Romanos 15

Capítulo 15: Judeus e gentios num só Corpo. Os planos de Paulo
1.“Tudo o que dantes foi escrito" refere-se ao Velho Testamento, a única fonte de autoridade espiritual até o momento, fora os profetas e os apóstolos do começo da igreja. Os livros do Novo Testamento foram reconhecidos somente no final da era apostólica (pelos próprios apóstolos como era de se esperar). Somente pelas Escrituras é que alguém obtém constância e consolação ("provenientes das Escrituras"). Isto nos permite julgar o óbvio: As igrejas que não estudam sistematicamente a Bíblia ou que usam mais tempo para outras coisas, estão caminhando para a inconstância e falta de consolo, ou seja, ficarão famintas e sedentas, mas sem ter com que saciar-se (v.4).

2.Para os crentes que estudam as Escrituras e, consequentemente, tornam-se constantes e consolados, serão agraciados por Deus do sentimento de unidade em Cristo para com os irmãos, sem abusarem da liberdade cristã. O louvor a Deus será em unanimidade (v.5-6).

3.Paulo apela para a unanimidade dos crentes, onde um acolhe o outro, assim como Cristo acolheu a todos. Cristo se tornou ministro entre os judeus a fim de confirmar as promessas feitas as patriarcas, por isso, os gentios de Roma (em número maior) deveriam considerar os judeus e respeitar os seus escrúpulos. Sl 18.49, 2 Sm 22.50. O ministério de Cristo entre os judeus também contribuiu para a conversão dos gentios, pois primeiro veio aos judeus, e depois (conforme já estudamos largamente nos capítulos 9-11) os gentios foram alcançados também (v.7-9).

4.Dt 32.43, Sl 117.1, Is 11.10. Com argumentos dos versículos anteriores, Paulo chega onde queria: mostrar que os gentios devem alegrar-se em unanimidade com os judeus. Paulo usa a profecia de Isaías também mostrando que o Cristo vem da raiz de Jessé, o pai de Davi, portanto judeu, mas os gentios são regidos pelo mesmo Cristo que regerá os judeus, também. Assim, os gentios que esperam na mesma Pessoa que os judeus, têm tudo em comum e, por isso, devem acolhê-los com amor, respeitando seus escrúpulos (v.10-12).

5.Paulo encerra o "tema dos escrúpulos", deixando com todo o povo de Deus (judeus e gentios) a bênção de Deus. Note novamente que o poder mencionado não é do crente, mas do Espírito Santo, sendo que o crente é beneficiado com tal poder (v.13).

6.O que Paulo passa a falar são recomendações pessoais, pois os temas da epístola de Romanos foram sistematicamente apresentados.

7.O desejo de Paulo sempre foi implantar igrejas e depois deixá-las funcionando. Aqui ele reforça este pensamento, muito embora não tenha fundado a igreja em Roma. Paulo mostra que os crentes em Roma já tinham ferramentas necessárias para continuar a edificação da Igreja naquele local, ou seja, bondade, conhecimento e capacidade (v.14).

8.Paulo era totalmente favorável ao "princípio da repetição". Ele respeita os crentes quando diz que já sabem, mas alerta-os quando diz "trazer outra vez à memória". Nenhum crente deve ser arrogante a ponto de achar os temas bíblicos repetitivos e, por isso, quererem "novas abordagens". Embora, nenhum esforço deva ser poupado no sentido de tornar as verdades bíblicas mais claras e interessantes (v.15).

9.Embora Paulo não tenha sido o fundador da igreja em Roma, tem total autoridade em todas as igrejas, por causa "da graça que lhe foi outorgada", ou seja, por ter sido escolhido por Cristo como apóstolo. Paulo usa a figura de um sacerdote que oferecia sacrifícios a Deus. No caso, sendo sacerdote, oferece os gentios a Deus, que são aceitáveis (1 Pe 2.5). Paulo não oferece a Deus as ofertas dos gentios, mas oferece os próprios gentios crentes, santificados pelo Espírito Santo  (v.16).

10.Paulo não se mostra arrogante, pelo contrário, dá toda a glória a Deus, sendo que nEle Paulo se gloria, sentindo-se plenamente satisfeito no ministério (v.17).

Observação sobre o ministério de Paulo em comparação aos obreiros de modo geral
Com toda a certeza Paulo é o exemplo de fidelidade no ministério para todo o obreiro seguir, mas isto não deve ser confundido com "identificação total de ministério", pois se assim for, já estamos reprovados. Segue uma pequeníssima lista de fatores que mostram que podemos seguir o exemplo de Paulo, mas tomar cuidado em não avaliar o nosso ministério com o mesmo critério que o dele:

1.Paulo era apóstolo designado por Deus fora do tempo dos apóstolos; nós não somos apóstolos nem de tempos apostólicos e nem depois deles.

