Habacuque 1 - Atualizado

Capítulo 1: Quando a disciplina vem de um instrumento indigno
1.Estar debaixo de um julgamento é diferente que ser sentenciado. Enquanto há julgamento, é possível provar inocência das acusações. A sentença é a palavra final sobre o julgamento. A nação de Judá teve o seu tempo de arrependimento, mas não aproveitou e, por isso, estava sentenciada a 70 anos de cativeiro na Babilônia. Alguns anos antes, a nação de Israel (o reino do norte) já havia recebido a sentença e foi cativo entre os assírios. Pecadores não salvos deviam se arrepender hoje, enquanto estão sob a condenação e julgamento de Cristo Jesus. Um dia será tarde demais e este dia pode ser hoje também. Crentes que estão em rebeldia contra o Senhor devem, da mesma maneira, se arrependerem hoje, confessando seus pecados e recebendo a purificação do Espírito Santo. Esta sentença não é invenção humana de algum pessimista, antes é a própria revelação de Deus para o profeta Habacuque. Se Deus sentencia pessoas, tanto crentes quanto incrédulos, não devemos zombar Dele, mas suplicar por Sua misericórdia para acharmos socorro. Nenhum pregador de uma mensagem severa deve sentir-se à vontade, mas sempre constrangido e em conflito entre a justiça
de Deus e o amor pelos incrédulos e pelos crentes em desobediência (v.1).

2.Habacuque sentia-se abandonado por Deus diante de tanta violência. Conviver com a violência resulta em duas reações. Medo que também gera desconfiança e que gera solidão ou vingança que gera mais violência. Mas há outra saída diante da violência, que é o clamor a Deus. Ele ouve, mas Ele quer fazer-nos ver o quanto estamos interessados. É comum ver pessoas preocupadas com a violência apenas quando sofrem algum tipo de violência contra a sua própria vida. Mas o crente deve orar pelo seu bairro, cidade, Estado, país e pelo mundo, pois a violência é universal e qualquer um de nós pode, algum dia, ser vítima de um ato violento. Existe a violência explícita, mas existe a violência que embora não seja nada sutil, infelizmente é tolerada e quase ninguém se importa, como por exemplo, espancar filhos, mulher, bater ou chutar a porta, quebrar a louça por raiva, etc. A violência entre os crentes pode ocorrer no simples fato de levantar a voz ou apontar o dedo. Sim, entre o povo de Deus há violência, talvez não tão explícita como entre os incrédulos. Deus precisa vir em socorro e devemos clamar por isto (v.2).

3.O profeta está num conflito tão grande que, por ele mesmo, preferia não ver o que estava diante dele. Deus permite que o crente verdadeiro veja a iniqüidade e a opressão com algum objetivo. Cada vez mais as pessoas não se importam e cada vez mais acham tudo normal. O problema do pecador é problema do crente fiel também. Saber fazer o bem e não praticar é pecado de omissão. Entre o povo de Deus há pecados e o crente fiel é chamado para alertar e proclamar o arrependimento. Infelizmente, entre o povo de Deus há contenda e litígio, ou seja, disputa. O profeta verdadeiro e amoroso clama a Deus e se aflige diante do estado de Seu povo (v.3).

4.Quando há violência e injustiça e as pessoas “passam de largo”, não se preocupam e não se importam, a tendência imediata é a lei se afrouxar. Quando se vive só para si mesmo, as leis precisam ser torcidas, burladas. A lei existe, mas se as pessoas não são obedientes e sinceras, ela é facilmente mudada para o benefício próprio. O perverso acaba injustiçando o justo. Toda vez que o crente usar a liberdade que tem em Cristo como pretexto da malícia, a Palavra de Deus será desrespeitada e a lei afrouxada. Quanto mais o incrédulo rejeita Jesus Cristo, mais longe de Deus estará e mais no lamaçal de pecado se encontrará. O crente fiel e verdadeiro levará até as últimas consequências a Lei do Senhor. A Palavra de Deus não se afrouxa diante dele, mesmo que ele tenha que padecer muito por isto (v.4).

