Jonas 1



Capítulo 1: Um crente em desobediência a Deus

1.Há muito que ser visto em Jonas capítulo 1, talvez o aspecto missionário seja o primeiro aspecto que se apresente como o mais óbvio. Porém, há três usos e costumes neste capítulo que vale a pena observar para entender melhor a mentalidade da época e dos pagãos. Tanto dos ninivitas quanto dos marinheiros. Há muitos usos e costumes entre a nossa sociedade que giram em torno de assuntos espirituais e superstição. Fazer o sinal da cruz, não passar debaixo de uma escada, dizer “saúde” quando alguém espirra, bater as taças para fazer “Tim-tim” e muitos outros usos e costumes. Enquanto estudamos os usos e costumes, também estudaremos a clássica chamada missionária de Jonas e sua fuga da vontade de Deus. Deus quis alcançar os ninivitas pagãos através de Jonas, que quer dizer pombo. Deus quer alcançar os povos através de seus filhos que estão na Igreja. Para alcançar os povos temos de enfrentar os seus usos e costumes não tão agradáveis para nós. Alguns são bem ridículos em nossa concepção, mas para eles tem sentido espiritual. Por que, por exemplo, alguns índios recolhem sua escada antes de dormir em suas casas acima do nível do
chão? Para eles é de grande valor, pois acreditam que os espíritos maus sobem pelas escadas para buscar seus filhos (v.1)

2.Para alcançar os ninivitas Jonas deveria denunciar os terríveis usos e costumes bárbaros deles. Aqui é chamado “malícia”, ou seja, a malignidade, a crueldade e toda a perversidade. Deus rejeitava os seus usos e costumes. A obra missionária indígena sofre muita perseguição porque muitas pessoas da nossa civilização querem que os nativos continuem com seus costumes bárbaros de feitiçaria, sacrifícios humanos, mutilação e outras perversidades. Nínive era a capital da Assíria, um poderoso império da época. Uma cidade de cento e vinte mil homens, talvez com uma população total de quinhentos mil habitantes (Jn 4.11). A malícia dos ninivitas era de idolatria, assassinato, tortura e mentira (Jn 3.8, Na 3.1). Os ninivitas praticavam costumes bárbaros com os seus cativos. Arrancavam pele de seus prisioneiros, deixando-os morrer em agonia, mutilavam seus órgãos, arrancavam os olhos, nariz e orelhas. Essa crueldade era um costume que não motivava o profeta Jonas a pregar ali, seja por medo, seja por ódio e repugnância (v.2).

3.Jonas não estava disposto a pregar para um povo com costumes tão bárbaros. O crente tem todo o direito de não apreciar os costumes pagãos, mas se Deus mandá-lo pregar ali, o crente não pode desobedecer. Jonas se dispôs, mas para fugir. É difícil arrumar dinheiro para a obra de Deus, mas para fugir da obra de Deus as pessoas conseguem dinheiro. O profeta Jonas não estava fugindo da missão somente, mas estava fugindo do próprio Deus. Ninguém pode se esconder de Deus. Há muita repugnância nos costumes pagãos, mas se a Igreja do Senhor Jesus Cristo quiser cumprir a ordem da Grande Comissão terá de segurar o seu vômito e pregar o evangelho libertador a esses povos (v.3).

4.Os pagãos precisam da Igreja, pois de outra maneira nunca conhecerão a verdade do Evangelho. Deus queria usar Jonas e não desistiu dele, mesmo que ele desistiu de Deus. Aquela tempestade era para trazer Jonas de volta ao plano original de Deus. O Senhor está atrás de alguns servos desobedientes. Isto é misericórdia (v.4).

5.Aqui vemos um costume dos pagãos, o de clamar aos seus deuses. Em toda a história da humanidade, os homens aprenderam a clamar para entidades espirituais que eles mesmos criaram. Parece que nesse navio havia vários povos representados de diferentes nações. O único Deus verdadeiro não tolera a idolatria, por isso, é um costume que deve ser impedido através do ensino da Palavra de Deus e não através de nossas regras. Apesar de seus costumes e sua fé em deuses falsos, eles agiram de modo a saírem daquela situação desastrosa. Aliviaram a carga do navio. Jonas não estava preocupado com aquilo, aliás não estava preocupado nem com a própria vida. Um servo de Deus que sabe que pessoas estão clamando a deuses falsos e nada faz é muito indiferente e está em pecado. Não podemos dormir, enquanto pessoas morrem. Elas querem a ajuda do Deus verdadeiro. Será que os perdidos precisam avisar que eles estão perdidos e desesperados ou podemos ver isto por nós mesmos lendo a Palavra de Deus? (v.5-6).

