Romanos 8

Capítulo 8: O Espírito Santo na Vida do crente
1.Sem a operação constante do Espírito Santo em nossas vidas, não há sequência a nossa Salvação, pois a aplicação da Salvação na vida cristã é tão sobrenatural quanto à própria Salvação. Este capítulo é a segurança do crente. Eis algumas razões:

1.Aqui o crente aprende que está totalmente nas mãos do Consolador, o Espírito Santo, em Quem encontra "vida e paz".

2.Aqui o crente aprende que, embora não tenha merecido isto, é chamado de "Eleito de Deus", que envolveu um grande propósito Divino, que resultará em tornar-se à imagem de Cristo, sendo o "Primogênito entre muitos irmãos".

3.Aqui o crente aprende que é amado em Cristo e que nunca será "separado" desse amor.

2.A idéia do Velho Testamento, principalmente, na Promessa feita a Abrão em Gn 12, era um "descendente" e uma "bênção". Em Gl 3.14-16 há uma ampliação dessa promessa. Em Romanos a aplicação disto é mais clara: O descendente é Cristo Jesus, o Salvador; a bênção é o Espírito Santo. Porém, como quase tudo na Redenção, isto já aconteceu no momento da Salvação, embora o crente não sabia disto. Não é, portanto, a chamada "segunda bênção", mas parte de uma única Salvação.

3.O que todo o estudante da Bíblia deve saber é que o estudo da Bíblia é a "separação do inseparável", ou seja, estudamos partes doutrinárias e damos nomes a princípios que formam um todo, que na mente e propósito de Deus estão total e perfeitamente unidos, mas que para nós é um conjunto maravilhoso que precisa ser estudado separadamente.

4.Muitos chegam no capítulo 7 e desanimam porque não obtiveram vitória sobre o pecado. Mas, Deus não nos deu, mesmo em nossa nova natureza, poder sobre o pecado. Esta luta é a boa peleja que o próprio Deus, na Pessoa do Espírito Santo exerce dentro de nós.

5.Descobrimos que a nossa voluntariedade em buscar a Deus e santificar-nos é o impulso do Espírito Santo Por isso, clamamos "Aba, Pai"; pois o Espírito Santo Quem faz isto em nós (Gl 4.6).

6.Não há mais nada que tenha poder de condenar o crente quanto ao seu destino eterno, nem o pecado original que o fará morrer, nem os pecados individuais que o farão sentir tristeza e perder por algum tempo a comunhão com Deus. O fato do crente sentir-se condenado por si mesmo, por sua consciência hiper-sensitiva ou até pelo próprio Satanás não significa que de fato esteja condenado. Há sim, pecados na vida do crente que são condenáveis, mas por causa de sua nova posição (justificado) o crente não pode ser condenado. A expressão "em Cristo" é bastante enfatizada na epístola de Efésios e significa a posição que o crente ganhou, sendo protegido na Pessoa de Cristo e conformando-se à Sua imagem. Esta falta de condenação por estar em Cristo é algo independente do andar do crente, sendo um dos pontos mais polêmicos do assunto de vida cristã entre os vários grupos evangélicos (v.1).

7.Uma nova Lei rege a vida do crente: a Lei do Espírito da vida. Esta nova Lei faz o que a Lei de Moisés nunca pôde fazer, ou seja, coloca no íntimo do coração do crente um desejo, e não só isto, mas a capacidade de obedecer a justiça de Deus e, ainda mais, não apenas capacita o crente a obedecer a Deus, mas fugir de pecados, não só externos, mas das motivações mais secretas do pecado. Portanto, o alvo do Espírito é fazer o crente totalmente perfeito, mais parecido com Cristo, até tornar-se semelhante a Ele. Através dessa nova Lei, o crente está livre da condenação da Lei de Moisés: a condenação à morte (v.2).

