Romanos 9

Capítulo 9: A eleição de Israel
1.Na verdade poderíamos estudar a epístola de Romanos sem estes 3 capítulos (9,10 e 11) e não acharmos que faltava alguma coisa. Aliás, estes capítulos para o leitor que pensa que a Igreja é o Israel antigo, causam grande confusão. Mas para os que fazem a distinção entre Israel e Igreja, este capítulo está no lugar certo, pois Paulo mostrou-nos até o capítulo 8 como o Cristianismo superou o judaísmo e o seu sistema religioso. Porém, e as profecias sobre o Messias e a glória de Israel restaurada? Deus esqueceu-se do Seu povo escolhido, ou agora este povo foi substituído por uma mistura de judeus e gentios, formando um Corpo chamado Igreja?

De modo geral
    capítulo 9 fala do estado PASSADO da nação de Israel.
    capítulo 10 fala do estado PRESENTE da nação de Israel.
    capítulo 11 fala do estado FUTURO da nação de Israel.

2.Paulo está longe de ser um traidor de seu povo (Gl 1.20, 2 Co 1.23 e 11.31). Depois de todo o ensino que Paulo deu, ele usa o nome de Cristo e do Espírito Santo em cujas Pessoas estão alicerçados os seus ensinos. Portanto, os judeus devem entender que Paulo está afirmando diante do que ele tem de mais sagrado, já que pensam que a Lei de Moisés nada vale para Paulo, que é considerado um traidor da nação. Paulo em suas epístolas dá uma atenção especial ao assunto da consciência, pois se esta não está em harmonia com a vida e palavras, pode ser um grande tropeço na vida de alguém. Baseado nesta consciência, ele enfatiza que está falando a verdade (v.1).


3.Paulo nunca deixou de ter ligação forte com sua nação, por isso mesmo, o sofrimento e tristeza no coração dele é muito grande agora que já conhece o plano de Deus para o povo de Israel, enquanto seus irmãos judeus, ainda não conhecem. As perseguições que Paulo sofreu de seu próprio povo não apagaram o amor pela nação de Deus (v.2).

4.Chegamos a um ponto difícil de explicar na Bíblia. As palavras são claras, mais do que poderiam ser, mas o que nos deixa atônitos é até onde chega a tristeza e a incessante dor no coração de Paulo pelos seus irmãos judeus. Nós lemos e relemos, mas lutamos em acreditar que Paulo tenha falado isto (v.3).

5.É evidente que ele não estava brincando com um assunto tão sério e também, é evidente que ele sabe que este desejo é impossível de se cumprir, pois Paulo sabe como ninguém que esta graça é intransferível. Mas ele mesmo usando dessa hipótese, se fosse possível, Paulo desejaria ceder o seu lugar de salvo, ficando separado de Deus, para que seus irmãos judeus entrassem nessa maravilhosa graça.

6.Moisés estava pronto a perder o seu nome do livro de Deus (ou seja morrer) por causa do povo; Paulo, mesmo sabendo ser impossível, foi mais longe ao desejar ser separado e maldito de Deus por causa do mesmo povo. Tal sofrimento de alma ainda não chegou à maioria dos nossos corações, que nem sequer estão prontos a gastar a própria vida aos poucos por um povo para vê-lo salvo.

7. Israel que era a nação "equipada" para receber Jesus como Messias, rejeitou-O e os gentios que não tinham promessa alguma de Jeová receberam as bênçãos. Mas, o que Deus fará das promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó? Transferirá para a Igreja? (v.4-5).

Os Privilégios De Israel
(Romanos 9.4-5)

1.O Próprio Nome de Israelitas mostra que são herdeiros do pacto   que Deus fez com Jacó, quando este deixou de ser Jacó (Gn 32.28). Portanto, os descendentes de Israel são beneficiados.

