Lamentações 3


Capítulo 3: Lamentação do profeta
1.A lamentação do profeta é pessoal, mas retrata toda a aflição da nação. Ele não foge da responsabilidade que a nação tem por aqueles sofrimentos, pois são decorrentes de seus pecados durante séculos de desobediência contra Deus. Até o versículo 21, aprendemos como reconhecer o pecado a fim de levar o pecador ao arrependimento (v.1-21).

Como reconhecer o pecado
1.Saber que é sujeito à vara do furor de Deus. Os habitantes de Judá sofreram a vara dos soldados da Babilônia. Suas costas ficaram marcadas com as bastonadas que sofreram. O pecado está sujeito à vara da disciplina. A igreja jamais sofrerá a punição do inferno, mas o crente que é amado de Deus recebe a disciplina como incentivo à mudança de atitude.


2.Saber que é um caminho de escuridão. O cerco de Judá trouxe vários problemas de infraestrutura na cidade de Jerusalém, sendo um deles a falta de luz, pois começou a faltar óleo para as candeias. O pecado traz ao crente dúvidas nas decisões e um futuro sombrio sem direção.

3.Saber que é diário. A nação sofria diariamente. Cada novo dia era a lembrança do que perderam por desobedecerem a Deus. O pecador sofre diariamente a consequência dos seus atos. Por isso, é comum o pecador se tornar hedonista, isto é, ele busca o prazer a todo o custo para anestesiar sua consciência pesada e vida espiritual fracassada.

4.Saber que é envelhecedor. Juda ficará no cativeiro durante 70 anos. Os bebezinhos sairão idosos e os idosos morrerão lá. O pecado pode envelhecer uma pessoa, não na idade, mas na disposição mental, emocional e até física.

5.Saber que é venenoso e dolorido. O pecado da nação envenenou-a. Os sacerdotes, príncipes e profetas envenenaram o povo. O pecado mata a pessoa aos poucos, pelo menos, espiritualmente e é muito dolorido, cheio de lembranças de como podia ter feito diferente e cheio de esperanças frustradas.

6.Saber que é tenebroso e mortal. Os dias para Jerusalém foram de trevas. Foram dois anos de sítio. Uma escuridão para todos. O pecado na vida de uma pessoa entenebrece e mata.

7.Saber que é escravizador. A nação toda foi levada como escrava para a Babilônia. O pecado é escravizador, não apenas por sua essência, mas por ser repetido. Quanto mais alguém reincide no pecado mais escravizado fica.

8.Saber que é inclemente. Não adiantava mais orar. Deus é clemente, mas o cálice de Sua ira chegou até à borda. A obstinação no pecado pode chegar a um ponto em que Deus não ouve mais a oração. Enquanto estamos em pecado, a única oração aceitável é a confissão.

9.Saber que é tortuoso. A nação ficou sitiada pelos caldeus. Os caminhos ou estradas foram interditados. Não havia mais caminho. O pecado nos deixa sem rumo. As veredas precisam ser aplainadas, os pecados confessados para que o Senhor nos coloque de volta ao caminho de paz e justiça.

10.Saber que é espreitador. Deus disse para Caim que o pecado o acharia. O pecado jamais perde a rota de alguém que se desvia do Senhor. Judá foi espreitada pelo leão, o símbolo da Babilônia e levada para a Pérsia, simbolizada pelo urso.

11.Saber que é assolador. Judá foi assolada por todos os lados. O pecado destrói todas as virtudes obtidas pelo homem em seu estado de graça para assolá-lo em seu estado de pecado.

12 e 13.Saber que é alvo de ferimento mortal. Os caldeus não erraram o alvo, mas acertaram em cheio Jerusalém e seus habitantes. O pecado nos faz alvo da disciplina do Senhor e para o incrédulo o faz alvo do juízo eterno.

14.Saber que é zombador. Judá teria que baixar a cabeça e sofrer a humilhação das nações vizinhas as quais foram derrotas por Josué anos atrás. O pecador sempre é humilhado, não importa se muito ou pouco, mas jamais alguém fica imune da zombaria de Satanás quando peca.

15.Saber que é amargo. Judá estava experimentando o fel. Sabemos que a terra que estão perdendo para a Babilônia é a terra que mana leite e mel, mas agora o pecado fez com que experimentassem o amargo sabor do desprezo da promessa de Deus. O pecado tem um sabor enganosamente doce no início, mas depois se revela tal qual ele é: amargo. A vida do pecador passa por momentos de amargura, muitas vezes, até mesmo depois de confessado e acertado, devido às consequências próprias da transgressão.

16.Saber que é aos poucos devastador. A nação já vinha experimentando engano, opressão e injustiça há muitos anos e muitas dinastias reais. No final foi sitiada por dois anos. Sendo assim, o efeito devastador vinha se propagando como uma erosão. O pecado vai tirando todo o chão da pessoa até que ela não consegue se segurar em nada. Até aí a misericórdia de Deus se torna um gancho de apoio, mas não devemos abusar dessa misericórdia, pois nunca sabemos até quando ela estará disponível.

17.Saber que é perturbador. Judá está em grande perturbação, pois não há nenhum lugar seguro ao qual recorrer. O pecado perturba grandemente aquele que entra nele. Alguns chegam a se desesperar da própria vida e não poucos chegam a tirá-la.

18.Saber que é inglório e sem esperança. Judá desfrutou de muita glória, mas está perdendo a glória do templo e deixando de ser a esperança do mundo. O pecado nos dá alguns minutos de glória para depois tirar tudo o que temos e nos deixar sem esperança. O incrédulo que vive no pecado também vive sem esperança e sem Deus no mundo e carece da glória de Deus (Rm 3.23, Ef 2.2).

