Naum 1

Capítulo 1: Deus é poderoso e age
1.Naum significa “consolação”. A profecia fala da destruição de Nínive, inimiga do povo de Deus. Para Israel é um consolo, mas para Nínive é condenação. Naum é a única profecia que diz que é um “livro da visão”. Naum era de Elcosi, uma vila da Galiléia. Os fariseus estavam errados ao afirmar que não havia profetas da Galiléia. Jonas e Naum eram de lá (ver Jo 7.52). Jonas pregou aos ninivitas 100 anos antes, mas Naum escreveu um livro e nunca foi profetizar para eles. Nínive era a capital da Assíria. O povo do Norte, Israel foi levado cativo para a Assíria. Este é um livro que fala do poder de Deus e Seus atos. Deus é longânimo, mas quando age faz exatamente aquilo que prometeu. O mundo incrédulo perdeu a consciência do caráter de Deus. Muitos até dizem que Deus é poderoso e vingador, mas agem como se estivessem diante de alguém fraco e falador, apenas. O crente deve tomar consciência de quem é Deus. Naum escreveu no seu livro bastante para sabermos sobre o caráter de Deus e sobre o modo como Ele age. Primeiro, Ele diz que Deus é zeloso. Jesus disse que o zelo da casa do Senhor O consumiria. Pensamos de alguém zeloso como alguém que coloca o coração naquilo que faz e que não permite que as pessoas atrapalhem a sua tarefa. Deus é assim. Ele deseja que a Sua vontade seja cumprida. Além de ser zeloso, Deus é vingador. Imagine alguém zeloso em construir um castelo de areia, uma verdadeira obra de arte. Todo aquele zelo é
acompanhado de vingança, caso alguém queira destruir o seu trabalho. Deus não constrói um castelo de areia, mas Ele constrói o Seu próprio caráter nos Seus filhos. Se alguém quiser desmanchar esta obra maravilhosa, Ele despejará toda a Sua ira contra os destruidores. Era isso o que estava acontecendo. O povo de Israel era a obra de Deus, mas a Assíria estava tentando destruir isso (v.1-2).

“Cerca de cem anos antes, através da pregação de Jonas, os ninivitas se arrependeram e foram perdoados, mas logo depois tornaram-se piores do que nunca. Nínive não conhece ao Deus que contende com ela, e lhe dizem o que Deus é. É bom que todos mesclem fé com o que aqui se fala acerca Dele, que deveria transmitir grande terror ao ímpio, e consolo aos crentes. Cada um deve tomar sua porção daqui: que os pecadores leiam e tremam; que os santos leiam e triunfem.”[1]

2.Faz parte do caráter de Deus a paciência. Ele é poderoso, zeloso e vingador, porém, Ele dá tempo para as pessoas se arrependerem. Toda a suposta demora de Deus em julgar os pecadores só pode ser explicada por causa de sua longanimidade, conforme diz o apóstolo Pedro. O mundo deve ter consciência do Deus poderoso. Ao apresentarmos Deus para as pessoas, devemos mostrar-lhes o Deus poderoso e não alguém fraco que está disposto a aceitar as pessoas irreverentes e impenitentes. A paciência de Deus é somente porque Ele ama o pecador e quer vê-lo salvo, mas não porque Ele é fraco. O culpado jamais será menos do que isso. O culpado não tem parte com Deus e nada pode fazer para sair do seu estado de culpa, senão pela fé no Deus gracioso que o perdoa em Cristo Jesus. Os fenômenos da natureza assustam o homem. Nós temos consciência do perigo de um tornado e de um raio, mas nem sempre temos consciência de que Deus é mais poderoso e destruidor do que esses fenômenos. As nuvens são tão altas para nós, porém, são apenas o “tapete” de Deus, pois Ele é mais alto do que tudo. Essas figuras são antropomórficas, isto é, servem apenas para mostrar, na linguagem do homem, o poder de Deus. É claro que nos nossos dias já podemos ficar acima das nuvens, através do avião, mas nunca ninguém tinha visto as nuvens do alto. Sendo que Deus é tão poderoso e não inocenta o culpado, devemos nos conscientizar do Seu caráter e temermos qualquer desvio de Sua vontade. Deus mostrou o poder Dele secando o Mar Vermelho para Moisés e o povo de Israel passarem. Deus estava quebrando o jugo de Faraó. O povo de Israel não precisava mais ficar escravizado pelo Egito. Ele também secou o rio Jordão para o povo entrar na terra prometida. Josué conduziu o povo. As doze pedras foram colocadas lá para servir de testemunho para os filhos. Os ninivitas descansavam no poder do rio Tigre, o qual separava a Assíria das nações invasoras. Mas, quem fez o Tigre e o Eufrates? Foi Deus e Ele podia resolver este problema. O Basã, o Carmelo e a flor do Líbano são figuras de grandes produções. Basã é um lugar conhecido por seus verdes pastos, o Carmelo é um lugar conhecido por produzir campos de cereais e o Líbano é conhecido por suas florestas de cedros altíssimos. Se Deus quer, Ele pode secar os pastos e os campos de cereais e derrubar os cedros e fazer das florestas lugares áridos (v.3-4).

