Juízes 16

Lição 16: O auge do pecado e da vitória de Sansão como libertador
1.Ninguém pode se conhecer ou conhecer outra pessoa apenas no modo como se relaciona com as pessoas publicamente. Os bastidores consistem no modo íntimo de como vive alguém. Os bastidores são as mobílias de uma peça teatral, aquilo que o público não vê, mas que formam o espetáculo. Nos bastidores está a realidade e no palco está a ficção. Sansão foi um homem forte fisicamente e fraco moralmente. A vida pública e particular dele foi vergonhosa. Ele devia livrar o povo de Israel dos filisteus e acabou fazendo, pois Deus o escolheu para isto, porém, não deixou nenhum exemplo de obediência a Deus. Isto mostra que não basta fazer o que tem de ser feito, mas que devemos fazer o bem para glorificar a Deus. A política deve aos homens dos bastidores a sua ascensão e queda. A imagem de um político é construída a partir dos bastidores, onde estrategistas
e articuladores agem. Por detrás de cada decisão política há manobras nos bastidores.

2.Sansão era conhecido como um homem forte, brincalhão e simpático por todos que o cercavam, mas nos bastidores a Palavra de Deus nos deixa ver que era fraco, irreverente e arrogante. Para Deus o que importa não são as encenações, mas os bastidores. O homem vê o exterior, Deus, porém, vê o interior. O crente devia pensar mais nos bastidores: os bastidores do casamento, da igreja, do trabalho, da vida cristã, etc. Ali onde temos medo de ser apanhados é que se revela quem, de fato, somos. Sansão podia esconder os bastidores das pessoas da sua época, mas não podia evitar que os bastidores de sua triste vida fossem registrados na Palavra de Deus. Podemos esconder os detalhes dos nossos bastidores, mas não poderemos evitar que sejam revelados no Tribunal de Cristo, o dia dos acertos dos crentes onde tudo será manifestado, até mesmos as intenções do coração.

3.Sansão podia se apresentar como um homem forte fisicamente, mas moralmente era fraco. Ele não podia ver uma mulher que perdia a força moral. A prostituição mostra que o homem não quer ser reconhecido. Mesmo nos bastidores as pessoas não estão protegidas. Em nossos dias ninguém ignora os tabloides que são as revistas e reportagens que revelam as curiosidades dos artistas famosos. Sansão não podia se ocultar sempre, pois as pessoas queriam matá-lo, pois afinal de contas Sansão era o escolhido de Deus para libertar Israel dos povos inimigos. Prepararam uma emboscada para pegar Sansão. O crente é observado pelos incrédulos. Alguns crentes não podem ensinar e evangelizar para pessoas conhecidas por causa dos bastidores que são revelados (v.1-2).

4.Sansão era protegido por Deus, mas nunca reconhecia isto. Ele sempre pensava que podia agir somente com sua força sobre-humana. Não sabemos como Sansão soube dos inimigos, mas para não dormir aquela noite e sair com as portas nos braços à meia-noite é porque ele soube que alguém queria prendê-lo. Talvez a prostituta ou o próprio Deus em um sonho ou visão. Ao levar as enormes portas até o cume do monte, mostrava sua força, intimidava os inimigos e servia de escudo. Nos bastidores da vida de Sansão vemos a imoralidade. Infelizmente acontece com líderes que ensinam a Palavra de Deus e dirigem o rebanho de Cristo. A imoralidade é um segredo guardado e que não é revelado senão através da confissão ou denúncia. Cada crente deve cuidar do seu próprio corpo, pois não há nada nos bastidores que não será revelado aqui ou no Tribunal de Cristo (v.3).

5.Nos bastidores, Sansão era irreverente para com aquilo que Deus lhe deu. Quando recebemos capacidades de Deus certamente é porque Ele queria que as usássemos para a Sua glória. Quando as nossas capacidades são usadas para a autopromoção estamos irritando a Deus. Sansão tinha uma força física descomunal, mas usava este poder para brincar de enigmas com os homens. É bem provável que Sansão fosse um homem esperto de raciocínio, mas ao usá-lo para apostas ele estava se desqualificando para servir a Deus.

6.Ele queria ver as pessoas implorando para ele por respostas às suas charadas e caindo aos seus pés por causa de sua força. Porém, ele também caía aos pés das mulheres. Era o fraco de Sansão. Ele saiu de Gaza, terra dos filisteus e foi para Soreque ali perto. Os estudiosos identificam como Waldi al-Sarar, entre Jerusalém e o mar Mediterrâneo. Soreque significa “vinhas selecionadas”. Devia ser um lugar de plantação de uvas.

