1 Coríntios 4


Capítulo 4: O ministério da Palavra
1.A palavra "ministros" é "huperetes" que traduz-se como "remador de baixo" e é uma alusão aos escravos que remavam "em fila" no porão do navio, como no romance "Ben-Hur". Portanto, Paulo diz que o importante é que os homens vejam os ministros como servos deste tipo. Ora, o "doulos" era um escravo até de elite em comparação aos "huperetes" (v.1).

2.Mas, Paulo também, considera os obreiros como "oikonomos" (despenseiro), que na verdade era um mordomo que devia prestar contas ao seu senhor. Oikos (casa), nemo (distribuir, determinar), portanto, alguém que controla uma casa distribuindo tarefas e recursos e que deve prestar contas. O ministro é um mordomo (despenseiro) e distribui "os mistérios de Deus", ou seja, as verdades bíblicas (v.1).

3.A fidelidade do despenseiro está em entregar o que recebeu (Lc 12.42). O despenseiro deverá prestar contas a respeito de suas atitudes para com as pessoas. Todos somos despenseiros (1 Pe 4.10, 5.1-3). Algumas vidas são confiadas ao despenseiro. Ele não é responsável diretamente pelas vidas, mas sim, por suas atitudes em relação às pessoas (Se foi fiel ou infiel) (v.2).


4.Paulo não tem medo de ser julgado pelos homens, pois quem julga é o Senhor. O próprio Paulo não se julga, pois não tem o conhecimento de todos os fatos e motivações do próprio coração. Se Paulo interrompesse o ministério por causa dos julgamentos dos homens, não teria ido muito longe, pois durante toda a sua vida, criticaram-no e duvidaram de seu apostolado (v.3).

Observação sobre a INTROSPECÇÃO:
Alguns incentivam esta prática e até foi introduzida em muitos grupos evangélicos como uma parte específica dos cultos. Não é errado examinar a própria vida quanto às práticas externas, visíveis e conhecidas do próprio indivíduo (1 Co 11.28,31), porém, há um perigo encoberto na introspecção, que não é o mesmo que auto-julgamento e pode, inclusive causar depressão emocional. Quem somos nós para olharmos dentro de nós mesmos para buscar algo que não agrada a Deus??? Com quais olhos podemos examinar-nos? Pelo fato de não possuirmos a visão de Deus, podemos ver "qualidades" que Deus não vê, ou defeitos (culpas) que Deus, também, não vê. A oração deve ser a mesma que o rei Davi: "Sonda-me, ó Deus..." (Sl 139.23, 7.9, 17.3, 139.1, ver também, Pv 21.2, Ap 2.23). Podemos pedir a Deus para sondar o nosso coração, mas nunca tentarmos fazer isto com os nossos próprios olhos (Jr 17.9-10). Veja porque temos visão errada sobre nós mesmos (Sl 36.2).
                                                                    
5.A consciência de Paulo não o argue (acusa) em nada, mas ainda assim, ele prefere deixar o julgamento com o Senhor, pois a própria consciência pode falhar (Jr 17.9) (v.4).

6.O julgamento que os coríntios fizeram de Paulo era precipitado. No Tribunal de Cristo tudo será esclarecido. O Juiz vê tudo, até mesmo os "desígnios do coração", que são as coisas mais profundas e misteriosas do nosso ser, onde estão as intenções mais íntimas conhecidas ou não por nós mesmos. Somente na Presença do Senhor Jesus Cristo é que receberemos o louvor e a reprovação (v.5).

7.Paulo fez menção dele próprio e de Apolo até agora, para ensinar os coríntios. O objetivo de colocar-se como exemplo, era para que não fossem "além do que está escrito", preferindo um em detrimento ao outro, exaltando Paulo e diminuindo Apolo ou vice-versa. A expressão "além do que está escrito" ensina algo importante: é permitido julgar pecados já revelados na Bíblia ("o que está escrito") e fazer distinção do que anda na luz e o que não anda, mas nunca ir além disto (v.6).

8.Tudo o que temos, em relação ao progresso espiritual, é porque recebemos e não porque conquistamos. Paulo novamente condena a sabedoria humana, aqui com roupa de orgulho, quando o próprio crente "se faz sobressair, sendo diferente". São perguntas retóricas, onde a respostas são óbvias. "Sobressair ou fazer-se diferente" é a tentativa de tradução da palavra "diakrinei", que significa "fazer distinção, singularizar, conceder superioridade, parcialidade, preferência" (v.7).

9.Paulo usa de bastante ironia neste versículo. Os coríntios sentiam-se satisfeitos e sem carência de nada, independentes (Mt 5.6, Ap 3.17-18). Paulo desejava que os coríntios fossem realmente maduros como pensavam. O sentido do verbo "reinar" aqui é "auto-confiança" (v.8).

10.Quando os generais voltavam da guerra, traziam os príncipes cativos, mas no final da fila vinham os soldados inimigos para servirem de espetáculo, sendo mortos por gladiadores ou feras. Paulo sente-se assim, zombado, servindo de espetáculo, onde "anjos e homens" assistem (v.9).

11.Os coríntios se consideravam mais do que Paulo, por isso, usou de ironia, dizendo: "Nós somos loucos por causa de Cristo" e "vós sábios em Cristo". O que os coríntios tinham de sabedoria deviam ao ensino de Paulo e Apolo. "Nós fracos e vós fortes" (1 Co 9.22). Paulo fez muito para alcançar alguns. Esta ideia nunca pode se afastar da mente de um missionário, pois senão desanimará com tão poucos "resultados" (v.10).

