Números 14

Capítulo 14: A morte dos espias incrédulos e a condenação para a geração incrédula
1.Os dez espias incrédulos conseguiram causar medo no povo. O povo ficou com medo, pois achava que Deus não os amava e usaria os líderes para destruí-los. Pensaram até mesmo em eleger líderes para si e voltarem para o Egito, ou seja, uma marcha retroativa. Josué e Calebe, os dois espias crentes tentaram animar o povo com a esperança no Senhor. Eles conseguiram ver não apenas a qualidade da terra da promessa, mas também a provisão de Deus em conduzi-los até ela. Eles viam como um ato de rebeldia não entrar na terra. Às vezes, os crentes negligentes para com as coisas espirituais julgam que é uma opção dada aos crentes crer ou não, obedecer ou não, andar debaixo das bênçãos de Deus ou não. O fato é que se não experimentamos a intimidade e bênção do Senhor
em nossas vidas não podemos prosseguir em vitória na vida cristã (v.1-9).

2.O povo planejava apedrejar Josué e Calebe, mas Deus interviu. A ofensa deles era contra o próprio Deus que estava libertando o povo do Egito, conduzindo-os em cuidado pelo deserto e levando-os em segurança até a terra da promessa. Deus chegou a propor a Moisés uma destruição massiva e começar tudo de novo em Moisés e, claro, implícito, com todos os que creram. Porém, Moisés era tão compassivo para com o povo que tentou argumentar com Deus que os egípcios dirão que Deus não é poderoso o suficiente para levar o povo à terra e, por isso, preferiu matá-los no deserto. Quem é de Deus ora pelos incrédulos, mesmo sabendo que o juízo virá sobre os que não creem. Precisamos interceder pelos perdidos (v.10-19).

3.O perdão de Deus para o povo foi não destruí-los, porém, a geração, por continuar incrédula, certamente, não entraria na terra prometida. Calebe, e com certeza Josué, tiveram atitude diferente, por isso, esses teriam o privilégio de verem a promessa. O povo desobedeceu por dez vezes. Necessariamente, não precisamos contar os incidentes. Dez vezes significa completamente. O povo não desobedeceu a Deus uma só vez, mas o suficiente para mostrar que é obstinado. Se quiserem voltar, voltem, mas de qualquer maneira se prosseguirem acabarão morrendo (v.20-25).

4.O povo desejou morreu no Egito ou no deserto. Deus satisfaria o desejo deles. Eles morreriam no deserto. Todos os murmuradores daquela geração que saiu do Egito não entrariam na terra da promessa. A preocupação deles era para com os filhos, pois não confiavam que Deus cuidaria deles. Deus promete que os filhos entrarão em segurança, mas os pais, não. Os pais se preocupam com o bem-estar dos filhos e, às vezes, exageram, até mesmo escolhendo o pior para os filhos. Por exemplo, alguns não dariam os filhos para a obra missionária, pois não querem vê-los perdendo oportunidades na vida acadêmica e profissional. No entanto, Deus tem honrado filhos de missionários, dando-lhes grandes oportunidades nessas áreas, sem todo o desgaste, até espiritual, que outros têm. Outras vezes, os próprios filhos se tornam missionários e se sentem grandemente realizados em servir ao Senhor em primeiro lugar em vez de a si próprios. O número de anos do deserto foi calculado com base nos dias da investigação da terra, quarenta dias, portanto, quarenta anos de peregrinação (26-35).

5.Os dez espias morrendo de praga que Deus fez cair sobre eles. Eram homens importantes para suas tribos, pois eram príncipes. Foi um dia de grande tristeza, mas também de aprendizado. Deus honrou Josué e Calebe porque creram nas palavras do Senhor. A transgressão da lei do Senhor não traz prosperidade espiritual. Deus disse que não estava mais com eles e, por isso, não deveriam tentar entrar na terra prometida. Mesmo assim, tentaram ir sem a presença de Deus, sem a arca, mas os amalequitas e cananeus os destruíram. A promessa do Senhor só funciona para os obedientes. A obra do Senhor deve ser realizada da maneira Dele e não conforme os nossos próprios pensamentos (v.36-45).

“Visto que se passaram 38 anos desde Cades-Barneia até a extinção daquela geração (cf. Dt 2.14), é evidente que os 40 foram contados desde o êxodo. Os 40 anos correspondem aos 40 dias que os espiões usaram para a missão de reconhecimento da terra (v.34). ‘O período de 40 anos no AT é o período em que um homem participa da vida da comunidade com toda a energia e com todos os direitos. Após os 40 anos de peregrinação, a comunidade terá sido completamente alterada’ (M. Noth).”[1]

A desobediência e a obediência às palavras de Deus (14.1-19)
1.A desobediência na forma de choro (v.1)
2.A desobediência na forma de reclamação e desespero (v.2)
3.A desobediência na forma de inconformidade com os planos de Deus (v.3)
4.A desobediência na forma de insubmissão à liderança de Deus (v.4)
5.A obediência na forma de clamor (v.5)
6.A obediência na forma de indignação (v.6)
7.A obediência na forma do ânimo contagiante (v.7)
8.A obediência na forma de confiança (v.8-9)
9.A desobediência na forma de raiva (v.10)
10.A obediência na forma de compaixão intercessora (v.11-19)

A frustração dos planos como consequência da desobediência (14.20-45)
1.A frustração de não entrar na terra da promessa (v.20-25)
2.A frustração de morrer antes de ver seus planos realizados (v.26-30)
3.A frustração de não ver a felicidade dos filhos (v.31-35)
4.A frustração de terminar a vida em vergonha e de modo indigno (v.36-39)
4.A frustração de não ter a bênção do Senhor sobre os seus planos (v.40-45)



[1] Comentário Bíblico NVI pg.322 – F.F. Bruce (Editora Vida, São Paulo – 2009)

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