“Jonas dormia profundamente. O pecado deixa a pessoa completamente tonta, e temos que considerar isto para que não suceda que, a qualquer momento, os nossos corações sejam endurecidos pelo engano que dele procede. O que é que os homens querem dizer, quando referem-se ao sono como a um pecado, quando a Palavra de Deus e as acusações de suas próprias consciências lhes advertem que se levantem e clamem ao Senhor, se quiserem escapar da miséria eterna? Não deveríamos nos advertir uns aos outros para que despertássemos, nos levantássemos e clamássemos ao Senhor nosso Deus, a fim de que Ele nos livre conforme a sua vontade?”[1]

6.Outro costume dos pagãos era lançar sortes para saber quem era o culpado. É claro que Deus não abençoa esta prática, mas aqui Deus permitiu para que Jonas se envergonhasse. O povo de Deus se utilizou dessa prática, mas Deus deixou em Sua Palavra bem claro que a sorte pode ser lançada, mas a direção certa vem Dele (ver Pv 16.33). Que vergonha para o crente quando em vez de ser luz está sendo culpado de pessoas se perderem. A vida do crente só serve se glorifica a Deus e ajuda as pessoas, senão não há razão dele viver (v.7).

7.Os pagãos têm o costume de clamar aos seus deuses falsos, mas não conseguem explicar a razão da existência, das calamidades e das doenças. Para eles tudo tem significado espiritual e neste caso estavam certos. Aquela tempestade era por causa da desobediência de Jonas. Aqueles homens fizeram uma verdadeira inquisição. Queriam saber tudo sobre o profeta fugitivo. A resposta de Jonas era digna, mas a situação era humilhante. Se ele era temente a este Deus criador do céu, do mar e da terra, ele deveria agir com mais temor (v.8-9).

8.Os pagãos são muito temerosos quanto aos assuntos espirituais, faz parte dos costumes deles. Agora, muito mais, sabendo que o Deus criador do céu, do mar e da terra estava fazendo aquilo. Até os pagãos estavam temendo a Deus e Jonas, o profeta de Deus, que devia fazer a vontade Dele estava fugindo. O costume de clamar a deuses falsos e lançar sortes é a demonstração de desespero em que se encontram as pessoas sem Cristo. Precisamos ir até elas e apresentar o Deus verdadeiro (v.10).

9.Um servo de Deus é reconhecido mesmo quando está em desobediência. Jonas era o único que podia dar esperança para aqueles pagãos, ainda que lhe custasse a própria vida. Triste estado do profeta! Ter que reconhecer publicamente, e diante dos incrédulos, a sua desobediência! Não precisamos passar por essa humilhação. Devemos servir ao Senhor e não esperar que algo trágico aconteça para, então, obedecermos (v.11-12).

10.Os homens não queriam sacrificar Jonas, pois vemos que se esforçaram muito para resolver a situação de modo pacífico. Às vezes, a nossa desobediência é facilmente resolvida com uma simples confissão a Deus somente; outras vezes, não é tão fácil assim. Agora clamaram ao Deus verdadeiro. Os incrédulos passam a imitar os crentes, mesmo não tendo conhecimento da revelação de Deus. É o reconhecimento de que Deus atua em nossas vidas e mais a ineficácia de seus deuses falsos. Os pagãos sabiam que jogá-lo no mar com aquela tempestade era morte certa e não queriam ser culpados da morte de um profeta do Deus verdadeiro. Os incrédulos já carregam culpa suficiente e não precisam carregar a nossa culpa. Devemos obedecer a Deus e nos responsabilizar pela pregação do evangelho a todos os povos (v.13-14).

11.Talvez os povos não conheçam o Deus verdadeiro por culpa de profetas fugitivos. Deus quer usar os seus servos para a expansão do Evangelho, mas alguns estão fugindo da responsabilidade de ir, contribuir e orar. Seria bom não ter esses crentes desobedientes em nosso meio e a paz e a obediência reinariam, mas não podemos esquecer que esses crentes desobedientes, em certa medida, somos nós próprios. Os pagãos têm o costume de oferecer sacrifícios aos seus falsos deuses, mas aqui mesmo tendo um conhecimento imperfeito do Deus verdadeiro, o que sabiam Dele já era o bastante para oferecer sacrifícios e prometeram obediência através de votos. Jesus disse que nações se levantarão e testificarão contra o povo de Israel, pois se fizessem os sinais que os judeus tiveram eles há muito teriam crido. Esses pagãos só precisam ouvir a mensagem salvadora de Jesus Cristo e a Igreja só precisa levar essa mensagem, os resultados virão com a atuação do Espírito Santo (v.15-16).

12.Quanto ao profeta Jonas a sua situação piorou e esta é outra parte da história. Os povos de diferentes crenças têm usos e costumes bárbaros, além da prática da idolatria. Eles estão aguardando uma mensagem melhor que lhes dê sentido nesta vida sem esperança. A Igreja deve enfrentar com coragem esses usos e costumes e levar-lhes a mensagem de Salvação. Quem não obedece, foge (v.17).

Um crente em desobediência a Deus
1.Ele foge (v.1-3)
2.Ele tem um falso descanso (v.4-6)
3.Ele prejudica os que estão ao seu redor (v.7-10)
4.Quando ele reconhece que é um estorvo aos demais, a situação melhora para os prejudicados (v.11-17)



[1] Comentário Bíblico de Matthew Henry - Jonas, pg. 2 – Matthew Henry (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - 3ª Edição - 2003)

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