5.Acreditar que Deus é amor parece até certo ponto fácil para muitos, mas acreditar que o mesmo Deus de amor, também, é o Deus Justo não parece ser tão aceito no meio dos próprios crentes. Até mesmo em relação aos perdidos, alguns crentes não aceitam o fato de que Deus os lançará para sempre no Lago de Fogo e, por isso mesmo não dão a atenção devida à obra missionária. “Vede entre as nações” é a frase imperativa de Deus através do profeta para os que insistem em não crer no juízo de Deus. Devemos fazer o que Deus mandou para a nação de Judá: ver entre as nações. Se Deus fez isto com as nações, Judá deve se maravilhar e sentir-se pequena (desvanecida). Do mesmo modo que Deus fez com estas nações, Ele podia abater o Seu próprio povo que estava em rebeldia. As grandes e poderosas nações caíram pelo poder de Deus. Quem imaginaria a queda da Rússia, por exemplo? Deus está no controle de tudo. Deus tem um tempo para tudo. Ninguém deve dizer que Deus é demorado e nem zombar, achando que nunca Ele pesará Sua mão. As pessoas, de modo geral, não acreditam que Deus julga, por isso, é preciso “ver entre as nações”. Mas é possível que nem assim as pessoas acreditarão. Jesus falou do rico que desprezava Lázaro. Os dois morreram: Lázaro estava no Paraíso e o rico estava em tormentos. O rico rogou que Deus enviasse Lázaro para avisar os seus parentes para que se arrependessem e não fossem para o inferno, pois ouvindo os mortos ficariam impressionados. Jesus recusou e disse que eles têm Moisés e os profetas e que não mandaria nenhum morto para pregar para os vivos. É melhor ouvir hoje e não rejeitar o que está sendo contado e ensinado. Deus ainda pesa a mão sobre as nações, sobre indivíduos rebeldes, sejam incrédulos ou crentes. Com a frase: “Deus não age mais como nos dias do Velho Testamento”, muitos se tornaram levianos para com as coisas sagradas de Deus. Devemos ver mais a mão de Deus nas situações da vida: no terremoto que destrói casas e desabriga famílias, nas enchentes, nas rebeliões em presídios, nas doenças, nos desastres, na perda dos bens, etc. Além de “ver entre as nações”, devíamos observar o que Deus fez entre as pessoas também. Algumas vezes Deus pesou a mão sobre indivíduos que se rebelaram contra a vontade de Deus (v.5).

1.Olhe para os povos na época do dilúvio - Zombaram de Deus e Ele submergiu-os.
2.Olhe para Babel - Aliás ali começaram as nações com línguas diferentes. Deus pesou a mão, espalhando as pessoas e formandos povos distintos.
3.Olhe para Sodoma e Gomorra - Deus fez dessas duas cidades fornalhas por causa de suas perversidades.
4.Olhe para o Egito - Deus feriu com pragas aquela nação rebelde.
5.Olhe para Moabe - Essa nação quis impedir que o povo de Deus passasse pelo seu território e Deus consumiu da face da terra. Amom e Moabe se juntaram no caso Balaão contra Israel.
6.Olhe para Edom - Que ajudaria entregar Judá para os caldeus. Deus destruiu a lembrança dessa nação na terra.
7.Olhe para Jericó, Ai e todas as nações de Canaã - Deus desbaratou a todas por causa de sua idolatria e colocou o Seu povo na terra.
8.Olhe para Midiã, Filistia e outras nações - Receberam o juízo de Deus.
9.Olhe para Babilônia, Média e Pérsia, Assíria, Grécia, Roma e a Babilônia espiritual, a nação do Anticristo - Nenhum povo que tentou desafiar a Deus ficou impune.

Portanto, isto deveria causar temor em Judá “Vede as nações”.

Olhe para: Adão e Eva, Caim, Lameque, a mulher de Ló, Esaú, Faraó, Balaão, Miriã, Coré, Acã, Sansão, Eli, Saul, Davi, Salomão, os vários reis desobedientes, Hamã, Jonas, Nabucodonozor,  Judas, Ananias, Safira, Simão (o mágico), o incestuoso de 1 Cor 5, Himineu, Fileto, Alexandre (o latoeiro)

