1 Coríntios 6


Capítulo 6: As demandas na igreja e a purificação
A.As demandas na igreja (v.1-8)
1.Todos têm problemas de relacionamento, até mesmo os crentes. O princípio aqui é de Mt 18.15-17. Todos conheciam o princípio judaico de jamais levar assuntos aos gentios (incrédulos). Os crentes têm sabedoria de Deus para resolver questões entre os irmãos, por esta razão, não podiam ser levadas aos incrédulos, não porque os tribunais corintianos eram corruptos, mas simplesmente porque as questões podiam ser resolvidas entre os próprios crentes (v.1).

Embora o texto seja claro no tocante a proibição em levar o irmão ao tribunal, não há nenhum texto que proíba por completo que o crente busque o tribunal de justiça para resolver questões com incrédulos. Lembre-se que Paulo exigiu um julgamento justo (At 25.11). Também, não permitiu que o chicoteassem, sendo cidadão romano (At 22.25). Outra vez, exigiu satisfações das autoridades (At 16.37).

Também não significa que os tribunais dos incrédulos não sejam capazes de julgar com justiça os casos jurídicos. Entendemos que mesmo que um juiz seja crente, não se deve levar o caso a ele, pois este representa os incrédulos (não em caráter, necessariamente, mas em atuação jurídica).


2.Paulo não está dizendo que a justiça não possa ser procurada e exercida, mas sim, que deve ser feita da maneira de Deus (v.1).

3.(Mt 19.28, Ap 20.4, Jd 6, 1 Pe 2.4). No Trono Branco julgaremos os incrédulos e, em algum tempo depois do Milênio, talvez no mesmo Trono Branco, julgaremos também, os anjos caídos. Satanás será lançado no Lago de Fogo sem qualquer tipo de julgamento. Outra forma em que os crentes exercerão juízo sobre o mundo será no Milênio. Diante de tão grande causa de julgamento, Paulo incentiva os crentes a julgarem coisas mínimas, comparadas ao julgamento futuro (v.2-3).

Negócios, herança, propriedades, testamentos, etc. Aos crentes é dada autoridade sobre os negócios comuns da vida como compra e venda e outros aspectos mencionados acima. O próprio Jesus Cristo reconheceu esta autoridade no governo humano e individualmente (Lc 12.13-14).

4.Os incrédulos "não têm aceitação na igreja", isto é, embora possam visitar não têm permissão de interferir nos assuntos eclesiásticos. O v.4 apresenta uma dificuldade, mesmo no original grego, o que muda o sentido, conforme a forma entendida, já que é usada uma forma que serve tanto para indicativo como para imperativo ("constituís") (v.4).

INDICATIVO: Entendido assim, a interpretação é que a igreja estava chamando (constituindo) incrédulos para resolver as questões.

IMPERATIVO: Entendido assim, a interpretação é que Paulo está dando uma ordem, que é chamar até os menos sábios (da igreja) para julgar as questões.

5.Os coríntios agem sem sabedoria. É vergonhoso não ter ninguém para julgar questões entre os crentes. Nesta questão, Paulo quer envergonhar os coríntios, diferente de 4.14. Paulo vai provando aos poucos que entre os coríntios não há sábios verdadeiros, pois não há na igreja quem possa julgar entre os irmãos ("diakrinai" - julgar entre duas pessoas). Levar um irmão perante o tribunal dos incrédulos é expor a igreja ao ridículo (v.5-6).

6.As demandas levadas aos incrédulos já representam derrota, seja qual for o resultado no tribunal. Paulo dá um princípio que só os maduros podem pegar para si: "Perder para ganhar". É dano para o corpo de Cristo a demanda diante dos incrédulos. A falta de comunhão é inevitável. O crente que não está disposto a sofrer o prejuízo acabará por prejudicar a todos (v.7-8).

7.Paulo não está prometendo que deixar a questão não haverá prejuízo. Sim, haverá prejuízo pessoal, mas não haverá prejuízo para a Igreja. É preferível sofrer a perda dos interesses próprios a desonrar o nome do Senhor Jesus, comparecendo diante dos incrédulos (v.7-8).

Três razões para não se levar o irmão a julgamento


1ª razão: Os crentes julgarão o mundo.
2ª razão: Os crentes julgarão os anjos.
3ª razão: É vergonhoso levar questões dos crentes aos incrédulos, pois, estes não têm nenhuma aceitação na igreja.



B.A purificação (v.9-20)
1.Os que estão fora do reino de Deus não herdarão o reino Dele, ou seja, quem está fora da esfera da Igreja (Corpo de Cristo) não têm as mesmas características dos que são da Igreja. Porém, há crentes que estão no reino de Deus (na esfera da Igreja), os quais herdarão o reino de Deus, mas com as mesmas atitudes dos que estão fora desta esfera.

2.Em outras palavras: Crentes vivendo como incrédulos. Qual a explicação? Os incrédulos não foram alcançados com a graça de Jesus e, portanto, não podem viver como um herdeiro do reino de Deus. Alguns crentes, embora alcançados com a graça de Jesus, vivem em sua vida diária, infiéis à sua posição de herdeiros do reino de Deus.

