1 Coríntios 10


Capítulo 10: Os exemplos do Antigo Testamento e a idolatria
A.Os exemplos do Antigo Testamento (v.1-13)
1.Estes foram os batismos do povo de Israel: debaixo da nuvem (Êx 13.21) e por dentro do mar (Êx 14.15ss). Embora, Paulo esteja falando a gentios, trata os judeus como "nossos pais". O batismo que Paulo se refere nada tem a ver com o ritual que tão bem conhecemos, nem como interpretação e nem como aplicação, portanto, de modo algum este batismo pode ser entendido como ritual quer seja de imersão, aspersão, efusão ou ablução (v.1-2).

2.O batismo aqui refere-se ao batismo dos judeus "sendo colocados sob a liderança de alguém" (no caso de Moisés). As experiências da nuvem e mar seriam suficientes para Israel aceitar Moisés como líder. O batismo que nós participamos como crentes e que Paulo quer ensinar é quanto à identificação, ou seja, o batismo aqui significa "imergir em Moisés", isto é, entrar em estreito relacionamento com Moisés (v.1-2).
3.Êx 16.4,13. O Maná foi o alimento sobrenatural do povo no deserto. Obs: Maná quer dizer "que é isto" em hebraico (v.3).


4.Bebiam da mesma fonte (Êx 17.6). A Pedra que seguia o povo, diz Paulo, era Cristo (foi Ele quem supriu a água) (v.4).

5.Por isso, Deus os fez ficar prostrados ("katastronnumi" = esparramados). Paulo retrata o deserto esparramado de cadáveres, como consequência do pecado (v.5).

6.Nm 11.4. Preferiram o alimento do Egito ao maná. A comida não era má só porque era do Egito, mas Deus não queria identificação alguma com o Egito (mundo). Ver 1 Rs 3.1, 4.26-28. Os ginetes (cavalos de raça) vinham do Egito (1 Rs 10.28). Ver também At 7.39 (v.6).

7.Êx 32.1-14. Alguns coríntios entravam em templos e participavam das cerimônias, o que era no mínimo cumplicidade nos pecados da idolatria (v.7).

8.A consequência disto foi que 23 mil caíram (Nm 25.1-9). Moisés fala 24 mil, mas "num só dia" foram 23 mil. Em Nm 25.5 vemos que os juízes mandaram matar, talvez aí esteja a diferença de número. Em Corinto havia muita imoralidade, mesmo entre os crentes (v.8).

9.A consequência foi as serpentes (Nm 21.4-9). Os coríntios, também, duvidaram que o Senhor os disciplinaria se desobedecessem (v.9).

10.Como consequência foram destruídos pelo exterminador (Nm 16.41-50). Quem exterminou o bando de Coré não foi Satanás, portanto, o exterminador a que Paulo se refere é o próprio Deus. Deus mesmo levou o povo de Israel para o deserto e o próprio Deus infringiu os sofrimentos no povo. Satanás não teve participação nesta jornada de Deus, exceto pela instigação nos corações das pessoas, que lutavam contra a ideia de obedecer Moisés em tudo (v.10).

11.Como crentes da Igreja, estamos nos "fins dos séculos". Cristo pôs fim as eras anteriores. Os exemplos do povo no passado, inclusive seus erros, são para nossa advertência (v.11).

12.O forte que despreza o fraco será disciplinado. Este versículo não deve ser visto como uma insegurança para o crente, ao ponto deste pensar que a qualquer hora cairá, mas este versículo está-nos alertando contra o orgulho espiritual, ao pensar que somos fortes suficiente para não cairmos. O crente em pecado, sim, pode cair a qualquer hora (v.12).

13.Cinco verdades das quais podemos estar certos no sofrimento (v.13):

1.Outros já passaram; 
2.Deus é fiel; 
3.Não será além das nossas forças; 
4.Virá o livramento 
5.Podemos suportar.    

14.Os coríntios deviam deixar de uma vez por todas a prática de frequentar os templos pagãos, onde as pessoas comiam em adoração aos demônios (v.14).

15.Os coríntios deviam ser mais criteriosos (sensatos). Podiam ver por si mesmos que era errado misturar-se com os idólatras nos templos. A mesa do Senhor significa comunhão com o Sangue o Corpo de Cristo. O crente não deve participar de uma mesa pagã. O ensino é que os crentes são Um com o único Deus, por isso, a idolatria é intolerável, pois faz o adorador ser Um com o deus adorado. Como os coríntios podiam ser Um com o Senhor Jesus e ao mesmo tempo participarem das festas pagãs, sendo Um com os demônios?? (v.15-17).

