Números 22

Capítulo 22: Balaão - parte 1

A polêmica em torno do profeta Balaão (caps.22-25)
Três problemas estão envolvidos sobre esse profeta:
               1) O conhecimento que Balaão tinha do Deus verdadeiro 
               2) O caráter de Balaão 
               3) As profecias de Balaão

O CONHECIMENTO QUE BALAÃO TINHA DO DEUS VERDADEIRO
1.Balaão era de Petor (22.5); Petor era na Mesopotâmia (Dt 23.4). O próprio Balaão fala que é de lá (Nm 23.7). O conhecimento de Deus vinha de Naor, Abrão, Betuel e Labão (Gn 11-12, 24.50, 31.49). Sem dúvida a idolatria prevalecia naquele lugar (Gn 31.19, 35.2, Jos 24.2).


2.Séculos se passaram desde os dias de Labão e durante esse tempo o povo desenvolveu a idolatria praticada por seus pais, até obscurecerem totalmente a adoração verdadeira do Deus verdadeiro que, ainda, existia naquele lugar.

3.Balaão, tendo herdado uma fé monoteísta de seus pais e, provavelmente o cargo de profeta, contudo, misturado com a falsa religião. Portanto, este é o conhecimento que Balaão tinha do Deus verdadeiro. Se ele era, de fato, salvo não sabemos.


O CARÁTER DE BALAÃO
1.Balaão é um profeta verdadeiro e aos mesmo tempo um falso profeta (se isso é possível!).

2.Ele é um profeta verdadeiro no que diz respeito ao conhecimento do Deus verdadeiro, como visto acima. Porém, era um falso profeta também, pois usava das artes mágicas e adivinhações (Jos 13.22). As profecias dele eram baseadas em prostituições. Balaão, portanto, é um homem dividido entre o Deus verdadeiro e as superstições e falsa religião, confuso com o sincretismo religioso, amante das riquezas materiais.

3.O caráter de Balaão, se é que era salvo, era de um profeta desobediente a Deus; e se não era salvo era um falso profeta, que misturava suas adivinhações com o conhecimento do Deus de seus pais.

                                                        AS PROFECIAS DE BALAÃO
1.Em  Nm 23.5 diz que "O SENHOR colocou uma palavra na boca de Balaão" (ver também Nm 23.16 e 24.2).

2.Mas como pode o Espírito Santo vir sobre um homem como Balaão? A resposta para alguns não é tão fácil. O fato é que a Inspiração da Palavra de Deus não é nem um pouco prejudicada, ainda que Balaão não fosse sequer salvo (o que não sabemos com certeza).

3.O Espírito de Jeová vem sobre Balaão, não porque este é um veículo digno, mas apesar dele, e seu desejo secreto de amaldiçoar Israel, acaba por bendizer.

4.Nisto vemos a Soberania de Deus, o qual não é intimidado por ninguém e que pode mudar o rumo de qualquer situação (conforme Rom 8.28).

5.Balaão mesmo acabou vendo que seria inútil lutar contra o povo de Deus (Nm 24.1).

6.Em o Novo Testamento há três referências a Balaão: Em 2 Pe 2.15, Jd 11 e Ap 2.14. O erro de Balaão se resume em três: a ideia secreta de amaldiçoar o povo de Deus, seduzir o povo de Deus através da imoralidade (Nm 31.15-16) e a ganância pelo dinheiro.

1.Balaque era o rei de Moabe e estava com medo do arrastão israelita, pois por onde passavam acumulavam vitórias, sendo que o Senhor pelejava por Israel. De alguma maneira, Balaão já era bem conhecido e foi solicitado para amaldiçoar Israel. Parece que Balaão vivia disso. Os mais desavisados chegam a pensar que ele era obediente ao Senhor, pois não deu uma resposta imediata, mas mandou que os mensageiros esperassem enquanto ele consultava a Deus. Mas será que isso só fazia parte do espetáculo, uma supervalorização de si próprio como “profeta de Deus”? (v.1-8).