7.Ele conhece Dalila que ficou muito famosa nos nossos dias. Já fizeram filmes sobre este incidente. As crianças conhecem esta história, pois mostra a brincadeira e arrogância de Sansão. Dalila significa “fraca, débil”. Sansão se enfraqueceu diante da mulher que foi forte o bastante para insistir com ele para revelar-lhe o segredo. Os bastidores de Sansão foram invadidos por uma mulher com nome de fraca (v.4).

8.Os líderes dos filisteus estavam preocupados com Sansão que podia oferecer-lhes resistência tão facilmente. A única alternativa era descobrir o que acontecia nos bastidores da vida de Sansão. Satanás quer derrotar o crente e o modo que fará isto é seguir o crente até o bastidor de sua vida. Um sequestrador, criminoso tão comum em nossos dias, estuda atentamente a vida íntima da pessoa que tenciona sequestrar. Os seus hábitos e passeios, trabalho e amizade, ou seja, os seus bastidores (as redes sociais vieram facilitar o trabalho deles). Os filisteus usariam Dalila para descobrir os segredos de Sansão. O salário dela para isto seria de 1100 peças de prata de cada líder. Não sabemos quantos eram (v.5).

9.É claro que Dalila estava fazendo um jogo de mulher apaixonada e, por isso, ele não estava desconfiando de que ela estava armando alguma emboscada. Sansão entendendo a brincadeira mentia para ela, divertindo-se com aquela situação. Estamos entrando nos bastidores de um casal supostamente apaixonado. Sansão era fraco por mulheres e Dalila fraca por dinheiro. Como Soreque era um lugar de plantação de uvas Sansão disse que para ser preso teriam de amarrar sete cordas não secas, provavelmente, das vinhas. Seria divertido, talvez pensasse Sansão. O crente tentando ao Senhor se diverte em seu estado de “senhor de si” achando-se forte demais (v.6-7).

10.Para Sansão tudo não passava de jogos amorosos. Ele se divertia, mas se soubesse que nos outros bastidores havia uma trama, ele tomaria mais cuidadoso e se voltaria ao Senhor. O crente não está brincando. Há uma luta espiritual que o envolve. Satanás quer amarrar e inutilizar o crente. Os bastidores espirituais ocorrem nas regiões celestiais. A emboscada não foi desmascarada. Simplesmente Dalila fingiu ser protetora de Sansão. Era como se tudo não passasse de uma coincidência. Os homens querendo prender Sansão era uma situação comum para ele. Sansão zombava dos valentes tentando agarrá-lo. Parece que a vida para Sansão era monótona se não tivesse essas aventuras perigosas (v.8-9).

11.John Gill acha que Dalila insistiu com Sansão em outro dia[1]. Se foi assim, é mais fácil compreender porque Sansão não estava desconfiado que Dalila era uma traidora. Sansão aceitou um novo desafio, fingindo revelar o segredo. Nem as cordas novas e trançadas conseguiram deter Sansão. Fica um pouco difícil acreditar que Sansão não sabia da emboscada. Sansão, tão esperto com os enigmas não poderia ser tão ingênuo, pensando ser outra coincidência. De fato, os filisteus estavam tramando com Dalila. Porém, fica mais fácil entender quando conhecemos os bastidores da vida de Sansão. Ele era um jovem mimado que gostava de aventuras. Ele desafiava o perigo real (v.10-12).

12.Dalila não deixaria todo aquele dinheiro fugir com Sansão. Ela insistiu para saber o segredo de Sansão. Os cabelos de Sansão eram enormes. Os cabelos trançados em uma estaca enterrada no chão ficariam quase impossíveis de serem arrancados, mas mesmo assim ele escapou. Esses são os bastidores da vida de Sansão. Quando conhecemos melhor as motivações egoísticas e exibicionistas de Sansão não temos dúvidas de que ele era irreverente e imoral. Os bastidores de nossas vidas serão inspecionados e como estarão? Desta vez Sansão chegou ao limite da paciência de Deus. Ele tentou a Deus usando a sua força, mas agora Sansão estava desprezando o voto do nazireado que os seus pais fizeram sobre ele diante de Deus. Aqueles cabelos não podiam ser cortados. Quando o crente despreza o seu compromisso com Deus as consequências são desastrosas (v.13-14).

13.O crente que deixa as duas práticas básicas da vida cristã está antecipando sua queda. As duas práticas são a leitura da Bíblia e a oração. Sansão estava caindo no jogo amoroso de Dalila e andando cada vez mais perto do abismo. Ela não desistiria de atormentá-lo, pois muito dinheiro estava envolvido. Sansão acabou revelando o segredo de sua força. O crente que anda perto da sedução de Satanás acabará cedendo o seu poder para brincar com o perigo. Não devemos testar a nós mesmos para saber o quanto suportaríamos às tentações. Os mesmos pecados que nos assediaram antes voltarão a nos importunar (v.15-17).

