1 Coríntios 5


Capítulo 5: A contaminação dentro da igreja
1.Corinto era imoral por "excelência". Havia 1000 prostitutas cultuais, as quais evidentemente, atraíam turistas. Nos muros e paredes da cidade havia figuras eróticas e quase tudo girava em torno da adoração pagã, conduzida pela imoralidade sexual.

2.Apesar desta situação, bem conhecida até nos dias atuais, através de livros de história e pinturas da época, nada aconteceu semelhante entre esses pagãos, como o caso da igreja em Corinto, ou seja, alguém que chegara a ponto de possuir sexualmente a mulher do próprio pai (v.1).

Não sabemos se o pai já havia morrido, o que não muda a situação vergonhosa, pois até mesmo neste caso a prática era proibida, tanto pela Lei (Lv 18.7-8, 20.11), como pelos rabinos do Sinédrio, também, pela Lei Romana e pelos pagãos e, evidentemente, pela Igreja Cristã.

3.Antes, ensoberbeceram-se, achando que estavam mostrando virtude de misericórdia. Os valores foram mudados, sem discernimento (v.2).


4.Paulo estava ausente, mas participante do problema, por isso, sentenciou e orientou a igreja como proceder na disciplina. Paulo estaria ali "no espírito", isto é, com sua palavra. Paulo mandou convocar uma Assembleia e ele mesmo estaria lá com sua palavra. Esta Assembleia seria executada na autoridade (poder) do Senhor Jesus Cristo. A autoridade (poder) é de Jesus, mas a execução da disciplina é da Igreja (v.3-4).
                                                                     
5.Entregue a Satanás: Entendemos que não se refere à perda da Salvação, pois o próprio apóstolo afirma isto, quando diz "para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus". Esta entrega a Satanás serve para pessoas obstinadas no pecado e hereges e não se refere absolutamente a disciplinas corretivas e necessárias, que estão em escala inferior. Pessoas entregues a Satanás pela a autoridade da Igreja, ficam fora da proteção de Jesus Cristo, expostas ao domínio de Satanás, sujeitas às doenças físicas, aos males diversos e até à morte física. Satanás sempre está à procura de pessoas nesta situação e para isto precisa ter a permissão de Deus (Lc 22.31-34). A Igreja dá esta permissão e o Senhor Jesus concorda ("ligardes e desligardes" - Mt 16.19-20) (v.5).

6.Os coríntios eram jactanciosos (soberbos, orgulhosos) pelo fato de não disciplinar, julgando ser isto uma virtude de misericórdia para com o pecador. Portanto, o erro dos coríntios não está em reconhecer que aquela imoralidade é pecado, mas na tolerância àquele pecado. Paulo considera aquele pecador como fermento e se ele não for expulso de lá, acabará por levedar toda a massa (envolver a todos). Ninguém é tão neutro para ficar no meio do fermento e não ser levedado (v.6).

7.Paulo refere-se à Páscoa (Êx 12). O fermento era proibido nesta festa, exatamente para lembrar a fuga do Egito, quando Deus ordenou que fizessem pão sem fermento por causa da pressa. Assim como a libertação do Egito, Cristo nos libertou para novidade de vida e não com fermento velho ou mesmo fermento novo, mas sem fermento algum, isto é, sem maldade. A nova massa é sem fermento e não com fermento novo (v.7).

8.Os judeus observavam a ordem de jogar fora todo o fermento que tivesse em casa, devido a festa da Páscoa, não podiam sequer entrar numa casa onde houvesse fermento. Os crentes, hoje, devem purificar suas vidas como uma festa perpétua (v.8).

9.Esta carta, mencionada no v.9, por algum motivo não colocada no cânon. Dentro da igreja não deve existir impuros, embora fora da igreja é impossível evitar algum tipo de contato. A palavra "impuro" é específica para pessoas sexualmente imorais ("pornos"). Paulo dá uma lista de pecadores, os quais de forma alguma, combinam com o Corpo de Cristo. Quando um crente vive da mesma forma que um incrédulo devasso, ele vive fora da esfera da igreja, mesmo estando nela (v.9-10).

10.Com estes não se deve ter amizade chegada e a refeição juntos é a prova disto. Refere-se tanto às refeições comuns da igreja, como às refeições particulares. Paulo não está falando de pecados eventuais que podem ser concertados com alguns "arranhões", mas de práticas habituais, as quais já infundiram no caráter do pecador. A seguir uma classificação dos pecados mencionados por Paulo no v.11:

1.Vida moral (impuros)
2.Vida social (roubadores, maldizentes, beberrão)
3.Vida espiritual (idólatras)
4.Vida material (avarentos)

11.Paulo não tem autoridade sobre os incrédulos. Os coríntios deviam julgar "os de dentro", mas como isto não aconteceu Paulo teve que interferir, utilizando-se da autoridade apostólica. Quanto aos incrédulos ("os de fora"), Deus é responsável em julgá-los. Paulo termina este assunto sem qualquer chance de refutação, mas enfatiza e ordem a "expulsão do malfeitor", ou seja, a disciplina aplicada pela igreja (v.12-13).

Acreditamos que o infrator se arrependeu depois de algum tempo de sofrimento e foi acolhido novamente, e novamente porque Paulo usou da autoridade apostólica, pois os coríntios partiram para outro extremo de infringir sofrimento além do que foi exigido (2 Co 2.5-11).

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