6.O profeta Habacuque não tinha problema em aceitar a verdade de um Deus que julga o pecado, como talvez muitos crentes não tenham nenhuma dificuldade em crer num Deus justo. Mas o que Habacuque não esperava era que Deus usaria um povo mais perverso que a própria nação de Judá que precisava da disciplina do Senhor. Os caldeus são os babilônios, descendentes do irmão de Abraão, Quesede, o filho de Naor. A Babilônia estava debaixo do controle de Deus, assim como qualquer governo. Deus pode usar as nações como seus agentes. Ele usa até os próprios demônios e Satanás para o Seu serviço. A Babilônia não tinha todo aquele potencial por força própria. Deus permitiu que chegasse até aquele estado de poderio mundial para os Seus próprios propósitos. A Igreja do final do século 19 estava muito orgulhosa e perdendo o amor pelo Senhor. No início do século 20 estourou a 1a Guerra Mundial e em 1943 a 2a Guerra Mundial. Seria obra do acaso? No V.T. a História das nações tinha importância quando relacionada com Israel. Hoje, a importância da História está em relação à Igreja do Senhor Jesus Cristo e a Israel também. Israel é o relógio de Deus. Quando acontece algo no Oriente Médio devemos perguntar: “Será que está próximo o tempo que Deus tratará com a nação de Israel e que levará a Sua Igreja?” Quando acontece algo com o crente, este também deve perguntar: “O que isto tem a ver comigo? O que Deus quer de mim? Que há em mim que precisa de correção?” Davi aceitava o castigo de Deus, mas preferia que viesse do próprio Deus, pois Ele é misericordioso. Habacuque preferia que o castigo viesse de Deus e não dos caldeus (ver 1 Cr 21.8-13). Deus, às vezes, usa incrédulos para ensinar os crentes. Por vezes o crente tem que sofrer nas mãos de homens ímpios para aprender algo. Não discutamos com Deus sobre os Seus métodos. A Babilônia era uma nação amarga e impetuosa, invadia outras nações para roubá-las e fazer escravos. O exército era carrancudo e cruel, avassalador. A Babilônia invadiu Judá três vezes e na 3a vez colocou fogo em suas portas. Cair nas mãos de perversos é muito duro, pois eles não têm piedade. É melhor receber a repreensão pelas mãos do Senhor, pois Ele repreende com amor (1 Co 11.30-32). Mas o melhor mesmo é não precisar de repreensão (Hb 10.30-31) (v.6).

7.Deus usa instrumentos para repreender o crente e nem sempre esses instrumentos são irrepreensíveis. Às vezes, Deus usa crentes fiéis, outras vezes usa crentes que estão andando em pecado. Mas também usa incrédulos honestos e de moral elevada na sociedade. Mas pode usar, também, incrédulos perversos. Deus usa doenças, tragédias, situações embaraçosas. Ele permite até que o próprio inimigo, Satanás com seus agentes malignos, aflija o crente com o fim de repreendê-lo para o arrependimento e fortalecimento. Habacuque descreve a Babilônia, o instrumento de Deus nessa época para repreender Judá. Não havia nenhuma nação que não tivesse pavor da Babilônia, por isso, era chamada pavorosa e terrível. A repreensão de Deus quando vem pode ser suave, mas também pode causar pavor e ser terrível. Paulo disse aos coríntios que podia ir até eles para repreendê-los com vara ou mansidão (1 Co 4.21). A repreensão para a mulher adúltera foi suave (“vai e não peques mais”, Jo 8.11). Por outro lado, para Ananias e Safira foi pavorosa e terrível (“não mentiste aos homens, mas a Deus”, At 5.4). A dificuldade de Judá é que não acreditava nos profetas e por isso não temia juízo. A dificuldade hoje em dia é que os profetas estão sumindo e quase não há mais pregadores que denunciem o pecado e, dessa forma, os crentes afrouxam os princípios da vida cristã. Diz o texto que “cria ela mesma o seu direito e sua dignidade”. Os caldeus não reconheciam nenhuma autoridade acima de seu reino. Deus usa um instrumento de repreensão que o próprio profeta Habacuque não compreendia. Os instrumentos de Deus nem sempre são lógicos para nós e nem submissos a Ele, simplesmente são induzidos a agirem para atingir o objetivo de disciplina na vida do pecador (v.7).

8.Ainda que a nação quisesse fugir seria em vão, pois os caldeus com seus cavalos velozes alcançariam qualquer fugitivo. Alguém em desobediência não pode fugir de Deus, pois Ele usa instrumentos velozes para alcançá-lo. Assim como o leopardo e os cavalos da Babilônia eram ligeiros, Deus nos alcança a qualquer momento que Ele quiser. Não adianta fugir. O quadro é mais pavoroso ainda quando se pensa em lobos famintos e ferozes ao anoitecer espalhados por todo o canto. Se alguém se esconde de lobos, não pode se esconder da águia que vê de cima e desce certeira contra sua vítima (v.8).