3.Era prática das escolas de filosofia grega, fornecer listas de vícios. Estas eram as características comuns dos coríntios e, é possível que até mesmo entre os crentes havia, ainda, os que viviam assim (v.9-10).

1.Injustos   2.Impuros   3.Idólatras   4.Adúlteros    5.Efeminados    6.Sodomitas   7.Ladrões   8.Avarentos  9.Bêbados   10.Maldizentes   11.Roubadores

4.Talvez nem todos ao se converterem vieram de uma vida com todas as características mencionadas, mas de qualquer maneira esses pecados eram comuns de modo geral, como são até o dia de hoje. Quanto aos coríntios, deviam viver de modo digno da libertação que tiveram, pois foram (v.11):

Lavados, Santificados, Justificados e tudo isto com a autoridade (em nome) de Jesus, pela atuação do Espírito Santo
   
5.O conceito de liberdade está nas palavras "Todas as coisas me são lícitas". O cristianismo não é composto de regras e proibições, como por exemplo, alimentos. Tudo está em poder do próprio crente, ou seja, todas as decisões devem ser individuais ("Tudo é lícito"). Fazer ou deixar de fazer em última instância é decisão da própria pessoa, ninguém deve decidir por ela. Portanto, a liberdade é quando alguém faz ou deixa de fazer com a mesma tranquilidade (v.12).

6.O conceito de auto-domínio está nas palavras "Nem todas (as coisas) me convêm". Ao mesmo tempo que o crente tem liberdade individual, deve saber que algumas coisas não são "dignas", "úteis" ou "aconselháveis". Tudo está em poder do crente, mas o crente não pode ser apoderado de sua própria decisão. Só existe o conceito de auto-domínio, quando há condições de optar (v.12).

7.O assunto é duplo: alimentos e imoralidade. Os coríntios achavam que tal como ingerir alimentos é natural, a fornicação e a imoralidade sexual, também, não existindo nenhum princípio moral envolvido. Portanto, no pensamento dos coríntios: "Se não há nenhuma moralidade ética quanto a alimentação, também não deve haver quanto à vida sexual" (v.13).

8.Paulo segue com o pensamento da eternidade e da glorificação. Deus destruirá os alimentos, bem como o estômago, ou seja, o corpo será glorificado, não necessitando mais do aparelho digestivo, muito embora anjos e o próprio Jesus glorificado comeram nesta terra, mas não limitados ao processo digestivo, mas apenas como ponto de contato com os amigos: a refeição (v.13).

9.O capítulo 15 é específico sobre o assunto da ressurreição. Se o corpo será ressuscitado não deve ser menosprezado com impureza sexual, como se fosse destruído (v.14).

10.Estamos ligados a Cristo através do Espírito Santo, o qual nos colocou dentro do Corpo Dele (de Cristo). Isto é a Igreja (1 Co 12.13). Usando este princípio, Paulo faz um apelo através de uma pergunta retórica. O verbo "tomaria" ("airo"), significa "levar embora". Quando o crente se une à prostituição está "levando embora" os membros de Cristo. Paulo não quer que isto sequer passe pela mente dos coríntios (v.15).

11.A união sexual é o contato mais íntimo de dois corpos. Para a cultura (religiosa) da época dos coríntios, ter contato sexual com alguma sacerdotisa de Afrodite, significava consagração a essa deusa. Seguindo o mesmo raciocínio, quem se une ao Senhor é um espírito com Ele, ganhando de Sua própria natureza divina e a mente de Cristo (ver 2.16) (v.16-17).

12.A ordem é fugir e não enfrentar, pois neste caso, a derrota é certa.O pecado sexual é contra o corpo, enquanto os demais pecados são fora do corpo (v.18).

Explicando e ampliando a declaração do "pecado contra o corpo":
Pecados tais como glutonaria, bebedice recebe estímulos de fora, uma vez que já se tenha praticado. Roubar é algo externo, mas que tem como restituir, assim também, a maledicência, que é um pecado contra a moral e não contra o corpo. O apetite sexual vem de dentro do corpo, não se limitando com estímulos externos, apenas aumentando a intensidade. Outros vícios são conquistados pela luta, disciplina, diminuição de quantidade, etc., mas o vício sexual é desenfreado, por isso, a ordem é fugir.

13.O apetite sexual surge de dentro do corpo e tem como objetivo a satisfação do próprio corpo. Mas quando não é usado de modo pecaminoso, torna-se uma bênção para quem se utiliza dele do modo que Deus deseja. O desejo de se alimentar, também, vem de dentro do corpo, mas como não existe moralidade envolvida em si mesmo, Paulo não considera exceto quando se torna glutonaria (v.18).

14.Como já foi mencionado em 3.16, aqui refere-se ao corpo do crente como indivíduo e não como igreja. O Espírito Santo está no corpo do crente. O crente não pertence a si mesmo, mas é um veículo das realizações de Deus no mundo. Fomos comprados por um preço e temos que glorificar a Deus, usando evidentemente, o corpo (v.19).

3.Por que Paulo não deu nenhum exemplo de como usar o corpo para servir a Deus? A resposta é simples: tudo o que fazemos é por meio do corpo (1 Co 16.14) (v.20).

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