2.Paulo tinha de Deus os caminhos traçados e bem definidos para o seu ministério; nós somos guiados a cada dia, mas não a longo prazo (responda: "qual é o seu ministério específico até o final de sua vida, pelo qual Deus te colocou e te avisou?).

3.Paulo exercia o poder de sinais e prodígios (note não o dele, mas do Espírito Santo); nós temos o Espírito Santo, mas não realizamos sinais.

4.Paulo implantava igrejas onde nunca houvera testemunho; nós (de modo geral) alcançamos povos que já têm o testemunho de Cristo (até mesmo entre muitos índios).

11.Depois desta observação do singular ministério do apóstolo Paulo, continuemos a estudar sobre sua estratégia.

12.Paulo anteriormente disse que se gloriava em Cristo e agora mostra sua dependência Nele ("não ousarei falar de coisa alguma"). Paulo não usou seu ministério para oferecer "espetáculo" ao público e atrair a atenção para si mesmo, mas era uma vida de obediência a Cristo e determinação em atingir o alvo que Deus colocou para ele: alcançar os gentios. Por palavras, ou seja, pelo ensino e por obras, conforme v.19 são os recursos apostólicos de autenticação da mensagem nova até então. Da Palestina até o Ilírico (fronteira com a Iuguslávia, antigamente, Dalmácia e atualmente Bósnia). Enfim, o mundo todo conhecido da época. Paulo cita Is 52.15, fazendo uma aplicação (como costumeiramente faz em Romanos), mostrando que a intenção de Paulo era prosseguir e enquanto tivesse vida na terra, novas fronteiras seriam abertas com o Evangelho (v.18-21).

13.A questão do chamado missionário é um debate que às vezes mais paralisa a obra do que incentiva. De um lado alguém que tem convicção do seu chamado se considera superior aos outros, tornando-se incoerente ao dizer apelar para que jovens se envolvam no ministério, mas ao mesmo tempo dizendo que precisa ser chamado.

O chamado missionário

Há muito desacordo a respeito do chamado missionário. Alguns homens, incluindo os próprios missionários, insistem que não é necessário chamado específico para o campo. Eles apontam que temos a ordem de Cristo “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”. Eles dizem que todos nós somos chamados ao campo missionário e que se qualquer chamado específico é requerido este deve ser ficar na própria terra. A menos que alguém possa dizer que tem sido chamado para ficar, ele é chamado para ir, sob à luz da Grande Comissão.

Por outro lado, há líderes e missionários que enfatizar a necessidade de um chamado específico de Deus antes de alguém ir para um campo missionário. Agora imagine um missionário defendendo o primeiro ponto de vista vindo à igreja, ou Escola Bíblica, enfatizando esta idéia; então na semana seguinte outro missionário vem para dirigir-se ao mesmo grupo, enfatizando o segundo ponto de vista. Que tumulto deve ficar suas almas! Que confusão de mente e coração inevitavelmente terão.

Não há uma resposta para este problema? Não há um ponto de conciliação entre essas duas concepções opostas? Há alguma luz adicional? Nós cremos que há. Humildemente tentaremos expor todo o assunto, abraçando as respectivas verdades de ambos os lados da questão, e, pela graça de Deus, conduzir o jovem a uma vereda segura.

Há, primeiro de tudo, e sem dúvida, o chamado que vem da região além (2 Co 10.16, Jo 4.35). Significa o chamado dos campos. Segundo, há o chamado que vem da região de cima. É claro que o chamado do céu (At 1.8, Is 6.8,9). Há também o chamado que vem das regiões inferiores. Este é um chamado que vem alto e claro, com um apelo que deveria realmente rasgar o coração de cada jovem cristão (Lc 16.22-28). Há uma alma no Hades, nas regiões inferiores, clamando para que alguém vá até o seu povo que ainda vive na terra para testificar a eles o caminho da salvação para que não venham para o mesmo destino sem esperança. Que chamado, que clamor, que apelo! Então há também, definitivamente, “o chamado que vem das regiões interiores do coração”. Com isto queremos dizer aquele chamado pessoal e específico do Espírito Santo, fazendo conhecido a vontade e o plano de Deus claramente à consciência. Mas aqui há um fato importante para lembrar: o Chamado Interior não será ouvido por alguém a menos, e até, que tenha ouvido os chamados exteriores.

