Números 32

Capítulo 32: A cobiça das duas tribos e meia por um “lugar melhor”
1.A saída do Egito representa a nossa redenção do mundo, a nossa salvação em Cristo Jesus. Sabemos a geração antiga não creu como Josué e Calebe e, por isso, não entrou na terra. Isto não significa que não eram salvos, pois senão Moisés também não seria salvo, visto que não entrou na terra por causa da desobediência a Deus batendo na rocha em vez de falar com ela. Da mesma forma, lamentamos o fato de que há muitos crentes que não vivem uma vida vitoriosa em Cristo Jesus, pois é isto que representa Canaã. Aquele descanso que só Ele pode dar está disponível a todos os salvos, mas nem todos entram nesse descanso por amarem mais outras coisas que não são a Palavra de Deus e a Sua vontade. Exemplo disso, foram os gaditas, rubenitas e metade dos manassenitas. O motivo de não quererem entrar na terra do descanso foi a cobiça por um lugar melhor. Não há melhor lugar do que a terra prometida por Deus. Ninguém deveria trocar Canaã por nenhum lugar na Transjordânia por mais verde que fossem os pastos. Ló teve a mesma escolha
egoísta diante de Abraão. Os nossos desejos e planos devem ser submetidos a Deus, pois Ele conhece o que é melhor para nós (v.1-5).

2.Apesar do motivo errado, do egoísmo e avareza, Moisés foi paciente com essas duas tribos e meia. Ele poderia ser bem mais duro com eles, mas dirigido por Deus mostrou que não era justo fazerem essa escolha e relembrou-os dos incrédulos que morreram no deserto por não quererem entrar em Canaã. Todos os crentes devem ser advertidos do perigo de não amadurecerem na vida cristã. A vida cristã vitoriosa não deve ser privilégio de alguns crentes mais fortes, mas um dever de todos em submissão a Deus (v.6-15).

3.A insistência das duas tribos e meia mostram o quanto o crente que não está andando em vitória é irracional. A proposta deles para Moisés é no mínimo inconsequente, pois deixar mulheres e crianças e sair para guerra é deixar a família desprotegida. O lugar em si não era estratégico por não haver limites naturais como do outro lado do Jordão que é protegido pelo Mar Grande a Oeste e pelo Rio Jordão a Leste. Seguindo uma exigência de Moisés as duas tribos e meia vão guerrear para depois voltar. Isto nos adverte quanto à nossa atitude hipócrita de querer fazer um pouco da obra de Deus por motivo de consciência para depois voltarmos às cobiças desenfreadas do mundo. Mesmo não sendo o ideal para um crente vitorioso Moisés, seguindo a permissão de Deus, conta com as duas tribos e meia para desapossar os cananitas (v.16-27).

4.Moisés concedeu a permissão para as duas tribos e meia fazerem como estavam prometendo. É claro que Moisés já deixara claro que ele, e certamente Deus, não queriam que agissem assim, mas Deus permite que cada um faça sua escolha, mesmo que não seja boa. Quando algo der errado, e dará, não poderão acusar Deus. O Senhor não quer que o crente se machuque, mas está com cada um obedecer ou não e as consequências dessa decisão virão. Deus será misericordioso mesmo com o crente desobediente, porém, há muito sofrimento desnecessário. A Palavra de Deus não nos deixa sem o final dessa história. Em Deuteronômio 3.12-20 há uma repetição do pedido e da permissão. Em Josué 22.1-9 lemos a volta das duas tribos e meia para sua terra depois das guerras. Note que foram abençoados por Josué. Deus não retira as bênçãos que promete, mesmo que o crente ainda volte para uma vida inferior àquela que deseja para ele. Em Josué 22.10-34 os problemas começaram a surgir e uma nova maneira de adorar ao Senhor inventada pelas duas tribos e meia. Quando o crente está fora da vontade de Deus começa a formar sua própria doutrina mesmo que se chame “altar do Testemunho”. Em 1 Crônicas 5.18-26 lamentavelmente, mas também de modo previsível, as duas tribos e meia se prostituíram com deuses falsos e foram os primeiros a serem levados ao cativeiro da Assíria. Da mesma forma o crente cobiçoso das coisas do mundo viverá por um tempo servindo a Deus precariamente, mas chegará o tempo que acabará por se desviar completamente do Senhor e do descanso que Ele tem para cada crente. As informações que se seguem (v.33-42) são registros das cidades da Transjordânia que ficaram para as duas tribos e meia (v.28-42).

“… Embora Moisés fizera uma concessão ao permitir que essas duas tribos e meia tivessem sua porção ao Leste do Jordão, há ainda uma lição muito séria para aprendermos em toda esta história. Eles foram fortemente influenciados pelo desejo dos olhos e, finalmente, habitaram do lado errado do Jordão. É um quadro dos crentes que estão satisfeitos, mas sem o exercício espiritual de aprender a verdade da morte com Cristo (como nos ensina a travessia do Jordão) e, portanto, não têm prazer na verdade de serem ‘abençoado[s] com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo’. Quantos estão nesta condição hoje![1]

Obediência parcial a Deus por motivos egoístas
1.Obediência parcial se dá pelo desejo dos olhos (v.1)
2.Obediência parcial se dá por motivos egoístas (v.2-4)
3.Obediência parcial se dá por falta de interesse no que Deus oferece (v.5)
4.Obediência parcial se dá por falta de senso comunitário e coletivo (v.6)
5.Obediência parcial se dá por falta de alegria no Senhor (v.7)
6.Obediência parcial se dá por não se libertar dos costumes herdados dos pais (v.8)
7.Obediência parcial contagia até os que desejam obedecer totalmente ao Senhor (v.9)
8.Obediência parcial desagrada a Deus (v.10-13)
9.Obediência parcial pode trazer duras consequências (v.14-15)
10.Obediência parcial coloca as pessoas queridas em risco por causa da obstinação (v.16-19)
11.Obediência parcial pode ser permitida por Deus, mas ainda assim é parcial (v.20-24)
12.Obediência parcial facilmente pode ser confundida com fidelidade (v.25-32)



[1] Comments on the book of Numbers – Leslie M. Grant (biblecentre.org)

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