2.A Adoção - Êx 4.22 e Is 66.22. Paulo usa a mesma palavra "huiotesia". Portanto, Israel é totalmente de Deus e Este não esqueceu e, consequentemente, irá conceder todas as Promessas, que são os direitos de Israel.

3.A Glória - refere-se às palavras "kabhodh" e "shekinah", Presença de Deus e Habitação respectivamente (Hb 9.5, Êx 16.10, Ez 1.28). A glória do Senhor, a Presença do Senhor combina com a nação de Israel e Deus tem saudades daquele tempo com Seu povo.

4.Os Pactos - ou alianças. É um estudo extenso da matéria de Escatologia. Refere-se a cinco pactos, a saber, Abraâmico, Mosaico, Palestiniano, Davídico e o Novo Pacto.

5.A Promulgação Da Lei - ou a legislação. Refere-se ao ato de Deus dar a Lei para o povo de Israel. Deus nunca fez isto com nenhum povo sobre a face da terra e as leis eram muito específicas.

6.O Culto - ou seja, os ritos, cerimônias, sacrifícios e tudo o mais que envolvia a vida religiosa do povo de Deus. Conforme as profecias de Ezequiel tudo isto voltará como memorial.

7.As Promessas - Há promessas a serem cumpridas, pois envolve a própria Palavra de Jeová que não pode mentir e estas promessas de modo algum pertencem à Igreja, e sim a Abraão, Isaque e Jacó. Exemplo: a Promessa da Terra da Palestina com todos os termos, onde nem mesmo no reinado de Salomão chegou a possuir.

8.Os Patriarcas - Israel é uma nação com muita história e toda comprovada, inclusive em livros no mundo todo. Homens como José, Moisés, Davi e outros fazem parte de Sua história como pais. Deus não resolveu esquecer toda a História de Israel, pois envolve o Seu próprio Nome.

9.O Cristo - O povo de Israel foi o instrumento para a vinda de Deus Encarnado. Esta foi a maior bênção para este povo, embora, a grande maioria não aceitou. Toda a História de Israel só tem razão por causa de Cristo. Tudo gira em torno da Pessoa do Messias. Por vezes a nação quase foi extinta, mas Deus preservou o povo de Judá, a árvore genealogica de Jesus.

Paulo termina sua lista de privilégios concedidos a Israel, exaltando Cristo Jesus como Deus bendito eternamente. Até aqui, portanto, Paulo mostra que a nação de Israel não diluiu-se simplesmente com a Igreja, mas que ocupa um lugar especial no coração de Deus.

8.Existe sim, o Israel físico e o Israel espiritual, mas nem um nem outro refere-se à Igreja. Israel é sempre Israel. Israelita verdadeiro é aquele que anda nos caminhos fiéis de Abraão (Mt 3.9, Gl 3.7-9). É evidente que hoje este judeu faz parte da Igreja. Mas e quando Deus levar a Sua Igreja, o que será da nação de Israel, ou daqueles que são israelitas somente porque são descendentes de Abraão? A Palavra de Deus não falhou. As promessas para Israel são incondicionais, ou seja, Deus determinou que fará deste povo uma bênção e dará tudo o que prometeu aos pais desta nação e assim será (v.6).

9.Aqui mostra que os árabes não estão neste plano, pois embora são descendentes de Abraão, não saíram de Isaque e sim de Ismael (Gn 21.12-14, Gl 4.21-31) (v.7).

10.Os filhos de Ismael (supostamente os árabes e quase todo muçulmano) são filhos da carne, descendentes de Abraão, mas os filhos de Isaque são filhos da promessa (v.8).

11.O nascimento de Isaque foi sobrenatural como já conhecemos a história (Gn 18.10). Portanto, a nação tem sua origem e todo o prosseguimento em pessoas fiéis, que confiaram em Deus (v.9).