3.Deus pode apenas tocar, ou mesmo olhar, os montes e eles se derreterem (Sl 134.32). Nada é difícil para o poderoso Deus, nem criar e nem destruir. Os moradores da terra se levantam para exaltá-Lo e até se ajoelham se Ele mandar. A falsa segurança das nações e dos orgulhosos é apenas aparente. O poder de Deus quando misturado com Sua indignação é surpreendente. As rochas com fogo se despedaçam. Isto nos lembra dos vulcões em erupção. No ano 79 da era cristã o vulcão Vesúvio entrou em erupção matando toda a população da Pompéia, Itália. Desde, então, houve várias erupções e é o vulcão mais vigiado do mundo. Há uma população industrial e residencial em volta, por isso, plantaram vegetal numa tentativa de segurar as lavas. No mundo há 600 vulcões ativos, ou seja, que podem entrar em erupção a qualquer momento e mais de 5 mil vulcões extintos, ou seja, os que não se pode calcular quando entrarão em atividade. As lavas expelidas de um vulcão variam de 750º-1225º. Não há proteção quando Deus resolve expelir a sua ira através de vulcões (v.5-6).

4.Apesar da fúria de Deus contra os inimigos, a sua bondade protege os justos. Assim como um vulcão pode destruir uma cidade a qualquer momento, a ira de Deus pode ser despejada contra os desobedientes sem prévio aviso, além, é claro, das tantas advertências da Sua Palavra e dos testemunhos de crentes. Se Nínive estava debaixo da ira de Deus, os crentes de Israel deviam se prevenir porque Deus, também, tem formas de repreender os crentes em desobediência. O poder de Deus zomba das muralhas de Nínive, pois ao lado existe o grande rio Tigre. Ele tem poder de fazer vulcões entrar em erupção e poder para fazer um rio transbordar e foi exatamente isto que aconteceu como se vê no capítulo 3. As águas quebraram uma parte da muralha, o que foi suficiente para os exércitos dos caldeus e dos medos invadirem a cidade desprotegida. Os arrogantes se protegem atrás de suas muralhas. Em nossos dias a muralha é o dinheiro e o poder. Todos caem, quando Deus assim o desejar. Nestes primeiros oito versículos vimos o poder de Deus. Não se pode desafiar Deus e ficar impune. O crente precisa ter consciência da Pessoa de Deus, o Seu caráter e o Seu poder. Além disso, Ele é o Deus que age, conforme veremos nos próximos versículos (v.7-8).

5.É uma boa pergunta que fazemos às pessoas. O que acham de Deus. Por causa da religiosidade católica do nosso país, facilmente encontramos respostas positivas, ou seja, dizem crer em Deus e que Ele é bom, mas dificilmente ouviremos respostas de pessoas que temem a poderosa mão de Deus. Ele é bom, mas Ele destrói a idolatria e os idólatras. Quanto a isso, não parece que o nosso povo esteja preocupado. Devíamos perguntar a elas o que acham da idolatria e como Deus tratará deste assunto. Nínive não se levantaria duas vezes. A chance que Nínive teve com a pregação de Jonas não mais teria com a visão de Naum. Senaqueribe zombou de Israel, mas Deus resolveu destruir a Assíria com os exércitos babilônicos e medos. Deus age, não apenas fala ou ameaça. Os espinhos entrelaçados são fortes, mas diante do fogo queimam melhor. Os banquetes cheios de bebida em comemoração às vitórias alcançadas se transformariam em luto diante da destruição do Senhor. As pessoas nos dias de Noé viviam regaladamente sem se importar com o dilúvio que viria. Os ninivitas, também, se esqueceram do aviso de Deus por parte do profeta Jonas e, atualmente, as pessoas vivem da mesma forma. A tecnologia tem sido a nossa muralha, mas não haverá tecnologia capaz de conter a ira de Deus e do Cordeiro na tribulação (v.9-10).

6.De Nínive saiu Senaqueribe e o seu mensageiro Rabsaqué para provocar o povo de Deus. Na tribulação virão as duas bestas, o Falso Profeta e o Anticristo desafiar o povo de Deus e falando blasfêmias contra os santos no céu, ou seja, nós os salvos que estaremos com o Senhor. Deus agindo, a Assíria não tem chance, ainda que tenha o grande exército e uma grande muralha. O crente precisa lembrar dos atos de Deus na história e voltar a ter consciência do poder e da ação de Deus no mundo que nos cerca. Isto começa em nosso lar, em nossa igreja e na obra Dele. Ele está vivo e quer ver a nossa fé. Deus afligiu o Seu povo, mas não afligirá mais. Um dia, Israel se converterá ao Senhor Jesus, o Messias de Israel, e não precisará mais temer os inimigos (v.11-12).

7.Cristo Jesus já quebrou o nosso jugo e laço do pecado e de Satanás. Não precisamos nos enlaçar mais pelo mundo e o pecado. Uma das ações maravilhosas de Deus é nos libertar de nossos vícios e derrotas com os quais o mundo, a carne e Satanás nos prendem. Senaqueribe não mais teria um reino próspero. A idolatria de Nínive não seria mais famosa e o fracasso seria o salário dessa nação perversa (ver 2 Rs 19.37). O reino do Norte, Israel, foi desobediente ao Senhor e foi levado cativo para a Assíria, mas Judá possuía um remanescente fiel e foi poupado da Assíria. Os profetas que anunciaram a destruição dos inimigos e prosperidade do povo de Deus tiveram o privilégio de anunciar, talvez, sem saberem, a vitória do Messias. Hoje, a Igreja de Cristo, deve anunciar as boas novas ao mundo perdido. Há uma única esperança para os povos e é Jesus Cristo. A missão da Igreja é anunciar a virtude daquele que nos chamou das trevas para a maravilhosa luz. A função da Igreja não é construir lindos templos ou promover grandes encontros musicais. Deixemos isto para as Bodas do Cordeiro quando toda a Igreja estiver reunida. Trabalhemos em quanto é dia (v.13-15).

O poder e os atos de Deus
1.Deus é poderoso (v.1-8)
2.Deus age (v.9-15)




[1] Comentário Bíblico de Matthew Henry – Naum pg.1 (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - 3ª Edição - 2003)

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