1 Coríntios 9


Capítulo 9: A defesa do apostolado de Paulo
1.Paulo é livre, pois sabe usar a liberdade que tem na vida cristã. Paulo viu Jesus na conversão e, também, logo após sair de Damasco e ir para as Arábias (provavelmente). Os apóstolos auto-denominados de Corinto não possuíam a mesma credencial de Paulo e nem mesmo os companheiros de Paulo, que eram considerados apóstolos. Paulo não era um dos doze, pois embora tenha visto Jesus, foi "fora de tempo", ou seja, Cristo já não estava na terra em Seu ministério. Paulo não participou do batismo de João. Paulo gerou os coríntios. Os coríntios deveriam ser os últimos a colocar o apostolado de Paulo em dúvida, pois foram gerados por ele, e isto era um selo.Paulo tinha direito sobre os crentes, pois além de ser comissionado por Deus, o seu trabalho tinha resultados espirituais (v.1-2).


2.Paulo tinha o direito de comer e beber, subentende-se "às custas da igreja". Outro direito era ser acompanhado por esposa. A maioria dos apóstolos de Jesus Cristo eram casados. Paulo defende a si mesmo e outros apóstolos "fora de tempo", no caso só conhecemos Barnabé e os irmãos de Jesus, que na época de Seu ministério nem eram salvos, depois se tornaram discípulos e "apóstolos" fervorosos. Tal como os demais apóstolos, Paulo tinha o direito de deixar de trabalhar para sustentar-se (Gl 6.6, 2 Ts 3.8-9). Paulo e Barnabé eram os únicos, provavelmente, que pregaram o evangelho e trabalharam para o seu próprio sustento, embora não todo o ministério. Os que não concordavam com o ministério de Paulo estavam sendo injustos colocando uma carga sobre ele que o próprio Deus não aprovava. A Igreja de Corinto julgou mal ao pensar que Paulo e Barnabé deveriam ter uma vida diferente dos demais pregadores. É verdade que alguns pastores trabalham para completar o seu sustento, mas a Igreja podendo suprir ao pastor só tem a ganhar em qualidade de mensagens e ministério (v.3-6).

3.”À custa" é a tradução da palavra "opsoniois", que significa "salário". A Lei de Moisés ensina o mesmo princípio (Dt 25.4). Deus cuida e quer que os homens cuidem dos animais (Sl 104.14,21,27, Mt 6.26). O boi pisava o trigo e podia comer uns bocados. Os pagãos amordaçavam o boi, mas para os judeus essa prática era proibida pelo próprio Jeová. O que trabalha espera salário. Paulo trabalhou nos assuntos espirituais entre os coríntios, portanto, tinha o direito de receber coisas materiais. Porém, Paulo abriu mão desse direito, pois alguns podiam pensar que ele pregava por causa do dinheiro. Sendo que outrora fora perseguidor da igreja, o mais sábio era não receber em lugares onde a acusação era muito forte, como em Corinto. Paulo não queria ser um obstáculo ("egrope" = brecha, corte. Palavra usada para derrubada de árvores). Paulo oferece diversos exemplos da vida cotidiana que mostram que não é nenhum absurdo a Igreja sustentar o seu pastor (v.7-12).

1)       O soldado não deveria comprar as roupas, armas e munição, pois o Exército supre.
2)       O vinhateiro deve ter o direito de alguns cachos de uva.
3)       O peão da fazenda pode aproveitar um pouco do leite que ele tira das vacas.

4.O bom senso ensina estas coisas. Nenhum pastor está explorando a igreja quando recebe um pouco para o seu sustento. Não apenas no entendimento normal dos homens isto é verdade, mas o próprio Deus ordenou que fosse assim (v.8).

5.A Lei de Moisés tinha princípios elementares que todo o povo de Deus devia seguir. Um princípio era o do boi que debulhava o trigo. Enquanto o boi pisava as espigas ele podia se aproveitar dos bocados. As nações pagãs colocavam mordaça na boca dos bois, privando-os dos bocados. Deus proibiu ao Seu povo fazer assim (v.9).

