1 Coríntios 15


Capítulo 15: A doutrina da ressurreição
1.O fato dos coríntios receberem o Evangelho e crerem os tornou salvos, embora o exemplo de vida cristã não era dos melhores. A partícula "se" em português indica dúvida, condição, mas em grego "se" ("ei") indica ênfase. Assim, a frase seria mais bem entendida da seguinte forma: "uma vez que", "desde que" ou "sendo que" (v.1-2).

2.As Escrituras são o documento mais importante para o crente. A história natural registra Jesus como alguém que existiu de fato, porém, tantas são as teorias contrárias à Sua morte vicária, que a única fonte confiável totalmente é a Bíblia, tanto o VT com suas profecias como o NT, que temos o privilégio de ter. Uma das teorias anti-cristãs é aquela que diz que Jesus na Cruz apenas desmaiou, acusando-O assim de um embusteiro (v.3).


3."Segundo as Escrituras". É lógico pensar que Paulo está se referindo aos rolos do V.T. (Sl 22 e Is 53). O Evangelho seria incompleto e muito duvidoso sem a ressurreição de Cristo. O grego usado é o verbo "egegertai" ("foi ressuscitado"). A verdade não muda , embora o original use a forma passiva, enfatizando que Deus o Pai foi Quem ressuscitou Jesus Cristo (v.4).

4.É importante notar que Jesus só apareceu para crentes após sua ressurreição, pois os incrédulos tiveram a oportunidade de vê-Lo e não creram, e a partir daí para crer em Jesus seria de outra forma, que não fosse vendo-O pessoalmente, exceção feita ao apóstolo Paulo. Judas (não o Iscariotes) indagou Jesus a esse respeito, note a resposta Dele em Jo 14.21-23. Apareceu a Cefas (Ver Lucas 24.34, Mc 16.7) e aos doze. "Doze" tornou-se um título geral que vale aos apóstolos (Judas não estava lá). Se a referência é ao aparecimento na noite da Páscoa, Tomé também estava ausente (Lc 24.36ss, Jo 20.19ss) (v.5).

5.Apareceu a quinhentos irmãos. Ver Mt 28.16ss. Paulo enfatiza que a maioria vive, caso alguém queira interrogá-los como comprovação (v.6).

6.Apareceu a Tiago. Antes, no ministério de Jesus na terra, este não cria Nele (Jo 7.5) e em At 1.14 está entre os crentes. Portanto, isto confirma as palavras de Jesus que não apareceria a nenhum incrédulo (ainda que fosse Seu próprio irmão). O outro irmão dele, provavelmente Judas, também se converteu. A epístola de Judas teria sido do irmão de Jesus. Apareceu a todos os apóstolos possivelmente na Ascensão (At 1.1ss) (v.7).
7.Apareceu a Paulo. Isto está registrado em Atos 9. Paulo se considera como um "nascido fora de tempo", como um  nascimento prematuro ou um aborto). A maneira como Paulo se tornou apóstolo foi bem diferente de qualquer outro, no caso não prematuro, mas atrasado e não num período de 3 anos, mas repentinamente (v.8).

8.Apóstolo era a posição máxima na Igreja e Paulo tinha condições para isto, pois o próprio Senhor da Igreja o convocou. Ele mesmo considerava tudo como a Misericórdia do Senhor. Paulo não foi um dos doze e nem substituiu Judas (At 1.21-22). Paulo acha que não é digno de ser apóstolo. Paulo foi perseguidor da Igreja. Somente a misericórdia de Deus poderia aceitar um homem assim (v.9).

9.Pela graça Paulo é o que é, isto é, apóstolo. Não fosse a graça de Deus seria inútil o trabalho de Paulo. Não se trata de arrogância. Talvez se ele parasse na frase "trabalhei muito mais do que todos" poderíamos imaginar que fosse arrogância, porém, Paulo foi sábio ao acrescentar "não eu, mas a graça de Deus comigo". A palavra grega para "trabalhar" é "kopiao", que significa "labutar até à exaustão (v.10).

