Gênesis 50



Capítulo 50: A morte de Jacó e de José
1.José era bem emotivo e a morte do seu pai, logo após proferir as bênçãos, foi o auge da emoção. José lançou mão dos recursos mais sofisticados de preservação de defuntos, o embalsamento egípcio que levava 40 dias para se processar e duração após o processo de muito tempo, de vários dias para que as cerimônias sejam suportáveis, não constrangedoras. Existem embalsamentos para vários anos e até séculos, como foram as mumificações. É curioso que até os egípcios sentiram pela morte do pai do soberano José. Faraó mais uma vez apoia a família de José, permitindo-o sepultar o pai em Canaã. O cortejo fúnebre foi enorme, pois autoridades egípcias acompanharam e toda a família de Jacó. A emoção coletiva inundou toda a cerimônia de muitos e muitos dias. Os cananeus até pensaram que era um cortejo egípcio, pois as duas culturas se confundiram naquele momento. Jacó era amado por judeus e egípcios. Enfim, os patriarcas cumpriram sua missão. Tudo estava
encaminhado para a grande nação. Os sepulcros podem esconder muita tristeza, mas também muitas realizações (v.1-14).

2.Após a morte do patriarca Jacó, os problemas começaram a surgir, sendo o principal a desconfiança dos irmãos de José. Eles não conseguiam ver Deus em todo aquele contexto. Eles fazem como muitos crentes, já perdoados pelo Salvador Jesus, mas ainda perseguidos por sentimento de culpa e cedendo às mentiras de que não conseguem se perdoar. Isso é falácia. Ninguém pode perdoar, somente Deus. O crente não precisa e nem pode se perdoar, isso é atribuição de Deus somente. Uma vez perdoados, não há mais nada a fazer, somente se alegrar pela maravilhosa graça de Jesus. Os irmãos de José até mentiram inventando uma história como se o pai tivesse suplicado pelo perdão de José pelos irmãos. Se fosse verdade, o próprio Jacó teria pedido isso a José no final das bênçãos aos filhos. Não precisamos perturbar Deus com pedidos chorosos de perdão. Ele já nos perdoou em Cristo Jesus dos pecados passados, presentes e futuros. José chegou a chorar, pois ele já tinha virado aquela página há muito tempo, mas os irmãos ainda estavam remoendo a culpa e ofendendo José como se ele fosse amargurado. Quando não aceitamos o perdão completo de Deus, nós o ofendemos, atribuindo a Ele um caráter rancoroso. José, assim como Abraão, Isaque e Jacó, cumpriu sua função e o pedido para que os irmãos levassem os seus ossos para Canaã era didático. Ele queria ensinar-lhes que a terra da promessa não era o Egito, mas Canaã. O livro de Gênesis começa com criação e termina com caixão. Isso mostra o destino da humanidade na terra. Gênesis começa com comunhão e termina com separação. Isso mostra o destino da humanidade sem salvação. Gênesis começa com expulsão do jardim e termina com esperança de terra da promessa. Isso mostra a redenção de Deus para o homem que Nele crê (v.15-26).

Sobre o pedido dos irmãos de José, nem todos são da opinião que eles estavam mentindo.

“Não há nenhuma razão para considerar o apelo do desejo do pai deles como um mero fingimento. O fato de não ter nenhuma referência feita por Jacó em sua bênção ao pecado deles contra José, somente prova que ele, como pai, perdoara o pecado de seus filhos, sendo que a graça de Deus fez o crime deles ser o meio da salvação de Israel; mas de modo algum isto prova que ele não teria instruído seus filhos a humildemente rogar pelo perdão de José, embora José, até agora, tenha mostrado somente bondade e amor. Muito longe de José pensar numa retribuição e vingança, fica evidente pela maneira com que recebeu o pedido deles.”[1]

Não entendendo a graça
1.Achando que a graça estava ligada à presença do pai (v.15)
2.Apelando para um perdão adicional (v.16-17)
3.Humilhando-se por medo (v.18)
4.Vendo somente a ira de Deus e não o plano completo (v.19-20)
5.Não desfrutando do consolo e cuidado do soberano (v.21)



[1] Keil & Delitzsch Commentary on the Old Testament (Johann (C.F.) Keil (1807-1888) & Franz Delitzsch (1813-1890) – extraído de e-sword version 10.3.0 - 2014

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