14.Dalila estava totalmente confiante que descobrira o segredo. O dinheiro já estava garantido. Aquele que anda beirando o pecado acabará cedendo. Sansão dormiu profundamente, pois cortaram-lhe os cabelos sem que acordasse. Deus certamente deu um sono profundo a Sansão. Chegou o momento da disciplina dele. As brincadeiras de Sansão já não tinham graça há muito tempo, mas ele ainda estava se divertindo com tudo aquilo. O que Sansão não sabia é que a paciência de Deus já se esgotara. Quando Deus deixa de revestir o crente de poder e proteção, então, a queda é irremediável (v.18-20).

15.Lá estava o forte Sansão com os olhos vazados e trabalhando como um animal de tração. O crente não precisa terminar o seu testemunho dessa maneira. Mesmo na queda Deus tem misericórdia do crente. Sansão foi escolhido com um propósito e isto seria cumprido em sua vida (v.21).

16.Neste mundo já houve muitos brados de angústia, de alegria, de libertação e de morte. Os brados marcam acontecimentos importantes. O sangue de Abel brada da terra. Os moradores de Éfeso bradavam “Diana dos efésios” por duas horas. Jesus bradou sobre Jerusalém que não quis se arrepender. Jesus bradou 7 frases na cruz, sendo a última “Está consumado”. No final da vida de Sansão ouvimos dois brados: um brado de morte e um brado de vida. Como seria fácil pensar, o brado de morte teria sido o grito final de Sansão, mas não, este foi um brado de vida, pois para libertar o povo de Israel que Sansão foi chamado e somente na sua morte conseguiu cumprir a sua missão. Foi o brado vitorioso de Sansão que trouxe vida e liberdade para Israel.

17.O cabelo começou a crescer novamente. Há um renovo de esperança mesmo para o crente derrubado. É claro que Sansão jamais seria o mesmo. Os olhos vazados mostram toda a humilhação pela qual deveria passar. John Gill sugere que o crescimento do cabelo de Sansão foi muito rápido, pois ele teria se arrependido de seu pecado e renovado o seu voto de nazireado.[2] Deus se agradou da atitude final de Sansão e o honrou, libertando Israel dos filisteus (v.22).

18.O que ouvimos a seguir é um brado de morte. A idolatria é um caminho de morte. Assim como os efésios estavam bradando para a própria morte eterna, os filisteus bradam louvando ao falso deus Dagom para a sua própria morte. Dagom significa “peixe” e era um deus filisteu da fertilidade; representado com o rosto e as mãos de um homem e a cauda de um peixe. Eles bradavam de alegria crendo que Dagom que entregara Sansão para eles (v.23).

19.Os líderes foram os primeiros a bradarem louvores a Dagom e depois o povo filisteu. Sansão era muito temido, pois fez muitos mortos entre os filisteus. Satanás já perdeu muitos seguidores para Cristo e Sua Igreja. O desejo de Satanás é ver os servos de Deus tombarem, pois os crentes fiéis causam muito atraso para o inferno (v.24).

20.A ocasião era especial, por isso, os filisteus se reuniram em seu templo. Ali havia bebida, orgia e fortes brados de morte em louvor ao Diabo. A diversão deles era ver Sansão com os olhos vazados tateando o ar. Satanás está bradando de alegria ao ver crentes fracos e derrotados e muito mais quando vê crentes com potencial para líderes ou os próprios líderes derrotados (v.25).

21.É possível que Sansão conseguira despertar compaixão dos servos do templo que também eram oprimidos pelos filisteus. O pedido de Sansão podia ser entendido como o brado de alguém cansado e humilhado que queria apenas se escorar em algum muro. Triste situação a de Sansão, mas pior era a situação daqueles idólatras bradando louvores inúteis. Um crente derrotado ainda tem a esperança de ser ouvido pelo Deus verdadeiro, enquanto o idólatra ainda que esteja em festa está, de fato, morto em seus pecados (v.26).

22.Os brados eram altos e da parte de homens e mulheres, nobres e plebeus, ricos e pobres. Todos se divertiam às custas de Sansão. Jamais ele fora humilhado assim. Sansão estava sempre se divertindo em sua vida desregrada, mas agora sofria as consequências de sua irreverência. Diante de 3 mil pessoas, bradando contra ele e a favor de Dagom, o servo de Deus, Sansão, era zombado (v.27).