10."Seja eu ou sejam eles". Paulo se refere aos que passaram depois dele, como por exemplo, Apolo e quem sabe Cefas, embora não haja nenhuma evidência que Pedro tenha passado em Corinto. Paulo não contava os batismos, nem os convertidos; o que ele queria era ser cooperador com o Evangelho (v.11).

11.Os coríntios criam na ressurreição de Cristo e pregavam o Evangelho de Cristo, porém, não criam na ressurreição dos crentes, mas Paulo faz uma apologética, defendendo a ressurreição pessoal e corpórea de cada crente em Cristo Jesus (v.12).

12.Paulo afirma que a nossa ressurreição depende de Cristo ter aberto as portas. A ressurreição do crente faz parte de todo o Evangelho. Assim sendo, ao pregar Cristo e Sua ressurreição imediatamente deve-se entender que Ele ressuscitou não só por Ele, mas por nós os crentes. Ele nos quer junto a Ele na Eternidade (v.13,16).

13.Se Cristo não abriu as portas para a ressurreição, então, os crentes não ressuscitarão, e neste caso, os coríntios estão certos em não crer na ressurreição dos crentes, mas estão errados em pregar a ressurreição de Cristo (v.14,17).

14.Se os coríntios não crêem na ressurreição não deviam pregar que Deus ressuscitou a Cristo (v.15).

15.Já não resta esperança para quem morreu, pois se não há ressurreição, a felicidade da vida cristã se resumiu a esta terra (v.18).

16.A salvação para os coríntios não era eterna, mas apenas terreal. Com certeza alguém pregou por ali alguma doutrina gnóstica e dos saduceus. Talvez um grupo pensava na "ressurreição gnóstica", que era a ressurreição da alma, mas não da matéria. Isto fica mais claro adiante, quando Paulo faz questão de ensinar sobre a ressurreição do corpo. Evidentemente não podemos afirmar que a maioria dos coríntios não cria na ressurreição corpórea (v.19).

17.O termo primícias refere-se à colheita. O primeiro feixe é a promessa de muitos outros. Cristo foi o "primeiro feixe", nós que somos da mesma espécie Dele, também ressuscitaremos. De fato Cristo não foi o primeiro a ser ressuscitado, pois Ele mesmo ressuscitou alguns, mas estes morreram depois. Para a vida eterna, no entanto, Cristo foi o primeiro a ser ressuscitado em corpo, pois dos que morrerão antes dele foram ao céu, porém, sem ressurreição corpórea, que é o que caracteriza a ressurreição (v.20).

18.A pena do primeiro pecado (Gn 2.17) veio por Adão; a vitória veio por um homem, também, que é Cristo Encarnado. Embora a morte em Adão seja universal, a Salvação em Cristo é só para os que crêem. A ressurreição também é universal, tanto para os crentes, quanto para os incrédulos, mas sob aspectos diferentes: um para a vida eterna e outro para o castigo eterno (v.21-22).

19.Cristo ressuscitou, depois os de Cristo ressuscitarão em Sua vinda (v.23).

As Ressurreições


1.PROFECIAS SOBRE A RESSURREIÇÃO
Jó 14.14, com 19.25, Is 26.19, Dn 12.2-3, Sl 16.9-11, 17.15, Os 13.14, Hb 11.19, Jo 5.28-29, Jo 11.23-25, Lc 14.13-14, 20.35-36, Jo 14.19

2.A RESSURREIÇÃO PARA A VIDA (A PRIMEIRA RESSURREIÇÃO) E OS SEUS ESTÁGIOS
A Ressurreição para a vida ou a 1ª Ressurreição é a ressurreição somente para os crentes. Em 1 Co 15.23, a palavra "ordem" é um termo militar "tagma", que significa diferentes grupos (pelotões), mas um só batalhão.