12.Paulo lembra que Rebeca, assim como Sara teve dois filhos, mas só um foi o filho da promessa. Deus escolheu o filho da promessa antes de nascer e, fez esta escolha dentre os gêmeos, antes de nascerem e antes de terem atitudes aprováveis ou reprováveis. Deus fazendo assim, manteve o Seu propósito sem errar. Pensando como nós, Deus nunca teria escolhido Jacó, mas sendo Deus, Seu propósito não errou dentre os gêmeos. O que não devemos pensar é que Esaú vendeu o direito de primogenitura,  porque Deus o levou a agir assim para defender o Seu propósito de Eleição referente a Jacó (v.10-11).

13.Gn 25.23. As discussões em torno deste texto se referem à Soberania de Deus e livre-arbítrio. O texto não diz que Deus escolheu Jacó e desprezou a Esaú quanto à salvação, mas quanto à missão de ser o antecessor direto de Jesus (v.12).

14.É claro que Deus aborreceu a nação de Edom por alguma coisa que esta tenha feito contra Ele ou o Seu povo, e não simplesmente porque na época do nascimento dos gêmeos escolheu Jacó e não Esaú. Deus aborreceu Edom em Malaquias 1.2-3 porque entregou o povo de Judá aos babilônicos (v.13).

15.Deus é totalmente justo. Ele está sempre certo (Êx 33.9). Sabemos que Deus se agradou em ter misericórdia dos rebeldes de Israel por causa de Sua própria misericórdia e não pelos méritos do povo (v.14-15).

16.Paulo usa a ilustração do atleta que vence a corrida por seu próprio esforço em treinar antes e desempenhar bem durante a corrida. Mas no que tange à Eleição de Deus, ninguém merece nada. Jacó foi escolhido porque Deus usou de misericórdia. A Eleição de Jacó era para ser o pai da nação de Israel e não para ir para o céu e Esaú para o inferno (v.16).

17.Êx 9.16 e 4.21. Deus coopera a rebeldia de um homem para o Seu próprio propósito. Ele não seria Deus se não conseguisse conciliar estas coisas. A soberania Dele é indiscutível. Tentar forçar a idéia, além do que conhecemos de Deus, é acusá-Lo de ser o autor do mal. O homem é totalmente responsável por seus atos (v.17-18).

18.Paulo se coloca no meio de seus discursos oponentes imaginários, mas agora, Paulo achando já suficiente seus argumentos desafia o oponente. Se alguém quer discutir mais, acabará resistindo ao próprio Deus e à Sua vontade (v.19-20).

19.A ilustração é clara: alguns vasos são feitos para serem mais importantes do que outros. No sentido humano, Deus também usa alguns, como Faraó endurecido de coração, para os Seus próprios propósitos. Isto nada tem a ver com céu e inferno. O texto está falando de serviço e não de salvação (v.21).

20.Deus suporta com paciência vasos da ira, como Faraó foi. Note que Paulo fala que Deus suporta com paciência esses vasos, mas ele NÃO fala que Deus os preparou para a perdição, e sim, que eles são preparados (prontos) para a perdição. Deus não pode ter culpa porque Faraó endureceu o coração, embora o próprio Deus cooperou esse endurecimento para o Seu próprio propósito. Fica claro que Deus não é frustrado por ninguém e que até mesmo despejando Sua ira sobre alguém, Ele é glorificado e manifesta o Seu poder. O assunto é serviço e propósito. Deus usa até os ímpios para os Seus propósitos, mas não faz nascer pessoas para mandá-las para o inferno (v.22).

21.Para a maioria dos crentes este versículo não apresenta nenhuma dificuldade, com exceção da última parte. Deus é glorificado mostrando misericórdia àqueles que Ele preparou para a glória. Note que em referência aos perdidos Deus não os preparou, mas quanto aos salvos, Ele os preparou de antemão (Ef 1.4). Com isto, reforçamos o pensamento de que a Eleição quando se refere à salvação sempre diz respeito aos salvos e não aos perdidos e quando diz respeito a serviço nada tem a ver com salvação. Esaú foi rejeitado para ser o antecessor direto de Israel e não predestinado para o inferno. Não existe incrédulo eleito, mas somente crentes eleitos. A Igreja é eleita. Os crentes na Igreja são eleitos. Cristo é eleito. Os crentes por estarem em Cristo são eleitos (v.23).

