Jeremias - Introdução

Introdução

1.O significado do nome Jeremias é incerto. Alguns sugerem que o significado é “A quem Deus escolhe”, outros dizem que o significado é “Jeová é sublime”. Jeremias era da linhagem sacerdotal e vivia na cidade do sacerdote Hilquias em Anatote. Aparentemente possuía alguma riqueza pessoal, pois era capaz de comprar terra real e até contratar um escriba (Baruque). Jeremias foi chamado para o ministério quando era apenas “uma criança” (1.4-6), sem dúvida na sua adolescência. Isto foi no ano 627 a.C. O livro foi escrito em 600 a.C. Jeremias é o autor, porém, à semelhança de Jesus, nunca escreveu nada de seu ministério. Baruque, seu amigo íntimo, quem escreveu, pois andava com Jeremias. Baruque foi para Jeremias o que Tércio foi para Paulo, um amanuense. Baruque não somente escrevia para Jeremias, mas também, lia os escritos (36.6). Baruque, também, não era só amanuense de Jeremias, mas o seu “gerente de negócios”, enquanto Jeremias estava aprisionado (32.9-14). O livro não tem ordem cronológica alguma.


2.Jeremias ministrou durante os últimos 40 anos da história de Judá, do 13º ano de Josias (627 a.C.) até a destruição de Jerusalém e além dessa época (587 a.C.). Jeremias menciona os últimos líderes dos tempos prósperos do reino de Judá (1.1-3). Josias foi um rei piedoso e temente a Deus e morreu em 608 a.C. Foi durante o reinado do rei Josias que a Lei foi encontrada e o Templo de adoração restaurado. Jeoacaz seguiu nos caminhos do rei Josias, mas reinou apenas três meses, por isso, Jeremias nem o mencionou. Eliaquim ou Jeoiaquim foi o próximo rei (608-597 a.C.). Ele foi perverso e fez o máximo para perseguir Jeremias. Foi ele quem queimou o rolo das profecias de Jeremias (cap.36). Joaquim foi o próximo rei, mas também reinou apenas três meses, antes de ser levado ao cativeiro babilônico. Zedequias foi o último rei (597-586 a.C.). Ele presidiu na época da ruína da nação e a captura da cidade de Jerusalém. Portanto, Jeremias presenciou sua amada nação cair em pecado, guerra, julgamento e cativeiro. Apesar de tudo isso foi fiel em pregar a Palavra de Deus.

3.Quando Jeremias começou o seu ministério, a Assíria era a nação mais poderosa no mundo e estava nesta posição havia 300 anos, mas o Egito e a Babilônia estavam ganhando forças rapidamente. O Egito foi muito poderoso 1.000 anos antes, mas agora tentava reerguer-se. Em 609 a.C. os babilônios tomaram Nínive (capital da Assíria) e destruiram o poder da Assíria e em 605 a.C., venceu o Egito na batalha de Carquemis. A Babilônia, então, voltou-se contra Judá e os “políticos” de Judá aconselharam os reis para pedir socorro ao Egito contra a Babilônia. Jeremias era contra a aliança com os egípcios. Ele sabia que a única esperança para Judá era o Senhor, mas seus pecados eram tão grandes que a nação perdeu a bênção da proteção de Deus. Finalmente Babilônia capturou Judá e tomou Jerusalém (606-586 a.C.). Jeremias escreveu o livro das Lamentações para lembrar a morte da Cidade Santa.

4.A tarefa de Jeremias não era fácil, pois tinha que profetizar a morte de sua própria nação. A primeira parte deste livro registra vários de seus sermões em Jerusalém, nos quais o profeta denuncia os pecados do povo, dos sacerdotes e dos príncipes, principalmente o pecado da idolatria. No capítulo 25 Jeremias anuncia que a nação irá para o cativeiro por 70 anos e então retornará para restabelecer o reino. O restabelecimento nunca aconteceu, pois nunca mais Israel ou Judá tiveram reis. O reino seria ser restabelecido com a Pessoa de Jesus Cristo, mas como bem sabemos a nação O rejeitou. Sendo que é uma profecia e deve ser cumprida, esse reino deverá ser restabelecido um dia, o que a Bíblia chama de “Milênio”. No capítulo 31 Jeremias profetiza um “novo concerto” entre Jeová e o Seu povo. Não um concerto de lei e palavras escritas em pedras, mas um concerto de amor e fé, escrito no coração. Esta profecia se cumprirá com a conversão da nação de Israel. Jeremias trata, nos capítulos finais, das nações gentílicas ao redor de Judá e fala dos planos de Deus para elas.

5.A palavra chave no livro é rebeldia. A nação voltou as costas ao Senhor e seguiu os falsos profetas, os quais levou a nação a adorar os ídolos (2.19, 3.6,8,22, 5.6, 8.5, 14.7). Onze vezes a palavra arrepender-se é usada pelo profeta, mas a nação não se arrependeu. Lemos do choro de Jeremias por ver sua nação cair (9.1, 13.17, 14.17, 15.17-18, Lm 1.2, 2.11,18). Jeremias profetizou o cativeiro (25.11) e aconselhou que os reis se rendessem a Babilônia (27.16-17). Por isso Jeremias foi considerado um traidor e foi perseguido pelo seu próprio povo (1.21-33, cap.20,26,28,29 e 38). Nenhum profeta enfrentou mais oposição dos falsos profetas do que Jeremias (2.8,26, 4.9, 5.31, 6.14, 14.13-16, 18.18, 23.9-40, 26.8-19, 27.9-16 e cap. 28 e 29). Se Judá tivesse se arrependido e voltado a Deus teria sido livrada da Babilônia, mas porque Judá persistiu em seus pecados teve que ser punida. Deus, porém, prometeu restauração “por amor de Seu nome”. Babilônia é mencionada 168 vezes em Jeremias. Esse livro é o mais pessoal de todos os livros proféticos ao ponto de conhecermos o profeta como o “profeta chorão”. Os contemporâneos de Jeremias foram Sofonias e Habacuque e no final de seu ministério, Daniel foi o seu contemporâneo.