2.Deus respondeu a Balaão, perguntando somente para dar a oportunidade de Balaão pensar bem no que ele estava fazendo e onde estava se metendo, pois Deus sabe tudo e já sabia as intenções de Balaque. A resposta de Deus foi para Balaão não se envolver nesse assunto de maldição sobre o povo de Deus, pois era um povo abençoado. Balaão deu a resposta que Deus mandou dar. Evidentemente, tornou-se um profeta difícil e se quisessem levá-lo teriam que desembolsar muito mais dinheiro. Foi exatamente isso que aconteceu. Balaque enviou uma solicitação mais bem representada oferecendo maiores lucros para Balaão. Dizem que todo homem tem seu preço. Balaão entendia bem desse negócio e, por isso, valorizou-se mais ainda, fazendo-os esperar. Desta vez, Deus mandou Balaão ir, pois o nome de Deus seria glorificado naquela situação (v.9-20).

3.O texto deixa bem claro para o leitor que Balaão tinha intenções impuras. Deus realmente falou com ele, mas o coração de Balaão não era reto diante de Deus. Às vezes, é muito difícil detectar engano nos falsos profetas, pois parece, às vezes, que Deus está abençoando a obra deles. Não se engane, eles seguem a dois senhores, Deus e o dinheiro. Porém, não se engane novamente. Eles seguem a Deus somente por causa do dinheiro. No final das contas, eles trabalham apenas para o seu próprio ventre, o seu próprio sustento e ganância. A ira do Senhor não se acendeu contra Balaão depois de toda a empreitada, mas logo no início, pois logo ali estavam as intenções gananciosas de Balaão. A jumenta viu o Anjo do Senhor, mas Balaão demorou para ver. Balaão foi machucado pela jumenta e também a machucou três vezes. A jumenta falar foi espantoso; Balaão responder foi mais ainda (v.21-30).

4.A lição da jumenta não foi suficiente para Balaão. Deus se apresentou a ele, abrindo-lhe os olhos. Deus fala conosco de muitas maneiras, mas nem sempre valorizamos os instrumentos que Deus usa. A jumenta se desviou do Anjo do Senhor três vezes, por isso, o Senhor não matou Balaão. A jumenta que ele espantou foi, na verdade, a sua proteção. Quando um jumento passa a ser a proteção do profeta desobediente, isso mostra o estado espiritual em que ele se encontra, ou seja, menos sábio que um animal. Balaão estava apavorado e disposto a retornar de seu caminho ganancioso, porém, o Senhor quis que ele continuasse, não para ser ganancioso, mas para servir de testemunho a Balaque a respeito do Deus de Israel. O sacrifício de animais oferecido por Balaque nada tem a ver com a adoração ao verdadeiro Deus, mas uma mistura de sua crença com a confiança em Balaão. Que comece o show! (v.31-41).

“Balaão tem sido um problema para os estudantes da Bíblia. Por um lado, parece que ele foi um pagão, mas por outro lado há indicações de que ele pode ter sido um crente. Alguns comentaristas acreditam que ele era um falso profeta adorador de ídolos a quem Deus compeliu contra sua própria vontade para abençoar Israel. Outros defendem que ele foi um profeta verdadeiro de Iavé que simplesmente caiu diante das tentações da ambição e do dinheiro. ‘Como personagem bíblico... Balaão não parece ser nem peixe nem ave.’... ‘Ele era pecador ou santo?’ Os capítulos 22-24 não se preocupam em se pronunciar sobre o assunto. A figura de Balaão é um incidente para a história... ‘Como um velho ditado diz: ‘O Senhor pode desferir um poderoso golpe com uma vara torta...’[1]

O caminho de Balaão - parte 1
1.Conhecido por seus serviços religiosos remunerados (v.1-7)
2.Supervalorizador de seus serviços (v.8, 13, 18,19)
3.Difícil de detectar, à primeira vista, se é profeta de Deus ou charlatão (v.9-12, 20)
4.Bastante solicitado (v.14-17)
5.Perverso e ganancioso, mesmo que não pareça à primeira vista (v.21-34)
6.Usado por Deus, não por ser fiel, mas por ser infiel (v.35-41, Deus já usou até demônios para confundir reis)
7.Balaão no NT: 2 Pe 2.15, Jd 11 e Ap 2.14




[1] The Expository Notes of Dr. Constable (Dr. Constable's Bible Study Notes). Numbers 22.1-20. Copyright 2012 by Dr. Thomas L. Constable (extraído de e-sword version 10.3.0 - 2014)

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