3.A RESSURREIÇÃO PARA A MORTE (A SEGUNDA RESSURREIÇÃO)
Somente para os não salvos (Ap 20.5, 11-14). Portanto, só há duas ressurreições: a dos salvos e a dos não salvos. "Bem-aventurado o que toma parte na primeira Ressurreição".

20.Cristo terá enfim plena autoridade sobre todas as coisas e todos os homens e entregará ao Seu Pai de volta, após o Milênio (Ef 1.9-10) (v.24).

21.Sl 110.1. Isto se refere ao reino Messiânico, que é o Milênio. A morte é o último inimigo. Será destruída depois da rebelião final de Satanás (Ap 20.7-15), após isto, no Estado Eterno, não haverá mais morte (v.25-26).

22.1.Sl 8.6. Deus, o Pai, está excluído dessa sujeição. Ao final de toda a vitória de Jesus, Este se sujeitará ao Pai, como sempre fez voluntariamente. Não é sujeição de Pessoa, mas de Função. A razão é que Deus, o Pai, é a origem de tudo, até mesmo o Filho, visto que foi gerado do Pai, no sentido de que Ele mesmo quis submeter-se ao Pai (v.27-28).
23.O batismo por causa dos mortos (v.29)

Várias tentativas de interpretações
Apareceram já mais de 30 explicações diferentes sobre o "batismo pelos mortos", a seguir nove dessas:

1)Alguns crentes se batizavam em favor dos amigos crentes que morreram sem serem batizados. Obs: Houve tais batismos no 2º séc. entre os hereges.

2)Morte de crentes martirizados antes de serem batizados.

3)Tornar-se crente pelo testemunho dos que morreram por causa de Cristo.

4)Batismo de jovens que tomavam o lugar dos mais velhos que morriam.

5)Apenas o simbolismo do batismo, que é a morte ("por causa dos mortos", seria uma expressão para lembrar o simbolismo).

6)Possível citação de uma prática pagã, que de fato existia.
7)Lutero disse: "Por sobre os mortos", que era o batismo sobre a sepultura dos mortos (evidentemente por aspersão).

8)"Por causa do Morto", referindo-se a Cristo.

9)Batismo em favor dos incrédulos que morreram para perdão de pecados (os Mórmons têm esta prática em sua doutrina).

24.Perseguição, espancamentos, apedrejamento, tribunais, cadeias, viagens dificultosas, etc. Se a morte é o fim de tudo, se não há ressurreição, não vale a pena passar por esses perigos. Paulo diz: "dia após dia morro", ou seja, Paulo nunca esteve fora de perigo de vida, todos os dias podia ser seu último dia. Paulo protesta, pois os perigos aos quais se expõe é por crer que haverá ressurreição (v.30-31).

25.Como já sabemos, cidadão romano não era lançado às feras, portanto, não devemos entender literalmente "lançado às feras", visto que Paulo era cidadão romano. Tratavam-se de inimigos ferozes em Éfeso. Alguns dizem que Paulo entrou na arena para ser destruído por feras baseado em 2 Co 1.8. Mas se assim fosse dificilmente sairia vivo de lá e com certeza estaria na sua famosa lista de sofrimento em 2 Co 11.23-28. Paulo cita o adágio de Is 22.13 (v.32).
26.Este provérbio é do poeta grego Meneandro, ano 300 a.C.. Paulo sabia que todos usavam este provérbio, e aqui usou para advertir os crentes coríntios que andavam com aqueles que não criam na ressurreição (v.33).

27.Sóbrios, isto é, atentos à realidade da ressurreição. Não crer na ressurreição é dar lugar à carne para pecar, já que não haverá responsabilidade de prestar contas a Deus pelo que o corpo praticou. "Muitos não conhecem a Deus", seguindo o raciocínio da conversa de Paulo, entendemos que ele está falando a respeito DOS CRENTES coríntios. É verdade que muitos incrédulos não têm o conhecimento de Deus, mas Deus não está acusando os crentes por isto. A vergonha está em que DENTRE OS PRÓPRIOS SALVOS há os que não têm o conhecimento de Deus. Não crer na ressurreição é vergonhoso, pois o conhecimento de Deus mostra-se falho (v.34).

