Números 20

Capítulo 20: A desobediência de Moisés ao ferir a rocha
1.Cades Barnea é o lugar mais dramático da história da jornada no deserto por razões que veremos. Ali morre Miriã, a irmã de Moisés. A situação que surgiu não foi diferente daquelas que Moisés já havia enfrentado. É importante cuidarmos com nossas atitudes, mesmo em situações repetidas e mesmo que já tenhamos acumulado vitórias do passado. Na vida cristã, tudo deve ser encarado como uma nova situação na qual precisamos confiar no Senhor. A água faltou e o povo se voltou contra Moisés, blasfemando. Nenhuma novidade, pois é assim que agem as pessoas ingratas. Outra ação repetida foi Moisés e Arão clamarem ao Senhor diante dessas reclamações do povo. O Senhor mais uma vez promete socorrer Moisés, Arão e o povo. O Senhor sempre nos dará alívio e escape. Moisés se colocou debaixo do Senhor como já fizera inúmeras vezes e falou ao povo. Até aí nenhuma novidade, mas algo inédito estava para acontecer. A paciência de Moisés se esgotara. Parece que ele não aguentava mais o povo com suas demandas. As pessoas que estão lidando com
situações rotineiras, no lar, no trabalho, na escola, na igreja ou em algum ministério, precisam renovar-se diariamente no amor àquilo que faz, pois um dia poderão chegar ao limite e explodir em ira contra as pessoas. Deus quer que tratemos bem as pessoas sempre, até mesmo quando tivermos que ser severos ou executar algum tipo de disciplina. Moisés explodiu. Deus mandou que ele falasse à rocha, mas ele bateu contra a rocha duas vezes. Não importa que no passado Deus mandara ferir a rocha, desta vez ele deveria apenas falar à rocha. A presunção em achar que podemos decidir qual será o método agora pode, com certeza, nos afastar dos propósitos de Deus. Para os que descansam no pragmatismo, ou seja, “se deu certo é o que importa”, ficarão surpresos. Se o objetivo era sair água da rocha, deu certo. Porém, não basta realizar a obra de Deus, é necessário executá-la da maneira certa. Para o povo, o resultado foi água, mas para Moisés o resultado foi desobediência (v.1-11).

2.Não temos dúvida que Arão estava com Moisés na mesma desobediência. Isso mostra que não estamos seguros quando erramos coletivamente. Moisés e Arão acabaram de perder o privilégio de conduzir o povo para dentro da terra da promessa. Eles deveriam separar o povo para o Senhor, mas o que aconteceu é que afastaram ainda mais o povo do Senhor, faltando a eles um bom testemunho. Sem contar que Moisés e Arão também se afastaram do Senhor. Podemos afastar pessoas do Senhor e com isso também nos afastamos Dele. Ali houve contenda, não apenas do povo, mas de Moisés e Arão contra Deus. Ao bater na rocha, desprezaram Cristo que é a Rocha (v.12-13).

“Ele então feriu a rocha duas vezes com a vara, ‘como se dependesse do esforço humano e não do poder de Deus somente,’ ou como se a promessa de Deus ‘não tivesse sido cumprida sem todo a força de sua parte’ (Knobel).”[1]

O que o incidente da rocha ferida nos ensina?
1.Há dias que podem ser dramáticos e decisivos para nós (v.1)
2.Há situações semelhantes que podem ter um desfecho diferente (v.2-5, Moisés já passou por isso)
3.Há vitórias do passado que não garantem o sucesso no presente (v.6-8, antes foi só ferir a rocha)
4.Há, na vida cristã, a necessidade de encarar cada situação repetida como se fosse nova, na qual precisamos confiar no Senhor (v.9)
5.Há situações da rotina (lar, trabalho, escola, igreja) que podem nos estressar (v.10)
6.Há necessidade de renovarmos nosso amor diariamente para não nos tornamos agressivos (v.10)
7.Há uma ordem para tratarmos todos bem, mesmo quando tivermos que ser severos (v.10)
8.Há necessidade de fazer o certo da maneira certa (v.11)
9.Não há segurança nos erros só porque são coletivos (v.12)
10.Há perda de privilégio quando agimos com raiva (v.12-13)

3.O próximo evento também foi um desastre. Jacó e Esaú foram inimigos por uns 14 anos no passado, mas depois reataram o amor através do perdão e humildade. No entanto, os descendentes ainda estavam com problemas de relacionamento. Israel e Edom se estranharam devido à falta de gentileza dos edomitas. A nação pediu passagem pela terra de Edom, tomando o cuidado para não se aproveitarem da permissão, varrendo dos frutos da terra de Edom. No entanto, os edomitas não estavam dispostos a dar passagem aos seus irmãos israelitas. Nem as lutas que Israel passara e nem o testemunho da vitória que o Senhor lhes concedeu, sensibilizou o rei de Edom. Ele não quis dar passagem. Os israelitas ofereceram o pagamento de pedágio, caso algum animal bebesse da água dos edomitas. Edom não quis conversa com Israel, antes, se Israel não se desviasse haveria derramamento de sangue (v.14-21).

4.O monte Hor foi uma despedida de Moisés e Arão, ambos desobedientes no incidente da rocha em Meribá. Arão deveria aceitar a derrota e entregar as roupas sacerdotais para o seu sucessor, Eleazar. Todo o povo saberia dessa sucessão. Moisés obedeceu ao Senhor bem como Arão e assim foi feita a sucessão. Arão morreu e sua morte sensibilizou todo Israel que chorou por um mês. Quanto a Moisés, Deus ainda tinha planos para ele conduzir o povo até a entrada da terra (v.22-29).

Tempos difíceis na jornada
1.Tempo de trabalho (v.14)
2.Tempo de maus tratos (v.15)
3.Tempo de clamor (v.16)
4.Tempo de passagens rápidas (v.17)
5.Tempo de intrigas (v.18)
6.Tempo de tentativa de acordos (v.19)
7.Tempo de incompreensão (v.20)
8.Tempo de desviar-se de caminhos de confusão e briga (v.21-23)
9.Tempo de colher disciplina pela desobediência (v.24)
10.Tempo de sucessão e morte (v.25-29)



[1] Keil & Delitzsch Commentary on the Old Testament - Johann (C.F.) Keil (1807-1888) & Franz Delitzsch (1813-1890) (extraído de comentários de e-sword versão 10.3.0 - 2014)

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