8.Aqui é confirmada a declaração que "a promessa da Lei era vã". A Lei prometia vida aos obedientes, mas era impossível alguém obter vida pela Lei. A Lei era ineficaz por causa da fraqueza daqueles que deviam-lhe obediência, por isso, Paulo diz que a Lei "se achava fraca pela carne". Cristo condenou o pecado onde deveria condená-lo, ou seja, na carne e todos os que estavam unidos com Ele nesta morte também já condenaram o pecado. O corpo de Cristo era semelhante a carne do pecado como de todos nós, mesmo que em Sua essência Ele não era pecador. Isto prova que o corpo em si não é pecaminoso, e sim, a pessoa. Outra verdade é que a Encarnação de Cristo foi real; Ele não poderia vir com um corpo diferente do nosso, pois não seria "em semelhança da carne do pecado". A Encarnação de Cristo implicou em sofrer na carne tudo o que sofremos, ou seja, as agruras do pecado, sem contudo, ser um pecador (v.3).

9.Cristo condenando o pecado em sua própria carne, justicando-nos e concedendo-nos o Espírito Santo, permitiu-nos cumprir a exigência da Lei, que é "ser santo". A Lei dizia que devíamos ser santos, mas não poderia produzir em nós, só o Espírito Santo pode fazer isto. Estamos posicionalmente nos lugares santos, mas o que faz isto uma realidade na vida diária é o andar segundo o Espírito (v.4).

10.Justamente neste ponto temos a resposta às dúvidas: "Se o crente morreu para o pecado, porque ainda peca? Se o pecado não tem mais poder sobre o crente porque este ainda peca? Não é o ponto final sobre o pecado?" A nossa vitória sobre o pecado está baseada no efeito da "novidade de vida". A maneira de entrar nessa novidade de vida é por meio da morte com Cristo; isto já aconteceu uma vez (como já vimos no cap.6).

11.A força ativa que faz este princípio ser verdadeiro é o Espírito Santo. Ora, enquanto estamos andando no Espírito Santo não pecamos, mas quando deixamos de andar no Espírito Santo voltamos a pecar. Isto quer dizer que se andássemos em todos os momentos segundo o Espírito Santo não pecaríamos nunca, portanto, todas as vezes que pecamos é porque naquele determinado momento deixamos de andar no Espírito Santo.

12.A este princípio damos o nome de "união mística com Cristo e o Espírito Santo", ou seja, é uma união real, mas sobrenatural e por isso, mesmo difícil de explicar, pois está na esfera da experiência individual com o seu Redentor e o Espírito Santo, mas que todo crente pode experimentar.

13.Os meios que Deus usa para o andar no Espírito é a oração, a leitura e meditação na Palavra e, justamente fará isto de coração quem está andando no Espírito Santo!! Chegamos à conclusão, portanto, que a vida cristã é a vida que Cristo vive no crente e não a vida que o crente tenta viver por seus próprios esforços (Gl 2.20). Andando nesta nova Lei podemos fazer escolhas: andar no Espírito ou andar na carne.

14.Existe o homem espiritual, que é o crente que anda no Espírito e o homem natural, que é o homem que não tem o Espírito (não regenerado) e o homem carnal, que é o homem que possui o Espírito, mas não anda segundo o Espírito Santo. Apesar disto, o que anda segundo a carne neste versículo NÃO é o crente e sim o incrédulo. Estes se inclinam para a carne porque não tem o Espírito Santo (v.5).

15.Aqui não se trata da diferença entre um crente espiritual e um crente carnal, mas entre um crente e um incrédulo. A carne pende para a morte. É verdade que o crente vivendo segundo a carne está num caminho de morte (separação), mas não é esta a hermenêutica do versículo. A palavra "inclinação" é uma tradução não-literal, pois a palavra original é "phronema", que significa "mente". Portanto, a mentalidade da carne está na morte, e a mente do Espírito está na vida e paz (v.6).

16.O homem regido pela carne é inimigo de Deus; ainda não é reconciliado com Deus, não está sujeito a Deus e é impossível sujeitar-se a Deus e às coisas espirituais de Deus, isto porque não está unido pelo Espírito Santo. Isto nos faz pensar no perigo de envolver incrédulos nas atividades dos crentes para que se sintam bem, e por fim, participem "de coração" conosco das coisas espirituais (v.7).