9.No versículo 2, Habacuque clamava a Deus que salvasse a nação da violência que ocorria entre os próprios irmãos, mas o profeta não conhecia o que, de fato, era violência. Há crentes que se desviam do povo de Deus achando que há injustiça, mas quando se deparam com os perversos do mundo, descobrem de fato o que é injustiça. Há segurança entre o povo de Deus, apesar das dificuldades, mas cair nas mãos do sistema de Satanás, que é o mundo, é incalculavelmente pior. “Eles todos vêm para fazer violência”, isto é, não há piedade em ninguém. Nos rostos dos caldeus há uma determinação de fazer muitos cativos.  Satanás só está esperando a permissão de Deus para afligir o crente. Foi assim com Jó, com Pedro e com discípulos e continua sendo assim hoje. O crente não deve encher o cálice da ira de Deus, é melhor se arrepender hoje dos pecados (v.9).

10.Os caldeus eram arrogantes, confiavam somente em sua própria força. Não tinham medo de reis e príncipes e nem obedeciam nenhuma autoridade. Não havia fortaleza que os caldeus não derrubassem. As portas de Jerusalém foram queimadas e os muros se tornaram ruína. O crente não precisa ser escarnecido, ele pode ser honrado por Deus, sendo obediente (v.10).

11.A Babilônia podia ser arrogante, mas Deus sempre foi maior que qualquer potência mundial. Deus usa instrumentos para nos repreender, mas estes estão nas mãos de Deus e também receberão juízo. Não devemos questionar os métodos de repreensão de Deus, pois cada um deve prestar contas diante Dele. Os caldeus faziam do seu poder o seu deus, mas diante do Deus verdadeiro são culpados. Sim, Deus usa pessoas piores do que nós para nos repreender. A culpa delas não isenta os nossos pecados. O crente que despreza a repreensão de outro pecador não facilitará em nada o seu relacionamento com Deus que tudo vê (v.11).

12.É difícil aceitar a repreensão de Deus, quando Ele usa pessoas ou instrumentos que não são melhores do que nós. Fere o orgulho de qualquer pessoa. Habacuque amava o povo de Deus e não podia entender porque Deus insistia em usar a Babilônia, que era muito mais perversa que Judá. Habacuque passa a pensar, agora, não no deus dos caldeus, mas no Deus verdadeiro, o nosso Deus. Deus é Eterno. Deus não precisa se desculpar por usar os caldeus ou qualquer outro instrumento para repreender o Seu povo. Tudo o que acontece Deus sabe antes que aconteça. O tempo não limita Deus, Ele é Eterno. Embora Deus seja Eterno, Ele pode muito bem usar coisas terrenas e passageiras, como a Babilônia, para repreender o Seu povo. O crente deve aceitar as coisas mais humildes e até as menos dignas para o seu próprio bem. Há crentes que só aceitam uma repreensão se vier de alguém mais espiritual que eles, mas o Deus Eterno não se limita às nossas preferências. Deus é Santo e por isso Habacuque pensava que Deus usaria um instrumento santo para repreender o Seu povo e jamais os caldeus, com seu exército pecador e pagão. Deus não dependia da Babilônia, mas Ele quis usá-la como instrumento e não cabe ao crente discutir com Deus. Quando Deus levanta a Sua mão para repreender o crente, este deve aceitar, pois Ele é Santo e não comete nenhuma injustiça. Apesar dos questionamentos, o profeta Habacuque está convencido de que Deus cuidará do Seu povo e, por isso, confiadamente diz: “Não morreremos”. Deus não apagou Israel de sua agenda. O crente precisa confiar que Deus quer o Seu bem, mesmo em meio à disciplina e sofrimento. Os instrumentos de disciplina de Deus sobre as nossas vidas são para nos restabelecer à comunhão com Deus e não para nos matar. Habacuque começa a compreender que Deus fundou a Babilônia para disciplinar Israel (Judá). Deus é a Rocha e não é a Babilônia que conseguirá enfraquecer o alicerce da nação. Jesus Cristo é a Rocha e Ele disse que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja (Mt 16.18). O crente está firmado na Rocha que é Cristo e ainda que vier a ser disciplinado pelo Senhor, terá sempre a segurança de ser Dele e estar totalmente protegido por Ele. É um grande perigo estar fora da proteção dessa Rocha, pois os instrumentos de Deus que são para a nossa disciplina podem se tornar a nossa queda irremediável. Por isso, o crente não deve rejeitar a disciplina e os instrumentos de disciplina do Senhor (v.12).

