípio difícil de explicar. Alguns acham que o "pecado original" nada mais é do que os pecados particulares vistos de modo coletivo, outros afirmam que Adão pecou e todos se tornaram também pecadores, pois todos estavam "em Adão”.

11.Sendo que todas as pessoas no mundo morrem deve haver uma razão única para esta "coincidência". O versículo diz que o pecado é a razão da morte no mundo. Poderíamos facilmente usar este versículo para provar a pecaminosidade humana. Todos os que morrem é porque estão sofrendo a consequência do pecado.
12.Até agora Paulo estava tratando da culpabilidade pessoal e a questão dos pecados; a partir de 5.12, Paulo lida com a questão do pecado e ao estado espiritual da raça de Adão. A questão que se segue não é o que acontecerá ao homem se não se arrepender de seus pecados pessoais, mas o estado presente do homem, isto é, a condição da raça humana, independente dos pecados de cada um. Não “pois todos pecaram” ou “porque todos pecaram”, mas “por isso todos pecaram” (v.12).

13.Estamos lidando com um conceito chamado "Solidariedade racial". A nação de Israel entendia a "Solidariedade da família" (Exemplo: Js 7.16ss, quando Acã foi descoberto por causa da derrota de Israel em Ai).

14.Observe o final do v.14 onde diz que os homens morrem desde Adão até Moisés, "mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão". Adão é uma figura daquele que viria, Jesus Cristo. Adão é um tipo de Cristo no que se refere à representatividade da raça humana. O princípio é o mesmo de um país em guerra. Eu não posso simplesmente discordar de uma guerra e dizer: “o meu país está em guerra, mas eu não!” Todos estamos unimos na guerra, concordando ou não, desde que sou da nação em guerra.

15.No entendimento deste professor, e ele pode estar errado, os infantes e os "deficientes mentais" de algum  nível que não tenha condições de entender a pregação do evangelho, herdaram a natureza adâmica e, por isso mesmo, morrem. Contudo não estão incluídos em 3.23 no que diz respeito à prática do pecado (são pecadores sem pecados). São isentos de um juízo de "obras feitas no corpo".

16.Portanto, tais pessoas morrem porque são ligados pelo corpo da velha criação que há de findar-se. Pelo fato de Cristo ter feito expiação também pelo pecado original, tais pessoas estão presas ao pecado original apenas enquanto no regime deste, ou seja, na presente velha criação.

17.Alguém que nasce, está "em Adão", portanto é um pecador; quando passa a pecar, está confirmando seu estado de pecador "em Adão" e se torna um "pecador com pecados".

18.Pode ser que alguém não concorde com este princípio ("A Solidariedade da raça") e insista que não tem culpa do pecado de Adão. De fato, todos nascemos "caídos", o que não é nossa culpa, mas uma infelicidade para nós. Contudo, concordando ou não com este princípio todos estão sob o mesmo regime, todos debaixo do pecado e continuar neste regime, seguindo o próprio caminho, resultará em separação eterna de Deus.

Não houve lei neste período, mas o pecado e a morte existiam mesmo assim.    

      Houve lei para Adão                                              Houve lei para os judeus

 (não comer daquele fruto)                                           (A Lei de Moisés)
        



                                                                2.500  anos                  

19.Por causa da desobediência de Adão muitos morreram; por causa da obediência de Cristo a graça de Deus abundou sobre a vida de muitos. Embora a tradução esteja correta, devemos entender que "muitos" refere-se a "todos" do v.12.  O contraste que há entre o dom gratuito e a ofensa (o pecado de Adão) é que enquanto o pecado de Adão trouxe a morte aos homens, o dom gratuito de Deus traz não só a vida física, mas a vida espiritual em abundância (v.15-17).

20.Cristo não apenas reverteu o pecado de Adão, mas ofereceu vida eterna. Outro contraste é que o pecado de Adão (apenas um) trouxe condenação; mas a justificação de Cristo resolveu não apenas o pecado de Adão, mas todos  os nossos pecados pessoais. Este assunto é bastante difícil e pouco explicado em sua essência, mas devemos entender até aqui que Paulo está afirmando que os homens não morrem "de Adão até Moisés" pela mesma razão do pecado de Adão, ou seja, quebrando a lei revelada de Deus, pois a Lei ainda não tinha sido dada.

21.Num só ato também, Cristo justificou o pecador. A Lei só veio para avultar (colocar em relevo, destacar) o pecado. Portanto, o homem morre não por causa da transgressão da Lei, pessoalmente, mas por causa do pecado de Adão, em quem o homem está ligado. São dois os cabeças federais: Adão, o cabeça da velha criação e Jesus Cristo, o cabeça da nova criação (v.18-21).

22.Não cabe a nós julgarmos a vida espiritual das pessoas, porém, o próprio Jesus Cristo diz que “pelos frutos se conhece a árvore”. Um crente que anda como um incrédulo corre o risco de ser considerado pelos espirituais como um do mundo. Se algum crente andando dessa maneira não quer ser confundido que mude de vida, pois a justificação em Cristo permite isto!

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