28.Os coríntios tinham dúvida a respeito do corpo da ressurreição, pois o corpo morto já estará em pó. O judeu não tinha a menor dificuldade em aceitar que na ressurreição o corpo se reconstituiria. O trigo é o fruto de um grão que morreu na terra, porém, é uma planta da mesma espécie do grão. Assim nós, ressuscitaremos e continuaremos com nosso aspecto tríplice: corpo, alma e espírito/intelecto, emoções e vontade. Enfim, cada qual continuará sendo a própria pessoa que Deus trouxe ao mundo. Claro que a planta é muito mais gloriosa do que a semente (o grão) (v.35-37).

29.Podemos dizer que Deus devolverá o corpo. Há dois erros que devem ser evitados (v.38-39):

1º)Considerar o corpo ressurreto igual ao original em sua totalidade (já vimos em 6.13 que o estômago não mais existirá).

2º)Considerar um novo corpo sem relação com o original. Há diversos tipos de corpos e nós ressuscitaremos com  própria espécie do nosso, não como peixe, aves ou animais ou anjos.

30.Nada fala sobre a forma ou fôrma, mas da qualidade. Não há dúvida que a glória maior é do corpo celestial. Embora Paulo use a ilustração do sol, lua e estrelas, quando diz "corpo celestial" não se trata desses elementos, mas do corpo ressuscitado (v.40-41).

31.Paulo faz os contrastes do corpo antes da ressurreição e na ressurreição: Natural com Espiritual. "Espiritual" não significa ausência de corpo, mas refere-se às coisas de Deus, as quais são espirituais (v.42-44).

32.Cristo não é alma vivente, como o homem, pois Ele é a própria vida, Ele tem poder para produzir vida (v.45).

33.Adão com pecado veio antes e a remissão veio depois em o último Adão. No v.49 lemos que seremos como Cristo, ou seja, ressuscitaremos como Ele ressuscitou. Sendo assim, é de se esperar que da mesma maneira, com o corpo glorificado, mas com a mesma identificação (com o corpo dado por Deus na terra) (v.46-49).

34.É necessário morrer para ser ressuscitado, mas há um mistério: o Arrebatamento. Os que estiverem vivos não passarão pela morte. Tudo indica que Paulo esperava que Cristo buscasse sua geração (ou o Arrebatamento ou a Parousia). A transformação no Arrebatamento equivale à ressurreição, uma vez que os crentes serão despidos do corpo mortal para serem transformados em corpo incorruptível. Embora não usemos o termo "ressurreição" para o Arrebatamento. "Todos" refuta a ideia do Arrebatamento parcial. Este mistério nunca havia sido mencionado no VT. A última trombeta de 1 Co 15 é a mesma de 1 Ts 4.16, porém, não é a mesma última trombeta de Mt 24.31 (por estranho que possa parecer). A última trombeta de 1 Co e 1 Ts refere-se ao Arrebatamento e a última trombeta de Mt 24.31 refere-se à 2ª Vinda (Parousia) (v.50-53).

35.Is 25.8. O poder da morte encerrará para nós quando formos transformados (ou ressurreição ou arrebatamento). O fim da morte em toda a sua extensão se dará no Lago de Fogo (Ap 20.14) (v.54).

36.Paulo desafia a morte baseado na vitória que Cristo conquistou. O aguilhão era um ferrão usado para dominar o boi preguiçoso. O fim da lei foi a morte de Cristo, pois se assim não fosse, seria o nosso fim. Por isso nosso trabalho não é vão (v.55-58).

37.O conhecimento da ressurreição deve nos levar ao trabalho. A ressurreição é um incentivo ao trabalho e firmeza.

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