12."Vós nobres e nós desprezíveis". A palavra "desprezível" aqui é a tradução de "atimoi", que quer dizer "sem cidadania", ou seja, sem nome importante diante dos nobres. Os coríntios quando chegavam diante dos nobres era para ganhar honra e favor; Paulo quando chegava diante dos nobres era para ser esbofeteado e envergonhado, mas tudo isto ele fez para "enobrecer" os crentes (v.10).


13.As privações sofridas pelos apóstolos são mencionadas aqui. Paulo não está recordando fatos antigos, mas é a sua própria atualidade. Paulo mostrou dedicação pelos coríntios (v.11).

FOME - Paulo recebia pouca ajuda das igrejas que fundou e às vezes trabalhava para se manter. SEDE - Quantas viagens por lugares áridos, racionando seu cantil de água, numa região de péssima qualidade de água, como era o Mediterrâneo.
NUDEZ - Com vestuário insuficiente (2 Co 11.27, 2 Tm 4.13,21).
ESBOFETEADO - Quantas vezes esmurrado e maltratado.
SEM MORADA  - As viagens e fugas de Paulo obrigavam-no a este tipo incerto de vida.

14.Paulo trabalhou com as próprias mãos em dois lugares, quando tinha todo o direito de receber (At 18.2-3, 1 Ts 2.9, 2 Ts 3.8). Algumas missões atuais não permitem que o obreiro trabalhe para o seu próprio sustento. É notável o fato cultural que os gregos desprezavam todo tipo de trabalho manual, deixando isto para os escravos, como algo vil e desprezível. O trabalho nobre para eles era a Filosofia e os Jogos Olímpicos (v.12).

15.Paulo sofreu perseguição dos pagãos, dos judeus, dos coríntios (críticas agudas) e do próprio Satanás e seus demônios. Por certo a atitude de Paulo era aquela recomendada por Jesus (Lc 6.28) (v.12).

16.Quando Paulo e os apóstolos eram caluniados, procuravam conciliação, principalmente com os judeus. Paulo foi considerado como lixo e escória, ou seja, restos, detrito (v.13).

17.O objetivo de Paulo escrever os seus sofrimentos não era para envergonhá-los. Ter um líder assim era vergonha para qualquer grego. O objetivo era dizer com amor que os coríntios estavam errados por serem arrogantes, sendo que seus mestres eram, até mesmo, desprezados do mundo (v.14).
18.Paulo dá uma pausa abrupta em seu assunto e não mais usa a ironia dos versos anteriores, mas trata-os agora como "filhos amados". O objetivo de Paulo aqui não é envergonhar os coríntios, muito embora, em 6.5 e 15.34 o objetivo era exatamente este, envergonhá-los (v.14).

19.Paulo usa de uma hipérbole, quando fala "dez mil aios" (pedagogos). O pedagogo era o instrutor de crianças (Gl 3.24), um tipo de escravo de famílias gregas e romanas, que tinha a responsabilidade pelas crianças entre 6 e 16 anos para cuidar, instruir, levar e trazer da escola. Palavra semelhante a "epitropos", que tinha a mesma função (Gl 4.2) (v.15).

20.Este escravo não era o pai da criança. Os coríntios podiam ter milhares de mestres, mas só Paulo era o pai deles, pois ganhou-os para a Salvação em Cristo (v.15).

21.Como pai, Paulo tem toda a autoridade de exigir imitação. Não era arrogância de Paulo, pois quando falava de "servo" dizia ser o menor e quando se referia a "pecador", dizia ser o maior e quando ousava dizer que era "apóstolo" dizia ser o menor de todos, nascido fora de tempo, que nem era digno de ser chamado apóstolo (v.16).

22.Paulo enviou Timóteo porque os coríntios se esqueceram do que haviam aprendido. Os ensinos de Paulo eram os mesmos "em cada igreja", e da mesma forma seus discípulos tinham que ensinar somente o que ele ordenava que fosse ensinado. A isto damos o nome de Autoridade Apostólica (v.17).

23.Quando souberam que Timóteo, e não Paulo, os visitaria, firmaram-se mais ainda em seu orgulho, pensando que Paulo não tinha coragem de visitá-los, por isso, mandaria o "fraco e tímido" Timóteo. Note novamente a "preferência nociva" dos coríntios (v.18).

24.Paulo desafiou os coríntios arrogantes. Ele irá com autoridade, que é o poder de Deus, e verá qual o poder (autoridade) deles. Note que Paulo não estava intransigente quanto a ir para Acaia, mas coloca-se à disposição de Deus ("se o Senhor quiser"), ou seja, estava disposto a cancelar seus planos, conforme a vontade de Deus (v.19-20).

25.Paulo podia ir com severidade ou não, eles podiam escolher, a resposta viria conforme a mudança ou não de mentalidade. Parece que escolheram a vara, pois a situação não melhorou, basta ler a 2ª epístola e perceber que, até mesmo a sua autoridade apostólica, estava sendo posta em dúvida (v.21).

2 comentários:

  1. Muito abençoador! Que o senhor continue te abençoando.

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  2. Muito forte esse estudo pode entender melhor esse versículo q Deus continue abençoado e usando como canal de bênção..

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