1 Samuel 2

Lição 2: Cântico de louvor. Filhos execráveis (deploráveis, abomináveis)
1.Ana foi uma vitoriosa na oração, pois lançou mão dos elementos necessários para a oração: pedir, esperar e agradecer. Ela reconheceu a santidade do Senhor e o vê como o protetor. Na oração dela percebe-se que o ser humilhada pelo Penina foi uma luta interior muito grande para ela. Porém, ela confiava Naquele que tudo vê e que, finalmente, julgará toda a arrogância. Como um pequeno exército fraco, Ana venceu o grande inimigo, pois Deus a fortaleceu para a batalha que enfrentou. Deus reverteu a história e o fraco se tornou forte, a estéril gerou filhos, o faminto ficou satisfeito, ao passo que o forte, a mãe e o farto ficaram fracos, sem filhos e famintos. Como Tiago disse, o soberbo será abatido. Deus tira a vida e chama o morto para fora do sepulcro, como aconteceu com Lázaro
em João 11, ressuscitado por Jesus. O pobre, hoje, pode se tornar amigo dos príncipes, rico, se Deus assim quiser. O rico, seguro em suas propriedades, pode perder tudo, se Deus tirar-lhe o mantimento. É uma oração da virada. Porém, não apenas para a exaltação, mas para a humilhação. No caso de Eli, haverá uma virada na vida dele para pior. Jó experimentou a virada e o retorno para a situação confortável. Nossa vida está nas mãos do Senhor. Não apenas o pecado e a arrogância nos faz cair em insucessos, mas a vontade permissiva Dele também pode para cumprir aos propósitos Dele, os quais quase sempre não entendemos de primeira mão. Ana oro sobre a vitória do rei, mas em Israel ainda não havia sido instituída a monarquia, por isso, a oração também foi uma profecia, em dois tempos, falando dos reis de Israel, mas principalmente do Rei dos reis, Jesus Cristo, o vitorioso sobre toda a terra (v.1-10).

“A referência a seu rei antes que houvesse um rei em Israel tem sido a principal razão pela qual alguns negam que a autoria desse cântico seja de Ana. Embora Israel não tenha tido rei até alguns anos depois disso, a necessidade que sentiam disso já havia sido expressa na época dos juízes (Jz 8.22; 9). Contudo, a esperança de um rei era tão antiga quanto a aliança abraâmica (Gn 17.6), e o processo de ungir, adequado para a consagração de reis (Jz 9.15), fazia parte do ritual de Israel. Portanto, não há nada de anacrônico no discernimento de Ana de que estava para raiar uma era de realeza mediante o ministério de seu filho, pois ela desempenha um papel profético aqui.”[1]

A grande virada para cima ou para baixo (1 Sm 2)
1.Do choro para o riso (v.1)
2.Do abandono para a proteção (v.2)
3.Da arrogância para o julgamento (v.3)
4.Da fraqueza para a força (v.4)
5.Da fartura para a fome, da fome para a abundância (v.5)
6.Da esterilidade para a fertilidade, da fertilidade para a esterilidade (v.5)
7.Da morte para a vida (v.6)
8.Da pobreza para a riqueza, da humilhação para a exaltação (v.7-8)
9.Da proteção para a perdição (v.9)
10.Da derrota para a vitória (v.10)

2.Mesmo que Ana estivesse determinada a deixar o menino sob os cuidados de Eli, na Casa do Senhor, a separação de uma mãe do filho sempre é calorosa e cheia de sentimentos. O menino Samuel viveria num ambiente em que as coisas não estavam corretas. Eli tinha filhos que não eram um bom exemplo para Samuel. Isso nos faz pensar mais sobre a redoma em que queremos colocar nossos filhos, protegendo-os das influências do mundo. Eles terão que aprender a perceber que o mundo jaz no Maligno e que, às vezes, até as escolas evangélicas, igrejas e seminários são contaminados com pessoas que não andam exatamente como Deus quer. Os filhos de Eli eram glutões, desrespeitosos e imorais. Eram também ameaçadores e violentos. Tristemente abusadores. Temos uma cultura popular evangélica que diz que todos os pecados são iguais, porém, note que o Senhor via aquele pecado como grande pecado ou pecado muito grave. Assim era o ambiente em que Samuel fora criado (v.11-18).

3.A mãe de Samuel presentava o filho anualmente com uma veste sacerdotal. Certamente isso renovava na mente dela o voto feito ao Senhor. Temos que manter nossa visão espiritual e ministerial. Ela gastava tempo, durante o ano, para costurar aquela veste e isso a mantinha focada no ministério do filho e a entrega dela ao Senhor. Outros filhos não são substitutos para Samuel, mas o Senhor presenteou Ana com cinco filhos. Eli, por sua vez, sofria muito com a vida escandalosa que os filhos levavam. Líderes precisam ter filhos fiéis e não acusados de dissolução (Tt 1.6). Somente filhos maiores podem praticar dissolução, que é o pecado da imoralidade. É verdade que filhos casados com suas próprias famílias respondem por si próprios, porém, se esse filho é um líder na igreja do pai pastor, certamente devem ser disciplinados. É até mesmo duvidoso que, estando na mesma igreja, o pai teria alguma autoridade no ministério (v.19-25).