17.Repetindo o pensamento até agora, é verdade que o crente andando segundo o velho homem não pode agradar a Deus, porém, não é disto que trata o versículo 8. O ensino é que o que está na carne (e não simplesmente andando segundo a carne), não pode agradar Deus, pois não está unido a Deus na regeneração e no Espírito Santo. O crente andando segundo a carne, ainda assim, está unido ao Espírito Santo, pois isto é a posição "em Cristo", que é independente da prática diária, muito embora a prática devesse refletir a posição do crente em Cristo (v.8).

18.Paulo está falando para todos os crentes. Os crentes não estão na carne (embora alguns possam estar andando segundo a carne). Veja a distinção clara: Paulo diz que os crentes não estão na carne, mas no Espírito, mas se o Espírito Santo não habita tal pessoa, então esta pessoa não é crente e, por isso, está na carne. É claro que quanto mais o Espírito Santo domina o crente, a diferença será cada vez maior (v.9).

19.O Espírito habita o crente, logo Cristo está no crente. O "corpo" neste versículo é a carne (não o corpo do pecado, e sim o velho homem). O velho homem está morto, pois morreu com Cristo, assim ele não pode produzir nada para Deus, mas o "Espírito" está vivo por causa da justiça e para produzir a justiça (v.10).

20.De qual espírito está falando Paulo: do espírito do homem regenerado ou do Espírito Santo? Não faz diferença a letra maiúscula ou minúscula, já que é tradução, pois o grego não se distingue desta forma. Tanto espírito do crente, como Espírito Santo dão um bom sentido, mas porque a palavra "pneuma" neste contexto tem sido sempre para Espírito Santo é melhor entender que continua sendo assim. Não se trata de dois egos, mas de um só que quando está controlado pelo Espírito, age de acordo com o Espírito Santo, e quando o mesmo ego se desvia das coisas do Espírito Santo, age de acordo com a carne (velho homem).

21.O Espírito Santo dará poder ao corpo, presente ainda da velha natureza, ressuscitar para Deus numa só natureza. Por causa dessa verdade gloriosa, não somos devedores à carne que será extinta. J.N.Darby observa muito bem que Paulo não acrescentou que somos devedores ao Espírito Santo (o que é uma conclusão lógica), pois se dissesse isto estaria colocando o crente como devedor de uma lei superior a Lei de Moisés. Ora, se a Lei de Moisés foi impossível cumprir, esta seria muito mais impossível de atingir. A questão não é mais dívida, pois o Espírito Santo habita-nos incondicionalmente, a partir de nossa Salvação. Aqui Paulo específica o ensino com relação aos crentes ("irmãos"). Viver segundo a carne é viver como alguém sem o Espírito Santo, ou seja, como um não-regenerado (v.11-12).

22.É evidente que se trata de vida e morte espiritual (não física e nem eterna). "Mortificar" é o equivalente a "considerar" de 6.11 (ver também Col 3.5-11 e Gl 5.24). Note que aqui descobrimos com muita alegria que não somos nós que vencemos as obras do velho homem, mas "pelo Espírito". Há um mistério profundo neste ensino é verdade (como diz William Newell), no fato de Deus trabalhar a Sua vontade em nós e ao mesmo tempo escolhermos a Sua vontade. Só podemos afirmar o que ensina as Escrituras e sabermos que é uma verdade que nos abençoará grandemente (v.13).

23.Existem duas palavras gregas para designar a filiação de alguém: 1ª) "teknos" que se refere ao "filho por geração natural". Exemplo: Jo 1.12  2ª) "huios" que se refere ao "filho adulto" (com direito de adoção). Exemplo: Rm 8.14-16 (v.14).

