Jeremias 35

Capítulo 35: Os Recabitas
Introdução
1.Os recabitas eram uma tribo desde os tempos de Moisés (Jr 35.1-12, 1 Cr 2.55, Nm 10.29-32, Jz 1.16, 2 Rs 10.15-31). Eram muito simples em seu viver diário. Jonadabe, o descendente de Recabe, mostrou-se zeloso na época da idolatria de Jeú, e esse zelo perdurou na linhagem por 250 anos, fazendo-os um povo distinto. Rejeitavam o sistema de vida agrícola fixa, portanto, eram semi-nômades. Por causa desse zelo ganharam o favor de Deus (Jr 35.18-19).

2.Deus sempre terá um remanescente fiel em tempos de apostasia e desobediência. Sempre haverá um Noé, um Abraão, um Ló, um José, um Moisés, um Calebe e Josué, um Daniel. Pessoas que, em meio a tanta incredulidade, permaneceram firmes no Senhor. Na Tribulação haverá 144 mil judeus crentes e, hoje, existem homens e mulheres fiéis. Jesus perguntou: “...quando vier o Filho do homem, achará porventura fé na terra?” (Lc 18.8). De modo geral não haverá fé na terra, os homens se afastarão do Senhor, mas individualmente, haverá sempre um remanescente fiel.


3.O profeta Jeremias estava vivendo no meio de uma geração perversa que abandonou o Seu Deus. Não havia exemplos positivos no meio do povo de Deus, mas havia ainda um exemplo: os Recabitas, também conhecidos como queneus (1 Cr 2.55). Recabe matou um homem justo, ls-Bosete, e foi castigado e morto por Davi (2 Sm 4.2-12). Porém, os descendentes de Recabe eram fiéis àquele que se tornou o pai dos recabitas, Hamate (1 Cr2.55). Mais tarde Jonadabe, descendente de Recabe, estabeleceu a doutrina dos recabitas, que tinha por objetivo preservar o povo puro ao Senhor, afastando-se de Baal (2 Rs 10.15-31).

4.No texto de Jeremias 35 encontramos Deus contrastando o povo de Judá com os Recabitas. O povo de Deus estava em desobediência e Jeremias tentava por todos os modos convencê-­los, mas era tudo em vão, pois estavam obstinados em seus pecados. Jeremias mostra que a obediência total a um padrão inferior é melhor do que a desobediência total a um padrão superior. O crente devia obedecer o padrão superior de Deus, assim como os Recabitas obedeciam o padrão inferior que tinham. Neste texto vemos os fundamentos da doutrina dos Recabitas e a palavra de Deus sobre os Recabitas em comparação ao povo de Deus

I.Abstinência total ao vinho – (v.1-6)
Deus sempre fez Jeremias ensinar o povo através de lições visualizadas. Os Recabitas estavam totalmente à vontade para beber: foram levados a um lugar privativo, nobre e foram bem servidos. A determinação dos Recabitas não era cega, mas fundamentada em sua história. Encontramos, hoje, crentes de pouca determinação por falta de vínculo com a História da Igreja e, portanto, por falta de identidade cristã. É provável que se não houver uma reestruturação dos crentes mais antigos e um ensino aos mais jovens, os crentes farão o que bem entender daqui para frente e as inovações vão nos fazer fracassados e, com toda a certeza, a Obra Missionária será a primeira a sentir os efeitos desastrosos. O fundamento em si é de padrão inferior, pois a abstinência ao vinho para a época era desnecessária (v.1-6).

II.Voto de pobreza e nomadismo (v.7,9-11)

Os Recabitas tomaram esta atitude para ficar o mais longe possível dos adoradores de Baal, os quais buscavam o luxo. Os Recabitas se tornaram nômades, evitando o risco de parar numa cidade e serem contaminados com a idolatria. Só quando os babilônios e sírios perseguiam os povos é que se refugiaram em Jerusalém. Era um fundamento de padrão inferior, pois Deus não está mandando que os crentes sejam pobres e nem proibindo de possuírem casas e conforto. No entanto, há crentes ajuntando tesouros na terra e impedindo que a Obra de Deus avance em direção aos Confins da Terra. Estamos juntando riquezas e habitando em lugares muito fixos e confortáveis e talvez nos contaminando com as idolatrias que o mundo nos oferece (v.7,9-11).