Devemos fazer distinção entre as ações de Deus e a responsabilidade do homem. Deus não é o autor do mal. O homem está preparado, isto é, num estado ideal para receber a Ira de Deus (Rm 1:18, Jo 3:36,18). Note algumas passagens bíblicas que mostram solenemente que o homem está “pronto” (preparado, ou seja, no estado ideal) para a perdição: Sl 58:3, Pv 16:4, 1 Pe 2:8, Ez 3:20, 20:21-26.

22.Paulo considera os salvos como vasos de misericórdia. Dando prioridade aos judeus, Paulo diz que Deus o chamou dentre os judeus, mas que também Deus chama dentre os gentios (v.24).

23.Oséias 2.23 e 1.10. Os filhos de Oséias mostram em tipos como Israel, a esposa de Jeová o abandonou, mas como Este voltará um dia a restaurá-la. Mas, Paulo mesmo sabendo desse significado no texto, resolve aplicar não aos judeus, mas aos gentios, ou seja, tirou uma declaração exclusiva de Israel e com autoridade apostólica referiu-se aos gentios. Portanto, o que não era povo são os gentios (v.25-26).

24.Is 10.22-23, 28.22. Isaías profetizou de um tempo que ele próprio não passou: o cativeiro babilônico. Mesmo a nação sendo em número sem fim, apenas um punhado voltou do cativeiro, sendo este punhado chamado de remanescente. Saindo da profecia já cumprida do cativeiro babilônico, outra profecia se vê aqui: da tribulação. Deus executará a sua palavra sobre a terra, consumando-a, ou seja, completará o Seu plano que será com Israel; abreviando-a, ou seja, por amor dos eleitos, será de 7 anos. Depois disto o remanescente será salvo, pois uma grande parte terá morrido nestes 7 anos (v.27-28 ).

25.Is 1.9. Por causa da rebelião de Israel, muitos em muitas épocas morreram dessa nação. Mesmo assim, Deus teve misericórdia do povo e em todas as épocas deixou um remanescente para uma nova fase da vida da nação. Nunca na história Deus fez com Israel o que fez com Sodoma e Gomorra, não deixando ninguém vivo e nenhum resto de história daquele povo (v.29).
26.Deus não comete injustiça, pois os gentios salvos alcançaram a justiça que vem da fé. Responderam a Deus da maneira certa e Deus, por Sua vez, concedeu-lhes a justificação. Os judeus, por outro lado, tentaram obter a justiça de Deus por um meio ineficaz, a Lei de Moisés, que embora sendo a própria Lei de Deus, é ineficaz para a obtenção da justiça. Os judeus ficaram somente com o aspecto externo da Lei e não chegaram à justificação de Deus, e por isso, Deus rejeitou e aceitou os gentios que creram. Portanto, não há nada de arbitrário nesta decisão de Deus (v.30-31).

27.O judeu queria com seu próprio esforço atingir a justiça de Deus, usando para isto a tentativa de obedecer a Lei de Deus. Resultado: tropeçou por não entender o sentido real da Lei. A pedra contra a qual o judeu se despedaçou foi Jesus Cristo. Ele é uma Pedra de auxílio para os que não se escandalizam nEle, mas para os que se envergonham Dele são reduzidos à vergonha (Is 28.16, 8.14, 1 Pe 2.6,8) (v.32-33).

Conclusão do capítulo 9
A nação de Israel foi escolhida por Deus, mas não agiu com fé na Pedra e, por isso, tropeçou nela. Os gentios que não foram escolhidos como povo, creram na Pedra e não foram envergonhados, mas exaltados. A seguir, no capítulo 10, veremos como Israel se apostatou do Senhor e como Este amou os gentios, causando ciúmes em Israel.


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