6.Jeremias usou muitas ilustrações em suas mensagens.

Ilustração
Referência
Fontes e cisternas
2.13
Remédio
8.22
Cinto que “para nada presta”
13.1-11
Vaso de barro
18-19
Jugos
27
Livro afundado em águas
51.59-64, Ap18.20-21

7.Jeremias e Oséias foram, talvez, os profetas que mais sofreram para entregar a mensagem de Deus. Há paralelos entre esses dois profetas, quanto ao coração de Deus diante dos pecados do povo e Seu amor sempre pronto a perdoar.

Jeremias 
Oséias   
2.1-6            
2.1-5
3.1   
3.1
3.22                       
14.4  
5.31        
6.10

8.As similaridades entre Jeremias e Jesus Cristo são dignas de nota e, por isso, segue um quadro comparativo.

  Procure achar as referências que faltam.

Semelhanças
Referências
Solteiros
Jr 16.1-2
Rejeitados na própria terra
Jr 11.21, 12.6 Lc 4.16-30
Ministraram sob a sombra ameaçadora da potência mundial (Babilônia e Roma)

Considerados traidores pelo seu povo

Oposição dos falsos profetas e fariseus

Choraram sobre  a cidade de Jerusalém

Predisseram a ruína de Jerusalém

Poucos discípulos verdadeiros

Perseguidos e aprisionados

Enfatizaram a “religião do coração” e não meramente formas externas e cerimônias

Jesus citou Jeremias ao purificar o Templo
Jr 7.11
Enfatizaram um “novo concerto no coração”
Jr 31.31-37, Hb 8.7ss
Usaram ilustrações e parábolas

Revelaram um coração compassivo por uma nação que devia obedecer a Palavra de Deus

Foram aparentemente frustados no final de suas vidas e ministérios

Deus Os honrou e fez Seu trabalho próspero


9.No reinado de Josias, a Lei foi encontrada e com certeza Jeremias se utilizou dessa Lei e aplicou-a à sua mensagem. Vemos um paralelo entre Jeremias e Deuteronômio em várias passagens.
Jeremias
Deuteronômio
2.6
32.10
28.14
28.49
7.33
28.26
11.3
27.26
11.5
7.12-13
24.9
28.25

10.Todos sabemos que para Babilônia foram os principais judeus, os mais capacitados, e alguns deles foram até honrados pelos cargos e posições que tiveram. Exemplos: Os três amigos de Daniel, o próprio Daniel, Esdras, Neemias e muitos outros. Jeremias teve o privilégio de escolher entre ir para a Babilônia ou ficar com o remanescente pobre (2 Rs 24.14, Jr 39.12). Ele preferiu ficar e ministrar ao seu povo desolado, mesmo sabendo que teria tratamento especial se fosse. De fato, Jeremias foi para um cativeiro, mas não o babilônico e sim para o Egito, juntamente com Baruque (43.6-7). Mesmo do Egito Jeremias aconselhava o povo a voltar-se ao Senhor e não para o Egito (cap.44). Enquanto Jeremias pregava em Jerusalém, Ezequiel pregaria, anos mais tarde, a mesma mensagem na Babilônia, entre os cativos.

11.O profeta que mais sofreu foi Jeremias. Vejamos alguns desses sofrimentos que afetaram o profeta, tanto em seu físico como sua moral e suas emoções.

1.Perigo de vida no reinado de Jeoiaquim, devido à sua pregação fiel a Deus (26.7-20).
 2.Sua vida foi ameaçada em Anatote, durante o reinado de Josias (11.18-23).
 3.Sua própria família estava contra ele (12.5-6).
 4.Era amaldiçoado por quase todos (15.10).
 5.Foi colocado no tronco por Pasur (20.1-18).
 6.Ficou desapontado e indignado (20.14-18).
 7.Seus escritos foram queimados por Jeoiaquim, porém, reproduziu e acrescentou mais palavras (36.9-32).
 8.Teve contenda com Hananias (cap.28).
 9.Teve contendas por carta com os falsos profetas da Babilônia (cap.29).
10.Foi aprisionado junto à porta da cidade e atirado à masmorra, na casa de Jônatas, o escriba (37.3-15).
11.Acusado de traição e atirado no cárcere, para ali morrer, mas é socorrido por um etíope (38.1-13).
12.Levado em cadeias até Ramá (40.1).
13.Levado ao Egito pela força (42.1-43.7).
14.Esforçou-se, mas não foi ouvido, para que o povo abandonasse a idolatria (cap.44).

12.Um esboço simples do livro.

  I.O chamado nacional - mensagens a Judá (1-33 e 52)
 II.O chamado pessoal - os sofrimentos de Jeremias (34-35)
III.O chamado internacional - mensagens às nações (46-51)

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