Havia um costume antigo entre os romanos que declarava que alguém era "filho adulto", com direitos à herança. Não podemos relacionar isto com o nosso termo para "adulto", que é quando alguém termina a adolescência e chega ao seu crescimento completo e nem com o termo "filho de adoção" referindo a um filho não legítimo que se torna legítimo com a adoção. Pois o "filho de adoção" romano era o próprio filho quando adquiria seus direitos diante do pai e da família. É importante saber que nem todos os filhos adquiriam o privilégio da adoção. A adoção era como se o pai tivesse um outro "eu" na pessoa de seu filho de adoção, sendo que TUDO o que o pai possuía, passava ao filho em plenos direitos. Este costume foi exclusivo de Roma (e talvez entre os gregos). Entre os judeus não se usava esse costume. Aliás, na Lei de Moisés o filho que tinha os direitos do pai era o primogênito, enquanto entre os romanos, era a escolha arbitrária do pai. Portanto, filho adulto para o romano não é o filho com 18 ou 21 anos, mas é o filho com direitos plenos do pai e é o mesmo que filho de adoção.

24.Ser guiado pelo Espírito Santo é a evidência de ser filho de Deus com todos os direitos de ser igual a Cristo. Não temos condições de saber se alguém é guiado pelo Espírito Santo somente pelo que vemos no que diz respeito à moralidade, pois mesmo incrédulos podem ter um bom comportamento, sem contudo, serem filhos de Deus. Esta confusão aumenta muito quando os crentes em redor não possuem um estilo de vida de alto padrão espiritual. Ser guiado pelo Espírito Santo aqui não refere especificamente à prática, mas à posição.

25.Enquanto a Lei escravizava o pecador, usando como servidão os seus próprios pecados, a Adoção liberta-o em seu viver diário, sem necessidade de voltar à Lei para servi-la. Um escravo jamais pode chamar seu senhor de "Pai". A palavra "Abba" não é grega e sim aramaica que significa "Pai". Paulo ao usar esses dois termos juntos, "abba, pater" está mostrando a união entre judeus (abba) e gentios (pater) numa mesma filiação (v.15).

26.Aqui vemos o importante ensino de que nós não deixamos de ter o nosso próprio ego ("espírito") em virtude de termos recebido o Espírito Santo, antes, o Espírito Santo em unidade com o nosso espírito (ego) confirma que somos salvos (ver Gl 4.6.). Fica provado com este versículo que é perfeitamente possível alguém ter certeza se é salvo. É inútil tentarmos decifrar como é a comunicação do Espírito Santo com o nosso espírito, pois é um relacionamento muito mais profundo que possamos sequer imaginar, pois como explicar que Ele intercede por nós quando não podemos orar? Ou como explicar a comunicação da natureza divina em nós? Como explicar a própria vida de Cristo em nós (1 Co 6.17)? (v.16).

27.Nesta posição de filhos legítimos (por adoção, segundo o costume romano), temos o direito de receber todas as coisas que "Aba" tem para dar, juntamente com Cristo Jesus, em Quem estamos identificados. O que Cristo tem direito, nós temos também se Cristo sofreu, nós também sofreremos; se Ele foi glorificado, também seremos. Sofrer, todos sofrem, tanto crentes quanto incrédulos, porém, sofrer os sofrimentos de Cristo, é privilégio único do crente (v.17).

28.Mas, afinal a quê se refere esta herança? Falar que são coroas no céu é muito pobre em comparação ao ensino do capítulo 8. Mas conforme Pedro, recebemos a herança riquíssima de tornar-nos participantes da natureza do próprio Deus (2 Pe 1.4).

29.Se tomarmos as experiências dolorosas que temos neste mundo certamente desanimaremos, mas se olharmos à luz da glória que teremos esses sofrimentos não terão peso algum. A nossa salvação é completa no sentido que não faltou nada na obra de Cristo, porém, há de se completar ainda, pois ainda não fomos glorificados, como Cristo foi (v.18).

