Malaquias 3

Capítulo 3: As diferenças entre o justo e o ímpio
1.Há diferença entre o justo e o ímpio. Na eternidade esta diferença será bem acentuada (ver Dn 12.1-3, Mt 25.46, Rm 2.6). Nesta vida, também, há diferença, mas não é visível a todos (Js 24.15, Dn 3.17ss). Um dia, a nação de Israel será restaurada e será visível a todos como foi antes, muito antes do exílio. Mas até que chegue este glorioso dia, Malaquias denuncia, através de um diálogo construído, a situação da nação. Como já constatamos em inúmeros exemplos bíblicos, é possível um crente (justo) viver como um ímpio. É por este motivo que existem tantas exortações aos crentes e nenhuma exortação para o incrédulo, exceto que se converta. Malaquias é bem claro sobre a vinda de Jesus Cristo. Todos querem sua vinda, mas quantos poderiam suportá-la? Somente os salvos. Os judeus sofrerão muito na tribulação até verem o Senhor. Será um tempo de purificação. As injustiças em Israel serão punidas e para os dias de Malaquias os pecados foram nomeados e eles deveriam consertar sua
conduta imediatamente (v.1-6).

O meu anjo (3.1) ou "mensageiro". Em vista de 4.5, é natural interpretar tal anjo como Elias. Em Mt 11.10,14, nosso Senhor cita a primeira parte deste versículo e identifica Elias com João Batista. Essa identificação demonstra que as palavras proféticas não devem ser tomadas por demais literalmente. Cf., igualmente, Lc 1.17. O significado geral é que Malaquias predizia aqui um reavivamento geral da profecia, antes da vinda do Senhor: isso foi cumprido no ministério de João Batista, o qual foi um autêntico profeta e preparou o caminho para a missão de Jesus Cristo.”[1]

2.Malaquias não isenta de culpa a geração antiga. Deus dá a chance de arrependimento, mas de modo cínico o pecador dá uma de desentendido (Zc 1.3). Quando Deus diz que estamos errados devemos abaixar a cabeça e dizer: "Sim, Senhor, me ajude". A Lei de Deus foi inaugurada com desobediência e segue por quase 3.500 anos da mesma forma e Deus ainda convida: "Tornai-vos para mim" (Is 31.6). Deus só opera os frutos do arrependimento na vida dos que desejam voltar-se a Ele (v.7).

3.Parece impossível, mas o homem pode roubar a Deus. Ainda há um cinismo da parte do pecador, achando que Deus está enganado. O judeu estava quebrando a Lei de Deus quando não dava o dízimo (Lv 27.30, Nm 18.21). Deixar de dar o dízimo era deixar os levitas e sacerdotes desamparados, pois viviam desse recurso (Nee 13.5,10). O levita que vivia do dízimo devia dar o "dízimo dos dízimos", pois os sacerdotes dependiam destes (Nm 18.26-29). Deus tomou a ofensa para si mesmo e estava amaldiçoando a nação. Não só todos deviam trazer os dízimos, mas cada um devia trazer todo o dízimo. A situação não era fácil, mas é justamente nessa situação que é possível "provar" a fidelidade de Deus. É bem possível que estavam enfrentando seca e colheita fraca, mas em consequência do arrependimento e fidelidade nos dízimos, Deus abriria as janelas do céu. Evidência que isso não diz respeito a nós é que cidades como São Paulo sofrem alagamentos e ninguém está reputando isso como bênçãos e nas Arábias a seca é predominante, mas as riquezas abundantes. Deus não permitiria que o gafanhoto fizesse o que fez no passado, onde é mencionado no livro de Joel. Se associarmos a ideia do dízimo atualmente com as bênçãos da terra, teremos que admitir que Jundiaí e a região Sul e Toscana da Itália são uns dos lugares onde mais se teme a Deus no mundo, por causa da excelente produção de uvas e, assim, o mundo todo deveria reconhecer estes lugares como abençoados por causa do Senhor (v.8-12).

4.O povo de Israel em sua impiedade desafiava a Deus com argumentos e, continuava a fazer-se de desentendido. O crente agindo em desobediência a Deus começa a questionar o valor do serviço ("inútil servir a Deus"), da obediência e santidade ("guardar preceitos") e da confissão ("andar de luto"). O crente em desobediência começa a invejar os ímpios (v.13-15).

5.O justo não aceita os argumentos dos ímpios e unido com outros justos se fortalece. No dia do julgamento é que toda a diferença será realçada (Pv 10.25). De fato, há diferença entre o ímpio e o justo. Não precisa ser incrédulo para ter atitudes de ímpio. A diferença nem sempre é clara quando olhamos rapidamente e sem o discernimento de Deus. O crente que não se endireita em seus caminhos e que não oferece o seu dinheiro a Deus e que agride a Deus, achando que não vale a pena servi-Lo, está vivendo como um ímpio e está próximo de ser envergonhado. O crente que está confiando na Promessa de Deus, em sua própria vida está seguro, protegido sob os braços do Senhor. “Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não serve” (v.16-18).

A vinda do Senhor e as mudanças de caráter e atitudes
1.Purificação (v.1-3)
2.Juízo contra feitiçaria, adultério e opressões (v.4-6)
3.Reconciliação (v.7)
4.Os dízimos e as bênçãos (v.8-12)
5.Será que vale a pena ser justo? (v.13-15)
6.A diferença entre o justo e o ímpio (v.16-18)



[1] Novo Comentário da Bíblia, Malaquias, pg.10 (Editado pelo Prof. F. Davidson, MA,DD. Editado em Português pelo Rev. D. Russell P.Shedd, MA, BD, PhD – Edições Vida Nova – São Paulo – SP – 2000)

Nenhum comentário:

Postar um comentário