6.O assunto não é propriamente os bois, mas o mestre da Palavra de Deus. Assim como um lavrador espera rendimentos da sua plantação e o boi deseja comer uns bocados do trigo, o pastor espera receber o sustento do seu ministério (v.10).
7.O professor da Bíblia lança a semente espiritual e como reconhecimento o povo oferece a ele bênçãos materiais. Este mesmo princípio se encontra em Gálatas 6.6 e não é um comércio, mas a instrução de Deus (v.11).

8.O apóstolo Paulo não era reconhecido pelos coríntios. Eles investiam o seu dinheiro em outros, mas não em seu mestre. “Tubo bem”, diz Paulo, ele não deixará de trabalhar. Ele arrumará outra forma de se sustentar, passará alguma privação, mas não será um tropeço para o crescimento dos coríntios. Ele não recebeu sustento em Corinto, pois não aceitavam o seu ministério e em Tessalônica por causa da heresia de que não era mais necessário trabalhar (v.12, ver 1 Ts 2.1-10 e 2 Ts 2.6-12).

9.Os sacerdotes tinham seus direitos, e um desses era de se alimentarem do próprio templo (Nm 18.8-24). O Senhor ordenou a manutenção dos obreiros (Mt 10.10, Lc 10.7). Paulo, no entanto, não queria perder a glória de servir a Cristo sem obstáculo, e se recebesse sustento dos coríntios, por exemplo, essa glória ser-lhe-ia arrancada. Paulo carregava sobre seus ombros a responsabilidade da pregação do Evangelho. Paulo seria o pregador para todos (At 9.15), mas principalmente para os gentios, por causa da desobediência de Israel (At 13.46-47). Deus queria que os ministros fossem abençoados materialmente através do ministério. A Igreja precisa reconhecer a sua obrigação, mas também o seu privilégio de cooperar na obra de Deus sustentando o seu pastor (v.13-14, ver 1 Tm 5.17-18).

10.Paulo tinha a obrigação, porém, agiu como se fosse voluntário ("livre vontade"). Diferente de alguns que são voluntários e muitas vezes trabalhamos como se fôssemos obrigados. Paulo receberá galardão por sua boa vontade. Se não fosse de coração livre, a tarefa seria como a de um mordomo (despenseiro) que cumpre uma tarefa por obrigação, pois para isso foi contratado. Paulo resolveu, pelo menos entre os coríntios e os tessalonicenses, pregar sem salário.O apóstolo Paulo deu o ensino para a Igreja de Corinto, mas não exigiu nada deles para que o evangelho não fosse prejudicado e para que ninguém o acusasse de avarento. Paulo não dependia de ninguém, por isso, era livre, mas agiu como se devesse satisfação para alguém, com o fim de ganhar alguns. Se não pensarmos como Paulo e não pesarmos bem a palavra "ALGUNS", ficaremos frustrados. Paulo circuncidou Timóteo para ter entrada entre os judeus incrédulos (At 16.3). Paulo respeitava os judeus, embora havia se desligado do mundo dos judeus e da obrigação para com a Lei. O voto em Jerusalém não lhe foi grande sacrifício (At 18.18). Também, entre o grupo de nazireus (At 21.26) e nem as Festas, das quais já havia se desligado (At 20.6). Entre "os sem lei" (gentios) não andava cheio de regulamentos. Com os que se escandalizavam fácil, Paulo andou com respeito. Muitos eram vegetarianos, numa cultura onde a carne era sacrificada. Paulo, não tendo problema de consciência, certamente respeitou-os e não comeu carne em suas casas e nem oferecia carne a eles, quando vinham em sua casa (v.15-22).

11.Paulo fazia tudo para ver alguns sendo salvos. Isto é verdadeira cooperação com o evangelho. Paulo também era um participante, não com o seu dinheiro, mas com sua vida (v.23).

O principal esporte na cidade de Corinto era os "Jogos Ístmicos", que só perdia para os Jogos Olímpicos, que era a competição por excelência. Os Jogos Ístmicos eram realizados a cada três anos. Era um antigo jogo da Grécia em honra a Poseidon (deus do mar). Ístmo é uma língua de terra apertada entre dois mares e que une duas terras. Como um cabo de guerra, os homens puxavam a corda amarrada em uma embarcação. A luta desses atletas era trazer a embarcação até a terra.