19.Saber que é aflição. Jerusalém passa por momentos de aflição quando o cerco é rompido e a nação levada cativa. O pecado sempre afunda o homem em grande aflição e desespero.

20.Saber que é abatimento. Judá está totalmente abatida, sem a mínima chance de se reerguer. O pecado prostra o pecador de tal maneira que se ele não se arrepender, o abatimento será duradouro e cada vez mais ficará prostrado, mesmo gozando de prazeres mundanos. Em pé, mas caído.

21.Saber que é sedento de esperança. Judá anseia pelo dia em que retorne para a sua terra, mas somente após 70 anos é que os primeiros habitantes repovoariam Jerusalém. O pecado deixa o pecador sedento de Deus e de esperança. Não propriamente o pecado, senão ele seria uma bênção, mas é o estado árido em que o pecador fica ao experimentar o pecado.



2.Em meio aos sofrimentos, quer sejam por habitarmos num mundo caído, e por isso, cheio de aflições, ou porque pecamos e erramos o alvo de Deus para nós, de uma coisa podemos estar bem certos: a misericórdia de Deus é tão grande e renovável que sempre haverá algo para trazer à memória o que pode dar esperança. O crente em sofrimento deve esperar no Senhor, pois o Senhor se mostra bom. O sofrer em silêncio aperfeiçoa a alma e nos faz refletir sobre a vida que Deus quer para nós. Os jovens não se apegam muito à reflexão da vida, mas o sofrimento é uma excelente escola também para o jovem pensar em Deus. A humilhação pelo sofrimento nos faz buscar a esperança em virtudes realmente verdadeiras e não na ilusão (v.22-29).

3.No momento, Jerusalém deveria se humilhar diante do inimigo, mas sempre manter a esperança que Deus não abandonou Israel. As misericórdias do Senhor voltam a ser o tema do profeta, pois a tristeza por durar um tempo, mas a compaixão de Deus aparecerá na vida do entristecido e esperançosa na misericórdia de Deus. Há tristeza para o arrependimento que é a tristeza de Deus para o homem. O prazer de Deus não é ver o homem sofrer, mas glorificá-Lo. Se alguém só glorifica a Deus debaixo do sofrimento, então, o Senhor não poupará a aflição para extrair o perfume da submissão. Além disso, todas as injustiças não estão ocultas a Deus (v.30-36).

4.Tudo o que acontece é permissão de Deus. Não significa que tudo é vontade de Deus ou plano direto Dele para nós. As injustiças, ofensas, abusos, assassinatos e todas as maldades que alguém executa contra nós, não são a boa vontade de Deus, porém, o Senhor faz essas coisas maléficas se tornarem nossos professores da vida e um incentivo para buscarmos a misericórdia de Deus. Quanto ao homem, não deve se queixar contra Deus, mas dos seus próprios pecados. Devemos nos perguntar no sofrimento, qual parte temos de desobediência contra Deus e saber que muitos resultados do pecado são aflição e algumas podem ser resolvidas através da confissão e acertos de contas para quem ofendemos. Outras consequências são irreparáveis e contamos com sempre com a misericórdia e graça de Deus para resolver as questões insolúveis para nós (v.37-51).


Alguns conselhos para o crente que está sofrendo
1.Confie na misericórdia de Deus (v.22-23).
2.Espere no Senhor (v.24-25).
3.Fique em silêncio (v.26-28).
4.Aceite a humilhação diante dos homens (v.29-30).
5.Reconheça que Deus não o abandonou (v.31-38).
6.Admita seu pecado, quando houver (v.39-51)



5.O profeta, em oração, se consola com a esperança de que o Senhor não abandonou para sempre a nação. Os inimigos de Judá, todas as nações vizinhas mais a Babilônia se tornam tal qual caçadores de passarinhos, obstinados, os quais não descansam até derrubar o alvo. É como se a nação fosse colocada toda numa cisterna e fosse coberta de pedras. O profeta Jeremias foi lançado numa fossa e conhece perfeitamente a humilhação e desespero da situação. É como se estivesse sendo afogado. A nação está cortada, isto é, arrasada pelo sofrimento. São nesses momentos que o clamor sai com toda a intensidade. O profeta clama e a nação clama também. A certeza de que o Senhor ouve é o único conforto em situações desesperadoras. O profeta sente segurança Naquele que diz: “Não temas”. Talvez, pela primeira vez, no livro lemos algo que não seja uma lamentação sem esperança, mas uma declaração de confiança em Deus e em Seu auxílio. O profeta sabe que Deus está com a nação e, por isso, Ele a remiu não deixando-a perecer. As nações vizinhas estão se deleitando, achando que é o dia da vingança para elas contra toda a opressão de Israel desde os tempos de Josué conquistando a terra. No versículo 65, “dureza de coração” é a tradução de “shamad”, ou seja, aflição. O Senhor afligirá as nações que estão cantando louvores pela queda de Jerusalém (v.52-66).

Deus não nos abandonou
1.Mesmo quando parece que somos aves sendo caçadas (v.52)
2.Mesmo quando parece que fomos lançados numa cova (v.53)
3.Mesmo quando parece que fomos afogados por água (v.54)
4.Ele nos ouve da cova (v.55-56)
5.Ele nos conforta com o famoso: “Não temas” (ou não temais) que aparece na Bíblia 101 vezes (v.57)
6.Ele redimiu nossa alma (v.58)
7.Ele vê a injustiça contra nós (v.59)
8.Ele vê a maldade que querem fazer contra nós (v.60)
9.Ele vê a humilhação que estamos passando (v.61)
10.Ele ouve as acusações feitas contra nós (v.62)
11.Ele ouve as zombarias feitas sobre nós (v.63)
12.Ele tratará com nossos adversários (v.64-66)

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