Esdras 5

Capítulo 5: Os empecilhos que a obra de Deus enfrenta
1.Em 538 a.C. Ciro permitiu os judeus voltarem para Palestina (Ed 1.1-3). Dois anos depois (536 a.C.) 50 mil judeus retornaram e reconstruíram o altar para os sacrifícios (Ed 3.1-3). Um ano depois (535 a.C.) começaram a reconstruir o Templo (Ed 3.8-9), mas pararam por proibição do rei Artaxerxes que foi influenciado pelos adversários de Judá (5 homens e 9 povos vindos para Samaria (Ed 4.7-9). Somente 15 anos depois (520 a.C.) recomeçaram a construção do Templo. E é neste contexto que estamos (Ed 4.24).

“Uma evidência expressiva da política de Ciro, quanto à tolerância, está no “Verse Account of
Nabonidus[1]”e no “Cyrus Cylinder[2]” os quais indicam que um dos primeiros atos de Ciro foi devolver os deuses removidos dos santuários por Nabonido. O último documento relata: ‘Eu (também) juntei todos seus (antigos) habitantes e devolvi (a eles) suas habitações.’ Um fragmento do Cilindro de Ciro, identificado em 1970, também declara que Ciro restaurou os muros interiores da Babilônia e os fossos. Escavações em Uruk e Ur revelam que Ciro também fez restaurações nos templos.”[3]

2.A obra de Deus tem como inimigo Satanás. Todas as pessoas usadas para prejudicar a obra de Deus são incentivadas pelo Diabo. A nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os príncipes das trevas e estes estão nos lugares celestiais. Não no céu, diante de Deus, mas no lugar para onde foram depois de expulsos da Presença de Deus por causa de sua inveja e rebelião. Estes empecilhos que a obra de Deus enfrenta não devem nos desencorajar a prosseguir, mas pelo contrário, devem nos fortalecer, pois não somos maiores do que o Mestre que sofreu tudo isto. Não somos melhores do que os apóstolos que lutaram contra os inimigos da obra de Deus.

3.Pessoas que sentem que o seu território está sendo ameaçado. Isto acontece quando o evangelho entra numa família que não tem Deus como o único e Jesus como o único Salvador. Quando um membro da família se converte os outros ficam preocupados com essa “invasão” de outra religião. Além de Satanás, as pessoas incrédulas reagem quando o evangelho chega de modo claro. Os profetas Ageu e Zacarias incentivam com a Palavra de Deus para que o povo voltasse à obra. Apenas três semanas de incentivo foram suficientes para o povo voltar à construção (v.1, Ag 1.14-15).

4.O governador de Judá, Zorobabel (Sesbazar) e Jesuá (Josué, sumo sacerdote) incentivando com o trabalho. Deus tem levantado obreiros em todo o mundo, usando várias igrejas e diversas agências missionárias para o avanço de Sua obra. O governador de Canaã, Tatenai (Zc 4.7, o "grande monte"). Setar-Bozenai e os companheiros deles. Provavelmente o secretário de Tatenai e toda a comitiva. Queriam saber porque estavam usando materiais que vinham com o dinheiro do tesouro real. Portanto, à primeira vista, Tatenai estava dentro de seu direito como governador de todas as províncias do oeste do Eufrates (v.2-3).

5.Estes homens fizeram duas perguntas: 1ª) Quem permitiu a restauração do templo e dos muros (Ciro)? 2ª) Quem são os responsáveis por aquela construção (Zorobabel e Josué)? As pessoas se sentiam ameaçadas e, por isso, insinuavam que estavam ali sem permissão. Acontece isto quando missionários entram numa cultura para pregar o evangelho. As insinuações são que o evangelho mudará a cultura do povo e isto será prejudicial. Outros insinuam que alguém que nasce numa religião não pode mudar. Mas na Palavra de Deus sempre há os “mas” e os “poréns”. Os olhos de Deus viam toda aquela situação. A obra é de Deus e os homens não podem impedi-la (v.4-5, 9-10).

6.Pessoas que buscam os recursos disponíveis para impedir o avanço da obra. As famílias tentarão de tudo para que os seus membros que abraçaram uma nova fé não avancem, mas que desistam. Os argumentos são os mais absurdos. Alguns preferem, inclusive, que a pessoa se torne um nada na sociedade, mas jamais um crente em Cristo Jesus. Os inimigos queriam impedir a obra de Deus, mas não podiam acusar os Seus servos, pois eram irrepreensíveis. A não ser que as pessoas inventem mentiras não há o que acusar os servos fiéis. A carta continha fatos verdadeiros (v.6-7).

7.Quando os adversários buscarem recursos para impedir o avanço da obra de Deus encontrarão virtudes no Seu povo e, talvez, ficarão até amigos. É bom que as pessoas examinem os crentes. A nossa preocupação deve ser a diligência, isto é, o esforço de lutar pela obra de Deus mais do que por outras coisas (v.8).

8.O crente, por sua vez, deve ter uma resposta sobre as suas práticas e fé. É sempre uma ótima oportunidade para testemunhar do Deus vivo. As pessoas precisam ver se somos convictos daquilo que cremos ou apenas seguimos cegamente alguns líderes (v.11-13).

9.Os crentes devem mostrar fatos e, assim, os incrédulos terão de admitir que estamos certos. O povo de Israel teve até os utensílios recuperados. Nós temos a mudança em nossas vidas. Os familiares que criticam os novos crentes acabarão percebendo a mudança que a fé em Cristo produz em suas vidas. Que os inimigos vasculhem nossa fé e prática. A responsabilidade dos crentes é muito grande, mas ao mesmo tempo simples, pois é só vivermos aquilo que professamos e os recursos dos inimigos serão insuficientes para impedir o avanço da obra de Deus. Na obra de Deus e na vida cristã há empecilhos. As pessoas se sentem ameaçadas e acionam os seus recursos para nos impedir de caminhar em seguir a Cristo. Mas esses empecilhos podem ser afastados através de um bom testemunho de cada crente (v.14-17).

As oportunidades que vêm junto com os empecilhos contra a obra de Deus (Ed 5)
1.Enquanto a obra vai bem, trabalhadores e invejosos se levantam (v.1-4)
2.Enquanto a obra vai bem, o povo de Deus não deve parar (v.5)
3.Enquanto a obra vai bem, até os incrédulos reconhecem a diligência do povo de Deus (v.6-8)
4.Enquanto a obra vai bem, os incrédulos têm a oportunidade de verificar a história e ações do povo de Deus (v.9-17)




[1] Crônica de Nabonido
[2] Cilindro de Ciro
[3] Archaeological Backgrounds of the Exilic and Postexilic Era - Part III: The Archaeological Background of Ezra - Edwin M. Yamauchi, pg. 200 (Bibliotheca Sacra - July-September 1980)

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