Deuteronômio 11

Capítulo 11: A nova terra e os antigos princípios
1.A terra que o povo está para entrar é uma nova realidade. No entanto, os princípios são antigos, pois são os mesmos que Deus quis para o seu povo e o mesmo que deseja para nós, hoje. Ele quer obediência, mas motivada pelo amor. Ainda que alguns não conheceram os eventos do Egito, agora eles têm, através de Moisés, Josué e Calebe o relato verdadeiro das grandezas de Deus libertando os seus pais, disciplinando os rebeldes fazendo com que a terra os engolissem (v.1-7).

2.A obediência fará com que o povo agrade o coração de Deus e isso fará as conquistas serem fáceis.
Não há dúvida que é terra é boa e inesgotável, mas a permanência do povo na terra dependeria da obediência. As qualidades da terra são invejáveis. As chuvas serão abundantes e, por isso, os alimentos também. No Egito tinham que regar a terra, mas em Canaã, Deus regará a terra com chuvas. O cuidado que deveriam tomar é com a idolatria, pois as chuvas poderiam ficar escassas por falta de fidelidade a Deus. Os filhos deveriam tomar ciência dessas palavras e as próximas gerações só alargariam os limites territoriais (v.8-25).

3.A escolha do homem sempre permaneceu, não acabou com a queda de Adão e Eva. Isso não diminuiu em nada a soberania de Deus. Ele não deixa de ser poderoso e o homem não passa a ser o dominador de Deus e do futuro. Dentro da escolha do homem, há responsabilidades e consequências as quais desfrutará ou sofrerá, dependendo das escolhas que faça. Deus queria deixar bem claro que as escolhas trariam resultados que mandou pronunciar as bênçãos e as maldições em montanhas distintas. O cuidado de Deus estaria sobre o povo, mas as pessoas precisam também tomar o cuidado de obedecer as palavras Dele (v.26-32).

Quando começaria o declínio da nação (Dt 11.1-7)
1.Quando deixasse de amar o Senhor (v.1)
2.Quando deixasse de considerar a grandeza do Senhor (v.2)
3.Quando deixasse de considerar os sinais do Senhor no Egito (v.3-4)
4.Quando deixasse de considerar o cuidado do Senhor no deserto (v.5)
5.Quando deixasse de aprender com a disciplina do Senhor (v.6-7)
 

Os termos das bênçãos de Deus para o povo de Israel e possíveis aplicações para nós na vida cristã
1.Se obedecerem, possuirão a terra (v.8).
Nós: alegria, ousadia e influência positiva sobre a vida de outros
2.Se obedecerem, permanecerão na terra (v.9)
Nós: Respostas de oração e firmeza nas lutas
3.Se obedecerem, Deus regará a terra com chuvas (v.10-17)
Nós: Privilégio de ajudar outros e gratidão em nossos corações
4.Se ensinarem os filhos, os dias serão multiplicados na terra (v.18-21)
Nós: Semente plantada para o futuro e isenção de culpa por não ensinar
5.Se obedecerem, vencerão todos os inimigos (v.22-25)
Nós: Convicções mais firmes e aceitação pelo bom testemunho
6.Se obedecerem, serão abençoados sempre (v.26-32)
Nós: Segurança da presença de Deus e certeza de que valeu a pena

Os reparos na porta e no portão da casa do lar do crente[1]
 Dt 11.18-20
1.A marca de uma família cristã está nestes versos (Dt 11.18-20). Começa com a Palavra de Deus sendo fixada nos corações e mentes daqueles que se unem em casamento. A família cristã começa com um relacionamento individual com Deus através de Jesus Cristo. Davi disse que escondia as palavras de Deus em seu coração (SI 119.11). Estas palavras fundamentam o caráter daqueles que serão canais através dos quais os filhos virão ao conhecimento do amor de Deus e da Salvação através de Jesus Cristo. A Palavra de Deus escondida (guardada) no coração é o ingrediente e ativo no estilo de vida dos pais crentes. A Palavra de Deus influencia diretamente a vida e a atitude dos pais. A metáfora “símbolos em suas mãos” indica que as ações dos pais devem ser dirigidas pela Palavra de Deus. A Palavra de Deus produz as atitudes e valores da vida. “Amarrar a Palavra de Deus à testa” mostra a perspectiva da visão do mundo sob a realidade de Deus, ou seja, ver o mundo como Deus vê. Os pais ensinam os filhos a ver com os olhos de Deus. A maior barreira para os filhos aprenderem a Palavra de Deus é levantada pela discrepância entre o que os pais fazem e o que dizem. Por isso, Deuteronômio enfatiza a prática pessoal em primeiro lugar e depois o ensino aos filhos. A direção para os pais é muito clara: “Ensina-os”. A Palavra de Deus deve ser uma parte da conversa diária e não uma experiência isolada e limitada aos domingos ou reservada para os “cultos domésticos”. A Palavra de Deus é para ser parte da conversação dentro e fora do lar. Pais, frequentemente, classificam sua conversa com os filhos entre “assuntos espirituais” e “não espirituais” e os filhos aprendem a ser “bilíngues”. Aprendem a falar a língua do mundo e a língua da Bíblia. Tiago (3.9-12) nos adverte sobre a tendência da língua para gerar louvor a Deus e ao mesmo tempo amaldiçoar. Quando a Palavra de Deus não é uma parte integrante de nossa comunicação tanto em casa como “ao longo do caminho”, nossos filhos aprendem a guardar a Palavra de Deus separada de suas vidas ao invés de tornar-se parte de sua própria vida. A Palavra de Deus é também um “estoque” para cada dia. Se a criança é exposta à Bíblia e oração no início e fim de cada dia (“ao levantar e ao deitar”), o tempo de intervalo terá menos impacto de minar seus efeitos. O aspecto final desta “fórmula” relata a natureza da experiência espiritual no lar e a imagem da família fora, no mundo (v.18).

2.“Umbrais” representam a atmosfera interior e a experiência da vida familiar e “portas” representam a imagem pública da família do lado de fora, no mundo. Tanto o lado de dentro quanto o lado de fora reflete a marca da Palavra de Deus. Frequentemente, famílias aplicam seus recursos apenas em um ou outro lado. Muito esforço é desprendido para fazer a família parecer uma família fiel aos olhos dos outros. Às vezes, não é possível diferenciar uma família de crentes de outra. Quando o lado de fora parece normal, mas o lado de dentro não é, o resultado é como uma fachada bonita, apenas. Quando a imagem do lado de fora não reflete a realidade interior, crianças perdem sua identidade de “crentes” quando saem para o mundo. Assim, perde-se também a utilidade da família e o testemunho é prejudicado. Portanto, o processo de tornar-se uma família cristã normal é “velar às portas e umbrais” para que a identidade de família cristã normal seja congruente do lado de dentro e de fora (Pv 8.34). Os resultados serão filhos que crescerão com a Palavra de Deus fixada em seus corações e mentes.



[1] Minding your doors & gates - James P.Trotzer (Grace & Truth - Fev. 1990)

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