12.Na Revista VEJA de 24 de janeiro de 2001, o administrador Stephen Kanitz escreveu na coluna “Ponto de vista” sobre “Ambição e Ética” mostrando que em si não é errado pretender algo na vida, isto é ambição, mas que é errado roubar, mentir ou pisar nos outros para atingir suas ambições. A ambição é muito enganosa, pois quando pensamos que aquilo é exatamente o que Deus quer para nós, no final vemos que era somente o nosso desejo desenfreado por alguma coisa. O apóstolo Paulo tinha uma ambição, a de agradar a Deus até o final de sua vida, quando receberia Dele a recompensa. Poucos têm ambições que não enganam o coração. Poucos ambicionam viver para Deus totalmente.

13.A ilustração que Paulo usa em primeiro lugar é a de um atleta de corrida. Este atleta se domina em tudo (alimentação, sono, preocupações, negócios, exercícios físicos, etc). Tudo isto para ganhar a coroa do Imperador. De fato, não lutava por essa coroa, mas pela fama e riqueza que viriam para si mesmo e para a sua cidade. A coroa que Paulo quer é incorruptível e é o prêmio individual por seu trabalho. Não se trata de salvação, pois esta já foi ganha por Cristo Jesus (v.24).

14.Os gregos inventaram as Olimpíadas, o grande sonho de qualquer atleta. É uma ambição pela qual muitos já deram tudo o que tinham para participar. Era uma honra para uma cidade ter um atleta vencedor, mas uma grande desonra quando era um perdedor. Alguns nem mesmo voltavam para a sua cidade.

15.É uma ambição cega, pois o corredor só pensa em ganhar, porém, se ele pensasse mais seriamente na questão, ele veria que a possibilidade de não ganhar é tão grande quanto o número de corredores, pois todos têm a mesma ambição e vão lutar com todas as suas forças para que vençam.

16.O tempo de corrida era curtíssimo, pois a distância era de menos de 200 metros. Era uma corrida veloz. Gasta-se muito tempo preparando-se por causa de uma ambição, mas a realização é muita rápida.

17.Muitos correm, talvez oito corredores por corrida, mas só o vencedor é que leva o prêmio mais honrado. Hoje é a medalha de ouro. As outras medalhas são o consolo para o perdedor. Nos tempos dos Imperadores, o prêmio era uma coroa de louro recebida pelo próprio Imperador.

18.Paulo incentiva o crente a batalhar na vida cristã como um corredor ambiciona vencer a corrida. Há toda a possibilidade de perder. Na vida cristã, há toda a certeza de vitória, mas também há certeza de derrota se não correr segundo as regras.

19.Um corredor fazia um voto de treinar arduamente até a próxima temporada. Um atleta tem de se dominar em muitas coisas. Ele precisa seguir uma dieta rigorosa, dormir bem, não se dar às festas e orgias, ter a mente livre de ansiedades, não se envolver com outros pensamentos e atividades.

20.A disciplina é a companheira inseparável de um atleta. Alguns treinam aproximadamente oito horas por dia, incluindo aquecimento, preparo físico, diversas estratégias a serem estudadas e métodos aprimorados.

21.No final, o prêmio de sua ambição é chegar à competição e vencer. “O importante é competir” pode ser bem ético para o corredor de fim de semana, mas de pouco proveito para o atleta, que vive disso. Só a vitória o coroa de glória. A derrota o deixa junto com os demais perdedores.

22.Em nossa vida temos muitas ambições. Talvez seja o tempo de nos perguntarmos se não estamos dedicando demais as nossas energias em ambições que só nos levarão a receber uma coroa de louros que ao final do dia já está seca!

23.As virtudes espirituais são a melhor ambição do crente. Elas também precisam de disciplina e treino, conforme 1 Tm 4.7-8 e Hb 5.14.

24.O corredor tem uma grande ambição, mas como toda a ambição é enganosa, esta também é, pois ele pretende ganhar, mas além de correr contra outros competidores, corre contra a sua própria ambição enganosa, pois quando perder, de quem receberá o ressarcimento do prejuízo de ter dedicado toda a sua vida para aquilo?

25.Quanto aos que correm para agradar a Deus têm a promessa de 2 Tm 1.12 “... porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia.”