30.Paulo deu vida à criação de Deus (personificou) e disse que até essa criação (as coisas criadas) espera a nossa redenção, pois o pecado abrangeu a criação como um todo. Se fosse verdade a Evolução de Darwin e Lamarte, a criação não estaria esperando voltar ao seu estado original, mas estaria progredindo em perfeição, mas não é isto que indica este texto, mostrando uma criação em angústia por causa do pecado. Este verso sugere que a criação voltará ao estado do Éden, pois que restauração há na destruição? Alguns dizem que será no Milênio; outros dizem que será no Estado Eterno, quando haverá restauração total, ou melhor ainda uma nova criação, para o Estado Eterno, que será o "Éden restaurado". Esta passagem exige a interpretação literal de acontecimentos futuros em relação à natureza (v.19).

31.A criação, tanto a animada quanto a inanimada, sofreu por causa do pecado de Adão e ficou sujeita à vaidade (ou ao caos). Quem sujeitou a criação a tal estado não foi Adão e nem Satanás, mas o próprio Deus, por causa do pecado de Adão, pois só Ele tem autoridade sobre a criação. A título de aplicação prática de como a criação ficou sujeita ao caos, seguem abaixo alguns exemplos (v.20):

No homem    Na mulher    Nos animais    Na natureza    Na atmosfera e fora dela
durezas no trabalho    dor de parto    predação    catástrofes    meteoritos perdidos
desgaste excessivo    Sujeição    crueldade do homem    climatologia desorganizada    destruição determinada
doenças-morte    doenças-morte    doenças-morte    doenças-morte    destruição da camada de ozônio

32.A criação tem a esperança na libertação dos filhos de Deus, assim será liberta desse cativeiro (Is 11.6-9). É evidente que Paulo personificou a criação, pois esta não tem consciência de existência e conhecimento de sua necessidade real. A criação será restaurada com uma finalidade específica: para os filhos de Deus no estado glorificado (Milênio e Estado Eterno). A criação sairá do estado de escravidão para a liberdade (v.21).

33.Há um sofrimento que paira no mundo em todos os seus aspectos, até que o mundo todo seja redimido. Semelhante a uma mulher que sofre até dar à luz, mas depois disto há uma alegria por trazer um filho ao mundo ( v.22).

34.A criação está sofrendo, até que chegue a tão esperada redenção, mas nós os crentes também sofremos em nossos corpos, apesar de o Espírito Santo habitar-nos, sentimos a necessidade de um corpo mais adaptado às coisas espirituais, pois andamos com certa deficiência, principalmente quando o corpo já não quer obedecer por ter chegado o seu limite de vigor (ver Ecl 12.1-9). Aqui o termo adoção tem o sentido de redenção do corpo, como o próprio versículo explica-se por si mesmo. Faz parte da adoção receber todos os direitos em Cristo e um deles é a redenção do corpo. Entre os romanos havia uma cerimônia formal para a adoção, chamada "huiotesia" (adoção). Temos as primícias do Espírito Santo, ou seja, a garantia de uma colheita gloriosa. Por enquanto, só o primeiro fruto, mas na redenção do corpo a colheita completa (Ef 1.14) (v.23).

35.A esperança para ser esperança tem que confiar em algo invisível. Jamais temos poder de infundir esperança no coração do incrédulo. A nossa responsabilidade é de ensinar a Santa Palavra de Deus, que tem poder nela mesma para colocar esperança no coração das pessoas. Se dependêssemos de tentar provar nossa esperança, nossa tarefa seria impossível (v.24).

36.O Espírito Santo dá-nos paciência de esperar tudo o que estudamos e testificar a veracidade pessoalmente no céu. Incrédulos têm considerado os crentes loucos por esperarem em coisas invisíveis, porém, outros têm-se convertido por causa do testemunho de esperança em momentos difíceis como a morte. Devemos viver de tal forma que se esta nossa esperança fosse falsa, não restaria nada mais para nós. A paciência sempre sugere a existência de situações adversas para poder exercitá-la (v.25).

