Romanos 13

Capítulo 13: O andar digno do crente neste mundo
1.Talvez começassem a surgir os primeiros sinais de rebelião entre os crentes romanos e Paulo dá um ensino sobre sujeição às autoridades. Nesta época não há perseguição contra os cristãos em Roma, à semelhança dos judeus no Império Romano, que poderiam continuar com sua própria religião sem serem aborrecidos, embora nesta altura este privilégio logo cessaria em Roma tanto para os judeus quanto para os cristãos. É possível o crente achar que por causa de sua posição elevada no céu, dando-lhe um padrão moral elevado entre os homens, não deva obrigação para com as autoridades governamentais humanas, pois estas não são de Deus. Mas isto é um erro e falta de conhecimento do próprio sistema de governo de Deus.

2.Paulo não está dizendo que Deus aprova o modo como o governo humano está sendo dirigido, mas está declarando que Deus tem ordenado estes governos (Pv 8.15, Jo 19.10-11) (v.1).

3.E quem resistiu a Deus que obteve vitória? Comprovadamente, ninguém. Assim, a rebelião contra o governo traz sobre o rebelde uma condenação justa, por isso, devemos tomar o cuidado para não nos sensibilizarmos com os rebeldes e seus merecidos castigos, pois vivemos numa sociedade e Deus estabeleceu governos para o bem-estar da sociedade e para o mínimo de condições de sobrevivência em grupo (v.2).


4.Paulo menciona a lógica humana, ou seja, quem anda corretamente não deve ter medo das autoridades. O próprio Paulo foi livrado de perseguições durante suas Viagens Missionárias por oficiais romanos, pois viram nele justiça e não viram motivo de condenação. Paulo tinha como exemplo de governo o Império Romano e era um governo justo em termos gerais, assim como qualquer governo. Não fosse o governo humano reprimindo o mal, em todas as partes do mundo o caos seria visível a qualquer hora do dia e da noite, mas não é isto que acontece. A menção da espada refere-se à pena capital (v.3-4).

5.O crente pensa muito mais profundo e ao mesmo tempo mais alto que o mundo, pois o crente é levado por sua consciência transformada por Deus e sujeita-se ao governo. A espada do governo é motivo secundário para o crente. Assim, o crente não rouba, não porque sofrerá a cadeia, mas porque roubar é pecado diante de Deus e não faz parte de alguém conforme à imagem de Cristo (v.5).

6.Os impostos ajudam a manter a ordem na sociedade, pois toda a sociedade recebe o benefício dos impostos. Jesus nunca condenou o pagamento de impostos, mas incentivou (Mt 22.21, 17.25-27, Lc 20.20-25). Se vivemos debaixo de um governo injusto e de taxações altas, isto não nos dá nenhum direito de agir como ladrões (sonegadores). Devemos andar na luz da Palavra de Deus e somente desobedecer o governo quando este estiver exigindo a nossa desobediência a Deus. O governo merece de nós o que ele exige, inclusive nossa honra (respeito). O governo merece não por si próprio, mas porque Deus disse que merece (v.6-7).

7.A dívida, embora não seja proibida na Bíblia, deve ser evitada quando for longa e quando não há como pagá-la. O crente deve aprender a viver "dentro de suas posses". Mas há uma dívida que aumenta diariamente e devemos ir pagando e não deixá-la em acúmulo, esta dívida é o amor. Toda a lei é cumprida por causa do amor, pois a lei sempre visou o amor a Deus e aos semelhantes. Note os Dez Mandamentos, a divisão dos primeiros quatro referindo-se ao amor a Deus e os outros seis referindo-se ao amor aos semelhantes. O amor não só não faz mal ao próximo como também faz o bem (v.8-10).

8.Ef 5.14, 1 Ts 5.6-7. A vida cristã na terra é muito curta. Imagine alguém que se converte com 20 anos e vive até 70, só tem 50 anos para desenvolver-se no amor cristão. A nossa salvação de modo algum se completou, pois isto acontecerá na Presença do Senhor, mas é verdade que a cada dia isto se torna uma realidade mais próxima. Por isso, há urgência em crescimento, pois teremos uma eternidade para aprender, mas aqui na terra os mais maduros se despontarão em graus diferentes dos demais e isto se dá pelo censo de urgência e do despertamento do sono espiritual (v.11).

9.Não podemos duvidar que Paulo sempre tivesse em mente a esperança escatológica, esperando a vinda de Cristo para levar a Sua Igreja. O tempo em que a Igreja está na terra é chamado "noite" e esta noite estava avançada já para Paulo e muito mais para nós (2000 anos depois). O "dia" é a manifestação de Cristo (parousia). Se o crente pensa em Cristo e Sua vinda bem próxima, deve viver de acordo com a vinda Dele, ou seja, em pureza. O crente deve "tirar de si a roupa suja" e "revestir-se da armadura de Deus" (v.12).

10.O crente deve andar como alguém anda normalmente durante o dia: sem excessos e dissoluções. A associação das obras impuras com a escuridão da noite é tão óbvia que não necessita de muitos detalhes. Sabemos que as impurezas, bebedices, orgias são feitas em ambientes escuros. A palavra "impudicícia" refere-se às práticas sexuais ("koitais") ilícitas. São os pecados de prostituição. Outras práticas são mencionadas por Paulo, as quais não são praticadas em lugares secretos, mas que são "obras das trevas", são as contendas e a inveja (v.13).

11.A roupa nova do crente é o próprio Jesus Cristo, pois à imagem Dele é que o crente está se conformando. A roupa velha são os cuidados com a carne e seus desejos maus. Alimentar a carne é uma tarefa muito difícil, pois ela nunca se satisfaz e exige todas as forças de seu escravo. A carne tem um poder de atração muito forte, uma vez que o crente resolve satisfazer um pouco seus desejos pecaminosos, só consegue se libertar com muita dificuldade e por vezes lágrimas de arrependimento (v.14).


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