Gênesis 37

Capítulo 37: José vendido pelos irmãos
1.Jacó estava agora no lugar certo, onde Deus queria. As gerações de Jacó não são apresentadas como a de Esaú no último capítulo, mas apresenta de um modo dinâmico através da história de José, o grande herói da nação de Israel. Ele foi desprezado por seus irmãos, mas salvou-os e permitiu que a nação sobrevivesse. Ele é uma sombra do Senhor Jesus o qual também foi desprezado pela nação de Israel, mas tornou-se o salvador. José era filho de Rebeca. Ele via problemas no comportamento dos seus meios-irmãos e denunciava ao pai. Jacó tinha suas preferências quanto a filhos e José era o preferido por ser o filho da velhice e, certamente, por sua índole. José deu uma linda túnica para José. Esse presente trouxe inveja nos irmãos. Os diálogos que tinham com José deviam ser ásperos. Para piorar a situação, porém, dentro dos planos de Deus, José tinha sonhos e os contava aos irmãos. Os sonhos exaltavam José acima dos irmãos. Não precisou muitas explicações, pois os irmãos entenderam os sonhos de José. Outro sonho incluía a submissão dos pais a José. Isso era muito estranho para qualquer cultura, pois os pais sempre estão acima dos filhos. No entanto, Jacó teve a mesma atitude que futuramente a mãe de Jesus teria, a de guardar em silêncio os fatos observados (v.1-12).

“José, um Tipo de Cristo. Apesar de isso não ser dito explicitamente nas Escrituras, há diversas analogias óbvias: 1) Ambos foram objetos especiais do amor paterno (Gn 37.3, Mt 3.17). 2) Ambos foram odiados por seus irmãos (Gn 37, Jo 15.25). 3) Ambos fizeram reivindicações de superioridade
(Gn 37.8, Mt 21.37-39). 4) Seus irmãos conspiraram tanto contra um como contra o outro (Gn 37.18, Mt 26.3,4). 5) Em sua intenção, os irmãos de José tiraram-lhe a vida. Jesus perdeu a vida, na realidade, por exigência de Seus irmãos (Gn 37.24, Mt 27.35-37). 6) Ambos foram vendidos em troca de peças de prata (Gn 37.28, Mt 26.15), 7) No caso de ambos houve túnicas envolvidas em sua traição e sofrimento (Gn 37.31, Jo 19.23). 8) Ambos tornaram-se motivo de bênçãos especiais para indivíduos e nações, e ambos obtiveram uma esposa gentílica (Gn 41.1-45, At 15, Ef 5.25-32). 9) Ambos se reconciliaram com seus irmãos (Gn 45.1-15, Dt 30.1-10, Os 2.14-18, Rm 11.1,15,25,26).”[1]

2.Jacó, chamado Israel, talvez quisesse fazer que os irmãos aceitassem José e o enviou para o pasto para saber como estão. Não seria de modo algum seguro em situações normais, mas Deus estava na direção desse plano, mesmo com toda a malignidade dos irmãos de José. Os irmãos de José tinham planos para matá-lo. Se Rúben agiu errado antes, agora, ele age de modo mais humano e fraternal que os demais irmãos. O plano de jogá-lo na cova não era maldade, mas para que José tivesse uma chance de retornar ao pai. Judá também foi usado para a execução do plano de Deus, sem o saber. Ele sugeriu a venda de José aos ismaelitas que estavam indo para o Egito. Assim como José foi vendido por prata, Jesus também foi vendido por Judas aos fariseus por moedas de prata. Provavelmente, Rúben não estava no momento em que tiraram José da cova e o venderam aos comerciantes ismaelitas, mas parece que os irmãos não explicaram nada a Rúben. A história que Jacó acreditou por todos os anos a seguir é que o filho foi devorado por feras do campo. A hipocrisia dos filhos foi inacreditável, pois para que o plano fosse verossímil tinha que consolar o pai. Porém, ele não quis ser consolado. José foi vendido para o Egito para um alto oficial (v.13-36).


[1] O Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo vol. 1, pg.235 – Russell Norman Champlin (Editora Hagnos – São Paulo – SP – 2ª ed. 2001)

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