37."Da mesma maneira", ou seja, assim como os gemidos anteriores, o Espírito Santo também geme dentro de nós. Neste mundo todo corrompido, desde as pessoas até a criação, o crente precisa do Espírito Santo até mesmo para orar. Em meio ao nosso gemido pelas angústias deste mundo caído, o Espírito Santo traduz ao Pai nossa oração. O próprio Espírito Santo, também geme conosco, pois está vivendo "em" nós num mundo corrupto, porém, Ele faz mais do que gemer, Ele ora por nós. O próprio Jesus também ora por nós à direita do Pai (Hb 7.25). Não apenas o Espírito Santo leva as nossas orações a Deus, o Pai, como o próprio Pai examina os nossos corações e recebe do Espírito Santo todas as informações de nossos anseios e necessidades pessoais. O Espírito Santo nos ensina a orar, pois normalmente conhecemos os nossos desejos, mas pouco sabemos das nossas necessidades (v.26).

38.Muitos crentes entristecem-se por não poder orar como convém, ou seja, às vezes têm grande prazer em orar e pensamentos bem claros; outras vezes, porém, os pensamentos são confusos e não há alegria em orar. Se entendemos estes versículos e cremos nessa verdade, podemos nos tranquilizar ao invés de sentir-nos culpados. O nosso dever é orar (Lc 18.1); os efeitos da oração em nossas emoções são produzidos pelo Espírito Santo e não por nós. Poucos crentes chegaram ao descanso, confiando que Deus Se decidiu em cuidar de nós integralmente, quando estamos alegres ou tristes, saudáveis ou doentes, animados ou desanimados, em comunhão ou em pecado, dedicados ou negligentes. Nós somos dEle, não somente nós ganhamos um bem valioso, mas Ele achou uma "pérola de grande valor". Esta verdade chega bem perto aos nossos corações quando a doença aflige o nosso corpo de tal forma que a dependência em Deus é a única esperança que temos (v.27).

39.Vemos no capítulo 8 de Romanos três gemidos: da natureza, dos crentes e do Espírito Santo. Um dia estes gemidos serão trocados por um brado de alegria. Enquanto isto, caminhamos para conformarmo-nos à semelhança de Cristo.

40.Muitas situações da vida, inclusive as difíceis contribuem para alcançarmos o "bem" que Deus quer para nós. O contexto já mostra que "Bem" é este: é atingir a plena redenção dos filhos de Deus, ou em outras palavras, a glorificação final de nosso ser. O grande propósito de Deus para os crentes é fazê-los iguais a Cristo, sem que contudo, tornemo-nos deuses. Não que as coisas cooperam para o bem, mas que Deus as faz cooperar para o Seu propósito (v.28).

41.Este é o propósito de todo o capítulo 8: mostrar ao crente que a sua herança é a transformação segundo à imagem de Cristo. Assemelhar-se com Cristo será sempre uma experiência aumentativa, até mesmo na Eternidade, pois nunca seremos como Deus, pois quem tentou isto foi expulso de Sua Presença (v.29).

42.Embora Deus saiba de antemão quais incrédulos crerão na mensagem, o texto se limita a dizer que Deus conheceu de antemão os crentes, pois a herança diz respeito a estes tão somente. O privilégio dos crentes redimidos será de muito maior glória que a dos próprios anjos, pois participando da glorificação estaremos no mesmo nível que o próprio Jesus Cristo, sendo nós os irmãos mais novos Dele, conforme diz a versão que usa a palavra "primogênito". Embora seja verdade que o primogênito tem a primazia, a palavra grega não é "primogênito" (primeiro nascido), mas "prototokos" (primazia, supremacia, dignidade). Todo este plano de herança faz parte da Predestinação de Deus para os crentes.

43.Neste plano da Predestinação de Deus, os crentes são colocados como os "Chamados" ou Eleitos, ou seja, somos o alvo específico de Deus, as bênçãos pertencem aos crentes somente. Deus não nos deixou em dívida com nada e com ninguém, pois Ele nos justificou e esta herança não é apenas um privilégio, mas um direito nosso como justificados que somos (v.30).

