Oseias 3



Capítulo 3: As maldades da esposa adúltera, Israel
1.O profeta Oseias teve um ministério muito sofrido, pois afetou diretamente a sua vida conjugal. Deus queria que, através do casamento mal sucedido de Oseias, o povo sentisse o quanto Ele estava sentido com a nação de Israel que se prostituiu com outros deuses. No capítulo três Oseias deve buscar e amar a mesma mulher que está em adultério com o seu próprio amigo. O povo de Israel devia sentir como Deus se sente ao ver o Seu próprio povo se afastando de Seu amor.

2.Israel se tornou uma esposa má. O profeta busca a sua mulher, Gômer, que lhe foi infiel. Ela tem outro homem diante de seus olhos. Ela não consegue viver com Oseias e não olhar para o outro. Como se sente um homem que ama a sua esposa, mas ela ama outro? O adultério machuca
profundamente, pois toda a confiança depositada em alguém se esvai. A pessoa que sofre o adultério começa a se culpar, tentando achar em si alguma falha ou possível explicação porque o cônjuge vive uma vida dupla, mas é o adúltero que deve se sentir culpado. Deus não Se sente culpado e nem está tentando achar uma explicação, pois Ele é santo e conhece todas as intenções do coração. Deus conhece a nação de Israel e sabe que a cercou de cuidados e amor, mas a idolatria no coração da nação foi a causa dessa infidelidade. Os bolos de passas podem ser tubos ou massas, cremes dessas uvas que eram comidos nas festas pagãs ou jarros de vinho que, também, era consumido nas festas idólatras.

3.No dia a dia nem tudo é festa. A esposa festeira queria se divertir com outros e provar das iguarias. Em casa, a vida é pacata e rotineira, mas a bendita rotina é que fortalece o amor de um casal. É melhor viver em amor numa casa onde só se come verduras do que comer churrasco onde só existe ódio. O povo de Israel não podia reclamar, pois Deus sempre gostou de festas e incentiva o povo a participar e se alegrar, mas o povo se cansou e quis buscar deuses falsos. Nós podemos nos cansar das bênçãos de Deus e buscar novidades, mas tudo será ilusão.

4.Portanto, uma esposa que olha para outros homens, que não seja o seu marido, está cometendo uma loucura, uma maldade contra si mesma. A nação de Israel olhou para outros deuses e com isso estava cometendo uma loucura. Os crentes que estão olhando para o mundo e seus prazeres e deixando a congregação dos irmãos estão imitando a esposa infiel. Apenas olhar com intenções impuras já se constitui em adultério, disse Jesus.

5.Oseias pagou o resgate da esposa, que se tornou escrava, talvez alguma concubina de seu amigo. Ele pagou quinze peças de pratas. Não sabemos o quanto isto vale. Um ômer equivale a 220 litros. Portanto, Oseias pagou 330 litros de cevada por essa esposa. Era o preço de um escravo (v.2, ver Ex 21.32). O nosso salvador nos comprou, não com preço de ouro ou de prata, mas com o Seu precioso sangue derramado na cruz. Nós temos um preço e não podemos buscar outro que não seja o nosso remidor, Jesus Cristo (v.2, ver 1 Pedro 1.18-19).

6.A esposa de Oseias praticou maldade contra ele, pois não o amou como ele a amou. Ela não valorizou o seu cuidado. Mas ele foi atrás dela e a comprou de volta e fez uma aliança para que ela não voltasse a se prostituir (v.3). Oseias não apenas exigiu fidelidade dela como, ele mesmo, jurou fidelidade quando disse “também eu esperarei por ti”. Deus exige santidade porque Ele é santo. Ele promete cuidar de todos os que se achegam a Ele e promete, também, nunca os abandonar. O nosso Deus não tem nos abandonado e, por isso, não devemos olhar para outro senhor.

7.A nação de Israel se prostituiu, servindo outros deuses, mas sofreu a consequência e, ainda, está sofrendo. Com os dois cativeiros que sofreu, da Assíria e Babilônia e, depois, com a invasão de Tito em Jerusalém no ano 70 a.D., a nação ficou sem rei e sem o templo, portanto, sem sacrifícios. Porém, isso teve um resultado muito positivo, pois o cativeiro curou totalmente a idolatria. O texto diz estátua, que é a estátua de Baal. Éfode é a roupa de sacerdote. Os judeus não praticam sacrifícios, pois não possuem mais o templo e nem a linhagem sacerdotal (v.4).

8.O que é terafim? É uma palavra plural. Não se sabe, de fato, o significado, mas sabemos que é uma referência a ídolos domésticos (Gn 31.34-35, 1 Sm 19.13,16, Gn 31.19, Zc 10.2, Ez 21.21). A nação foi curada dessa idolatria, pois abandonaram não apenas a adoração nos montes e templos, mas também deixaram os “santinhos” do lar (v.4).

9.Haverá um tempo em que Israel se converterá e o reino de Davi será restaurado. A esposa que se prostituiu se arrependerá. A Igreja é a virgem pura para o Seu Senhor Jesus Cristo, mas isto não significa que Deus abandonou a Sua esposa, a nação de Israel. Essa maldade será apagada (v.5).

10.A esposa de Oseias praticou a maldade de olhar para outros homens e adulterar, traindo o seu marido querido e abandonando os seus filhos. A esposa de Deus, a nação de Israel, praticou a maldade de olhar para outras nações e seus reis e deuses e praticou o adultério espiritual, a idolatria. Cada um de nós somos a esposa do Senhor. Não devemos praticar a maldade de buscar auxílio e prazer no mundo, pois ainda que o amor de Deus esteja em nós, seremos repreendidos.

“G. Campbell Morgan diz: ‘O pecado, em última análise, em sua forma mais terrível, é infidelidade ao amor. Ele fere a Deus e destrói o pecador’.”[1]


[1] Estudo Panorâmico da Bíblia, pg. 249 – Henrietta C, Mears (Editora Vida – 1982)

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