“Sejam como forem as coisas, Deus é o Senhor, o nosso Deus, o nosso santo. Somos um povo ofensor; Ele é o Deus ofendido, e não abrigamos pensamentos maus sobre Ele ou sobre o seu serviço. Independente das maldades que os homens concebam, o Senhor concebe o bem, e estamos seguros de que o seu conselho resistirá. Ainda que a maldade possa prosperar por um momento. Deus é santo e não a aprova.”[1]

13.Não é pecado, de modo algum, questionar com o fim de entender os métodos de Deus. Infelizmente muitos crentes têm a ideia errada que Deus deixará de responder as orações se começarem a fazer muitas perguntas para Ele. Deus não ficou zangado porque Jó O questionou sobre o sofrimento. Ele também não se irritou com Abraão quando este perguntava se Deus pouparia 50, 45, 40, 30, 20 e 10 justos em Sodoma. Mesmo que Abraão teve muito medo de perguntar (Gn 18.22-33). Jesus nunca ficou furioso das inúmeras perguntas de seus discípulos, principalmente do arrojado Pedro. Habacuque já reconhecia a Eternidade e Santidade de Deus, ele só queria entender porque Deus usaria a Babilônia e não um instrumento mais santo e espiritual. Pessoas que não têm liberdade em conversar com Deus acabam conversando com homens que muitas vezes não conhecem a Deus ou não usam os recursos de Deus, como os doutores em psicologia. Se entendêssemos os caminhos de Deus totalmente seríamos Deus e nós não somos. Isaías disse que os caminhos de Deus não são os nossos caminhos e vice-versa (Is 55.8). Os caminhos de Deus são muito altos para entendermos (Sl 139.6). O desabafo é muito saudável, enquanto a rebeldia é prejudicial e a amargura é autodestrutiva. A partir do versículo 13 até o v.17, Habacuque faz muitas perguntas de desabafo a Deus. Habacuque sabe que Deus é puro de olhos, que Ele não pode ver o mal e a opressão. Nenhum pecador pode chegar-se até Deus por esforço próprio, pois todos somos maus aos Seus olhos. Só Jesus Cristo, Justo, abriu o caminho para nós através de Sua morte, justificando-nos diante de Deus. Deus não negocia com a opressão, com a maldade e com a impureza. Todos os que praticam tais coisas são rejeitados por Deus, que é puro de olhos. Habacuque entende bem o caráter Santo de Deus e, por isso, mesmo faz a pergunta tão difícil de ser respondida no versículo 13. Se Deus não pode ver o mal e a opressão, por que permite que os caldeus machuquem o povo de Deus, que é melhor do que eles, mesmo estando em rebeldia? (v.13).

14.No v.14 Habacuque sente-se como animais sem defesa. Peixes e répteis se tornam caça fácil de seus predadores. Às vezes o filho de Deus se sente como se não tivesse a proteção de Deus, entregue aos inimigos de sua alma. Sente-se como se não tivesse um Deus que o governe. Esta dúvida nem sempre dura uma semana, mas às vezes anos a fio. O correto não é desistir de crer na Santidade e Retidão de Deus, mas entregar a Ele nossos problemas. As dúvidas surgem em situações adversas jamais imaginadas. Coisas que pensamos acontecer apenas com os outros. Nesses momentos chegamos a pensar se Deus nos governa, se Ele se importa conosco. Em algumas situações da vida, tomamos a mesma ira da mulher de Jó: amaldiçoar a Deus e morrer (Jó 2.9). O próprio Jesus se deparou com uma situação desesperadora (Mt 26.39). Eis algumas situações que pessoas já se depararam. Poderia ser qualquer um de nós (v.14).

A criança que perde o pai e nem pode entender como viverá daqui para frente
Filhos que são abandonados pelos seus pais bem novinhos
A esposa fiel que é traída pelo marido
Pai de família que no auge de sua vida descobre ter câncer
Os pais que perdem seu filho de modo violento
Calúnia que vem a destruir todos os planos
O missionário que é desprezado pela Igreja
Profissional que no auge do seu sucesso é demitido
Os pais que são abandonados pelos filhos depois de velhos
Escorregão que arrasa todo o futuro e honra

15.Habacuque foi corajoso o suficiente para dizer que a vida não é tão maravilhosa como pensam alguns. No v.15, ele considera como a situação é cruel. O inimigo pesca de arrastão e não só de anzol. Os instrumentos de Deus muitas vezes são perversos e se alegram com a nossa desgraça. A morte é, sem dúvida, o instrumento de Deus mais ousado, intrometido e cruel. A morte zomba de suas vítimas. Paulo reconhecia isto muito bem e chegou a zombar da morte (1 Co 15.54-57) (v.15).