Observação: Como não sabemos em quais mãos cairão este material algum dia vale este esclarecimento: Temos o direito desta herança, a saber, a transformação segundo a imagem de Cristo, que se dará de modo mais claro no céu. O nosso direito não é exigir nesta terra o que quisermos em termos de bens materiais como ensina a "Teologia da Prosperidade" e sua “Confissão Positiva”.

44.A conclusão de todo o capítulo 8 é esta: Se temos todas estas riquezas no Senhor Jesus Cristo, que temos a temer? Mesmo em sofrimentos, perseguições e até mesmo face à morte nada temeremos (v.31).

45.Deus decretou a morte de Cristo, logo seria impossível redimir sem morrer. Se Deus aceitou a justificação que Ele mesmo propôs e colocou-nos em Cristo, é claro que Ele levará o Seu propósito até a Eternidade sem qualquer prejuízo para nós (v.32).

46.Depois de um capítulo glorioso deste, não é nem necessário dizer que "todas as coisas" são tesouros eternos dessa herança e não as mesquinhas coisas materiais. É verdade que Deus considera nossa responsabilidade, mas nada aqui é sugerido que o homem pode contribuir para esta maravilhosa segurança. Tudo vem de Deus.

47.Paulo mais uma vez usa o recurso dialético, das perguntas e respostas. Assim, ele coloca obstáculos enormes contra os eleitos e vai derrubando com a segurança que temos no Senhor Jesus Cristo. O primeiro obstáculo que o crente pode enfrentar são as acusações. Satanás é o grande acusador, porém, ele pode usar para acusar-nos pessoas e os nossos próprios sentimentos. O crente deve sempre lembrar que o plano de justificar foi de Deus e não nosso, se Ele decidiu não mais considerar os nossos pecados como peso contra nós, devemos nos regozijar com Ele e descansar como Miquéias (7.19) (v.33).

48.Caso pecarmos, e isto certamente acontecerá, o mesmo Cristo que providenciou o recurso para a justificação nos defenderá diante do Pai (Ef 1.20, Hb 1.3, 8.1, 10.12, 12.2 e Col 3.1, 1 Jo 2.1) (v.34).

49.Outro grande obstáculo que o crente enfrentará é o pensamento de que algum dia será separado do grande amor de Cristo. Paulo menciona várias situações difíceis e hipotéticas, porém, ele mesmo já enfrentou tudo isto que mencionou. No v.18, Paulo disse que esses sofrimentos não pesam nada na balança da glória. Nenhum desastre pode desviar o crente da maravilhosa herança e do amor de Cristo. A referência à nudez trata-se de vestuário insuficiente. Paulo, parece que tem em mente sofrimentos causados por causa do Evangelho (v.35).

50.Está escrito em Sl 44.22, mostrando o sofrimento dos judeus na Tribulação. Fica claro que Paulo usou este versículo para mostrar o sofrimento do crente por causa do Evangelho, versículo muito parecido com 1 Co 15.31. Ainda que a morte de ovelhas no matadouro é certa, o crente jamais será separado do amor de Cristo, ainda que tenha que morrer professando sua fé (v.36).

51.O ensino de vida cristã é repleto de paradoxos e aqui temos mais um. A morte para o mundo é derrota; a morte por perseguição é mais do que derrota, mas na vida de Cristo, a morte por perseguição por causa do Evangelho é mais do que vitória, pois dá-se a redenção do crente e mais a comprovação de um bom testemunho. Morrer por amor Daquele que nos amou é fazer parte de Seus sofrimentos mais intimamente (Fp 3.10) (v.37).

52.Paulo procurou colocar todos os supostos obstáculos de uma só vez, não para nos desanimar, pelo contrário, para dizer que NADA pode nos separar do amor de Cristo. Já seria suficiente mencionar a morte. Se a morte não nos separa do amor de Cristo, qual outro poder pode ser maior? Note que a lógica pedia que Paulo mencionasse as coisas do passado. Mas se as coisas do presente não nos condenam é porque estamos em dia com o passado (veja também 1 Co 3.21-23 como Deus já lidou com o nosso passado e não menciona mais) (v.38-39).


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