A menos que você tenha ouvido em oração o chamado dos campos necessitados, o chamado de Cristo na Escrituras, o chamado das almas condenadas no inferno, não é provável que você ouvirá a tranquila voz do Espírito dizendo: “Este é o caminho”.  Se você voltar os ouvidos para esses três chamados, o Espírito Santo não dará o quarto e último ao seu coração.

14.Muitos acreditam que o ministério de Paulo durou 25 anos. Paulo esteve ocupado todos esses anos na pregação ao mundo, mas não teve oportunidade de visitar Roma, onde já havia igreja. A implantação de igrejas tomou todo o tempo de Paulo e só visitou Roma porque Deus o colocou dentro de um navio e o levou até lá (v.22).

15.O trabalho de Paulo nas regiões circunvizinhas a Palestina já havia terminado, isto é, já havia implantado igrejas por todo o mundo conhecido da época, embora os seus "cooperadores" (Timóteo, Tito, Tíquico e outros) continuariam a edificação e estabelecimento de líderes. É possível que a igreja em Roma começou logo após o Pentecoste, sendo assim, o desejo de Paulo em visitar Roma já era de uns vinte anos (v.23).

Um obreiro deve ficar num lugar somente enquanto é necessário ali e nem sempre será ele próprio quem descobrirá isto, mas Deus pode usar outras pessoas para lhe mostrar isto. Existe um conceito popular entre os obreiros e crentes de modo geral, que 10 anos é o tempo para ficar num local. Isto pode ser um conceito do Inimigo, Satanás. O tempo certo para ficar num local é determinado por Deus. “Sentir-se bem num lugar” não deve ser o termômetro principal da colocação, permanência ou não do obreiro em um lugar. A vontade de Deus é o tempo certo para ficar em um lugar e a vontade de Deus é o local certo para se exercer o ministério.

16.Paulo desejava se "recrear" um pouco com os crentes em Roma, mas não ficar lá, pois não havia o que fazer num lugar onde havia igreja implantada. Não sabemos se Paulo foi a Espanha ou não, nenhum historiador da igreja daquela época (exemplos: Orígenes e Eusébio) menciona tal viagem. "Ser encaminhado" implicava em receber hospedagem e recursos para prosseguir a viagem (v.24).

Este ministério é específico de Paulo, pois ele nunca deixava uma igreja abandonada, mas enviava cooperadores para continuar o trabalho.

17.Estando em Macedônia ou Corinto, onde possivelmente estava quando escreveu Romanos, Paulo iria para Jerusalém levar a oferta (At 20.4). Os crentes de Jerusalém foram perseguidos por causa do Evangelho e começaram a enfrentar as dificuldades financeiras que as perseguições oferecem. Esta viagem para Jerusalém contribuiu para satisfazer o desejo de Paulo em visitar Roma, pois acabou sendo preso em Cesaréia e levado "de carona" para Roma (v.25-26).

18.Paulo aproveita para reforçar o ensino da primazia dos judeus e do privilégio dos gentios em receber o Evangelho graças aos judeus. Dessa forma, os gentios são devedores aos judeus e não é muito oferecer recursos materiais aos quais nos presentearam com as bênçãos espirituais. Evidentemente os judeus não fizeram isto conscientemente, mas Deus os usou para serem bênção para o mundo (Gn 12.3) (v.27).

19.Nestes versículos Paulo repete suas palavras concernentes ao desejo de visitar Roma e de lá ir até a Espanha. Paulo iria até Roma "na plenitude da bênção de Cristo". Onde Paulo chegava alguém seria abençoado (v.28-29).

20.Ir para Jerusalém era o alvo firme de Paulo, mesmo que recebera conselhos para não ir e até mesmo recebeu profecias do que aconteceria a ele lá. Mas a coragem de Paulo não era independente das orações dos irmãos. Ele tinha apreensões como todos nós, por isso, pedia orações aos irmãos. A preocupação dele não era só com os incrédulos, mas também, a respeito dos crentes judeus legalistas que certamente criariam caso por causa da pregação aos gentios, muito embora já havia sido feita a decisão no Concílio (Atos 15) (v.30-31).

21.Este versículo mostra como um homem pode confiar em Deus e mesmo certo dos sofrimentos pelos quais passará ainda ter esperança. Paulo desejava chegar em Roma com alegria, apesar das dificuldades que passaria, as quais já sabia de antemão. Tão certo está disto que acrescenta o desejo de "recobrar as forças" (v.32).

22.A bênção costumeira de Paulo. Alguns acham que a epístola de Romanos termina aqui e que não existe o cap.16 (v.33).


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