1 Coríntios 8


Capítulo 8: O conhecimento sobre as festas pagãs e o amor e respeito ao irmão e sua consciência
1.O crente é senhor do saber. No caso, senhor com respeito ao assunto de comidas sacrificadas. "Senhor do saber" refere-se à pessoa que sabe o fazer ou deixar de fazer, sem problema de consciência. O saber ensoberbece, mas o amor edifica, ou seja, está em jogo a consciência do irmão e não a liberdade própria (v.1-3).

2.Uma parte da carne consumida na cidade de Corinto era consagrada aos deuses, outra oferecida aos sacerdotes pagãos e outra parte vendida nos açougues. Cada um devia ser senhor do saber, isto é, decidir com sua própria consciência (saber) se devia comer a carne ou não.


3.O contexto não é exatamente o mesmo de Romanos cap.14 e 15, mas tem muito a ver. Ou seja, entre os coríntios, o problema não era de consciência fraca, mas de presunção, ou seja, comiam carne sacrificada não só no açougue (que não tem problema), mas nas festas dos templos (que já se torna, no mínimo, idolatria passiva ou cumplicidade na idolatria).

4.Os ídolos nada são. O judeu conservava em sua mente o "Shema": "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor" (Dt 6.4). Muitos se chamam deuses e os adoradores criam que seus materiais (ídolos) eram deuses (ou melhor, representação deles). A diferença básica da fé judaico-cristã para as outras está justamente no monoteísmo e politeísmo (v.4-6).

5.Os que não tem conhecimento da Unicidade de Deus ficam confusos diante de um ídolo. O problema não era comer a carne do açougue (que era sacrificada) e sim, ter a consciência contaminada, isto é, os que comiam pensavam que ainda estavam adorando aos ídolos (v.7).

6.A comida "não nos recomenda a Deus", ou em outras palavras, não chegamos mais perto de Deus comendo ou deixando de comer e nem nos afastamos de Deus comendo ou deixando de comer. Não há perda nem ganho em comer ou deixar de comer (v.8).

7.O que é certo para um pode ser errado para o outro. Paulo não quer forçar padrões. O alimento não é pecado, mas ir ao templo e comer comida sacrificada aos ídolos é muito escandaloso para o fraco, além do que não é nada conveniente para nenhum crente, pois embora a comida seja lícita, o ambiente é comum para todos: adorar demônios. Ir à casa de um pagão é diferente do que ir ao templo, por isso, Paulo segue falando sobre a visita à casa de um pagão (v.9-11).

8.Cada crente tem Cristo em si. Portanto, ofender as pessoas de consciência fraca é o mesmo que ofender a Cristo. Paulo faz o máximo para não escandalizar o irmão. A palavra "carne" é "kreas" e não "broma" que significa qualquer alimento, mas especificamente "carne" de animal (v.12).

9.Paulo não coloca o assunto como ponto final ("não comerei mais carne"), mas subentende-se não comerá para escandalizar, o que não impede de ter suas refeições particulares com carne de açougue. Paulo dá o direito para alguém consciência fraca não comer carne, mas nunca dá o direito para este de impedir o que não tem problema de consciência comer livremente (v.13).

O assunto continuará no capítulo 10.23-33.

Um comentário:

  1. Desculpe-me, sem querer apaguei o comentário de um leitor chamado rolopoético. Queira, por favor, enviar novamente para eu publicar.

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