III.Obediência total: coletiva e familiar (v.8)

Os Recabitas eram obedientes e fundamentados em sua própria história: Jonadabe. A obediência dos Recabitas era total e, muito importante, era coletiva: todos os Recabitas. Quantos já presenciaram crentes confessando pecados juntos, num só clamor, num mesmo culto? Quantos já presenciaram Igrejas mandando pessoas para a Obra Missionária? Não, nós somos acostumados a confessar pecados individualmente e ver pessoas, individualmente, desafiadas para a Obra Missionária, sem qualquer direção e envio, primeiro da Igreja. Em Antioquia, Paulo e Barnabé não foram voluntários, mas sim enviados pela Igreja. Cada um não decide sobre o seu próprio ministério, a Igreja faz isto. Isto chama-se coletividade. A obediência dos Recabitas era total, e, também muito importante, era familiar: mulheres, filhos e filhas. Nós nos acostumamos a dizer que o crescimento é individual e que nem sempre os filhos ou cônjuge seguem a fé dos pais e do cônjuge. Paulo disse “que tenham filhos crentes” e Josué disse “eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. O fundamento dos Recabitas era de padrão inferior, pois obedeciam seu pai terreno e seguiam suas tradições (v.8).

IV.A palavra de Deus sobre os Recabitas em comparação ao povo de Deus (v.12-19)

Não há dúvida que o padrão do Pai Celestial é superior aos fundamentos da doutrina dos Recabitas, mas mesmo assim somos surpreendidos com o comentário de Deus. Enquanto os Recabitas ouvem e obedecem uma ordem remota de 300 anos de um pai terreno, o povo de Deus não ouve a ordem diária de Deus. Não acordamos de madrugada, por isso, talvez, não ouvimos Deus. O povo de Deus receberá as próprias consequências em não obedecer o Senhor. Os Recabitas, embora seguindo um padrão inferior, são agraciados e elogiados por Deus (v.12-19).

Conclusão

Deus preservou os Recabitas. Alguns comentaristas afirmam que o que o Salmo 71 foi escrito pelos filhos de Jonadabe. Na reedificação dos Muros, lá estava a presença de um Recabita (Ne 3.14). Existem outras tradições entre os judeus, por exemplo, o Talmude reserva um dia especial para os Recabitas (7o dia do mês Abe). Dizem que ainda hoje no lraque e lêmen há recabitas, talvez precisando conhecer Jesus Cristo, ou talvez não ficaríamos surpresos se forem missionários desconhecidos nos desertos, habitando em tendas. De qualquer forma parece que estamos prontos a criticar crentes simples que se abstêm de coisas lícitas para o Senhor, enquanto nós mesmos cheios de fundamentos superiores precisamos ser mais piedosos e amar mais integralmente o Senhor.

2 comentários:

  1. Em muitos casos sabemos que a abstenção é causada por temor a lei e à opressão das igrejas. Estamos sempre prontos a acreditar que precisamos libertar as pessoas, pensando no melhor pra elas.. Obrigado pelo texto e por me mostrar outro ponto de vista. (: Nem sempre essa nossa iniciativa é correta porque, na verdade, não podemos julgar o que se passa no coração das pessoas. E em alguns casos é possível que a abstenção não seja causada por opressão, mas sim por submissão e escolha. Romanos 14 pode ser aplicado aqui?

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  2. Quando alguém faz algo sem pressão da religião, ritos, organizações ou para obter mérito por alguma justiça própria é algo para se admirar. Já não é porque me disseram, mas porque amo a Deus e O sirvo com integridade. Obrigado pelo comentário.

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