“Eli deveria reprová-los mais severamente e abertamente expor o mal de seus feitos e, como juiz puni-los por essas más obras.”[2]

4.Por outro lado, Samuel ganhava a apreciação do Senhor e das pessoas. Se Samuel ainda era muito novo para repreender Eli severamente, Deus levantou um profeta para fazer isso. A ação de Eli em favor dos filhos era uma idolatria, pois honrava mais aos filhos do que a Deus. A filholatria está presente hoje também. Os filhos podem levar os pais a fazerem tudo o que eles querem. O texto do departamento de Polícia do Texas é antigo, mas bem apropriado, conforme lemos abaixo. Tudo o que o profeta falou aconteceria, pois foi Deus quem estava proferindo, através do profeta, a sentença contra Eli e os filhos. A profecia inclui o novo sistema de governo, a monarquia (v.26-36).


Doze regras para se criar um filho delinquente[3]

Há alguns anos atrás, a polícia da cidade de Houston, Texas, publicou um folheto que continha doze regras para se criar um filho delinquente. Esse trabalho mostra que a polícia, a primeira a se haver com os resultados dos lares permissivos, nunca se deixou levar pelos teóricos nem pelos pais que acreditavam que a criança nasce boa e precisa expressar sua bondade. A seguir essas doze regras.

1.Comece desde a infância a dar a seu filho tudo o que quiser. Desta maneira ele crescerá achando que o mundo tem que dar-lhe tudo.

2.Quando ele aprender palavrões, ria-se dele. Isto o fará pensar que é engraçadinho e o encorajará a aprender frases “mais engraçadinhas” ainda, que mais tarde vão lhe deixar completamente sem jeito.

3.Nunca lhe dê treinamento espiritual algum. Espere até que ele tenha vinte e um anos e deixe-o “decidir por si mesmo”.

4.Evite o uso da palavra “errado”. Pode desenvolver nele um complexo de culpa. Isto condicionará seu filho a acreditar mais tarde, quando for preso por roubar um carro, que a sociedade está contra ele e que está sendo perseguido.

5.Apanhe tudo que seu filho deixar espalhado: livros, sapatos e roupas. Faça tudo por ele e assim ele se acostumará a jogar todas as responsabilidades em cima dos outros.

6.Deixe-o ler tudo que lhe caia nas mãos. Cuide sempre que as vasilhas, pratos, talheres e copos sejam esterilizados, mas deixe que sua mente se alimente de lixo.

7.Brigue com sua esposa (ou marido) frequentemente na presença dos filhos. Deste modo, eles não ficarão chocados mais tarde, quando o lar se desfizer.

8.Dê-lhe todo o dinheiro que quiser. Não permita que ele trabalhe para ganhar dinheiro. Por que ele teria que adquirir as coisas com as mesmas dificuldades que você?

9.Satisfaça qualquer desejo de comida, bebida e conforto que ele tenha. Veja que todos os seus desejos sensuais sejam gratificados. A inibição dos desejos pode dar origem a uma perniciosa frustração.

10.Tome partido dele contra vizinhos, professores e policiais. Todos eles estão de prevenção contra seu filho.

11.E quando ele estiver seriamente envolvido em dificuldades, desculpe-se a si mesmo dizendo: “Nunca consegui fazer nada com ele!”

12.Prepare-se para uma vida de tristezas e sofrimento. Você está fazendo tudo para tê-la.

Eli e seus filhos (1 Sm 2)
1.Os filhos de Eli eram adultos e, provavelmente, casados (1 Sm 1.3).
2.Os filhos de Eli eram glutões, egoístas, desrespeitosos e ameaçadores (2.12-21).
3.Os filhos de Eli eram dissolutos (impuros sexuais, 2.22).
4.Eli falava, mas não agia (2.23-24).
5.Os filhos seriam a queda do pai (v.25-26)
6.Eli praticava a filholatria. Ele colocava os filhos acima do Deus que servia, mimando-os (v.27-36).
7.Samuel era a solução de Deus para a desqualificação de Eli (3.10-19, ver v.13).
8.A consequência na insistência no ministério, já desqualificado, afeta a muitos (4.11-22).



[1] Introdução e Comentário – 1 Samuel, pg. 65 – Joyce G. Baldwin – Série Cultura Bíblica (Ed. Vida Nova – São Paulo – SP – 1ª ed. Brasileira 1997)

[2] John Gill's Exposition of the Entire Bible, 1 Sm 2.25 (John Gill 1690-1771 - extraído de e-sword version 10.3.0 – 2014)
[3] Fonte: Departamento de Polícia do Texas - EUA

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