16.No v.16 vemos o cúmulo do paganismo. Os caldeus faziam cultos aos seus deuses, pensando que eles davam êxito às suas guerras. Os instrumentos que Deus usa se gabam de nos destruir, pensando que têm poder em si mesmos. Satanás não teria nem poder sobre ninguém se Deus não permitisse. Lembre-se do que Jesus falou a Pilatos (Jo 19.10-11) (v.16).

17.Habacuque, inconformado, questiona com Deus, no v.17, se Ele ainda permitirá que a Babilônia continue sua “pescaria”. Há uma expressão que devíamos usar mais em oração, pois mostra nosso desespero e pressa diante de Deus. A expressão é “Até quando, Senhor?” (v.17).

Jó 7.19 - Jó sentia a presença castigadora de Deus por causa de seus sofrimentos, através de Elifaz, instrumento de Deus.
Jó 19.2 - Jó sentia-se aflito e quebrantado, por causa das palavras de Bildade, instrumento de Deus.
Sl 4.2 - Davi, alvo da vaidade e mentira dos homens, instrumentos de Deus.
Sl 6.3 - Davi clama a Deus, pois está profundamente perturbado.
Sl 13.1-2 - Davi sente-se sozinho e abandonado por Deus em sua tristeza e perseguição.
Sl 35.17 - Davi sente que Deus só fica olhando, enquanto os inimigos, instrumentos de Deus, são violentos contra a sua vida.
Sl 62.3 - Davi clama a Deus contra os seus destruidores, instrumentos de Deus.
Sl 74.9-10 - Asafe clama a Deus contra os blasfemos, instrumentos de Deus, ainda que contra Ele
Sl 79.5 - Asafe entende que a ira de Deus cai sobre o Seu povo.
Sl 80.4 - Asafe, entende também, que Deus fica indignado até contra a oração dos crentes.
Sl 82.2 - Asafe ora sobre os juízes humanos que são injustos.
Sl 89.46 - Etã também sentiu a ira de Deus e precisou clamar por piedade.
Sl 90.13 - Moisés sentia a falta de compaixão de Deus e clamou para que Ele voltasse.
Sl 94.3 - O salmista ora a Deus por vingança.
Jr 12.4 - Jeremias clama a Deus para parar de castigar o povo com seus instrumentos.
Hq 1.2 - O profeta Habacuque clama a Deus sobre a violência que está perto dele.
Zc 1.12 - O próprio Anjo do Senhor (Jesus) coloca na boca do Seu povo o clamor a Deus.
Ap 6.10 - Os mártires da Tribulação clamarão por vingança, no céu, debaixo do altar de Deus.

18.Deus, também pergunta para nós “Até quando?”. Devíamos observar quando Ele faz esta pergunta, pois Ele também tem interesse e pressa.

Êx 10.3 - Deus exige explicações dos perseguidores de Seu povo.
Êx 16.28 - Deus exige explicações de Seu povo, quando este se torna rebelde.
Nm 14.11 - Deus espera que creiamos nEle.
Nm 14.27 - Deus espera que as murmurações de Seu povo findem.
Js 18.3 - Deus, através de Josué, incentiva o povo a conquistar as bênçãos (terras).
1 Sm 16.1 - Deus não quer que tenhamos esperança naquilo que Ele não aprova.
1 Rs 18.21 - Deus, através de Elias, exige de nós uma decisão em segui-Lo ou abandoná-Lo.
Pv 1.22 - A sabedoria de Deus clama para que os tolos se aproximem dela.
Pv 6.9 - Deus está tentando nos despertar da preguiça.
Jr 4.14 - Deus quer que deixemos os maus pensamentos urgentemente.
Jr 4.21 - Deus quer que nos arrependamos sem que Ele precise usar instrumentos destruidores.
Jr 23.26 - Deus se cansa dos falsos mestres e falsos profetas.
Jr 31.22 - Deus não quer que o Seu povo seja mais rebelde e infiel.
Jr 47.5-6 - Deus, o próprio Deus coloca na boca dos pecadores a oração que estes deviam fazer.
Os 8.5 - Deus quer ver o povo inocente de pecados.
Hq 2.6 - Deus se cansa dos ladrões.
Mt 17.17 - Jesus quer ousadia na fé dos seus discípulos.





[1] Comentário Bíblico de Matthew Henry – Êxodo, pg.2 (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - 3ª Edição - 2003)

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