16.Paulo chama a atenção para "Israel segundo a carne", ou seja, para o monoteísmo judaico. Devemos ser como eles, na verdade somos a continuação da fé de Israel, sem contudo, sermos Israel como nação. Os "participantes do altar", ou seja, os que recebem alimento do sacrifício, entram em comunhão com tudo o que o altar representa. Portanto, se entre os pagãos (nos templos) comiam do sacrifício, participavam deste, identificando-se com os deuses do sacrifício. Os crentes que participam da Mesa do Sacrifício (a Ceia), entram em comunhão com tudo o que o altar do sacrifício (a Ceia do Senhor) representa, identificando-se com o Deus da Ceia do Senhor (v.18).

17.O sacrifício por si só não tem valor. As carnes são indiferentes. O próprio ídolo não tem valor  (v.19).

18.Os ídolos em si mesmos não são demônios, mas os demônios se utilizam dos ídolos (Dt 32.17). A adoração a ídolos significa "companheirismo" com demônios. Paulo não quer isso para os coríntios (v.20).

19.Ou "o cálice do Senhor" ou "o cálice dos demônios". É impossível participar com inteireza de coração das duas festas (Ceia do Senhor e Ceia dos templos pagãos). Se os coríntios estão entendendo isto, mas continuam na prática, então, estão provocando a ira (zelo, ciúmes) do Senhor. Quem provoca a ira do Senhor está-se considerando mais forte do que Ele (v.21-22).

20.Como o contexto é sobre comer carne, entendemos que Paulo, quando diz "tudo é lícito", está-se referindo à permissão (ou liberdade) de comer a carne do açougue, que é sacrificada aos ídolos. Mas quando diz "nem tudo edifica", está-se referindo ao fato que alguns irmãos se escandalizarão se tiverem que participar dessa refeição com este tipo de carne (v.23).

21.Este esforço edifica, pois ninguém derrubará o irmão quando se quer o bem dele. Apesar da liberdade em comer a carne sacrificada, o irmão que ama o mais fraco de consciência se absterá deste direito e liberdade em favor da consciência do outro (v.24).

22.O conselho é que a pessoa que vai ao açougue tentar comprar uma carne não-sacrificada, faça uma decisão acertada: ou compre qualquer carne ou não arrisque comprar nenhuma carne, mas de modo algum interrogar o açougueiro para saber qual parte do animal foi sacrificada e qual não foi. Evidentemente o dono do gado não oferecia todos os animais ao templo, mas depois de misturadas as carnes como saber? Talvez em nossos dias, como o marketing é mais avançado, teria placa do tipo: "Temos carnes carimbadas para os de consciência fraca..." (v.25).

23.Tudo o que tem no açougue é do Senhor. Mesmo que o crente comprar uma carne que foi sacrificada (claro, a outra parte do animal), o Senhor permite comê-la, pois Ele a abençoou antes mesmo de chegar ao templo pagão (1 Tm 4.1-5) (v.26).

24.E quanto a jantares em casa de amigos incrédulos. A questão das refeições nos templos já foi tratada: são PROIBIDAS a qualquer crente. A questão da carne do açougue, também já foi tratada: é PERMITIDA ao crente que não tem problema de consciência. Nesta nova abordagem (quanto a comer na casa de incrédulos), Paulo mostra que é perfeitamente aprovado (diferente do que comer na casa de irmão em pecado ou do pseudo-irmão, 5.11). Outra decisão é importante: aceitar ou não o convite de comer na casa de um incrédulo. Paulo prossegue no caso de alguém ter aceito comer na casa do incrédulo. Estando à mesa, deve-se comer de tudo sem perguntar, mesmo que haja a possibilidade de vir alguma parte de algum sacrifício (v.27).

25.Ele quem, o anfitrião? O texto não fala claramente quem advertiu. Dificilmente seria o hospedeiro, pois seria uma falta de cortesia, e se fosse o caso, parece que teria convidado apenas para provocar a consciência alheia. Talvez refira-se a uma terceira pessoa, por sinal débil na fé (consciência) (v.28-29).

26 que é santo numa refeição são os próprios alimentos, que são recebidos pelos crentes com ações de graça. Mas por causa do fraco de consciência, presente àquela mesa, se torna impossível agradecer pela carne e comê-la, pois para o fraco seria o mesmo que estar adorando demônios. Por isso, o melhor que o crente esclarecido faz é não comer, para não ser vituperado ("blasfemo" = censurar, caluniar, difamar) (v.30).

27.Comendo, bebendo ou fazendo qualquer outra coisa, nunca devemos ser alvo de condenação. Evidentemente nem todas as ações são adoração direta a Deus, mas isto não significa que desonrem a Deus. O próprio fato de comer não é adoração a Deus, mas louvamos a Deus por isto ser concedido a nós. Segundo o contexto, a glória de Deus é o alvo principal e não os direitos próprios, que seria comer carne (v.31).

28.Paulo distingue os três grupos: judeus, gentios e Igreja. Somos Igreja de Deus e não devemos ofender e causar dano à consciência do irmão fraco, fazendo-o tropeçar, sendo que é membro do mesmo Corpo. Paulo coloca-se como exemplo nesta questão de buscar o interesse do irmão e não agarrar-se em seus direitos (v.32-33 e 11.1).

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