Jonas 2



Capítulo 2: A oração e o que ela revela sobre o homem
1.A oração mais fervorosa é aquela que o homem angustiado faz. As cavernas, os vales, os leitos de hospitais e as entranhas do peixe produzem as mais calorosas orações. Jonas que havia desobedecido a Deus e o admitiu, precisava agora dizer o que realmente estava no seu coração. Embora a oração da angústia não seja uma garantia de que o homem consertará o seu caminho, ela abre uma oportunidade de uma intimidade maior com Deus para buscá-Lo de verdade e faz o homem se esquecer de quem ele é e do que ele quer, exceto o livramento da angústia. A aflição extrema nos faz orar sem dificuldade. A angústia da alma abre mão do sono, da comida, dos amigos, das diversões e do orgulho. A angústia se esquece até mesmo do que levou o sofredor até aquele estado para clamar somente a Deus por Sua misericórdia. A angústia revela um homem que ora fervorosamente e a oração revela um homem que sofre de angústia. Quando angustiado, o homem reconhece que está profundamente afundado e oprimido. Quando seguro de si mesmo e sem angústia de alma, o homem se acha acima das ondas e senhor dos mares das situações da vida. Não
é mal se sentir angustiado, se é para encontrar o Senhor nas profundezas do mar (v.1-3).

2.Ninguém que não se sente abandonado ora com fervor. As nossas orações mais sinceras estão ligadas a um senso de abandono. Nenhuma criança se lembra de seu pai quando está se divertindo com outras crianças. Os pesadelos e terrores noturnos é que fazem a criança correr para a cama de seus pais. Ninguém busca proteção quando se sente protegido. Ninguém busca companhia quando está rodeado da presença de amigos. Ninguém busca ao Senhor de verdade quando não se sente abandonado. Jonas se sentia jogado da presença de Deus e de Sua casa de adoração. Para quem estava fugindo para bem longe da Assíria e de Jerusalém, ele está com muita saudade do Templo. A igreja se torna refúgio para o crente sofredor. Talvez seja por isso que alguns abandonam a congregação, porque não se sentem totalmente abandonados no seu dia a dia. Talvez seja por isso que alguns não se debruçam diante da Palavra de Deus, porque não se sentem totalmente abandonados de Deus, mas não porque estejam muito íntimos de Deus e sim porque estão satisfeitos com suas próprias atividades e maneira de resolver os problemas da vida (v.4).
3.O maior abandono de Jonas não era de amigos ou de sua terra, pois ele era um fugitivo que queria se isolar de tudo e de todos. O maior abandono de Jonas era o da alma. Ficar sozinho com a própria alma é o maior senso de abandono, pois não sabemos como lidar com os problemas da alma. As atividades, diversões e rotina são um entorpecente da alma. Quando Deus nos abandona ou nos isola com a nossa própria alma através de alguma doença, algum desprezo ou tristeza, não sabemos como lidar com essa parte tão misteriosa do nosso ser. É por isso que os chamados “médicos da alma”, os psicólogos, são tão procurados, pois as pessoas não sabem o que fazer com uma alma silenciosa e abandonada. A sensação de abandono nos faz dobrar os joelhos e buscar o amado de nossa alma, Jesus. Ninguém ficará abandonado ao buscar ao Senhor, pois nosso nome está escrito na palma da mão Dele. Quando as pessoas precisam guardar uma informação importante elas escrevem até na mão para não se esquecerem. Deus não nos abandona, mesmo que uma mãe chegar a abandonar um filho (v.5-6 ver também Isaías 49.15-16).

4.Jonas, em sua angústia e abandono, buscou ao Senhor e creu que, mesmo não podendo estar no Templo, Deus levaria suas orações. A nossa oração chega até o Senhor, não importa onde estejamos. Nem sempre podemos estar com os irmãos ou com a Bíblia aberta, mas sempre o Senhor está pronto a ouvir o nosso clamor (v.7).

5.Nos momentos de oração íntima com Deus é que nos lembramos de que não vale a pena a busca de outro recurso que não seja Ele mesmo. Os ídolos não trazem a misericórdia de Deus até nós, mas só a afastam. Talvez Jonas estivesse pensando nos ninivitas e na idolatria daquele povo. Quem sabe ele estivesse prometendo ao Senhor que se saísse do ventre do grande peixe iria até Nínive e pregaria. Fazemos muitos votos quando estamos em situações difíceis. As camas de hospitais já ouviram muitas promessas de pessoas que prometeram para si mesmas, para os parentes e para Deus que se tornariam pessoas melhores ao saírem dali. Muitas promessas de novos missionários saíram dos hospitais, mas quantas dessas promessas foram cumpridas? Descobrimos na oração de angústia que somos ingratos ao Senhor e queremos resolver nossas pendências para com Ele. Algumas dessas orações são sinceras, mas outras são apenas uma tentativa de barganhar com Deus. De qualquer maneira, as aflições e as orações que elas provocam têm o poder de nos revelar como somos ingratos pelas coisas boas que Deus tem-nos dado (v.8-9).

6.Em algumas situações, Deus ouve nossas orações da maneira que desejamos, porém, outras vezes, precisamos aprender que não é como pensamos, mas como Deus quer. O objetivo das orações não deveria ser a fuga ou a libertação da aflição em si, mas um redescobrimento da nossa comunhão com Deus. Alguns que nem íntimos eram de Deus em oração aprenderam através dos sofrimentos. Outros que praticavam a devocional, mas se esfriaram, retornaram a esse tempo precioso através das angústias. Ainda há aqueles que jamais deixaram de seu tempo devocional, mas começaram a achar que Deus os abençoava por causa desse tempo, tiveram que aprender, através dos sofrimentos, que são as misericórdias de Deus, e não nossa oração em si, que nos mantêm vivos espiritualmente. O fato é que depois de sermos vomitados pelo grande peixe deveríamos nos tornar crentes mais conscientes da Pessoa de Deus e de Sua misericórdia (v.10).

“Jonas não tinha orado durante a tempestade e os marinheiros clamaram freneticamente aos seus deuses. Agora ele sentia o desespero de sua situação.... Obviamente a oração não foi escrita enquanto Jonas se encontrava dentro do peixe orando. Ela está toda no tempo passado, indicando o fato de ter sido registrada depois da experiência... Jonas pelo menos sabia a quem devia orar. Os marinheiros tinham os seus próprios e variados deuses mas os abandonaram quando descobriram como o Senhor era poderoso. Jonas, entretanto, sempre conhecera o verdadeiro Deus. Essa era a sua dificuldade. Ele sabia que Deus se preocupa com o homem e mesmo assim tinha fugido Dele. Agora que se encontrava em perigo, foi esse mesmo ar mor divino cheio de compreensão que o levou de volta a Deus.”[1]

A oração e o que ela revela sobre o homem
1.Revela que o homem sofre de angústia de alma (v.1-3)
2.Revela que o homem sofre de uma sensação de abandono (v.4-6)
3.Revela que o homem sofre de ingratidão (v.7-10)



[1] Comentário Bíblico Moody , pg.10-11 - editado por Everett F. Harrison (IBR – São Paulo – SP – 4ª impr. 2001)

Um comentário:

  1. Talvez a angústia não seja apenas o caminho para uma oração fervorosa, mas também, o único que leva o pecador a Deus. Enquanto o homem não se vê humilhado, não precisará de Deus.

    ResponderExcluir