26.Outra ilustração que Paulo usa é a do pugilismo. "Luto ou combato" é a tradução da palavra "pukteo" (bater com o punho), hoje conhecida como "pugilismo". Os lutadores de boxe daquela época, como até hoje às vezes, esmurravam o ar, por dois motivos: como treino ou porque o adversário foi mais rápido. Nos treinos, usava-se a técnica da "skiamachia", que era a luta contra a própria sombra, usando um candeeiro atrás de si para produzir na parede a sombra. Evidentemente os murros eram dados no ar. Paulo não fere o ar, mas o seu adversário é o "próprio Paulo", que quer atrapalhá-lo no serviço do Senhor. Paulo não quer ser um "desqualificado", isto é, trabalhar, mas não receber o prêmio; ajudar os outros, mas acabar sendo desmerecedor do prêmio. Portanto, o galardão é um prêmio individual e deve ser "ambicionado" por todos os obreiros (v.26).

27.O lutador, assim como o corredor, tem uma ambição, ser vencedor. Os pesos-pesados do pugilismo querem ter o cinturão que lhes coloca como o melhor do mundo.

28.Mas, igualmente, o pugilista luta por algo fugaz, transitório, que passa logo. Quantos pugilistas perderam sua capacidade de raciocínio devido às bancadas no crânio? É uma ambição enganosa.

29.Os golpes errados vão parar no ar. São energia dispensada ao ar, de nada valeram, não contam pontos. Paulo contrastou essa ilustração do lutador com ele mesmo. Os golpes de Paulo foram acertados. As vigílias, a dedicação em oração, a pregação do evangelho e até os sofrimentos atingiram o alvo, o de agradar a Deus.

30.O pugilista treina muito, apanha bastante e se torna um desumano, mas só preenche uma vaidade de multidões e dele própria. É uma ambição enganosa. No final, ele acaba nocauteado pela sua própria natureza, a velhice e a perda da força.

31.Viver para o Senhor é golpe certo contra o pecado e o inimigo de nossas almas, Satanás. Acertar o alvo deve ser a ambição do crente, agradar ao Senhor e desviar-se dos golpes do pecado.

32.O apóstolo Paulo não errava os golpes, mas acertava em cheio o seu próprio corpo. Isto não indica nenhum tipo de ascetismo ou insanidade mental, mas quer dizer que Paulo tinha controle do seu próprio corpo e não deixava que este dominasse sobre os seus desejos (v.27).

33.A ambição de um corredor e de um pugilista exige que se abstenham de muitas práticas prazerosas. Na vida cristã, embora não pratiquemos o ascetismo, ou seja, a abstenção de alguns alimentos e prazeres lícitos para ganhar méritos com Deus, mas temos de praticar a disciplina do corpo para mantermos uma vida pura.

34.Algumas vezes o corpo tem de saber que a prioridade não é descansar, mas praticar algo para o reino de Deus. Todas as vezes que o corpo pedir folga da santidade, temos de escravizá-lo sem piedade, pois o corpo não aceita pequenas concessões, ele quer tudo que temos e o que não temos. É exigente e egoísta e libertino.

35.Alguns crentes estão enganados em suas ambições. Até mesmo trabalhar na obra de Deus sem dedicação total do coração pode ser um engano.

36.Paulo não tinha medo de não pregar e ser desqualificado, mas de PREGAR e ainda ser assim ser desqualificado. Nossas ambições e motivações podem nos enganar, até ao fazer o bem.

37.Devemos deixar Deus sondar os nossos corações e ver se há algum caminho mal para que Ele mesmo corrija e nos guie ao caminho correto.

38.As ambições não são más em si mesmas, mas o alvo e as motivações devem ser avaliados para que não lutemos a vida toda por algo e no final descubramos que fomos enganos pelo nosso coração.

9 comentários:

  1. Ótimo Estudo, Parabéns, Eu tinha Lido o cap 9 de 1 Coríntios antes e quis procurar uma outroa fonte de enterpretação ministerial e vejo uma confirmação do Espirito, Glória Deus, Que Deus Abênçoe

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  2. Muito bom o estudo, gostei mesmo, li a passagem de I Corintios 9 e não tinha percebido a riqueza de informações que esta mensagem nos passa. Deus abençoe sua dedicação em nos dar um ensino ainda mais profundo.

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  3. Muito bom este estudo... Obrigada por aprendez mais da Biblia.

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  4. QUE DEUS CONTINUE TE DANDO DISCERNIMENTO.

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