23.Há multidões bradando de alegria, mas na verdade são brados de morte porque estão separadas de Deus e sob o risco de condenação eterna. Há um brado maravilhoso de vida nas últimas horas de vida de Sansão. Não há brado mais marcante do que o servo de Deus clamando por socorro ao Deus dos exércitos. O nosso Deus se lembra do mais pecador dos crentes e restaura a sua vida do ponto em que estiver. Sansão bradava com todas as suas forças por vingança contra o povo de Deus. Ele reconheceu que veio a este mundo para ser o grande libertador, mas jamais viveu dignamente a sua missão. Agora ainda há tempo para ser bênção. De modo simples Sansão pede vingança pelo menos por um de seus olhos. O texto hebraico diz pelos dois olhos. Não era uma vingança pessoal, mas na qualidade de juiz de Israel os olhos vazados de Sansão representavam uma ofensa para todo o povo, pois feriram o seu libertador. O que acontece para o servo de Deus é refletido em todo o Corpo de Cristo. Um crente derrotado é um testemunho a menos na terra (v.28).

24.As colunas eram próximas o suficiente para Sansão esticar os braços e tocá-las com suas mãos. É um maravilhoso retrato de Cristo na cruz que deu a sua própria vida, sendo o libertador de Seu povo. Sansão neste momento passou a ser um tipo de Cristo crucificado. Apesar de sua vida sem regras, agora vemos um homem bradando para derrubar as colunas para cumprir seu papel de libertador. Não foi um brado de morte, mas de vida. Sansão acabara de libertar o povo de Israel e de se libertar de seu caráter fraco. Ele foi forte de verdade. A sua morte foi honrosa. Na fraqueza de Sansão Deus o fortaleceu. O crente fraco é mais forte. O poder se aperfeiçoa na fraqueza. Os resultados do final da vida de Sansão foram maiores do que em toda a sua vida (v.29-30).

25.A mãe de Sansão foi abençoada com mais filhos depois dele, lembrando que ela era estéril. Os filisteus permitiram o sepultamento de seu inimigo como era costume entre os povos antigos. Termina aqui o brado da vida. Sansão ficou liberto de suas fraquezas morais e libertou o povo de Israel. Foram vinte anos como juiz, mas somente no último dia cumpriu bem a sua função. A Bíblia também brada o testemunho de fé desse homem. Um único dia de arrependimento vale mais do que a vida toda de desobediência. A misericórdia de Deus é um brado de vitória para nós (v.31, ver Hebreus 11.32).

“Cuidado com Satanás que destrói os homens embalando-os para dormirem, elogiando-os e dando-lhes segurança para, finalmente, roubá-los de sua força e honra, levando-os cativos de sua própria vontade. (Deus frequentemente deixa os homens cometerem tolices para puni-los pela satisfação de suas luxúrias.)”[3]

Os gritos de vitória para Sansão (Jz 16)
1.O primeiro grito de Dalila (v.1-9)
2.O segundo grito de Dalila (v.10-12)
3.O terceiro grito de Dalila (v.13-15)
4.O quarto grito de Dalila e a derrota de Sansão (v.16-20)
5.O grito de Sansão e a vitória de Israel (v.21-31)

Os brados importantes da Bíblia
1.José e os irmãos (Gn 45.1)
2.O povo de Israel quando caiu fogo no acampamento (Nm 11.2)
3.O povo ao redor da muralha de Jericó (Js 6.20)
4.Sansão em sua última investida contra os filisteus (Jz 16.20,30)
5.Pedro se afogando e pedindo ajuda a Jesus (Mt 14.30)
6.A mulher cananeia pedindo ajuda a Jesus para sua filha endemoninhada (Mt 15.22)
7.Jesus chamando Lázaro para fora do túmulo (Jo 11.43)
8.O rico no lugar de tormento (Lc 16.24)
9.O (s) cego (s) pedindo misericórdia a Jesus (Lc 18.38)
10.O povo pedindo que Jesus fosse crucificado (Jo 19.15)
11.Os 7 brados de Jesus na Cruz (Mt 27)



[1] John Gill's Exposition of the Entire Bible, Juízes 16 (John Gill 1690-1771 - extraído de e-sword version 10.3.0 – 2014)
[2] John Gill's Exposition of the Entire Bible, Juízes 16.22 (John Gill 1690-1771 - extraído de e-sword version 10.3.0 – 2014)
[3] Summarized Bible Complete Summary of the Bible - Keith L. Brooks – Juízes 16 - Copyright 1919 (extraído de e-sword version 10.3.0 – 2014)

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