Êxodo 2



Capítulo 2: Proteção e Precipitação
1.No perigo de extinção da nação, Israel segue gerando filhos. Deus está não apenas protegendo uma família levita, mas iniciando uma grande libertação da nação. A família se uniu para proteger o bebê. Esta é apenas uma história dentre tantas outras que devem ter ocorrido naquele momento delicado. Não apenas blindaram o bebê e colocaram-no no rio, mas acompanharam o cestinho. Não sabemos se foi uma estratégia da família para que o cesto desembocasse no fundo do palácio de Faraó ou de alguma outra família que se compadecesse do bebezinho. O texto diz que a menina acompanhava de longe para saber o que aconteceria. O que é totalmente certo é que Deus estava protegendo esse bebê. A filha de Faraó foi movida de compaixão. Dificilmente alguém não se compadece de um bebê abandonado. Certamente ela agiria contrário à ordem de Faraó, não matando o bebê, sendo que era um menino. A irmã do bebê se ofereceu para a filha de Faraó para esconder o bebê com uma hebreia. A “ama” que cuidaria do bebê era a própria mãe do menino. Ela cuidaria dele com o salário da filha de Faraó. No final, o homem que manda matar os meninos, torna-se, sem saber, o grande benfeitor da família. É possível que o menino deixa a mãe com dois ou três anos para residir no palácio de Faraó. O nome “Mo-ni” significa “tirado das águas” e para nossa
língua fica Moisés. Assim foi a história da proteção de Deus para a família levita e o menino Moisés que se tornaria o libertador da nação de Israel. A carta aos Hebreus fala da escolha de Moisés pelo seu povo, abrindo mão dos prazeres que ele poderia ter ficando no palácio (v.1-10).

2.Moisés foi protegido por Deus para uma missão nacional. Ele seria usado por Deus para proteger e libertar a nação. Porém, até lá ele tinha muito o que aprender. Ele começa com esforço próprio, precipitação e fuga. Não era assim que Deus planejava libertar o Seu povo. Moisés tinha tudo o que alguém poderia desejar em termos materiais, mas ele era muito consciente de sua missão neste mundo, libertar o Seu povo. Ele preferiu defender os seus irmãos hebreus a viver no luxo do inimigo. Certamente, Moisés já presenciara, outras vezes, cena semelhante, mas agora resolve revidar em favor de seu povo. Como muitos já observaram, Moisés olhou para os lados, mas não olhou para cima. Se olhasse, saberia que Deus não aprovava o Moisés justiceiro. Ele ocultou muito mal aquele cadáver, na areia. Ele estava determinado a ser o justiceiro do lugar, não apenas contra os inimigos, mas do próprio povo, tornando-se juiz por conta própria. A notícia de que ele matara um egípcio se espalhou rapidamente em apenas um dia, e até Faraó ficou sabendo e resolveu matar Moisés, por isso, Moisés achou melhor fugir para Midiã. A precipitação de Moisés custou um atraso em sua missão? Não sabemos dizer, mas sabemos que Deus o prepararia para realizar a obra da maneira de Deus. O preparo economiza muito tempo, energia e impede erros (v.11-15).

3.Moisés foi acolhido pelo sacerdote de Midiã. Não sabemos se era sacerdote pagão ou do Deus verdadeiro. Os midianitas eram parentes do povo de Israel, mas isso não garante que não eram idólatras. Moisés se mostrou um homem gentil no meio de homens rudes com as mulheres. Reuel e Jetro são a mesma pessoa. As filhas dele foram protegidas por Moisés dos pastores rudes. Moisés se indignava com as injustiças dos fortes contra os fracos. Essa característica pode se ver tanto nos crentes quanto nos incrédulos, porém, indignação bem direcionada é muito raro ver em qualquer pessoa. As filhas de Reuel pensavam que Moisés fosse um egípcio, pois ele estava vestido como um egípcio. Moisés frequentou a casa de Reuel e se casou com uma de suas filhas, Zípora. O primeiro filho de Moisés se chamou Gérson para lembrar a peregrinação de Moisés ao fugir do Egito. Enquanto isso, Faraó morreu, mas o sofrimento do povo continuava. Deus não se esqueceu do povo. Ele tinha promessas a cumprir aos descendentes de Abraão, Isaque e Jacó (v.16-25).

“Apesar de algumas pessoas se confundirem com a etnia de Moisés (v.19), ele sabia que era hebreu, não egípcio, e não podia evitar identificar-se com o sofrimento de seu povo. Certo dia, tomou a corajosa decisão de ajudá-los, mesmo que isso significasse perder sua posição de nobre como filho adotivo da princesa (Hb 11.24-26). Os prazeres e tesouros do Egito desvaneceram quando ele se viu ajudando a libertar o povo escolhido de Deus.”[1]



[1] Comentário Bíblico Expositivo do AT - Êxodo, pg 236-7 – Warren W. Wiersbe (ed. Geográfica – Sto. André – SP - 1ª ed. – 2006)

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